14 Mai 06h00
Está certo deixar SP fora da Copa das Confederações
Daia Olivier/R&
É correta a decisão da Fifa de não incluir o Estado de São Paulo entre os cinco que irão abrigar jogos da Copa das Confederações em 2013.
Isso porque o estádio do Corinthians (foto do portão do terreno acima), definido para ser a sede paulista da Copa do Mundo 2014, não ficará pronto a tempo de abrigar a CC.
Quando corações, bolsos e intenções políticas estão afinadas, tudo, sabemos, pode ser possível.
E mais possível ainda quando de um lado estão autoridades e cartolas paulistas e do outro, a Fifa e a CBF.
Fosse suave a relação entre autoridades paulistas, Fifa e CBF, o Estado de São Paulo até poderia ser incluído com um estádio que não fosse o Itaquerão.
Mas isso seria, tecnicamente e à luz do bom senso, uma contradição e um absurdo.
Explico.
Só há uma justificativa para a realização dessa insossa Copa das Confederações um ano antes de cada Mundial: a patrulha, o aperto de cinco, a faca colocada no peito do país organizador para que se mantenha prazos e padrões assumidos e assinados e toda a organização da Copa do Mundo, a começar pela contrução e a reforma dos estádios escolhidos.
A Fifa pode não admitr, mas ela, a CC, foi criada justamente para isso.
Evento teste.
A rigor, não há outra utilidade para esta competição.
A CC é apenas a garantia de que vai existir no país-sede da Copa, 12 meses antes da bola rolar, uma estrutura mínima que permita a realização da competição mesmo que se passe a pisar na bola geral na reta final dos preparativos.
A CC serve para dar uma impressão geral de como transportes, comunicação, salas de imprensa, acesso às arenas, ocupação e desocupação de estádios, aeroportos, credenciamentos, tratamento a turistas, a profissionais e outros pontos fundamentais para o bom desenvolvimento da competição funcionarão um ano depois, durante o que vale, ou seja, a Copa do Mundo.
Por isso, ela, a Copa das Confederações, sempre é realizada no país que, um ano depois, será também a sede da Copa do Mundo.
E também por isso ela é sempre disputada em estádios que, um ano depois, serão também as arenas do Mundial.
Por isso, tecnicamente, e também diante do mais elementar bom senso, não faz o menor sentido aceitar, por exemplo, o Pacaembu, o Morumbi ou mesmo a nova arena do Palmeiras, se ela estiver pronta até meados de 2013, apenas para incluir São Paulo entre as sedes da CC.
Como não faria o menor sentido incluir hoje o Estado do Rio de Janeiro, por exemplo, com o Engenhão no lugar do Maracanã, o palco que está em obras e foi definido para Copa.
Ou incluir o Rio Grande do Sul na CC com o Estádio Olímpico, e não o Beira-Rio estabelecido para a disputa do Mundial.
Não faz sentido.
Essa conversa de que "o estado mais rico da federação" não pode ficar de fora da CC é conversa fiada, paulistocentrismo bobo.
Claro que pode.
Pode como pode todo estado brasileiro ficar fora de alguma coisa importante para o País um dia ou outro.
Não tenho dúvida de que, se o Itaquerão ficasse pronto ao tempo estabelecido para disputar a CC, São Paulo certamente estaria entre as cinco sedes escolhidas para a competição.
Porque todos estão curiosos para ver como irão funcionar os corredores de trânsito, acessos, metrô, comunicações, trabalho da imprensa e outros pontos-chave para um jogo internacional no que será o distante e novíssimo Itaquerão.
E, além de tudo, isso seria útil para a organização.
O teste do campo que será usado.
E não um remendo para satisfazer interesses políticos, turísticos, financeiros e emocionais de um estado da federação - neste caso, o de São Paulo.
À luz da seriedade, da técnica, do bom senso e da meritocracia, as coisas deveriam funcionar assim.
Mas, repito, se corações, bolsos e intenções políticas estivessem afinados...
Não sou tolinho a ponto de achar que tudo se resolve para o bem da técnica e não da política.
Sobretudo no ambiente arcaico e sujo do futebol.
Mas daí a querer o impróprio por pirraça e cultura do melindre, já é demais.













