Publicidade

Posts com a tag "chuva"

13 Jan 17h42

Saiba porque a Zona da Mata de Minas Gerais e o Sul, o Centro-Sul e o Norte do Estado do Rio sofrem todo ano com as chuvas de verão

Tags: , , , , , , , , , , , , , , , , , Sem Comentários

sapucaia Saiba porque a Zona da Mata de Minas Gerais e o Sul, o Centro Sul e o Norte do Estado do Rio sofrem todo ano com as chuvas de verãoAndré Paino - R7

A reportagem abaixo foi publicada hoje pelo R7. Para quem ainda não leu, vale a pena entender o que acontece todos os anos nessas regiões com a chuva. Um  abraço.

 

 

Entenda porque a Zona da Mata de Minas Gerais e o Sul, o Centro-Sul e o Norte do Estado do Rio sofrem todo ano com as chuvas de verão

Construção irregular nas encostas, solo “isolado”, ocupação
das várzeas dos grandes rios e galerias sujas causam as enchentes e deslizamentos que matam e desabrigam pessoas todos os anos

Por Eduardo Marini, do R7

Zona da Mata de Minas Gerais, Sul, Centro-Sul e Norte do Estado do Rio.

Todos os anos a história é a mesma: entre os últimos dias de dezembro e os primeiros de janeiro, os moradores de algumas dessas regiões – ou de todas elas – sofrem com os estragos produzidos pelas chuvas de verão.

São enchentes, alagamentos, quedas de barreira e desabamentos, que matam dezenas (às vezes centenas) de pessoas e deixam um rastro de prejuízos e de pessoas desabrigadas.

Mas por que as chuvas castigam tanto essas regiões?

O R7 tentará responder esta pergunta.

A repetição deste cenário cruel é fruto da combinação de fatores naturais, ou seja, aqueles construídos pela natureza ao longo dos anos, com atitudes humanas que trazem vantagens mas, muitas vezes, produzem efeitos colaterais negativos.

No caso da região, os fatores são os seguintes: características de solo, vegetação e clima; solo impermeabilizado (“isolado”, “selado”) por asfalto, cimento de calçada e outros produtos isolantes; ocupação irregular de encostas e construção de moradias nas várzeas de rios grandes e importantes, que cortam várias áreas urbanas e povoadas.

As explicações:

* O gigante Rio Paraíba, o “Príncipe do Sudeste” – A Zona da Mata mineira, o Sul, o Centro-Sul e o Norte do Estado do Rio são regiões interligadas por fronteiras. Entre elas corre parte do Rio Paraíba do Sul, o maior da Região Sudeste e um dos maiores do Brasil e do mundo, com seus 1.137 quilômetros de extensão, quase três vezes o tamanho da Via Dutra.

O “Príncipe do Sudeste” nasce na Serra da Bocaina, no Estado de São Paulo, ainda com o nome de Paraitinga.

Desce em direção ao Estado do Rio, em paralelo com a Rodovia Presidente Dutra, a Via Dutra, até a cidade fluminense de Volta Redonda, a Cidade do Aço.

Em Volta Redonda, ele faz uma grande curva à direita e corta a região Sul do Estado do Rio (Barra do Piraí, Vassouras, Paraíba do Sul), por cerca de 130 quilômetros, até a cidade de Três Rios, localizada a menos de 20 quilômetros da divisa com a Zona da Mata, em Minas Gerais.

Em Três Rios, o Paraíba, já com um volume respeitável de água, recebe a descarga de dois importantes (e grandes) rios afluentes: o Piabanha, que vem da Região Serrana do Estado do Rio, e o Paraibuna, que corta a maior parte da Zona da Mata Mineira, inclusive a cidade de Juiz de Fora, com seus quase 500 mil habitantes.

A propósito, a cidade se chama Três Rios exatamente pelo fato desses três grandes rios - Paraíba do Sul, Paraibuna e Piabanha - se encontrarem em seu território.

Após receber as águas do Piabanha e o Paraibuna em Três Rios, o Paraíba do Sul faz nova curva à direita e sobe, tendo em sua margem direita o Estado do Rio e na esquerda o de Minas Gerais, até a localidade de Atafona, em São João da Barra, próximo a Campos, no Estado do Rio, onde finalmente desemboca no Oceano Atlântico.

