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13 Nov 16h21

Beltrame: Rocinha está livre do jugo do fuzil. Ótimo. Falta o fundamental e o indispensável: livrar a segurança do estado do jugo da banda podre. Estamos esperando. E vocês, o que esperam?

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rocinha bandeiras sergio vieira r7 Beltrame: Rocinha está livre do jugo do fuzil. Ótimo. Falta o fundamental e o indispensável: livrar a segurança do estado do jugo da banda podre. Estamos esperando. E vocês, o que esperam?

Sérgio Vieira / R7

Hoje é dia de festa e de orgulho.

 

Para brasileiros em geral e fluminenses e cariocas em particular.

 

Em apenas duas horas, e sem que um tiro sequer fosse dado, a Rocinha, uma das maiores favelas do mundo, um aglomerado vertical de casas e prédios na divisa da zona sul com a zona oeste do Rio de Janeiro, onde se espremem entre 70 mil (números oficiais) e 200 mil (estimativas) moradores, foi libertada do domínio de traficantes, na manhã deste domingo (13).

 

Participaram da ação tropas do governo federal e mais 300 homens do temido e competente Batalhão de Operações Especiais, o Bope, tropa de elite da Polícia Militar fluminense.

 

Emocionado, com a voz embargada, quase às lágrimas, o secretário de Segurança do Estado do Rio, José Mariano Beltrame, anunciou após a ação: "Essas comunidades foram libertadas do jugo (submissão) do fuzil. Isso não é pouco".

 

Não é mesmo.

 

Além da Rocinha, as favelas vizinhas do Vidigal (dona de uma das vistas naturais mais espetaculares do mundo, a do mar que serpenteia na tangente a Avenida Niemeyer entre os bairros do Leblon e de São Conrado) e da Chácara do Céu também foram tomadas pelas tropas.

 

Na Rocinha, em meio a aplausos e gritos de milhares de moradores e curiosos, as bandeiras do Brasil e do Estado do Rio de Janeiro foram erguidas em um ponto estratégico, no ato mais simbólico de que aquele pedaço de território dominado há quase meio século pelo poder paralelo do tráfico estava, enfim, devolvido ao cidadão decente e ao controle do poder público.

 

O que se viu hoje foi, de fato, um momento emocionante e histórico.

 

Tudo muito bonito, tudo digno de orgulho, tudo merecedor da emoção do secretário de Beltrame ao comentar a operação.

 

Uma demonstração elogiável de parceria bem sucedida entre município, estado e União.

 

Ainda no início da tarde de domingo (13), moradores da Rocinha admitiam nunca ter visto a favela tão tranquila e as pessoas tão leves e calmas como naquela tarde.

 

Uma sensação de segurança que certamente se espalhará para os ricos bairros do Leblon, Ipanema, Gávea, São Conrado, Jardim Botânico e Barra da Tijuca, vizinhos de Rocinha e do Vidigal.

 

A ideia é manter essas favelas tomadas e policiadas até que recebam as Unidades de Polícia Pacificadora, as UPPs, batalhões que garantem a paz nessas comunidades resgatadas do tráfico pelas forças conjuntas de segurança.

 

Ótimo.

 

Sensacional.

 

Mas, tomado o mais simbólico bastião do tráfico no Rio de Janeiro, onde os criminosos refinavam cinco toneladas de cocaína e faturavam R$ 60 milhões por ano com venda de droga e arma, falta agora, para o governo do Estado do Rio, realizar o fundamental e o indispensável.

 

O fundamental, o indispensável e, ao mesmo tempo, o que as próprias autoridades fluminenses nos deixam achar ser impossível: eliminar do dia-a-dia da polícia que faz o corpo-a-corpo com o carioca, e de todos os escalões da segurança pública fluminense, as laranjas podres que parecem ser eternas nessas estruturas.

 

E, hoje, fazem o carioca ter - com suprema razão - mais medo de um policial que manda parar o seu carro do que de um traficante visto na franja do morro ou de um ladrão em disparada pela calçada.

 

O governo do Estado do Rio de Janeiro não tem a menor noção do tamanho da banda podre das polícias civil e militar e nem tampouco do seu sistema de segurança pública.

 

Autoridades e população concordam apenas em um ponto: essa banda podre é imensa, insuportável, o principal pilar de um dos sistemas policiais e de segurança mais corruptos do planeta.

 

Como já foi dito por aqui, passar por uma blitz da polícia, no Rio de Janeiro, é uma aventura de terror sem final previsível.

 

A começar pelo fato mero de que não se saber se aquilo é, de fato, um blitz.

 

Podem ser bandidos - nos últimos tempos, o são em uma parcela considerável.

Se por sorte forem policiais, é preciso saber, agora, se eles são corruptos ou não.

 

Em seguida, entender - sem questionar, e claro - o que eles realmente querem de você.

 

E eles podem trabalhar honestamente ou podem querer levar um troco.

 

Se forem contrariados, as chances de te agredirem o mesmo te fecharem estão longe de serem remotas.

 

A banda podre mata juiz.

 

A banda podre expulsa deputado federal do País.

 

E o lado sadio da polícia assiste a tudo sem produzir nada de realmente relevante contra essa realidade que insulta a cidadania a cada minuto no Rio de Janeiro.

 

Mesmo porque os oficiais e comandantes honestos nunca sabem de que lado estão aquele capitão, aquele tenente ou aqueles policiais que eles acompanham em ação nos relatórios ou de suas janelas ou carros.

 

 

Juntar União, Estado e município para retomar favelas é algo elogiável por não ser fácil.

 

Mas, antes de tudo, representa uma dificuldade política.

 

Uma vez equacionada a questão política, é subirem todos lá com aquele monte de tanque, aquele monte de fera do Bope e  pancada no serviço.

 

Aí fica fácil, como se viu na ação de duas horas sem tiro que libertou Rocinha, Vidigal e Chácara do Céu.

 

O difícil - mas ao mesmo tempo o que a gente quer, o que a gente exige, o que o carioca e o fluminense precisam, o que não dá mais para segurar e nem adiar - é ter organização, coragem, trabalho em parceria e serviço de inteligência suficientes para purgar as polícias militar e civil, e também a estrutura da segurança no Estado do Rio de Janeiro, da corrupção e da criminalidade fétidas, crônicas, humilhantes, primitivas e insuportáveis que marcaram a realidade dessas instituições nas últimas quatro décadas.

 

E que parecem sobreviver - e debochar de, e desafiar -  à UPP, ao Bope, à pacificação, enfim, a tudo o que merece justificados elogios nas ações de segurança realizadas nos últimos anos no Estado do Rio de Janeiro.

 

Para as autoridades políticas e técnicas do Estado do Rio, e até mesmo para a população, o trabalho de limpeza oficial será mais arriscado do que tudo o que foi feito até agora contra o tráfico e a criminalidade.

 

Mas, em compensação, certamente terá efeitos muito mais duradouros, definitivos e dignos de elogios.

 

Cariocas e fluminenses estão esperando.

 

Por sinal, o que as autoridades do estado estão esperando?

 

O melhor do noticiário na internet está aqui. No R7.

 

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