Fernando Dantas - Gazeta Press
O Palmeiras lançou um projeto de doações de torcedores, em dinheiro, com o objetivo de reunir os R$ 22,8 milhões necessários, segundo a diretoria, para contratar o atacante Wesley, do alemão Werder Bremen.
A empresa de marketing MY Own Player, a MOP, é a responsável pela operação do projeto.
O Werder Bremen pede 6,5 milhões de euros (cerca de R$ 14,8 milhões) pelo jogador.
Além disso, serão necessários, pelas contas bem folgadas dos cartolas, mais R$ 8 milhões para pagar impostos, taxas e, a depender da negociação, também o direito de solidariedade ao clube brasileiro que revelou o jogador.
Os torcedores poderão doar valores divididos em cotas de R$ 100 (R$ 100, R$ 200, R$ 300 e assim por diante).
O valor final poderá ser dividido em até 12 vezes.
Se ele escolher, por exemplo, a cota mínima de R$ 100, pagará12 prestações mensais de R$ 8,34.
É preciso ficar absolutamente claro: trata-se de uma doação e não de um investimento.
Isso significa o seguinte: quem doar R$ 100, R$ 500, R$ 1.000, R$ 10 mil ou qualquer outra quantia não terá nenhuma participação nos direitos econômicos de Wesley.
E nem receberá qualquer dividendo ou devolução do que doou em caso de negociação do atleta no futuro.
É doação, exclusivamente pela honra de ajudar o time do coração e o prazer de ter essa atitude reconhecida publicamente pelo clube.
Mas o torcedor que contribuir com o projeto Wesley será recompensado com ações de marketing e prêmios de acordo com a seguinte tabela:
Uma cota (R$ 100) – o torcedor recebe um certificado digital, tem o nome citado na página do clube na internet e recebe dois convites para a festa de apresentação do meia.
De duas a cinco cotas (R$ 200 a R$ 500) – Tudo dado a quem pagou uma cota e mais o nome no Bandeirão do Verdão.
De seis a dez cotas (R$ 600 a R$ 1000) – Tudo dado a quem pagou de duas a cinco cotas mais o nome impresso na camisa no jogo de estreia de Wesley.
De onze a cinquenta cotas (R$ 1,1 mil a R$ 5 mil) – Tudo dado a quem pagou de seis a dez cotas e mais o direito de acompanhar um treino do clube com Wesley e, neste dia, se relacionar com os jogadores e comissão técnica.
De 51 a cem cotas (R5,1 mil a R$ 10 mil) – Tudo o do item anterior e mais o direito de participar da entrevista coletiva de apresentação de Wesley.
Acima de cem cotas (R$ 10 mil) – Todo o item anterior e mais os direitos de viajar com o time e jantar com o ex-palmeirense ilustre.
O ideal seria que os clubes brasileiros não precisassem arrumar formas chiques de passar o chapéu de esmola diante de seus torcedores, como ocorre neste e aconteceu em vários outros casos no passado recente do futebol.
E pedir dinheiro a torcedor para comprar jogador sem dar nada em troca é inaceitável, o fim da picada.
É aproveitar, com abuso e falta de ética, da paixão do torcedor pelo clube e o próprio futebol.
Mas lançar um projeto que recompense bem este mesmo torcedor de acordo com sua doação é aceitável, sobretudo se a experiência não for repetida pelo de forma exagerada, desgastando a fórmula.
O projeto do Palmeiras, ao meu ver, recompensa o seu tem torcedor de forma digna.
Entrevistei, para uma reportagem recente, vários rubro-negros integrantes da Campanha do Tijolinho, lançada para a construção do Ninho do Urubu, o futuro centro de treinamento do Flamengo.
Eles contribuíram com R$ 250, divididos em até cinco vezes, para a construção do CT.
Em troca, receberam um diploma e a promessa de ter seus nomes gravados em um tijolo que formará um grande paredão no novo centro de treinamento.
Todos pareciam bastante felizes e recompensados com a perspectiva de ter o nome imortalizado no CT do clube amado.
Resumo da ópera: o Flamengo ficou feliz com o que recebeu dos torcedores, a empresa gestora do projeto ficou feliz com suas comissões e eles, os torcedores, ficaram felizes com o que receberam em troca do Flamengo.
Negócio bacana é assim, gerador de satisfação para todos os lados envolvidos.
Se for pelo mesmo caminho – e cumprir a sua parte – o Palmeiras poderá fazer o mesmo.
Mesmo porque montou, na minha avaliação, uma escala ainda mais inteligente e democrática que a do Fla, permitindo doações e recompensas para uma gama maior de calibres de bolso.
Se o clube cumprir a sua parte, acho o projeto aceitável, mesmo porque a doação é voluntária, ou seja, dá quem quer.
Mas pedir sem dar nada em troca é aproveitamento indevido do amor do torcedor.
Agora, se Wesley vale tudo isso ou se o Palmeiras pegaria gente muito melhor com essa grana são outras histórias.
E você, o que pensa sobre o caso?
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