Entre Três Rios e Atafona, um trecho de cerca de 540 quilômetros, o cheio e fortalecido Paraíba ainda recebe água de vários rios e riachos pequenos no caminho.

E também de alguns muito volumosos, como o Pomba, a 140 quilômetros da foz, e o Muriaé, o maior de seus afluentes, 50 quilômetros antes de atingir o Oceano Atlântico.

A localidade de Jamapará, em Sapucaia, onde 13 pessoas morreram e pelo menos mais 12 foram soterradas por um deslizamento ocorrido às 3h da madrugada de segunda-feira (9), fica no início deste caminho, 34 quilômetros acima de Três Rios.

Com todos esses rios desaguando no Paraíba, a região norte do Estado do Rio, onde fica Atafona, e a parte próxima da Zona da Mata Mineira, que abriga o afluente Rio Muriaé, vivem como se abrigassem uma grande “ponta de funil”.

Essa “ponta de funil” é o bico por onde escoa para o Oceano Atlântico todo este imenso volume de água recolhido em várias cidades dos três principais estados do País: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais.

Como esses locais são muito quentes e úmidos, sobretudo as cidades fluminenses e mineiras da região, chove muito no verão em todas essas regiões.

Essas águas caem nos pequenos rios e, a partir deles, atingem – e enchem – os afluentes Paraibuna, Piabanha, Pomba e Muriaé.

Cheios, esses rios produzem estragos por onde passam e depois se derramam no Paraíba, levando o “Príncipe”, em muitos caos, a provocar prejuízos ainda maiores.

É por isso que estes danos ocorrem todo ano mais ou menos na mesma região, entre a Zona da Mata Mineira, cortada pelo Rio Paraibuna, e o pedaço na fronteira formado pelo Sul, Centro-Sul e Norte do Estado do Rio, esta última região já próxima à divisa com o Espírito Santo, por onde serpenteia e enfim se entrega ao Atlântico o belo e poderoso “Príncipe do Sudeste”.

Este problema anual é agravado por falhas humanas e efeitos colaterais negativos de atitudes tomadas em nome do chamado progresso: impermeabilização do solo (“chão selado”), obras na várzea dos rios e construção de casas em morros impróprios para tal.

Solo impermeabilizado – Quem vive em regiões onde chove muito no Brasil tem a sensação de que hoje cai muito mais água do que há 25 ou 30 anos. Isso em parte é verdade, por causa dos efeitos de fenômenos como El Niño e La Niña.

Mas o que ainda contribui de forma mais decisiva para o transbordamento dos rios e as enchentes é o solo impermeabilizado por excesso de asfalto, cimento e outros produtos isolantes.

Há 40 anos atrás, todas as cidades do eixo fluminense e mineiro do Rio Paraíba do Sul, só para citar o caso em questão, tinham, no máximo, uma rua central asfaltada.

Hoje, praticamente todas as ruas do centro e do bairro principal de todas essas cidades estão cobertas por asfalto, um material que impede a absorção de água.

Resultado: quando cai uma chuva forte, praticamente toda a água é jogada nas galerias de escoamento e, a partir delas, chega ao Paraíba em poucos minutos, elevando o seu nível e provocando enchente, desabamento e morte.

Em muitos casos a água dos temporais chega com tamanha rapidez ao leito dos rios que acaba por voltar às ruas pelas próprias galerias de escoamento.

Em São Paulo, por exemplo, isso ocorre com frequência. Nesta virada de ano, Três Rios, Além Paraíba, Juiz de Fora, Matias Barbosa e outras cidades mineiras e fluminenses sofreram com o mesmo problema.

Ocupação da várzea dos rios – A natureza é sábia: a várzea de um rio, aquele espaço nos dois lados do curso de água que fica vazio no período da seca, faz parte do leito do rio.

A várzea existe exatamente para abrigar a água adicional trazida pelas chuvas no período das cheias.

No Brasil, a várzea dos principais rios foi ocupada, muitas vezes de forma irresponsável, por casas, ruas, avenidas e outras construções.

As avenidas marginais do Tietê e de Pinheiros, em São Paulo, foram construídas nas várzeas desses rios. Por isso, elas inundam de forma vergonhosa quando bate um temporal pesado na cidade, atormentando os paulistanos. Quando chove, a água levada ao Tietê e ao Pinheiros pelas galerias de escoamento ocupa o espaço da várzea, que deveria estar lá mas foi substituída pelo concreto, a pedra e o asfalto das marginais.

