24 Out 05h59
Exagero: Lula ter sido chamado de cachaceiro. Ironia: a partir de sua gestão, o povo toma cada vez menos… cachaça. Uma boa ideia
Boa parte da oposição, um pedaço da elite econômica e inúmeras bocas de aluguel supostamente intelectualizadas tentaram, na maioria dos casos com exagero e má fé, colar no ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva o rótulo de cachaceiro nos oito anos em que ele esteve no poder.
Mas o destino, como se sabe, gosta de pregar peças de ironia.
Um levantamento da consultoria Nielsen, publicado em parte na coluna de Ancelmo Góis da edição de O Globo deste domingo (23), mostra, olhem só, que boa parte dos brasileiros trocou a água que curió não bebe, e também outros deslilados baratos, como vodcas e conhaques de segunda linha, por uma cervejinha gelada nos dois governos Lula.
E o fenômeno continua firme e forte na gestão de Dilma Rousseff.
A explicação é simples: as políticas de distribuição de renda e os aumentos reais de salário da era Lula, facilitados pelo controle da inflação no governo de Fernando Henrique, levaram boa parte das classes C, D e E a trocar as lapadas na goroba forte pela leveza da amarela gelada.
Em 2010, o volume de quente tomado no Brasil caiu 3,8% em relação ao ano anterior.
No mesmo período, o de breja aumentou dez pontos e o de vodca, apenas 1,8.
Para este 2011, o Instituto Brasileiro da Cachaça, o Ibrac, espera uma queda no consumo de caninha no País semelhante ao registrado em 2010.
Para compensar a diminuição no consumo interno, que deverá se prolongar pelos próximos anos, os produtores passaram a apostar um pouco mais na exportação e na oferta de cachaças mais finas, envelhecidas, com valor agregado, para um público de maior poder aquisitivo.
Os empresários brasileiros do setor possuem capacidade instalada para produzir um bilhão de litros de cachaça por ano.
Atualmente, os filiados ao Ibrac exportam 14 milhões de litros anualmente - e acham que há todas as condições para aumentar esse número.
A troca da marvada pela gelada ocorre em todo o País.
Mas é mais intensa na Região Nordeste, onde o aumento de poder aquisitivo das classes C, D e E é, até agora, maior.
Em resumo, até o início do governo Lula, essa galera só tomava grau, por não ter dinheiro para outra coisa. Cerva era luxo. Agora, com mais dinheiro no bolso, as classes C, D e E vão, aos poucos e em parte, dando alívio ao figueiredo tomando geladas mais leves.
E isso é muito bom.
Agora melhor mesmo, para quem não consegue se controlar, é não beber nada.
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