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Posts de 31/01/2012

31 Jan 20h34

Governo do Sergipe desiste de processar Rita Lee. Melhor assim. Rita passou do tom. Déda foi grosseiro no lance da rebeldia de butique. Que o bom senso e o fim da história vençam os dois

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rita lee daia olivier r7 Governo do Sergipe desiste de processar Rita Lee. Melhor assim. Rita passou do tom. Déda foi grosseiro no lance da rebeldia de butique. Que o bom senso e o fim da história vençam os doisDaia Olivier / R7

 

O governo do Sergipe desistiu de abrir processo contra Rita Lee em que pediria a devolução do cachê pago à cantora e compositora por um show realizado no sábado (28).

 

 

 

Durante a apresentação, feita em uma praia da região metropolitana da capital do estado, Aracaju, a cantora reclamou de policiais que revistavam seus fãs.

 

 

Rita, que se despede dos palcos aos 64 anos por “fragilidade física”, iniciou seu protesto assim:

 

 

- O que vocês querem encontrar? Se querem achar um baseadinho (cigarro de maconha), vão achar. Se querem encontrar alegria, vão achar também.

 

 

Depois, sugeriu aos policiais que “fumassem um baseadinho” e mandassem o chefe que ordenou a missão “para a p... que o p...”

 

 

Ao final da apresentação, a cantora foi levada a uma unidade de polícia do estado para tomar conhecimento do registro de uma ocorrência contra ela por “desacato” e “apologia ao crime ou ao criminoso”, crimes previstos no artigo 287 do Código Penal.

 

 

Na noite do show, o governador do Sergipe, Marcelo Déda (PT), recebeu os policiais após o show.

 

 

Declarou que eles atuaram com correção e equilíbrio e qualificou a atitude de Rita Lee de “rebeldia de butique”.

 

 

Acrescentou que a cantora teria se comportado daquela forma “para cultivar a lenda e vender aos meninos (os fãs presentes) uma atitude artificial”.

 

 

E concluiu:

 

 

- Ela queria uma foto de primeira página, algemada como mártir.

 

 

 

Com a desistência do processo, a lucidez decidiu, finalmente, pairar sobre este caso.

 

 

 

Déda, seu governo e Rita Lee devem mesmo fazer o possível, cada um a seu jeito e com suas possibilidades, para que se esqueça o mais rápido possível essa parte triste e cafona da anuciada última apresentação da roqueira em um palco.

 

 

Um filme queimado protagonizado pelas duas partes, diga-se de passagem.

 

 

 

Rita Lee e Marcelo Déda passaram do limite.

 

 

Os xingamentos da cantora foram desnecessários.

 

 

Com sua força, autidade e peso artístico, ela poderia ter feito um protesto sem essas agressões.

 

 

Em termos mais leves, sobretudo diante de trabalhadores que cumprem ordens dentro de uma hierarquia de polícia militar, ele, o protesto de Rita, soaria mais maduro.

 

 

E o que realmente importaria: mais efetivo em relação ao objetivo pretendido.

 

 

Marcelo Déda  - em última instância o contratante do show, lembre-se de passagem - foi grosseiro ao afirmar que Rita Lee exerceu uma “rebeldia de butique”.

 

E também de supor que a roqueira teria dito o que disse, da forma que disse, para conquistar manchetes e holofotes.

 

 

De todos os envolvidos nessa história, não consigo imaginar que Rita Lee seja exatamente a pessoa a necessitar de recursos desse tipo para aparecer em veículos de comunicação.

 

 

Diante do fato de que o próprio governo do Sergipe – Marcelo Déda, em última instância – escolheu e pagou para oferecer o talento de Rita a seus conterrâneos, as palavras de Déda assumem ares ainda mais, vamos combinar de dizer assim, inusitados.

 

 

Os policiais não erraram. Como militares, cumpriram, é certo, ordens superiores.

 

 

Mas o comando errou, sim.

 

Não por procurar supostos traficantes, e sim pelo exagero operacional de partir para cima dos fãs em hora inoportuna, com a música rolando no auge da apresentação, quando poderiam ter feito isso com muito mais calma e eficiência antes do início da apresentação.

 

 

Uma busca deselegante e deseducada de pelo em ovo num show que, marcando a despedida dos palcos de um dos maiores ícones da música brasileira, tinha tudo para ser uma festa de recordações bonitas e sem constrangimentos.

 

 

Essa história só tem vilões fora do tom.

 

 

Por isso, para bem de todos e o triunfo do bom senso, deve ser enterrada o mais rápido possível.

 

 

Depois do estouro de limite de Rita Lee, do exagero da polícia e das declarações infelizes de Déda, o governo do simpático e amado povo do Sergipe ao menos ganhou um ponto com a desistência deste processo que se transformaria em pirraça oficial – e, porque não, em busca de holofote.

 

 

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