Com o Piabanha, o Paraíba e a suprema maioria dos rios do Brasil ocorre, em maior ou menor escala, a mesma coisa.

Bons pedaços da Avenida Brasil, em Juiz de Fora, ocupam a várzea do Rio Paraibuna.

Em Três Rios, parte da estação rodoviária e da principal avenida da cidade, a Alberto Lavinas, conhecida como Beira-Rio, está sobre o traçado da várzea do Rio Paraíba do Sul, que corta o centro e alguns bairros da cidade.

Nos outros municípios da região, a realidade é semelhante.

Nos períodos de chuva, este aperto das várzeas ajuda a encher as regiões habitadas das cidades. A realidade é elementar: se a água não pode escapulir para a várzea, procura outro lugar para se acomodar.

Construção em morros com pouca profundidade de solo – O deslizamento que matou moradores de Jamapará, em Sapucaia (RJ), na segunda-feira (9), foi produzido por um fenômeno semelhante ao que castigou Angra dos Reis, também no Estado do Rio, no verão passado.

As casas arrastadas em Jamapará foram construídas em um ponto do morro com pouca profundidade de terra, tendo ao fundo uma grande pedra.

A grande quantidade de água, por vários dias seguidos, encharcou a terra e a fez deslizar sobre a barreira de pedra. Ao rigor técnico, aquelas casas não poderiam estar onde estavam.

A combinação desses fatores naturais, falhas humanas, acasos e descasos do poder públicos produz anualmente este filme.

Um filme de horror que ninguém quer, mas é forçado a ver.

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks

11 Jan 18h17

Pediu oração para vítimas da chuva na cidade vizinha pelo Facebook, desligou o computador, deitou, dormiu. E horas depois morreu soterrado, na “cama quentinha”, em Sapucaia (RJ)

Tags: , , , , , , , , , , , , 3 Comentários

Ao saber das primeiras vítimas que perderam casas e bens na cidade vizinha de Além Paraíba (MG), margem esquerda do Rio Paraíba do Sul, o estudante Thiago Carvalho, morador de Jamapará, distrito de Sapucaia, situada no lado direito do rio, o da região Centro-Sul do Estado do Rio de Janeiro, postou o seguinte recado no Facebook nas primeiras horas de segunda-feira (9):

- Vamos nos unir em orações pelas famílias que, neste momento, em Além Paraíba e na região, sofrem com a forte chuva. Eu e você estamos em casa, debaixo de um teto, com uma cama quentinha à nossa espera. Quantos lá fora passam agora por uma situação difícil? Que cada um de nós, ao ler essa postagem, faça orações por essas famílias.

Feito o registro, Thiago desligou o computador, deitou em sua “cama quentinha” e dormiu. No quarto ao lado, descansavam seus pais.

Poucas horas depois, exatamente às 3h da madrugada da mesma segunda (9), a avalanche que matou até agora 18 pessoas reduziu a sua casa e a de vários vizinhos a uma mistura de escombros e lama escura.

Thiago morreu soterrado com o pai e a mãe.

Em casa.

Na caminha quentinha.

Os três foram enterrados na terça-feira (10).

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks

7 Jan 17h01

Friburgo, Teresópolis e Petrópolis estarão entre destinos turísticos oficiais da Copa 2014. Autoridades confiam plenamente na eficiência da natureza:em junho e julho é só chuvisco na região

Tags: , , , , , 1 Comentário

Nova Friburgo, Teresópolis e Petrópolis estão entre os 184 destinos que serão oficialmente indicados pelo Ministério do Turismo aos turistas estrangeiros e brasileiros que se movimentarem pelo País durante a Copa do Mundo de 2014.

As três cidades estão na Região Serrana do Estado do Rio de Janeiro, uma das mais belas e agradáveis áreas de montanha do Brasil e do mundo.

E, como sabemos bem, foram duramente castigadas pelos temporais ocorridos no verão passado, que deixaram mais de 900 mortos e um imenso rastro de destruição.

E hoje, um ano depois, sofrem novamente com as chuvas, embora em menor escala do que o visto no ano anterior.

