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13 Jun 11h48

Surge o primeiro caso de raio laser nos olhos de jogadores na Copa. Fifa e governo prometem repressão aos cretinos. Cadeia neles. Opine

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messi laser gi 1656642c Surge o primeiro caso de raio laser nos olhos de jogadores na Copa. Fifa e governo prometem repressão aos cretinos. Cadeia neles. Opine Foto: Getty Images

Sabe aquela atitude idiota, imbecil e cretina de colocar um feixe de raio laser nos olhos dos adversários, que sempre surge em jogos decisivos no Brasil?

Laser pode trazer danos sérios à saúde e ao sistema ocular de quem é exposto a ele.

Pois é. Aqui no Brasil, por falta de repressão, essa coisa grotesca, digna de repressão, infelizmente é carne de vaca, algo muito comum.

Mas, lá fora a coisa, a coisa não é tão tolerada assim.

Tanto que, informa o jornal inglês Daily Telegraph, a Fifa mandou a segurança agir com firmeza no primeiro caso de raio laser na Copa da África do Sul.

Um idiota colocou um feixe verde de laser sobre o técnico Diego Maradona, o craque Lionel Messi e outros jogadores ontem, no Ellis Park Stadim, em Johannesburgo, na partida contra a Nigéria, vencida pela Argentina por 1 a 0.

A Fifa mostrou toda a sua preocupação num comunicado:

- Observamos o incidente e pedimos à segurança para que olhasse o assunto com atenção. O laser foi interrompido imediatamente. As autoridades prometeram reprimir com energia outros possíveis casos.

O Telegrafh questionou a forma como o equipamento de  laser, provavelmente uma caneta, “passou clandestinamente por um esquema de revista e de segurança tão duro”.

Não é primeira vez que a Fifa se vê às voltas com o laser em uma competição de alto nível fora de campos brasileiros.

Numa  partida entre o time inglês Manchester United e o francês Lyon pela Liga dos Campeões, em fevereiro de 2008, o craque português Cristiano Ronaldo foi atormentado o tempo todo por um desses idiotas que insistem em ir para os estádios com essas bibocas.

A Fifa promete exigir que as confederações nacionais, entre elas a CBF, apertem o cerco contra esses cretinos nos estádios.

Processo neles.

Cadeia neles.

E você, o que acha do assunto?

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14 Abr 13h54

Cerco contra os despreparados que matam em mesas de cirurgia plástica começa a se fechar. Ainda bem

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Este blog faz uma campanha insistente pela fiscalização de cirurgias plásticas e de redução de estômago, com punição grave para despreparados e falsos especialistas que cometem crimes nesta especialidade.

Pois bem: a SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) acaba de dar um passo importante neste caminho.

Seus dirigentes vão lançar nos próximos dias um código com novas exigências de segurança para o paciente.

plastica 300x191 Cerco contra os despreparados que matam em mesas de cirurgia plástica começa a se fechar. Ainda bemO documento colocará um limite no número de cirurgias que poderá ser feita cada vez que o paciente é internado.

Isso significa que aquela reforma geral, com lipo, bumbum, prótese nos seios, abdômen, culote, varize, estria, celulite, coxa, cara, orelha e boca, tudo de uma só vez, tudo ao mesmo tempo agora, como se estivem reformando uma boneca numa oficina de brinquedo, não será mais autorizada.

Além disso, a SBCP vai definir todos os exames obrigatórios e o tipo certo de anestesia para cada caso.

E mais: haverá restrições importantes para a liberação de cirurgias plásticas para adolescentes. Muitas das que são feitas hoje nesta faixa etária serão proibidas.

A SBCP vai pressionar deputados e autoridades para que, num futuro próximo, médicos e profissionais não especializados em cirurgia plástica sejam proibidos de operar.

Isso é fundamental.

Estudos do Cremesp (Conselho Regional de Medicina de São Paulo) mostram que 97% do total de erros em cirurgias plásticas ocorrem quando a operação é conduzida por um profissional sem especialização na modalidade.

Isso mesmo: 97% dos erros.

Ou seja, praticamente todos.

Isso no estado de São Paulo, o mais rico da federação.

Imagine no restante do País.

