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19 Jan 15h20

Sheik paga helicóptero para chegar na hora. Turma cai de pau. Não no atraso,mas no voo. Melindre bobo. Helicóptero, como velocípede, está aí para ser usado por quem pode usá-lo. Opine

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emerson helicoptero Miguel Schincariol AE 450 Sheik paga helicóptero para chegar na hora. Turma cai de pau. Não no atraso,mas no voo. Melindre bobo. Helicóptero, como velocípede, está aí para ser usado por quem pode usá lo. Opine Miguel Schincariol/AE

Sinceramente, não dá para entender o padrão e os critérios usados por uma pá de coleguinhas jornalistas da imprensa esportiva para avaliar atitudes, sobretudo de jogadores de futebol.

 

 

Vejam só: na segunda-feira (16), o atacante do Corinthians Emerson Sheik chegou ao CT do clube, no Parque Ecológico, às 17h30, cerca de 35 minutos atrasado para a atividade regenerativa programada para aquele período de treinamento.

 

 

Sheik chegou ao CT de helicóptero.

 

 

Entrevistado, o jogador explicou ter sentido até um certo constrangimento por ter sido obrigado pelas circunstâncias a chegar ao CT pelo ar em vez de por terra.

 

 

Mas esclareceu: como não conseguiu embarcar a tempo no avião de carreira que o traria do Rio de Janeiro, procurou (e pagou do próprio bolso, atitude que seu ótimo salário e o dinheiro ganho no mundo árabe permitem) um meio de transporte rápido para, quem sabe, conseguir chegar a tempo de iniciar a atividade junto com os companheiros.

 

 

Bom exemplo.

 

 

Apesar do atraso, comum em todos os cantos mas nunca elogiável, o atacante deu sinais de estar comprometido com o clube, o técnico e os colegas.

 

 

Algo, convenhamos, importante e digno de elogios num momento em que qualquer festa de aniversário de mamãe é desculpa para faltar ao trabalho.

 

 

Mesmo assim, como não conseguiu chegar exatamente no horário, Sheik foi avisado de que será multado em parte de seus salários - o que também é justo diante de um regulamento que prevê tolerância zero para todos os atletas nesses casos.

 

 

Tomadas as atitudes e desculpas indicadas, o atacante foi para o trabalho.

 

 

Pois bem: ligo agora a tevê e vejo uma pá de coleguinha de imprensa malhar o cara não porque chegou atrasado, mas de helicóptero.

 

 

Vejam só...

 

 

Eu respeito a opinião de todos, mas alguém consegue me explicar qual é a lógica por trás de uma opinião dessas?

 

 

Vamos lá: Emerson ganhou honestamente, com o seu trabalho, alguns milhões de reais até agora. E, ao que tudo indica, ganhará outros até o final de sua carreira.

 

 

Bom, se o cara queimasse tudo isso em farra, cachaça, carraspana, vagabundagem, luxúria, trocentos carrões do ano, zilhões de mulheres e filhos feitos e abandonados, costas viradas para a família, helicóptero para ir para farra e outros bichos mais, a turma estaria aí, de plantão, talvez até com certa razão, batendo no cara com o gato morto posto firme na mão pelo rabo, não é verdade?

 

Mas não é isso.

 

 

Antes, o contrário, o oposto diametral.

 

 

 

O camarada (que, diga-se, até agora deixa a impressão de, ao menos na média, parecer contido nas baladas e na vida privada), enfia a mão no bolso para pagar um helicóptero e tentar chegar no trabalho no horário combinado.

 

 

Aí vem a galera e, do mesmo jeito, bate no cara porque ele, vejam só, gastou a própria grana para tentar chegar em ponto no horário marcado por seus chefes?

 

 

Ora, por gentileza...

 

 

É porque helicóptero é caro e chique?

 

 

Mas o cara o paga honestamente, com seu próprio dinheiro? Qual o problema?

 

 

Gostariam que quem fizesse isso?

 

Quem não pode tomar regularmente uma atitude dessas, até por falta de grana para isso, somos eu, os moleques das divisões de base do Timão ou de qualquer outro time brasileiro e, talvez, né?, uma parte dos nobres que criticam o atacante.

 

 

Agora, o Sheik?

 

 

Por favor...

 

 

Se, por exemplo, o Adriano tivesse tomado helicóptero nas 274 vezes em que faltou ao trabalho, talvez não estivesse sendo malhado no poste pelos mesmos colegas que hoje criticam Emerson.

 

 

Ademais, se não for por causas cretinas, bicicletas, motocicletas, carros, helicópteros, aviões e supersônicos estão aí para isso mesmo: serem usados por quem, na medida de sua realidade, os pode usar.

 

 

Pelo amor...

 

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