Ao mesmo tempo, seus habitantes testemunham a incompetência, a irresponsabilidade, o descaso e a lentidão de autoridades municipais, estaduais e federais no trabalho de recuperação das perdas e socorro às vítimas.

O poder público e as autoridades estão seguros.

E plenamente confiantes na eficiência da... natureza: em junho e julho não chove não chove na região.

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks

2 Jan 06h00

Volta a chover forte na bela região serrana de Petrópolis e na bonita Zona da Mata mineira. Estou no pedaço. E estou com medo…

Tags: , , , , , , , , , , , , , Sem Comentários

(mais...)

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks

6 Abr 14h43

Chuva no Rio: a força da natureza não ameniza e nem justifica omissões de governos passados e presentes

Tags: , , , , , , , , , , , , , , 8 Comentários

chuva 1 300x225 Chuva no Rio: a força da natureza não ameniza e nem justifica omissões de governos passados e presentes

Está certo que é a pior chuva na região metropolitana do Rio de Janeiro desde o fatídico temporal de janeiro de 1966.

Está certo que, em alguns bairros, Copacabana entre eles, chove mais nas últimas 24 horas do que choveu em janeiro e ferereiro deste ano juntos.

Está certo que, diante de um cenário deste, haveria prejuízo e um determinado nível de desordem em qualquer metrópole do mundo, da africana mais pobre à americana ou europeia mais rica.

Está certo que o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PMDB), saiu a campo desde cedo, colocou o secretariado na rua e tomou as atitudes corretas, entre elas a de clamar para que os cariocas fiquem em casa e só saiam se for por algo desesperadamente necessário e justificável.

Está certo tudo isso.

Mas tudo isso e a fúria da natureza, que traz certeza de estragos, não amenizam e nem justificam omissões e erros de administrações municipais e estaduais do passado e do presente.

O temporal encontrou as galerias pluviais e os sistemas de drenagem do Rio de Janeiro sujos, entupidos, em petição de miséria.

A cidade tem vários séculos de existência.

Essas coisas precisam ser cuidadas com rigor.

A falha potencializou os riscos e o desconforto.

Isso é trabalho que deixou de ser feito por governos estaduais e municipais.

De ontem e de hoje.

Outro ponto: um carro arrastado por um grande deslizamento invadiu a área da casa do navegador Torben Grael, quatro vezes medalhista de ouro, em Niterói, do outro lado da bela Baia da Guanabara, à 1h da manhã de hoje, terça (06).

Grael e sua filha resgataram uma mulher e uma criança, mas não conseguiram tirar um homem do fundo da lama.

Pois bem: no início desta tarde, às 13h06 - doze horas e seis minutos depois do acidente, portanto - Grael ainda não havia conseguido falar, por telefone, com a Defesa Civil, Bombeiros, polícia ou qualquer instituição do tipo.

E ele é o Torben Grael.

Isso é falta de organização mínima para atender – portanto, falha administrativa.

Outro ponto: é verdade que muitos das dezenas de mortos ocupavam áreas irregulares e perigosas.

Mas a tragédia da chuva em Angra dos Reis – em áreas ocupadas irregularmente no mesmo Estado do Rio de Janeiro - ocorreu há 90 dias.

De lá para cá o governo estadual, a prefeitura do Rio de Janeiro ou de alguma cidade da região metropolitana da capital fluminense fez algum trabalho de retirada, em grande escala, de pessoas que viviam nestas áreas?

Isso deveria ter sido feito.

Obrigatoriamente.

A força da natureza não ameniza e nem justifica a falta de decisão por parte de quem, por obrigação, deveria tomá-las.

E você, nobre amigo, o que pensa?

Opine.

Registre seu comentário.

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks

5 Fev 15h57

Paulistano muda rotina para enfrentar incompetência municipal e estadual no combate às enchentes. É triste

Tags: , , , , , , , , , , , , , 16 Comentários

chuva foto 300x226 Paulistano muda rotina para enfrentar incompetência municipal e estadual no combate às enchentes. É triste

- Está maluco? Você anda de carro ou de veículo anfíbio? Nestes tempos, não se vai para lugar nenhum da cidade entre cinco e oito da noite. Quem aprendeu a lição fica aonde está neste horário. É o rodízio da chuva e da fuga da incompetência, só que este vale para todo mundo. Aliás, vamos desligar porque, nesta hora, eu fico com medo de me afogar até no telefone...