Um espanto.

Cerca de 700 mil cirurgias plásticas são feitas no Brasil todos os anos.

Quase uma para cada habitante de uma cidade como Campinas, no interior de São Paulo, por exemplo.

É um mercado e tanto.

Todo mundo quer.

Mas, para isso, é preciso estar preparado.

Mesmo assim, o título de especialista em cirurgia plástica ainda não é legalmente exigido para que o profissional possa realizar esse tipo de operação.

Outro espanto.

Tomara que tudo isso mude.

O primeiro passo importante foi dado.

Agora é continuar na cobrança.

E você, amado amigo, o que pensa sobre o assunto?

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7 Mar 11h27

Exclusivo: Lula decidiu que o ativista político Cesare Battisti ficará no Brasil e não será devolvido à Itália

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battisti marini Exclusivo: Lula decidiu que o ativista político Cesare Battisti ficará no Brasil e não será devolvido à Itália

No Palácio do Planalto, é dada como certa a decisão do governo de manter a condição de refugiado político, no Brasil, do militante de esquerda italiano Cesare Battisti.

Esta decisão permitirá que Battisti fique no país e não seja extraditado, como deseja o governo italiano.

Battisti foi condenado, na Itália, sob a acusação de ter participado de assassinatos por motivações políticas.

Dois petistas de alto escalão do governo garantiram a este blog que esta será a decisão do presidente Lula.

Em 2009, o STF (Supremo Tribunal Federal), decidiu, em maioria, pela extradição do ativista político, mas concluiu que a decisão final a respeito do caso deverá ser do presidente da República.

O anúncio da posição final do presidente Lula, de manter Battisti no Brasil, será feito entre março e abril de 2010, após a publicação do acórdão com a decisão do STF.

Veja mais:

+ Battisti é condenado por uso de passaporte falso
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18 Jan 22h36

Palpite do Rei Pelé: Espanha é favorita para a Copa. Sei não, mas agora acho que a gente pode ficar mais confiante…

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Pele 190x300 Palpite do Rei Pelé: Espanha é favorita para a Copa. Sei não, mas agora acho que a gente pode ficar mais confiante...

Sempre que apostou ou fez qualquer coisa a favor do Brasil, o genial e incontestável Pelé acertou.

Dentro de campo, nem é preciso comentar.

Nos sorteios em que participa, consegue invariavelmente pescar bons adversários para o Brasil.

Agora, quando dá palpite sobre os favoritos da Copa do Mundo, huumm...

Sua Majestade nunca acerta.

Já foi Dinamarca, Holanda...

Colômbia em 1994,  Iugoslávia em 1998, França em 2002...

Agora é a Espanha.

Olhe só. E volte para cá.

O Rei pode dizer qualquer coisa.

Eu ouço com carinho, respeito, amor de súdito.

Mas não é por nada não: creio que o barraco dessa maravilhosa geração espanhola acaba de desabar.

Depois dessa, acho que a gente pode ficar um pouco mais tranquilo aqui no Brasil.

Temos grandes chances.

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15 Jan 02h16

Sandy foi mal no caso Haiti. Um belo show em benefício dos haitianos, outro para as vítimas da chuva e fica tudo certo

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sandy1 300x225 Sandy foi mal no caso Haiti. Um belo show em benefício dos haitianos, outro para as vítimas da chuva e fica tudo certo

Sandy é bacana, boa gente, bela e canta bem.

Mas foi infeliz no Twitter ao dizer que o País e os brasileiros se mobilizaram mais para ajudar as vítimas do terremoto no Haiti do que as da chuva no Brasil.

Eu entendi o seu objetivo: usar o exemplo do Haiti para chamar a atenção dos brasileiros diante de um problema interno.

A intenção não é ruim,  Sandy é do bem, mas foi mal.

Primeiro, ao não saber dimensionar as óbvias diferenças e a distância abissal estabelecidas entre uma tragédia que mata 70 - ainda que esses 70 sejam muitos e brasileiros - e outra que aniquila 50 mil, 70 mil, 100 mil, talvez 13o mil seres humanos.

sandy 2 300x225 Sandy foi mal no caso Haiti. Um belo show em benefício dos haitianos, outro para as vítimas da chuva e fica tudo certo

São momentos em que nossas ações e pensamentos devem ser inclusivos.

