18 Dez 12h12
Neymar: “Eles nos ensinaram a jogar futebol”. Console-se: eles fazem isso com todo mundo. Muricy errou. Optou por uma retranca que não soube montar e o time ficou no meio do caminho
Setenta e dois por cento de posse de bola do Barcelona, 29% do Santos.
No jogo anterior, a semifinal contra o Al-Sadd, do Catar, tinha sido 71% para o time catalão.
De porcentagem para tempo: 45 minutos de posse de bola, contra 18 do Peixe.
Quatro escanteios a favor, contra dois do adversário (pouco para ambos, mas, enfim, o dobro do rival).
Dezesseis chutes, o dobro da equipe santista.
Nove chutes na área do gol do Santos, contra apenas três do rival.
E, desses nove chutes no espaço do gol, praticamente um a cada dois balançou as redes, na inquestionável, impiedosa, elegante e professoral goleada de 4 a 0 na decisão contra o Santos.
Quatro pinturas de gols.
O primeiro, então, com o acerto de calcanhar e o toque de Xavi, lance arrematado com o toque genial de La Pulga Messi, então, foi obra de um Picasso, de um Van Gogh.
Ao final, Neymar visivelmente sofria.
E Paulo Henrique Ganso estava tão tonto com a pancada que, perguntado sobre a lição extraída, riu e não soube responder.
Não bastasse a competência avassaladora deste time do Barcelona, um dos maiores do futebol em todos os tempos, o Santos também se intimidou.
Não jogou absolutamente nada.
Creio que Muricy errou na aposta ao posicionar o Santos de forma cautelosa em vez de optar por um posicionamento mais agressivo, solto, leve, moleque, capaz de, ao menos, tentar incomodar o franco favorito Barcelona.
A supremacia e a aula de futebol eram tamanhas que, partir de 24 minutos do primeiro tempo, com o segundo tempo, a marcação do Santos, ao contrário do que deveria ser, pareceu um pouco mais frouxa, menos rígida.
Os jogadores santistas pareciam estar com medo de chegar junto, no tempo da bola, e levar uma caneta, um come feio, um drible humilhante.
Era tudo o que o Barça queria e precisava para fechar a aula com chave (e Xavi, que cracaço espetacular, não?) de ouro.
Nove dos 11 jogadores que iniciaram a partida foram formados nas divisões de base do time espanhol.
Dos 16 títulos disputados pelo Barcelona, 13 foram ganhos pelo clube catalão.
Guardiola, técnico do time catalão, após o jogo:
- Meus avós e pais me disseram a vida inteira que quem sempre jogou esse futebol bonito, com imposição, domínio e bola no pé, foram vocês.
Por que paramos?
Fica a pergunta.
E fica também a lição: Neymar é gênio, mas a distância que o separa de Lionel Messi, ao contrário do que a empolgação produziu de declaração no Brasil, inclusive por parte da imprensa, ainda é grande.
Triste, mas com absoluta lucidez, Neymar declarou após o jogo:
- O Barcelona nos ensinou a jogar futebol.
Console-se, menino: eles fazem isso, com muita folga e autoridade, com o mundo todo.