A resposta acima foi dada a mim, no final da noite de ontem, por um competente e, como se percebe, bem humorado médico com quem eu precisava conversar pessoalmente por motivos profissionais.

Apesar da sua ironia fina, tive a sensação de que ele havia encarado minha dúvida como uma provocação.

E ela era singela: será que ele poderia se encontrar comigo hoje, quinta-feira (4), às 17h30, em um café próximo do seu consultório, em Santana, na zona norte de São Paulo?

Não, não poderia.

De jeito nenhum.

O paulistano entregou os pontos nesta questão das chuvas.

Passou a se virar por conta própria.

Não espera nada da prefeitura e nem do governo do Estado de São Paulo.

Sabe porque os engarrafamentos nos finais de tarde de chuva estão mais amenos do que os do início da temporada?

Simples: boa parte dos paulistanos percebeu que a cidade não tem condição e absorver seus movimentos neste período do dia e parou de se movimentar nos finais de tarde e inícios de noite.

Mudou sua vida para se adaptar à inoperância.

Sucumbiu à incompetência ofensiva, ao despreparo e à omissão mal disfarçada da administração municipal, de Gilberto Kassab (DEM), e da estadual, de José Serra (PSDB), para tomar medidas que ao menos amenizem os efeitos das chuvas que castigam os 11 milhões de habitantes da cidade há 44 dias seguidos.

Este cidadão não conta mais com nenhuma ação coletiva, nenhum plano responsável de curto prazo, mutirão técnico ou político, convênio com o governo federal para aplicação imediata...

Nada.

Percebeu que todo dia essa turma faz tudo sempre igual.

Primeiro, o cidadão tem seu encontro diário com o caos que estilhaça a sua rotina e o seu orgulho de paulistano.

chuva pompeia Paulistano muda rotina para enfrentar incompetência municipal e estadual no combate às enchentes. É triste

A metrópole rica, que deveria estar na vanguarda de tudo, assume ares medievais.

Impotência generalizada – e patética.

Depois (sempre muito depois) de se instaurar o caos, aparece um representante dessas administrações, às vezes os próprios eleitos, e entoa a mesmíssima cantilena da derrota, da conformação e do fracasso: está caindo muita água, a situação é excepcional, chega-se a um ponto em que nada parece reduzir os danos... E por aí vai.

Excepcional é sensação nítida de que essa ladainha serve de discurso protetor para troque mesquinho de fazer muito pouco, ou quase nada, com o ar blasé de quem tentou de tudo.

O balanço dos estragos provocados nesta quinta-feira (4) pela nossa visitante de cada dia foi o seguinte: Zoológio e Jardim Botânico alagados, queda de árvore em 108 pontos da cidade, dois córregos transbordados, Aeroporto de Congonhas fechado por mais de uma hora, 79 sinais em pane, 36 pontos de alagamento (16 deles intransitáveis), várias regiões sem energia e toda a cidade em estado de atenção.

Setenta e quatro pessoas já morreram desde o início deste inferno.

Mas nada, nada adianta.

O paulistano percebeu, claramente, que a desfaçatez foi, é e será adotada, até o final do verão, como armadura para a inoperância.

Até que a natureza decida que não merecemos mais tanta água na cabeça por aqui.

Mas estejam certos: enquanto isso não ocorrer, nada de relevante será feito pelos governos municipal e estadual para alterar essa situação.

Eis uma verdade clara para todo mundo, e esses administradores nem podem nos culpar ou cultivar melindres pela facilidade da constatação.

Por isso, faça como o médico que procurei: adote o rodízio da fuga da incompetência.

Meu entrevistado marcou nosso encontro para nove e meia da manhã da mesma quinta-feira (4).

Foi uma boa conversa.

E eu aprendi a lição. Está adotada até o final do verão.

Tudo tem limite.

Posso ser, muitas vezes, um crédulo otimista.

Mas, já que ele perguntou, não, não sou maluco.