E, depois, por chamar as pessoas que discordaram dela no Twitter de "ignorantes de plantão".

Quem está no Twitter é para se queimar, diria o filósofo Vicente Matheus.

E, no mínimo, discutir o contraditório com elegância.

Primeiro, faltou um pouco de sensibilidade.

Depois, o mais básico fair play.

Mas nada que um belo show em benefício às vítimas do terremoto e outro para as das enchentes não resolvam.

Leia mais sobre Sandy e o Haiti no R7.


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14 Jan 01h49

O blogueiro esteve no Haiti. Conheceu um povo miserável que ama o Brasil e o Ronaldô. Mas não consegue se livrar da síndrome da desgraça eterna

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haiti 1 300x200 O blogueiro esteve no Haiti. Conheceu um povo miserável que ama o Brasil e o Ronaldô. Mas não consegue se livrar da síndrome da desgraça eterna

Estive no Haiti em meados de agosto de 2004.

Fiz uma reportagem sobre o Jogo da Paz, entre as seleções do Haiti e do Brasil, vencido pelos brasileiros por 6 a 0, para a revista Istoé.

Eu e outros jornalistas estávamos no primeiro caminhão militar de um comboio que incluía sete blindados urutus das Forças de Paz da ONU, coordenadas no Haiti pelo exército brasileiro.

Nos 15 quilômetros que separam o aeroporto da capital, Porto Príncipe, ao Estádio Sylvio Cator, onde foi realizada a partida, o comboio foi cercado por mais de 150 mil haitianos em transe emocional absoluto.

O trajeto de ida foi feito em longos 90 minutos.

As imagens ficaram famosas no Brasil. E correram o mundo.

A explosão de sentimentos daquele povo miserável - parte em trapos, parte sem muda de roupa completa - diante da Seleção Brasileira, de brasileiros e de Ronaldô (assim eles gritavam, numa mistura de francês e créole, pelo craque Ronaldo Fenômeno) foi uma das maiores experiências de vida que tive.

Num calor de 40 graus, os haitianos pulavam sem camisa sobre as placas de ferro quentes dos urutus.

Não adiantava dizer que Ronaldô não estava neste ou naquele carro.

Com canetas e papéis amassados, a multidão se aglomerava sobre qualquer coisa que cheirasse a Brasil.

De acordo com uma pesquisa publicada dias antes do jogo pela revista inglesa The Economist, Ronaldô era, entre os haitianos, mais popular do que Jesus Cristo.

De  joelhos, muitos apertavam os braços no peito e mandavam beijos.

E a trilha sonora não mudava: Ronaldô, Ronaldô, Ronaldô...

Durante o jogo, os haitianos torceram para as duas seleções.

Isso mesmo.

Quando o Haiti atacava, eles gritavam e aplaudiam.

O Brasil rumava para o gol do Haiti e eles faziam o mesmo.

A partir do terceiro gol, os brasileiros presentes no estádio, a começar pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, passaram a torcer por um gol do Haiti.

O governo local tinha oferecido US$ 1 mil para quem marcasse o primeiro e US$ 500 para o titular do eventual milagre do segundo.

Em vão.

Pierre Andre Rigaud, jornalista esportivo nascido no país e radicado em Miami, contou-me na ocasião que, ao final da partida em que o Brasil perdeu para a Argentina por 1 a 0, na Copa de 1990, na Itália, com um gol de Caniggia após passe de Maradona, um haitiano se matou com um tiro na cabeça e outro foi para o hospital após ter pulado embaixo de um carro.

O tenente-coronel brasileiro Carlos Aversa lembrou que, nas vitórias importantes da Seleção Brasileira, eles se aglomeram em frente ao portão do quartel das tropas de paz da ONU e pedem para que a bandeira brasileira seja hasteada.

Uma declaração de Aversa e outra do então técnico da Seleção Brasileira, Carlos Alberto Parreira, resumem com precisão o ocorrido naquela tarde.

