24 Jun 14h21
Não faz sentido essa cultura do melindre do Palmeiras. Receber proposta aberta é do jogo. Recusá-la também
Felipão, Arnaldo Tirone e o Palmeiras estão incorporando uma cultura do melindre descabida neste caso da proposta pública do Flamengo pelo atacante Kleber.
Uma postura fruto do histórico amador e tosco do futebol brasileiro de tratar com lágrimas, rosto vermelho e emoção rasgada no peito tudo o que requer nada mais do que amparo legal e comportamento racional.
O Flamengo fez uma proposta oficial, por escrito, ao Palmeiras pelo atacante.
O Palmeiras achou pouco.
De fato, a proposta rubro-negra é micha diante da bola que o Gladiador tem apresentado.
Mas se todos concordamos que este é o caso, que a oferta é pfiu, recusem.
Meramente recusem.
Ponto final.
Clube e jogador recusarem é o instrumento oficial para encerrar o papo.
Nada de esperneio, reclamação, cultura do melindre.
Ou o que rola não é isso?
Ou a grana não é tão pouca assim?
Ou Kleber está interessado em ir e acha que o Flamengo pode chegar lá?
Ou o Palmeiras teme que o Flamengo, sempre capaz de arrumar bons parceiros e marketing nestes casos, como mostrou nos últimos tempos, de fato chegue lá?
Os direitos federativos de Kleber pertencem a Cruzeiro e Palmeiras, metade para cada um.
Ao todo, as duas partes custariam 6 milhões de euros, ou R$ 13,62 milhões ao câmbio desta sexta-feira (24).
Diante dos atuais patamares de captação de recursos dos clubes brasileiros, sobretudo em parcerias de marketing para a contratação de jogadores que dão retorno, o preço, alto em princípio, passou a ser viável para corajosos no mercado interno.
E é isso que assusta a diretoria do Palmeiras.
A rigor, a multa de Kleber não é hoje nenhum absurdo impagável.
Se o rubro-negro - ou qualquer outro clube brasileiro - depositar os R$ 13,62 milhões da multa e Kleber concordar em ir, os dirigentes compradores não precisam sequer dar bom dia aos colegas do Cruzeiro e do Verdão.
Quando Tirone disse que a presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, ligou para ele e "pediu desculpas" por ter feito uma proposta, pública, aberta e normal, antes de qualquer conversar com o jogador, portanto dentro dos padrões éticos dessa situação, eu estranhei.
Não acreditava que a equilibrada e educada Patrícia se colocaria no risco de ter uma proposta não aceita, desdenhada, eventualmente até ridicularizada, e depois ainda ter de pagar o mico de pedir desculpas ao Palmeiras pelo mero fato de ter feito uma oferta legal e transparente.
Dito e feito.
Horas depois, Patrícia não só desmentiu ter pedido desculpas a Tirone e ao Palmeiras, usando exatamente os argumentos que coloquei acima, como também reafirmou o desejo do Flamengo de ter Kleber. "Está de pé", disse ela.
E acrescentou que o clube pensa em viabilizar uma forma de oferecer os tais seis milhões de euros a Palmeiras e Cruzeiro.
O que deixaria a situação a ser decidida apenas pela vontade de Kleber de ficar no Verdão ou aceitar a proposta rubro-negra.
Tudo muito claro, tudo muito aberto.
Aliás, fala-se numa multa acertada entre Palmeiras e Kleber, de R$ 100 milhões ou de R$ 240 milhões, a ser paga pelo jogador caso ele saia do clube antes do fim de seu atual contrato.
Como assim?
Uma multa paralela à dos seis milhões de euros do contrato?
Mas o contrato não serve exatamente para isso?
Por que então não colocaram esses R$ 100 milhões ou R$ 240 milhões na multa rescisória do contrato oficial entre Palmeiras e Kleber?
Seria porque o Cruzeiro não toparia, na esperança de receber uma proposta igual ou maior do que os seus três milhões de euros por sua parte?
A multa de seis milhões de euros é para estabelecer um patamar de negócio?
Ou é uma brincadeira e o que vale são os absurdos R$ 100 milhões ou R$ 240 milhões da "multa do tô de mal" anunciada por Tirone?
A propósito, a "multa do tô de mal " está escrita, registrada em cartório, formalizada em algum outro contrato?
Ou foi uma "promessa do tô de bem" feita no boca a boca?
Essa de duas multas, a oficial e a do tô de mal, eu realmente não entendi.
Mas esse melindre todo, de Felipão falar bravo em vender a Gávea, de Tirone falar em pedido de desculpas que não vem ao caso e, ao que tudo indica, não rolou, tudo isso passa mesmo é a sensação de que o Palmeiras tem hoje um medo real de Kleber escutar uma proposta do Flamengo, gostar, e o rubro-negro arrumar uma maneira de encaixar os seis milhões de euros da multa.
Fazer propostas oficiais, limpas e abertas é do jogo.
Recusá-las também.
Não gostou, recuse.
Pronto.
Sem esperneios ou cultura do melindre.
A verdade é que, com Kleber jogando tudo isso e essa multa acessível aos mais ousados, o inferno palmeirense só terminará aqui dentro quando o Gladiador completar sete partidas pelo clube no Brasileirão.
Tirone, Felipão e palmeirenses contam segundos para que isso aconteça.