Deve ser terrível viver numa cidade e num estado em que o cidadão já se sente um felizardo se conseguir passar ileso pela omissão dos governantes.

chuva arvore 300x225 Paulistano muda rotina para enfrentar incompetência municipal e estadual no combate às enchentes. É triste

Veja mais:

+ Chuva com hora marcada muda rotina em São Paulo
+ Leia mais sobre chuva no R7
+ Todos os blogueiros do R7

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks

15 Jan 02h16

Sandy foi mal no caso Haiti. Um belo show em benefício dos haitianos, outro para as vítimas da chuva e fica tudo certo

Tags: , , , , , , , , 100 Comentários

sandy1 300x225 Sandy foi mal no caso Haiti. Um belo show em benefício dos haitianos, outro para as vítimas da chuva e fica tudo certo

Sandy é bacana, boa gente, bela e canta bem.

Mas foi infeliz no Twitter ao dizer que o País e os brasileiros se mobilizaram mais para ajudar as vítimas do terremoto no Haiti do que as da chuva no Brasil.

Eu entendi o seu objetivo: usar o exemplo do Haiti para chamar a atenção dos brasileiros diante de um problema interno.

A intenção não é ruim,  Sandy é do bem, mas foi mal.

Primeiro, ao não saber dimensionar as óbvias diferenças e a distância abissal estabelecidas entre uma tragédia que mata 70 - ainda que esses 70 sejam muitos e brasileiros - e outra que aniquila 50 mil, 70 mil, 100 mil, talvez 13o mil seres humanos.

sandy 2 300x225 Sandy foi mal no caso Haiti. Um belo show em benefício dos haitianos, outro para as vítimas da chuva e fica tudo certo

São momentos em que nossas ações e pensamentos devem ser inclusivos.

E, depois, por chamar as pessoas que discordaram dela no Twitter de "ignorantes de plantão".

Quem está no Twitter é para se queimar, diria o filósofo Vicente Matheus.

E, no mínimo, discutir o contraditório com elegância.

Primeiro, faltou um pouco de sensibilidade.

Depois, o mais básico fair play.

Mas nada que um belo show em benefício às vítimas do terremoto e outro para as das enchentes não resolvam.

Leia mais sobre Sandy e o Haiti no R7.


Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks

9 Dez 01h00

São Paulo, terça (8), 20h. Dois km de engarrafamento. Ok, medo da água, você venceu

Tags: , , , , , , Sem Comentários

marginal pinheiros 300x225 São Paulo, terça (8), 20h. Dois km de engarrafamento. Ok, medo da água, você venceu

Retornava de uma entrevista para a redação deste R7, em São Paulo, às 20h02 desta terça-feira (8), quando o locutor de uma rádio especializada em trânsito anunciou solene:

- Milagre: são oito horas e dois minutos da noite e há apenas dois km de engarrafamento em toda a cidade de São Paulo. É isso mesmo: dois km de engarrafamento em toda a cidade.

A esta altura das noites, sabem bem os paulistanos, a coisa raramente está abaixo dos cem quilômetros de pistas e ruas travadas.

Ouvintes mandavam mensagens e jornalistas entravam ao vivo para comemorar o fato de atravessarem as avenidas marginais em poucos minutos.

Ou de terem ido do bairro A para o B em tempo recorde.

Alguns demonstravam alegria.

Quando isso ocorria, confesso que sentia um tom macabro, uma certa esquizofrenia.

Era o vazio pseudo-confortável do fracasso.

Na noite daquele 12 de maio de 2006 em que o PCC (Primeiro Comando da Capital) tocou o terror em São Paulo, fui comer um bife mal passado com um amigo, o jornalista Chico Silva,  em um dos mais tradicionais restaurantes do centro paulistano.

A cidade parecia um cemitério abandonado.

Era o triunfo do medo da bala.

A vitória do medo do fogo.

Hoje, guardadas as devidas proporções (só as devidas), tivemos outro dia de triunfo do medo.

Só que, desta vez, foi o triunfo do medo da água.

Em todo caso, os humilhados somos sempre nós.

Sempre nós.

Gastei minutos para vir da Avenida Paulista à sede do Grupo Record, na Barra Funda - e quatro horas e meia, na ida, a partir das 9h da manhã, para percorrer 0s 35 km que separam minha casa, em Cotia, do centro de São Paulo.

Milhares de pessoas não entraram na cidade.

Outros milhares não saíram hoje de onde estavam.

Eu, como havia prometido ao prefeito, bem que tentei.