Primeiro, Aversa:

- Recebo treinamento para controlar minhas emoções, mas tudo isso que estamos vendo não está sendo fácil. Fico com um nó na garganta.

Agora, Parreira:

- Na próxima vez que um jornalista virar para mim e perguntar qual a emoção mais forte que vivi em minha vida profissional, vou dizer que foi essa aqui no Haiti. E todos sabem que eu já vivi muitas delas.

Meses antes do Jogo da Paz, o ótimo jornalista Cláudio Camargo visitou o Haiti, também para Istoé, na companhia do repórter fotográfico Leopoldo Silva.

Sua descrição do que viu em Porto Príncipe é dolorosa:

- Nem a pior favela brasileira, nem mesmo Alagados, na periferia de Salvador, chega aos pés de Porto Príncipe em matéria de degradação e miséria. A capital haitiana é uma verdadeira sucursal do inferno: em meio a um calor de quase 40ºC e a um odor de lixo insuportável, os haitianos movimentam-se como espectros maltrapilhos e sujos. Não há água encanada nem esgoto para cerca de 90% da população, o que faz de Porto Príncipe uma verdadeira cloaca a céu aberto. Por inúmeras ruelas esburacadas e poeirentas, avistam-se centenas de jovens e velhos desocupados (a taxa de desemprego é de nada menos que 80% da força de trabalho). Mulheres esqueléticas carregam crianças no colo e levam na cabeça latas d’água captada nos infectos riachos que cortam a cidade. Velhas picapes transformadas em coletivos (conhecidos como “tap-tap”) cruzam as ruas da cidade transportando dez pessoas, em média, galinhas e perus.

E acrescenta:

- O choque de realidade atinge seu ápice numa feira no bairro de Bel Air, nas proximidades do porto, onde as pessoas vendem e compram frutas, legumes, verduras, roupas e quinquilharias em meio a toneladas de detritos acumulados, num clima de aparente normalidade que deixa perplexo o estrangeiro incauto.

haiti 21 300x200 O blogueiro esteve no Haiti. Conheceu um povo miserável que ama o Brasil e o Ronaldô. Mas não consegue se livrar da síndrome da desgraça eterna

Pois é relamente impressionante: nada parece anular ou, ao menos, aliviar os efeitos de uma espécie de "Síndrome da Desgraça Eterna" que se estabeleceu sobre o Haiti.

Se for levada em conta a realidade histórica das Américas, pouca coisa indicava, até meados do século 19, que essa desgraça seria tão longa e profunda.

Em meados do século 18, o país tinha 450 mil negros escravos.

E pouco mais de cinco mil (1% da população) brancos livres.

Ex-colônia francesa, o Haiti foi o primeiro país das Américas  a declarar independência e a abolir a escravatura.

Livrou os escravos em 1794 (quase cem anos antes do Brasil, que o fez em 1888) e do colonizador,  a França, em 1804.

Para conquistar a independência, o exército haitiano, organizado por Jacques Dessalines, um ex-escravo, expulsou do país as tropas francesas, um império àquela altura já controlado por um certo Napoleão Bonaparte.

A reação foi também uma vingança pelo assassinato do ex-governador-geral do Haiti colônia, Toussaint Loverture, deposto e preso pelos franceses em 1801 e morto três anos depois, na cadeia, na França.

Entre o final do século 18 e a independência, em 1804, no início do século 19, o Haiti era o país mais próspero das Américas e uma das mais produtivas ciolônias francesas no mundo.

Incorporava, em seu território, o que é hoje a República Dominicana.

A produção e a exportação de açúcar, cacau e café eram fortes.

O primeiro grande impacto começou a ser sentido a partir da declaração de independência.

Dessalines, o novo imperador, em vez de construir uma solução para a perda de mão de obra escrava no campo, trocou o modelo de agricultura de exportação de cana, cacau e café pelo sistema familiar, de subsistência das famílias.

Com isso, o Haiti começou a empobrecer.

Em 1806, o país foi dividido em dois. A parte oriental foi reocupada pela Espanha.

Em 1822, o presidente Jean-Pierre Boyer retomou novamente este pedaço da ilha caribenha, mas a reunificação só durou até 1844, quando, em mais uma revolta, Boyer foi derrubado e a parte oriental, declarada independente.

