25 Nov 06h00
Timão vacilou ao recusar R$ 220 milhões para deixar empresa árabe batizar Fielzão? Temo que sim. E você, acha que rola mais? Opine
Sérgio Barzaghi - Gazeta Press
O Corinthians, informa o jornal Folha de S. Paulo em sua edição desta quinta-feira (24), recusou uma proposta de R$ 220 milhões pelo "naming rights" do Fielzão, ou seja, para vender a uma empresa ou grupo o direito de dar nome, por vários anos, ao futuro estádio do clube.
O Fielzão está sendo construído no bairro de Itaquera, na zona leste de São Paulo.
Deverá ser inaugurado em dezembro de 2013 e, no ano seguinte, abrigar a abertura da Copa do Mundo no Brasil.
A proposta, diz a Folha, teria sido feita pela Emirates Airlines, empresa de aviação dos ricos Emirados Árabes Unidos, o país das cidades de Dubai e Abu Dhabi que tem a sexta maior reserva de petróleo do mundo.
Esta mesma empresa comprou os naming rights do estádio do clube inglês Arsenal, em Londres, que hoje se chama Emirates Stadium.
Na certa os dirigentes do Timão fincam o pé ao pedir toda essa grana por causa da cláusula que existiria no contrato de construção do Fielzão segundo a qual a construtora Odebrecht, financiadora da obra, deixaria com o clube toda a arrecadação de naming rights que ultrapassar os R$ 335 milhões.
O Timão é patrimônio nacional e eu, particularmente, gostaria que ele pudesse arrecadar 3 ou 30 bilhões de reais nesse negócio.
Mas, por outro lado, aprendi cedo que, quando se trata de mercado, as coisas valem não o que a gente deseja que elas valham, mas sim o que o mercado se dispõe a pagar.
Por isso, temo que, neste caso, o Timão tenha vacilado ao não aceitar essa proposta.
Tomara que eu esteja errado, mas imagino ser difícil conseguir uma melhor.
Primeiro, porque esse negócio de naming rights nunca colou no Brasil.
Se o estádio tiver um nome ou apelido anterior, a galera adota é o apelido mais próximo, o mais carinhoso.
E simplesmente abandona o nomão comercial que a empresa tanto quer ver badalado nos meios de comunicação e na boca do povo.
Alguém conhece Arena Kyocera?
Só uns poucos, não é mesmo?
E Arena da Baixada?
Ah, claro, essa todo mundo sabe: é o ótimo estádio do Atlético-PR, que ninguém chama de Arena Kyocera.
Estádio Mario Filho?
Irmão do escritor Nelson Rodrigues, o jornalista Mario Filho dá nome oficial ao... Maracanã.
Ah, agora melhorou.
Cícero Pompeu de Toledo?
É o nome do Morumbi.
Esses são só alguns exemplos.
Alguém acha que o brasileiro um dia chamará o Maracanã de algo que não seja Maracanã e o Morumbi de algo que não seja o Morumbi?
Estou certo de que não.
Segundo: mesmo em torneios europeus importantes, como a Liga dos Campeões, os caras dos meios de comunicação, travados em compromissos com os organizadores e gestores da competição, usam Emirates Stadium em vez de Arsenal Stadium.
Já os torcedores do Arsenal preferem o aconchego de Highbury, o nome antigo do estádio.
É bonito e romântico mas, como nada na vida é só bônus, pode ser também uma grande pena e um brutal prejuízo.
Digo isso porque se torcedores e veículos de comunicação adotassem o nome comercial dos estádios dos clubes, grandes empresas se animariam a disputar essas parcerias de naming rights com maior empenho e, evidentemente, mais dinheiro.
Por tudo isso, temo que o Corinthians, ao cotar entre 350 e 400 milhões de reais o preço para deixar alguém escrever o nome de seu interesse no Fielzão, esteja pedindo uma grana que patrocinadores e especialistas do setor sabem ser muito maior do que o retorno institucional, comercial, publicitário e de marketing possível de ser dado pelo batismo do estádio.
Um termômetro para mostrar que há muita gordura no pedido dos cartolas do Timão é a lista de preços de naming rights dos estádios mais caros do mundo, controlados pelos clubes mais ricos das sociedades mais poderosas do planeta, todos eles escorados em moedas fortes como dólar, euro e libra (e aqui, particularmente, usei o inflado câmbio do dólar de R$ 1,90 desta quinta-feira 24).
Compare:
Emirates Stadium (Inglaterra) - U$ 90 milhões (R$ 171 milhões) por 15 anos.
Allianz Arena (Alemanha) - 90 milhões de euros (R$ 226 milhões) por 15 anos.
Gillete Stadium (New England, EUA) - U$ 90 milhões (R$ 171 milhões) por 15 anos.
American Airlines Center (Miami, EUA) - R$ 195 milhões (R$ 370 milhões), mas por 30 anos, o dobro do prazo dos outros contratos.
Itaquerão (São Paulo): R$ 350 milhões (estimativa do presidente do Corinthians, Andrés Sanchez) ou R$ 400 milhões (quantia dos sonhos do vice de marketing do clube, Luis Paulo Rosemberg) + juros cobrados pelo BNDES pelo dinheiro emprestado para construir o estádio, por 15 anos.
Resumo da ópera: ainda que se fique nos R$ 350 milhões mais os juros do BNDES, o Corinthians teria os naming rights mais caros do planeta.
Desconfio de que os anunciantes e especialistas pensam que não existe no mercado retorno para tanto investimento.
Mas e você, amado amigo da blogosfera colorida, o que pensa a respeito?
Acha que o Timão já deveria ter agarrado esses 220 milhões de reais e um abraço no gaiteiro e um beijo no pipoqueiro?
Ou deve esperar um pouco porque daqui até a Copa a coisa pode melhorar e surgir um louco disposto a dar ao menos os 350 milhões?
Opine.
Registre o seu comentário.
O melhor do futebol na rede está aqui. No R7.