Mas ainda não foi desta vez.

A chuva não me pegou de jeito.

Mas estou tentando, juro que estou tentando...

Leia mais sobre ruas vazias em São Paulo no R7.

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks

4 Dez 16h40

Darei longas voltas de carro em São Paulo se a chuva cair neste final de semana. O prefeito viria comigo?

Tags: , , , , , , , , Sem Comentários

inundacao 1 Darei longas voltas de carro em São Paulo se a chuva cair neste final de semana. O prefeito viria comigo?

Cinco mortos - todos soterrados.

Três desaparecidos.

Casas inundadas.

Carros e móveis inutilizados.

Pessoas contraindo doenças em meio à água infecta e ao lamaçal.

Milhares de compromissos importantes perdidos.

Uma cidade completamente mergulhada no caos.

Tudo isso é só uma parte do saldo dos 40 minutos de chuva pesada que caiu sobre São Paulo nesta quinta-feira (3).

Todo final de ano é sempre igual: ela chega, mata, destrói, paralisa e, diante da incompetência generalizada das autoridades paulistanas e paulistas na missão de amenizar seus efeitos, marca outros encontros macabros para a próxima temporada.

E todos nós sabemos: ela, a chuva, irá cumprir sua promessa.

Vai deixar seu rastro.

De frente para a eterna e absoluta falta de capacidade para enfrentá-la, será mole.

Ela chegará poderosa, arrasando tudo sem qualquer resistência.

Diante da comovente incapacidade de quem deveria encará-la, ela, a chuva, tira até sarro.

Diz onde, quando e como voltará.

Sabe que pode revelar tudo.

Afinal de contas, cantou a tempestade todos os anos - nas últimas décadas - e, mesmo assim, "venceu".

São encontros anunciados e, por incrível que pareça, facilitados.

Querem ver?

Nesta sexta (04), o jornal Folha de S. Paulo informa que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), aliado dos tucanos que controlam o governo estadual, gastou em 2009 menos de 8% do dinheiro previsto no orçamento para a construção de piscinões e de reservatórios no município.

Dos 18,5 milhões calculados para essas obras, apenas R$ 1,4 milhão foram empenhados.

A partir de hoje, vão alegar que chuva foi forte, que caiu blá blá blá por cento de tudo o que deveria ter despencado no mês em apenas 40 minutos, enfim, aquela baboseira, aquela pataquada, aquela rastaquerada toda.

Aí a gente responde assim: então tá, se o sistema não pode se preparar para as exceções, todos devem achar natural as pessoas morrerem quando elas, as exceções da chuva, ocorrerem, não é mesmo?

E aproveita para perguntar o seguinte: de que serve toda a tralha e o pessoal mantidos pelo poder público para enfrentar as chuvas se, quando cai um temporal digno de ser enfrentado, essa coisa toda não funciona?

Sim, porque, para as chuvinhas que só lavam nossos carros e os vidros das nossas casas, a gente não precisa de tralha nem de ninguém do poder público.

Né não?

A meteorologia prevê mais chuvas para este final de semana.

Paulistanos e paulistas precisam voltar para casa.

Nós sabemos que estamos entregues ao próprio medo, à própria sorte.

Todos os anos, cada um de nós espera a sua vez.

Quando o mel cai, a gente respira fundo e diz: "é hoje".

Resolvi me antecipar.

Vou dar longas voltas de carro, por toda a cidade de São Paulo, em meio aos engarrafamentos e torós deste final de semana.

Será que o sr. prefeito de São Paulo ou alguma autoridade do governo estadual me faz companhia?

Assim, na boa, no meu carro... A chuva pesada caindo lá fora, os boeiros entupidos, a água batendo na roda, depois na porta, em seguida no friso...

Tudo muito emocionante.

Meu dia vai chegar mesmo...

Será que eles iriam comigo?

A ironia, dizia minha mãe, pode ser o melhor rosto da revolta.

Este post é uma homenagem aos oito que, ontem, aos primeiros pingos, pensaram como nós todos: "é hoje".

E, infelizmente, acertaram.

Leia mais sobre as chuvas.

Imagens da chuva.

Todos os blogueiros do R7.

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks
Ir para a home do site
Todos os direitos reservados - 2009-2011 Rádio e Televisão Record S/A