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Posts de 23/12/2011

23 Dez 06h00

Robert Rey, o Dr. Hollywood, coloca foto de traseiro de paciente retalhado por bisturi no seu Twitter. A imagem é grotesca. Como a atitude sem limite e bom senso do “doctor”

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drrey foto camiseta cavada Robert Rey, o Dr. Hollywood, coloca foto de traseiro de paciente retalhado por bisturi no seu Twitter. A imagem é grotesca. Como a atitude sem limite e bom senso do doctor Divulgação/Bahiatursa

O cirurgião plástico Robert Rey, 50 anos, paulistano do bairro da Lapa de Baixo radicado no estado americano da Califórnia, onde tem uma clínica famosa, é daqueles que parecem sert tomados por episódios de delirium tremens diante de um holofote aceso ou da luz de um flash.

 

 

 

 

Algo supostamente até coerente com o way of life de um cidadão conhecido como Doutor Hollywood, dono de uma linha imensa de produtos de beleza e estética e de uma respeitável lista de clientes-celebridades.

 

 

 

 

Mas, mesmo com tudo devidamente considerado, Doctor Rey parece quebrar tudo e jogar pesado no marketing.

 

 

 

 

O moço não mede esforços diante das luzes de jogar brilho na própria imagem.

 

 

 

Topa ser jurado de todo e qualquer concurso de beleza com alguma relevância.

 

 

 

Costuma frequentar congressos médicos de sua especialidade com camisetas regata cintilantes, coladas em seu peitoril bombado e protegidas por paletós quase sempre também comprometidos com a difusão das luzes e a profusão dos reflexos.

 

 

 

 

Em meados de 2010, Rey disse ser “60% mulher, mais mulher do que a esposa”.

 

 

 

 

Gosta de usar um óleo de sua marca que, segundo ele, faz a pessoa parecer até dois centímetros mais musculosa.

 

 

 

Carrega esse óleo na meia, onde guarda também o perfume, o gloss para aumentar o volume dos lábios, o fio dental e a pasta de dente.

 

 

 

 

Congestiona a meia para “não deixar marquinhas nas calças Dior e Versace”.

 

 

 

Rey preparou-se bem para o Carnaval de 2011, passado na mística Salvador.

 

 

 

Cavou fundo o camisetão-abadá e mandou ver num “batom de ervas que deixa os lábios maiores e mais escuros”.

 

 

E também numa “pomada anti-vírus contra verrugas faciais”.

 

 

 

Tudo isso deu naquilo que se vê acima dessas linhas riscadas sem delineador.

 

 

 

Em meio à folia baiana, disse à reportagem da revista Veja:

 

 

 

 

- Pareço gay, me visto como gay mas não sou gay. O choque e o erotismo são meu marketing.

 

 

 

 

A mim e, imagino, a seus pacientes, interessa exclusivamente que Rey seja bom cirurgião.

 

 

 

 

Contei tudo isso para colocar em contexto minha sensação de que ele, em sua fúria marqueteira, perdeu a noção de limite entre o permitido e o vetado não a uma miss, mas a um cirurgião plástico internacional supostamente dependente do respeito ético e profissional das pessoas para manter de pé o seu ofício.

 

 

 

 

Horas atrás, por exemplo, Rey foi mais uma vez traído pela própria alegria.

 

 

 

Em seu Twitter, embaixo de uma frase em que revelava trabalhar muito nesses dias anteriores ao Natal, colocou a foto de uma bunda, à primeira vista feminina, toda retalhada por bisturi em sua mesa de cirurgia.

 

 

 

Uma mistura deprimente de cortes, gordura, sangue e pedaços de carne entre o roxo e o marrom (não vou publicar a imagem, mas quem estiver disposto pode ter chance de encontrá-la aqui, se ainda não foi tirada do ar).

 

 

Questionado pela atriz Mika Lins, Rey disse que não era a foto desejada por ele. Alegou querer colocar apenas a imagem “de sua equipe”. Acrescentou que muitos pacientes “até gostam e assinam contrato permitindo a exibição das fotos”

 

 

 

E colocou a culpa, coitado, no telefone usado para colocar material na rede social: “ele é meio loco”.

 

 

O problema é que, na tal foto da “equipe”, o mesmíssimo derrière retalhado antes exibido em close aparece agora ao fundo, mas ainda bem visível, no centro da imagem, ao lado de um orgulhoso Rey e de um de seus colegas de trabalho.

 

 

 

 

Diante do comentário de Mika de que “as duas (fotos) são péssimas”, Rey respondeu:

 

 

 

 

- Tirei, querida! Se não nos falarmos antes do Natal, Feliz Natal e próspero Ano Novo.

 

 

 

 

Que fique claro: nada, absolutamente nada, contra bundas femininas.

 

Na moral? Nada de moral?

 

 

 

Antes, bastante ao contrário: elas (quase) todas são muito bem recebidas por este par de olhos cansados - e que venham com pitadas de celulite, porque homem que não as trata (as celulites) com carinho, reverência e até intimidade é mau caráter.

 

 

 

A questão é que não se deve divulgar a imagem de um pedaço de corpo retalhado e sacrificado como aquele nem em causas mais nobres ou em nome de necessidades desesperadoras – e aqui o mandamento vale indistintamente para bunda, barriga, pescoço, peito ou braço.

 

 

 

 

No caso de marketing pessoal e profissional de um cirurgião plástico, então, aí coisa assume contornos de apelação grotesca, de ato não pensado, vulgar, quase irresponsável.

 

 

 

Devemos evitar essas imagens no jornalismo, na publicidade e em todos os meios de divulgação, empresariais ou particulares, que envolvam muita gente.

 

 

 

Elas chocam, às vezes agridem e podem ser perfeitamente evitadas em todas as situações.

 

 

 

Questão de responsabilidade, ética e bom senso – que, começo a desconfiar, encontram no excesso de badalação, flash e holofote a criptonita capaz de minar-lhe o poder.

 

 

 

O melhor noticário da internet brasileira você encontra aqui. No R7.

 

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