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16 Ago 06h00

As verdades e mentiras sobre o câncer que afetará o designer André Gurgel, personagem de Lazaro Ramos em Insensato Coração. Opine

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lazaro ramos camila pitanga rafael frança divulgacao rede globo As verdades e mentiras sobre o câncer que afetará o designer André Gurgel, personagem de Lazaro Ramos em Insensato Coração. Opine Rafael França - Divulgação - Rede Globo

 

O designer André Gurgel, o conquistador vivido por Lázaro Ramos em Insensato Coração, da Rede Globo, descobriu na novela que tem câncer no testículo.

 

Diante das polêmicas e discussões provocadas pela surpresa, fiz para o R7 uma reportagem sobre a doença com dois dos maiores especialistas brasileiros no assunto.

 

Os amados amigos que ainda não a leram no portal podem conhecer tudo sobre a doença aqui, agora, no nosso canto da blogosfera.

 

Acompanhe com atenção porque vale a pena.

 

Os médicos desfazem mitos e nos ensinam muito sobre o tema.

 

Um abraço.

 

Conheça as verdades e mentiras sobre o câncer que

afetará o designer André Gurgel em Insensato Coração

 

Personagem terá câncer no testículo; doença

atinge uma cada 25 mil homens

 

Insensato Coração, a novela das nove da noite da Globo, terminará na próxima sexta-feira (19). Uma das polêmicas criadas pelos autores Gilberto Braga e Ricardo Linhares, é reservar um final complicado para o designer André Gurgel, o exuberante conquistador interpretado por Lázaro Ramos. Para quem não acompanha, o André de Lázaro Ramos no folhetim global é conhecido pela forma insaciável com que seduz as mulheres.

 

Pois bem: em um desses encontros André conheceu uma mulher que... sentiu alguns caroços em seus testículos. A moça alertou o designer, que procurou um médico e... bingo: o câncer no testículo será diagnosticado.

 

Ao contrário da suprema maioria dos tumores, que costuma se desenvolver depois dos 40 anos, o câncer no testículo afeta homens jovens, na faixa dos 15 aos 35 anos. Atinge um em cada 25 mil homens. Cerca de 3% dos casos de câncer em homens são deste tipo.

 

O problema merece todos os cuidados, mas até não é grande se comparado, por exemplo, ao câncer na próstata, que responde por 17% do total de tumores malignos identificados no público masculino.

 

Até o final da década de 1990, o câncer no testículo era um dos mais mortais. Sem cuidados, ele dobra de tamanho a cada 20 dias, advertem os médicos. A grande evolução na qualidade dos exames de imagem e nos tratamentos melhorou radicalmente este quadro. E, sem cuidados, claro, ele pode levar à morte. Mas isso é cada vez mais raro. Hoje, identificado a tempo, ou seja, ainda antes das metástases que o leva para outras partes do corpo, os índices de cura são 98%, 99% e até de 100% em alguns grupos da população.

Dados os esclarecimentos iniciais, qual será o destino de André na novela?

 

Vai morrer?

 

Será salvo mas ficará impotente?

 

Existe, na medicina real, algum indicativo de que fazer muito sexo, com o mesmo parceiro ou com vários diferentes, aumenta o risco de se ter câncer no testículo?

 

Essa doença deixa o homem impotente?

 

Como ainda não se sabe o que Braga e Linhares farão com André, o R7 foi esclarecer essas dúvidas seriamente com alguns dos maiores especialistas em câncer e em urologia do país.

 

As respostas principais:

 

* Não há qualquer relação entre atividade sexual intensa, seja com um ou com vários parceiros, e o surgimento de câncer no testículo. A explicação é de Marcos Dall’Oglio, doutor em urologia pela Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e urologista do Instituto do Câncer, ligado à USP (Universidade de São Paulo).

 

- Sexo, em maior ou menor quantidade, com um ou mais parceiros, não altera nada neste caso. Em termos de porcentagem, a chance de um homem com vida sexual parecida à desta personagem da novela e de um sem atividade sexual, da mesma idade ou na faixa etária, ter câncer no testículo é rigorosamente a mesma.

 

* A pessoa que se trata e é curada de câncer no testículo não fica impotente. Professor titular de urologia da Faculdade de Medicina da USP, pós-graduado pela Harvard Medical School, em Boston, nos Estados Unidos, médico do ex-presidente Lula, dos tucanos José Serra e Geraldo Alckmin e do dono do grupo Pão de Açúcar, Abílio Diniz, entre outros pesos-pesados, Miguel Srougi é a mais respeitada autoridade em urologia do país.

 

Acompanhe o que ele diz sobre o tema:

 

 

- O testículo tem duas funções no homem: produzir espermatozóide, para a reprodução, e o hormônio testosterona, responsável pela libido, o interesse sexual, o desejo. Paciente com câncer nos dois testículos é raro. Na maioria dos casos, ele ocorre em apenas um. Se tirarmos o testículo doente, a pessoa continua a produzir testosterona com o outro. E a ter desejo, libido, prazer. E, ainda que seja necessário retirar os dois testículos, o paciente poderá continuar a ter desejo e vida sexual. Para isso, precisará receber o hormônio testosterona em tratamentos de reposição.

 

Mas se a atividade sexual não tem nada a ver com essa história, quais são, afinal, os fatores que aumentam o risco de se ter essa doença? Os médicos Srougi e Dall’Oglio enumeram:

 

* Criptorquipia – O termo complicado é o nome de uma doença em que os dois testículos ficam na barriga e não descem naturalmente para o saco escrotal no nascimento ou nos primeiros meses de vida. Quem apresenta este problema precisa de tratamento para reposicionar os testículos. Mesmo com o reposicionamento feito, ele terá, pelo resto da vida, 25 vezes mais chances de ter câncer no testículo do que um homem saudável.

* Testículo atrofiado – Quem sofre deste problema normalmente é estéril, ou seja, tem atividade sexual, sente prazer mas não é capaz de ter filhos. Este problema aumenta em 20 vezes a chance de se ter o tumor em relação ao homem saudável.

 

 

* HIV/Aids – Os doentes de Aids possuem seis vezes mais possibilidades de terem tumor no testículo do que os sem o problema.
* Consumo excessivo de maconha e outras substância com THC – Em quantidades consideráveis, o tetra-hidro-canabinol, elemento ativo da maconha, do haxixe e de outras plantas afins, aumenta em quatro vezes as chances de se ter o tumor.

 

Resumo: com atenção e sem abusos, o quadro não é assustador e pode ser tranquilamente revertido. Mas, para isso, os homens precisam conhecer o próprio corpo.

 

Um dos fatores que contribuem para a identificação ou o diagnóstico tardio do câncer nos testículos é o homem não ter costume de tatear o próprio corpo com coragem e intensidade suficientes para identificar, caso eles existam, os caroços de massa dura que denunciam esses tumores.

 

O professor Dall’Oglio ilustra bem essa situação com um relato curioso:
- Olhe, muitas vezes o homem identifica o caroço, por exemplo, quando leva aquela bolada dolorida em um jogo de futebol. Aí não tem jeito: ele cai, leva a mão nos testículos e, na dor, acaba descobrindo algo estranho. Pode ser incrível, mas essa pancada tão dolorida, em alguns casos, tem o seu lado positivo...

 

O mais completo noticiário sobre Saúde da internet brasileira você encontra aqui. No R7.

 

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