15 Dez 12h08
Sejamos justos: Barça teve vida mais fácil que a do Santos. Mas se impõe de tal forma sobre qualquer adversário que parece ser sempre brilhante, e nunca apenas melhor do que o pior
Setenta e dois por cento de posse de bola do Barcelona, contra 28% do rival, o Al-Sadd Club, do Catar. A bola esteve 46 minutos com os espanhóis e apenas 18 com os adversários.
Dezenove chutes a gol, contra apenas dois do rival (o primeiro aos 44m do segundo tempo, para fora, e o segundo numa falta na barreira na etapa final).
Oito chutes no gol. Nenhum do adversário.
Sete escanteios a favor do Barça. Nenhum a favor do Al-Sadd.
Produto direto desta radiografia: 4 a 0 para o Barça no placar.
O Santos foi muito cobrado, até por essa coluna, em função da apresentação mediana que fez contra o Kashiwa Reysol na manhã desta quarta-feira (14).
Mas, a bem da Justiça, é preciso admitir: o todo-poderoso Barcelona teve vida muito mais fácil do que o Peixe.
Esse Al-Sadd é uma baba comovente.
Perto dele, o medíocre Kashiwa é time talentoso.
Dizem que não existem mais bobo no futebol.
Mentira grossa.
Os bobos no futebol existem em número cada vez menor, é verdade.
Mas ainda existem em bom volume, e o Al-Sadd é um exemplo disso.
O goleiro do time do Catar, esse nosso Mohamed Saqr, teria dificuldade para ser titular no time de pelada do R7 e do Grupo Record.
Provavelmente não conseguiria vaga entre nós.
O problema é que o time do Barcelona joga com tanta autoridade que acaba por disfarçar - e muito - a fraqueza do adversário como parte da justificativa por sua vitória.
Chega dar pena do rival ver o Barça, com 72% da posse de bola, promovendo aquele bobinho interminável no campo de ataque com toques infinitos, roubando a bola sempre próximo ao gol do adversário e diminuindo o campo do rival.
Acreditando o tempo todo em tudo o quanto é bola.
Esperando o espaço e o vacilo mínimos do outro lado para a enfiada precisa de bola (normalmente de Messi) para o desfecho mais do que anunciado e, sobretudo, esperado: o gol. Touro com morte cantada de véspera.
Quando o adversário é fraco, como esse nosso Al-Sadd, aí é que a coisa fica constrangedora, incômoda até.
A partir de determinado ponto, com o resultado a favor definido, o jogo cai numa chatice esquisita, ironicamente produzida pela sobra de eficiência que, afinal, todo amante de bola deseja ver.
O massacre é tão grande que você começa a torcer para o jogo - e sofrimento do sparring da vez - acabarem logo.
Qual a lição que se tira dessa história toda?
A de que o Barça não liga para quem está do outro lado, seja Real Madrid, Santos ou Al-Sadd, e impõe seu padrão de categoria em qualquer situação.
Procura sempre o máximo da performance.
Esse padrão de excelência que quase nunca cai é a diferença. Mesmo diante de bons times como o do Santos.
Tomara que o domingo (15) seja um daqueles dias em que o Barça tenha a recaída dos humanos.
Até para confirmar a regra humana de que não existe nada perfeito.
Porque, diante disso tudo, ainda que todas as forças divinas decidam ficar ao lado do Santos, não vai ser fácil.
Definitivamente, não vai ser fácil.













