Antes...
Leiam abaico uma reportagem da Agência Brasil publicada nesta quinta-feira(18), com texto entre aspas e em corpo em itálico.
Ela não é grande. Eu voltarei para comentar em seguida.
Conselho Federal de Medicina (CFM) impõe regras mais
rigorosas para conter propaganda enganosa no setor
Carolina Pimentel - Agência Brasil
"Brasília – Para conter as propagandas enganosas, o Conselho Federal de Medicina (CFM) tornou mais rigorosas as regras para a publicidade de serviços dos médicos.
Uma nova resolução, que será publicada no Diário Oficial da União nesta sexta-feira (19), determina que os médicos estão proibidos de anunciar o uso de técnicas “milagrosas” ou aparelhos com capacidade privilegiada.
Os profissionais também não poderão participar de concursos ou premiações para eleger o “médico do ano” ou o “profissional de destaque”.
Os anúncios também não poderão ter imagens de pacientes para falar dos resultados de um tratamento, os conhecidos “antes” e “depois”, mesmo com autorização do paciente.
Está vedado o uso do nome, imagem e voz de pessoas famosas em propagandas de serviços médicos.
Outra proibição é conceder entrevistas para autopromoção e divulgar o endereço e telefone do consultório nas redes sociais. De acordo com o CFM, o profissional poderá usar as redes sociais, como blog, para divulgar informações de caráter educacional ou preventivo, como descrever os sintomas de uma determinada doença.
Os médicos estão impedidos de fazer consultas pela internet ou por telefone, mesmo que para atender parentes. Há registro de empresas que ofereciam consultoria online para prescrever remédios. Além disso, é vedado ao profissional associar seu nome a produtos de empresas, como afirmar que aprova e garante a eficácia de determinado produto.
O manual com as regras se aplicam ainda a sociedades médicas e hospitais públicos e privados. Em caso de descumprimento, será aberto um processo pelo CFM para apurar a denúncia. Se comprovada, o médico ou entidade sofrerá penalidade que vai de advertência à cassação do registro.
Os profissionais e as entidades têm 180 dias para se adaptar à nova resolução, que atualiza as normas anteriores, vigentes desde 2003."
... e depois
Imagens de divulgação/Walt Disney
O blog está de volta para comentar a notícia.
Finalmente, eis uma atitude corajosa do Conselho Federal de Medicina.
Com raríssimas exceções, esse negócio de colocar foto de "antes" e "depois" em propaganda de clínicas de emagrecimento, médicos, cirurgiões, remédios para emagrecer, tirar manchas e outros bichos estéticos e endocrinológicos mais é uma das maiores e mais cretinas picaretagens da história comercial da Ciência e da Medicina.
Primeiro, porque induz o cidadão a querer fazer aquilo de qualquer jeito, como se estivesse comprando um copo ou um DVD.
O cara vai lá no médico o na clínica e diz: eu quero isso. Sem pensar que essas técnicas, muitas vezes profundas e altamente invasivas, poderão fazer muito mal para outras partes daquele organismo do pobre coitado que entrou na faca ou tomou as bombas anunciadas no jornal, na revista, na tevê ou na internet.
Segundo porque é muito difícil, quase impossível, atestar quais experiências mostradas nos anúncios são realmente verdadeiras.
E isso piorou muito, mas drasticamente, com a chegada da internet.
E isso vale também para empresas, médicos e até profissionais que merecem respeito.
Publicidade é quase sempre algo positivo.
Mas em Ciência e em Medicina, não tem erro: quando mais agressivo é o conteúdo do profissional, da clínica ou do produtor de medicamento nesses anúncios de antes e depois, maiores são as chances deste profissional ou grupo estar divorciado dos caminhos mais éticos e nobres que regem a profissão ou a atividade.
Trabalhei com jornalismo de medicina e saúde durante algum tempo.
Gosto do assunto.
Nos veículos em que trabalhei, a gente jamais fez essa coisa de antes e depois.
Ao contrário: a gente sempre fez de tudo para o leitor recusar, rechaçar e fugir de médicos, clínicas, laboratórios, empresas e profissionais que utilizam essa técnica quase sempre apelativa, mentirosa, enganosa, falsa e vulgar.
Digo suprema maioria dos casos porque deve ter quem realmente cumpra o que promete nestes reclames.
Mas o uso indiscriminado e mentiroso desse negócio ficou tão comum que hoje é impossível separar os raros que dizem a verdade do mar de mentirosos do antes e do depois.
Repito: na quase totalidade dos casos, aquilo é uma mentira de Photoshop, bisturi virtual, manipulação fotográfica, o escambau.
Tudo isso combinado a depoimentos falsos, ridículos, sem pé nem cabeça, risíveis de tão improváveis e mentirosos.
Não acredite.
Nunca acredite.
Por segurança, jamais acredite. Fuja de todos eles.
Dos pouquíssimos bons e dos muitos maus.
De todos.
Não acredite.
Nem antes, nem depois.
O melhor da Medicina e da Saúde você encontra aqui. No R7.














