15 Set 06h10
A imprensa gosta de dizer: há confusão entre o público e o privado. Tolice. A tigrada pensa assim: privado é o meu e público é o de todos que eu, conscientemente, uso como se fosse só meu
O maranhense Pedro Novais, o senhor da foto cima, 1,55 metro de altura, como se sabe no pleno vigor de seus 80 anos, é o quinto ministro a ser ejetado do cargo em nove meses e meio de governo Dilma Roussef.
O deputado federal Gastão Vieira, 65 anos, também do PMDB, também afilhado do presidente do Senado, José Sarney, será o novo ministro do Turismo.
Novais e três dos outros quatro ministros demitidos por Dilma foram evacuados de suas cadeiras por suspeita de conduta antiética ou de corrupção.
Com suas estripulias, obrigaram a presidente a cortar a cabeça de um a cada 51 dias de seu governo, na média.
A surpreender, no entanto, somente o fato de Novais, mesmo depois de tantas denúncias de irregularidades, de motel corajosamente pago com o dinheiro da Viúva, do escambau, ter conseguido ficar, sem sair de cima, no Ministério do Turismo por longos nove meses e meio.
Uma potência. Um fenômeno.
Gostaria apenas de acrescentar minha impressão sobre uma imagem muito usada na imprensa quando aparece um político brasileiro com suspeita ou comprovação de uso do bem público a seu favor - ou seja, dia sim e outro também.
Muitos gostam de dizer que essa gente é mestre "em confundir o bem público com o bem privado".
No caso de Novais, essa frase e outras variantes que significam a mesma coisa foram novamente repetidas à exaustão.
Desculpem-me, mas eu não concordo com essa imagem.
Antes, bem ao contrário.
Para mim, a tigrada sabe separar muito bem o que é público do que é privado.
A questão é que o ponto, aqui, está longe de ser o saber.
A questão é o querer.
Essa geral sabe tão bem separar o bem público do privado que até, de certa forma, redefiniu esses dois termos para consumo em seus próprios mundinhos.
Assim:
Bem privado: é tudo o que é meu, só meu e, com o passar do tempo, será ainda mais meu.
Bem público: é tudo o que eu sei muito bem que é de todos mas, com toda a consciência do mundo e toda a generosidade do jogo político, uso como se fosse meu, só meu, exclusivamente meu - e ai de quem questionar esse fato ou essa postura.
Confusão?
Que nada, tolinho.
O negócio também termina com ão, mas é outra coisa bastante diferente.
É falta de disposição e de intenção moral para estabelecer, na prática, a separação.
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