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9 Out 06h01

Rafinha Bastos apareceu em 730 anúncios em 2011 até 10 de junho. Depois, nada. O cara vacilou, é fato. Piada grossa e sem gracinha. Mas a asfixia toda parece covardia de sádico. Opine

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rafinha 2 Rafinha Bastos apareceu em 730 anúncios em 2011 até 10 de junho. Depois, nada. O cara vacilou, é fato. Piada grossa e sem gracinha. Mas a asfixia toda parece covardia de sádico. Opine Divulgação - Rede Bandeirantes

Vejam o quanto podem custar frases ou atitudes ditas ou tomadas naqueles momentos de infelicidade em que a língua e as coisas escapam do controle.

 

De 1 de janeiro a 1o de junho deste 2o11, o comediante Rafael Bastos Hocsman, 34 anos, o Rafinha Bastos, recém-afastado do programa CQC, da Rede Bandeirantes, foi a estrela de nada menos do que 730 inserções de publicidade na TV.

 

Ou seja, apareceu em 730 anúncios comerciais na televisão brasileira no período.

 

Não deve ter sido pequeno, portanto, o faz-me rir encaixado pelo humorista para vincular tantas vezes sua imagem à dessas empresas importantes.

 

Pois de 10 de junho para cá, exatamente quando passou a pegar mais pesado em suas frases e piadas, culminando com o "comeria ela e o filho; não nem aí", disparado no CQC no último dia 19 de setembro sobre a cantora Wanessa Camargo, grávida de cinco meses, Rafinha não apareceu mais em um único comercial na televisão, informa Lauro Jardim, de Veja,  em sua coluna Radar On Line.

 

O humorista permanece apenas nas peças de merchandising gravadas e exibidas durante o CQC.

 

Penso o seguinte: esse rapaz exagerou mesmo neste episódio.

 

Como também exagerou outro CQC, Danilo Gentili, quando disse entender "o medo de metrô dos velhos de Higienópolis (bairro de São Paulo com alta concentração de judeus)" porque  "na última vez em que eles chegaram perto de um vagão foram parar em Auschwitz  (o maior campo de concentração do nazismo, onde entre 1 milhão e 1,4 milhão de milhão de judeus foram assassinados durante a Segunda Guerra) .

 

Democracia e liberdade de expressão não significam carta branca para qualquer um sair por aí a mandar coisas que ofendam o outro, violentem questões pessoais, como no caso de Rafinha com o filho de Wanessa Camargo.

 

Ou a agredir experiências históricas e humanas dolorosas, como a dos judeus na Segunda Guerra, de forma geral, e dos moradores de Higienópolis que foram levados ou tiveram parentes mortos em Auschwitz, em particular, no episódio de Gentili.

 

Devo dizer que, se eu fosse a Wanessa Camargo ou um integrante da terceira idade de Higienópolis, nos dois casos iria andar e andar para o que Rafinha e Gentili falaram.

 

Não tenho tempo nem saco para me magoar com essas coisas.

 

E, depois, achei as duas piadas, assim, sabe?, sem gracinha...

 

Mas, ainda que eu fosse judeu, não poderia exigir dos outros judeus, diante da história e das testemunhas que estão aí, dessem a mesma (falta de) importância que dei ao que Gentili falou.

 

E, no outro ponto, do de Rafinha, para sentir na pele o que sentiu Wanessa Camargo, só naturalmente sendo Wanessa Camargo.

 

Acho que, se eu fosse ela, também andaria e andaria para o fato de Rafinha ter dito que me comeria.

 

Talvez devolvesse dizendo que jamais daria para ele.

 

Acho que ficaria chateado com o lance do filho, esse sim uma grosseria que só o impulso não pensado justifica. O mais provável é que nem isso.

 

 

Desconfio inclusive que Rafinha, a exemplo de Gentili, que parece ter se desculpado com a comunidade judaica, se arrependeu do que disse.

 

Só não vai dar ao outro lado o gostinho da retratação.

 

Mesmo porque, depois de tanta pressão de Ronaldo Fenômeno, do marido de Wanessa Camargo, Marcus Buaiz, da Bandeirante e do mundo que caiu sobre sua cabeça, e sobretudo o prejuízo que parece ter tomado, um pedido de desculpas a essa altura do championship não iria trazer a Rafinha nenhum bônus.

 

Apenas, imagino, o mico da suposta humilhação pública, duro para todo mundo e mais ainda para um gaúcho, tchê.

 

De qualquer forma, as pressões contra esse rapaz feitas de fora para dentro da Bandeirantes, e a forma como essas pressões foram entubadas nas internas do canal, parecem-me uma covardia suprema e sem propósito.

 

Um um monte de gente rica, famosa e poderosa na luta para ferir de morte a carreira de um camarada que está trabalhando, dando seu duro, por uma m... que ele disse de impulso.

 

Ok: que todos se afastem do CQC, da Bandeirantes e do escambau.

 

Mas deixem o cara trabalhar e refletir sobre a vacilada que ele deu em paz.

 

Até para não cometer outras do tipo.

 

Rafinha pisou geral.

 

Tão forte que fez até a Band e seu colega de bancada Marco Luque perderem dinheiro e clientes.

 

Aliás, eu, no lugar de Luque, optaria por ficar ao lado do parceiro e não soltaria comunicado criticando porcaria nenhuma.

 

Estou apenas dizendou o que eu faria.

 

Porque, na medida em que Marco Luque soube que seria profissional e financeiramente prejudicado, com a perda de um ou mais contratos, por um lance feito totalmente por outra pessoa, e com o qual ele, Luque, não tem patavinas a ver, penso que ninguém tem o direito de julgar o cara por ter tentado salvar o seu, que nunca deveria ter entrado em pauta (o que, diga-se, nem acabou rolando).

 

Ronaldo superou em grande estilo o episódio dos travecos.

 

Superou, com seus talentos e recursos, porque é merecidamente amado e um dos brasileiros mais talentosos de todos os tempos para trabalhar a própria imagem.

 

Mas sofreu o suficiente para sentir na pele como é ruim e doloroso correr atrás para neutralizar uma besteira que a gente, como todo ser humano, faz em algumas horas ou alguns minutos de vacilo.

 

Deveria pensar nisso ao se lembrar em todo este episódio do Rafinha Bastos.

 

Em tempo: o colunista atribuiu equivocadamente a piada dos velhos de Higienópolis no trem a Rafinha Bastos.

Como se sabe,  e alertaram os amados amigos da coluna, aos quais agradeço, a frase é de outro CQC, Danilo Gentili.

 

A coluna pede firmes desculpas a Rafinha Bastos e comunica que o texto já está devidamente corrigido.

 

Todas as opiniões dadas pelo colunista no texto, a avaliação sobre a indigência das duas piadas e a tese principal do texto, a de que a pressão sobre Rafinha Bastos é exagerada  e despropositada, tudo isso permanece, no entanto, rigorosamente igual ao do texto publicado antes do reparo.

 

Equívocos reparados, pedidos de desculpa feitos, as opiniões sobre os dois casos (e as duas piadas) permanecem rigorosamente as mesmas.

 

O melhor do Entretenimento você encontra aqui. No R7.



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