4 Dez 08h43
Que a paz vença no dia mais quente da história do futebol de clubes no País. E que a polícia baixe o guatambu-peroba e jogue no xilindró o bandido que tentar estragar essa festa com violência
Isso é um guatambu-peroba.Uma paulada disso deve doer, né não?
Bom dia.
O Brasil começa a acordar agora, neste Super-Domingão (4), para viver o dia mais eletrizante, quente e emocionante para torcedores de clubes em seus mais de cem anos de rica história de futebol.
Em dez partidas sensacionais, todas no mesmo horário, às 17h, os 20 clubes da Primeira Divisão irão definir, na 38a e última rodada do Brasileirão 2011, o campeão brasileiro, os quatro classificados para a Libertadores da América, os oito indicados para a Sul-Americana e os quatro rebaixados para a Série B.
Destes dez jogos, oito serão clássicos estaduais eletrizantes.
Entre título, vagas em copas internacionais, fuga do rebaixamento e intenção de prejudicar o rival regional, nada menos do que 19 do 20 times da Série A estarão em campo, neste domingão de explodir corações, em busca de algum objetivo importante.
Um campeonato de pontos corridos pode ser a melhor e também a pior competição do mundo.
Se houver grande equilíbrio, por excesso ou ausência de grandes times, o campeonato, como estamos vendo, fica uma delícia do início ao fim.
Isso ocorreu isso nos últimos três Brasileiros (2009, 2010 e 2011). A rigor, os clubes se equipararam pela pouca quantidade de craques e a falta de grandes conjuntos táticos bem definidos e aplicados.
Mas, por outro lado, quando um ou dois clubes saltam bem à frente dos demais, mantendo a vantagem por toda a disputa, aí é uma monumental chatice.
E pior: uma melancolia que dura de abril a dezembro, ou seja, quase o ano todo.
O torcedor que vê seu time na frente adora, é claro.
Mas o resto... quanta chatice.
Após a implantação do ponto corrido no Brasileirão, os casos mais gritantes em que essa disparada ocorreu foram as edições de 2003 e 2006, vencidas por Cruzeiro e São Paulo na antepenúltima rodada, e a de 2007, ainda mais monótona, carimbada pelo Tricolor a quatro rodadas do final.
Porque esse negócio de isonomia de chance, jogo de ida e de volta, título conquistado pelo conjunto da obra, tudo isso é muito bonito, ético, bacana, combustível conveniente para discurso politicamente correto, uma beleza, enfim.
Mas permitam-me: emoção é outra coisa.
De qualquer forma, o humilde colunista aqui, que desde o início dos pontos corridos torcia o nariz para Brasileirão sem decisão, rende-se às evidências e aceita finalmente a fórmula como adequada para a disputa desta competição.
Mas não se empolguem muito e nem queiram alterar o samba tanto assim: decisão, sim, para todos os outros campeonatos.
Dos estaduais à Copa do Mundo.
Sim, os estaduais, que, menores e bem equacionados, continuam a ser defendidos no Brasil por muitos, a maioria talvez, entre todos esses o papaizinho aqui.
Mas, de volta ao eletrizante Brasileirão, que o amado amigo da blogosfera colorida tenha, de fato, um Super-Domingão de futebol, prazer e alegria.
Que belos jogos nos deixem enlouquecidos e siderados.
Que reinem a paz, a emoção e a alegria.
Que os árbitros atuem um pouco melhor do que a média trágica que produziram no campeonato.
Que o torcedor de bem consiga sair de casa, ir ao estádio e voltar para seu lar com segurança.
Que não ocorram tumultos nas estradas, ruas, cidades, arredores de estádios e arquibancadas.
Que o patrimônio público e o privado (ruas, calçadas, lojas, pontos de ônibus, casas, metrô, carros, etc) não sejam danificados ou sequer atingidos.
Que ninguém se machuque, morra ou seja morto.
E que, finalmente, a polícia baixe o guatambu-peroba no lombo de bandidos disfarçados de torcedor que tentarem destruir coisas ou colocar em risco a integridade dos verdadeiros amantes do futebol, de seus familiares ou mesmo de quem estiver em trânsito pelas cidades durante esses jogos.
Que você, seus amigos e pessoas queridas tenham um excelente Super-Domingão do futebol.
E um ótimo domingo também, como qualquer cidadão merece.
E viva a festa do futebol emocionante, limpo e sem violência.
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