16 Mai 06h00
Ainda que vencesse, Timão jamais seria campeão no centenário. Questão de saber fazer conta. E de não chamar de otário quem está ao lado
Assim que terminou a decisão do Campeonato Paulista 2011, neste domingo (15), com a vitória do Santos por 2 a 1 sobre o Corinthians e a confirmação do título para o Peixe, começaram os foguetórios e gozações dos adversários do Timão nos botecos paulistas, na internet e nos programas esportivos de rádio e televisão.
Para os rivais, a maior parte da encarnação refletia o alívio pelo fato de o Corinthians ter perdido sua última chance de levantar alguma taça no ano de seu centenário.
Era uma preocupação completamente desnecessária.
Na verdade, por mais que cartolas e cabeças adestradas pelo Timão tenham insistido nos últimos meses, seria impossível para o clube, encaixar este título paulista em seu centenário caso o conquistasse.
Pelo fato mero, mas avassalador, de que a matemática mais elementar não permitiria tal fenômeno.
Além do título, o Corinthians deixou de ter neste domingo (15) o que, na verdade, jamais poderia ter: a conquista do Paulistão 2011 incluída dentro do ano de seu centenário.
Colocar o Paulistão 2011 na agenda do centenário do Timão é um engano supremo, bruto, tosco.
Um atentado à aritmética que seria até comovente se não soubéssemos todos que sua motivação veio do populismo disparado do Parque São Jorge à medida que o Sem Ter Nada se cristalizava.
Uma lorota criada para esticar ao máximo a suposta esperança de ganhar algo no centenário.
E devidamente entubada por boa parte da crônica esportiva.
A conta mais elementar revela: o Corinthians, a partir do dia primeiro de setembro de 2010, passou a viver o seu ano de número 101.
Portanto, está fora do ano de seu centenário há longos nove meses e meio.
A não ser que consigamos reinventar a Mãe Matemática, o Timão não poderia mesmo brindar sua apaixonada nação com um título "no ano do centenário" em 15 de maio de 2011.
Ao que eu me lembre, a gente faz conta assim: uma coisa nasce, faz um mês, dois meses, 11 meses e aí... um ano.
Viva.
Em seguida, completa um ano e um mês, um ano e dois meses, um ano e 11 meses e... dois anos.
Ótimo, sensacional, parabéns.
O que fica claro como a lua branca aqui?
Isso: quando algo completa um ano - ou dois, ou 99, ou cem -, este ou esses anos já foram vividos.
Assim, o todo poderoso Timão completou cem anos, um século, seu primeiro centenário, na manhã do dia primeiro de setembro de 2010.
O ano do centenário - bem explicado, o intervalo de um ano em que o Corinthians viveu o seu centenário - começou exatamente no dia primeiro de setembro de 2009, quando encerrou o ano 99 do clube.
E terminou precisamente no dia primeiro de setembro do ano passado, 2010, quando o Curingão fechou o seu centésimo ano de vida.
Com boa vontade, o ano do centenário, para abrigar títulos, poderia ser esticado, no máximo, até 31 de dezembro de 2010.
Seria o último dia do ano que abrigou a data (primeiro de setembro de 2010) em que o clube verdadeiramente completou cem anos de vida.
Mas trazer essa conversa para 2011, jamais.
Acho que agora deu, né?