Hoje, esta parte da ilha caribenha é a República Dominicana.

O século 20 foi especialmente cruel para o Haiti - e determinou seu mergulho, aparentemente definitivo, na "Síndrome da Desgraça Eterna".

De meados do século 19 até 1915, o Haiti teve 20 governantes.

Destes, 16 foram retirados do poder ou assassinados em pleno mandato.

Entre 1915 e 1934, os Estados Unidos ocuparam o país para "proteger os interesses americanos" na ilha caribenha.

De 1957 a 1986, os haitianos foram moídos por uma das ditaduras mais insanas, tribais e sangrentas da história da Humanidade, liderada até 1971 por François Duvalier, o Papa Doc, e a partir daí por seu filho, Jean-Claude Duvalier, o Baby Doc.

Baby Doc e Papa Doc, apresentados a muitos brasileiros com menos de 40 anos pela música Nome aos Bois, dos Titãs - aniquilaram a oposição, perseguiram católicos e protestantes, fortaleceram o vodu na rotina do governo e do país.

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Fotos do Jogo da Paz: Ricardo Stuckert/PR

O poder era assegurado na bala e no fio da lâmina pelos tontons macoutes, ou bichos-papões, a guarda pessoal dos Duvalier.

Ela assaltava, constrangia e matava qualquer haitiano que ousasse discordar de algo no regime.

Após 14 anos de instabilidade e de troca de generais no poder, um padre de esquerda, Jean-Bertrand Aristide, eleito democraticamente, assume o poder em dezembro de 1990.

Aristide foi derrubado por um golpe de estado em 1991.

Exilou-se nos Estados Unidos.

Apoiado pelo governo americano e pelas Nações Unidas, ele retomou o poder em 1994, sob a guarda de tropas internacionais.

Mas, em fevereiro de 2004, ameaçado pela oposição armada que tomou parte do país, Aristide abandonou o poder.

E o Haiti. Foi viver na África do Sul.

haiti 5 300x225 O blogueiro esteve no Haiti. Conheceu um povo miserável que ama o Brasil e o Ronaldô. Mas não consegue se livrar da síndrome da desgraça eterna

O presidente da Suprema Corte, Bonifácio Alexandre, assumiu a presidência de forma interina e convocou as Nações Unidas para ajudar a estabilizar o país.

René Préval, o atual presidente, ocupou a presidência entre 1996 e 2001.

Nos últimos 200 anos, foi o único chefe de Estado eleito democraticamente no país a completar o seu mandato e a passar o bastão para outro no final, como mandam as democracias.

Muito respeitado dentro e fora do país, Préval foi novamente eleito em 2006.

Com o apoio da ONU e de uma coalizão política, militar e humanitária de 16 países, liderada pelo Brasil, Préval vinha fazendo o possível para coordenar o longo processo para, um dia, apresentar aos haitianos amantes do Ronaldô uma vida um pouco mais distante do medievalismo.

Pois é: vinha fazendo o possível...

Até que, na tarde da última terça-feira (12), o relógio bateu nas 16h53 min em Porto Príncipe.

Virou pó o pouco que tinha sido construído num país em que metade de seus 10 milhões de habitantes é analfabeta e oito em cada dez habitantes em idade produtiva não tem um emprego formal.

Hospital, centros sociais, escolas, representações internacionais... tudo virou pó.

Corpos apodrecem em meio aos escombros.

Falta água, falta luz, falta comida, falta roupa, apoio, médico, carinho, tudo.

O cenário para a fome, as epidemias e a explosão de novas revoltas populares está pronto.

Há quem fale em pelo menos 100 mil mortos. Se o número for confirmado, trata-se de 1% da população atual do Haiti.

Pode ser mais. Muito mais.

O Haiti, mais uma vez, volta à estaca zero.

O ciclo da Síndrome da Desgraça Eterna - mais um deles - se refaz.

haiti 41 300x225 O blogueiro esteve no Haiti. Conheceu um povo miserável que ama o Brasil e o Ronaldô. Mas não consegue se livrar da síndrome da desgraça eterna

Leia mais no R7 sobre a tragédia no Haiti.

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