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23 Fev 15h58

Opositores na Câmara de SP se unem após cassações

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No plano nacional, o caso da cassação do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), rende troca de acusações entre líderes do PT, do PSDB e do Democratas.

Mas na Câmara Municipal, principal tribuna política da cidade, prevalece um curioso e raro clima de cumplicidade entre situação e oposição.

É a solidariedade que aparece diante do aperto comum, da preocupação que afeta praticamente todos os grandes partidos representados na casa.
Não era para menos: 24 dos 55 vereadores foram cassados em primeira instância, desde novembro do ano passado, pelo juiz Aloísio Sérgio Rezende Silveira, da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo.

A exemplo de Kassab e da vice-prefeita Alda Marco Antônio, todos são acusados de receber recursos de campanha irregulares de empreiteiras, concessionárias de serviço público, associações e bancos.

Oito vereadores são do PSDB, cinco do PT, cinco dos Democratas e dois do PTB.

Completam a lista, com um parlamentar cada, PMDB, PV, PP e PR.

No final da tarde de segunda-feira (22), o juiz Silveira aceitou recurso do advogado dos Democratas, Ricardo Penteado, e concedeu efeito suspensivo à cassação do prefeito e da vice.

Apenas na última decisão de Silveira, a mesma que envolveu Kassab e a vice-prefeita Alda Marco Antônio (PMDB), oito vereadores foram envolvidos.

Kassab, Alda e os vereadores permanecem em seus cargos. Especialistas consideram que eles também receberão efeito suspensivo. Se isso ocorrer, eles ficarão em suas cadeiras até o julgamento final, pela Justiça Eleitoral.

São eles os petistas Antonio Donato, Arselino Tatto, Ítalo Cardoso, Juliana Cardoso e José Américo Dias; os tucanos Gilberto Natalini e José Police Neto e o democrata Marco Aurélio Cunha.

marco aurelio cunha hg 201002221 Opositores na Câmara de SP se unem após cassações

Marco Aurélio Cunha (DEM), um dos oito cassados

Conversei com alguns deles, na Câmara, na tarde de segunda-feira (22).

Os petistas falaram com a condição de não serem identificados. Um deles foi direto:

- Não vou ser cínico. Eu e Kassab temos o mesmo problema. Neste caso, ocupamos o mesmo barco. Estamos todos, situação e oposição, muito constrangidos, indignados e preocupados com nossa imagem. Há diálogo entre todos os vereadores envolvidos, de todos os partidos, e também entre seus advogados. A sentença do Kassab acaba de receber efeito suspensivo. Se o juiz Silveira não fizer o mesmo comigo, vou recorrer ao Conselho de Justiça.

O vereador classifica de “cama de gato” a decisão judicial:

- Para nós, funcionou como uma armadilha, uma cama de gato. Por orientação do PT, só aceitamos recursos de empresas que se declararam em ordem com a lei eleitoral ou se encaixaram nas jurisprudências anteriores. Declarei tudo, sem caixa dois, sem nada de errado. O tribunal aprovou. E aí,, depois da aceitação, um promotor sugere e o juiz acata. Isso não é correto.

O vereador Marco Aurélio Cunha, companheiro de partido de Kassab e um dos oito punidos na decisão tomada no final semana, era um dos mais contrariados.

Sua campanha custou cerca de R$ 280 mil. Deste total, R$ 150 mil, ou pouco mais de 50%, foram doados pela construtora SA Paulista, que teria parcerias com empresas concessionárias no Estado de São Paulo. Cunha não escondeu a revolta:

- O juiz criou, por critérios individuais e subjetivos, um teto 20% para o dinheiro que ele considera irregular. E me enquadrou. Com todo respeito: definir um percentual único para incidir sobre qualquer total de gasto é um critério sem o menor sentido. O magistrado não pode criar regras com bases em conceitos destruídos pelas jurisprudências.

Cunha tenta explicar a tese com algumas contas:

- Se um vereador gastou R$ 1 milhão e 19% vieram de fontes teoricamente irregulares, ele recebeu delas R$ 190 mil. Se eu gasto menos de R$ 300 mil no total, com R$ 150 mil de fontes do mesmo tipo, quem está mais errado?

Questionado se considerava éticas as contribuições de empresas que não trabalham para a administração, mas têm como sócios donos de grupos concessionários, Cunha optou por uma resposta política.

- Declaramos a doação como manda a lei. Não escondemos nada. Hoje, tudo é holding, conglomerado. Um grupo compra outro, que compra outro, que compra outro... Fica quase impossível saber quem está em determinado lugar. Se continarmos assim, daqui a pouco ninguém poderá mais doar.

Outro vereador petista condenado à perda do mandato, também com a condição de não ser identificado, se apega às jurisprudências:

- Pode-se até discutir futuramente uma regra geral para as doações de sindicatos e associações. Mas o fato é que, neste caso, o prefeito Kassab e a maioria dos vereadores estão protegidos pelas jurisprudências. O juiz acusa a Associação Imobiliária Brasileira de ser fachada das empreiteiras. Em 2006, ao analisar as contas do deputado Rui Falcão, meu companheiro de partido, com doações importantes da AIB, o tribunal eleitoral considerou que elas eras regulares. Decisões como esta devem ser tomadas como norte para sentenças futuras. O próprio juiz lembra dessas jurisprudências nas sentenças em que nos condenou.

Mas, em relação a este episódio, há caça às bruxas de lado a lado aqui na Câmara?

O petista responde seco:

- Aqui na Câmara Municipal não tem (o deputado federal) Ronaldo Caiado (DEM-GO).

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21 Fev 11h51

Mandato de Kassab é cassado. Mas então ele não é mais prefeito? Ah, não mudou nada? Pobre consumidor de notícia…

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kassab 300x225 Mandato de Kassab é cassado. Mas então ele não é mais prefeito? Ah, não mudou nada? Pobre consumidor de notícia...

O juiz da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, Aloisio Sérgio Resende Silveira, confirmou a decisão sobre a cassação do mandato do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), da vice-prefeita, Alda Marco Antônio (PMDB), e de pelo menos oito vereadores, por captação ilegal de recursos de campanha.

Mas, na prática, esta decisão ainda não altera nada.

Um efeito suspensivo automático garante ao prefeito, à vice-prefeita e aos parlamentares o direito de ficar em seus cargos até o julgamento final da ação eleitoral.

É simples dar notícia limpa e explicar com clareza o que aconteceu, para que todos entendam, não é mesmo?

Pois é: não foi o que ocorreu nesta virada de sábado para domingo.

A suprema maioria dos veículos de comunicação deu a notícia da cassação solta, com manchetes apelativas, como se todos já estivessem apeados de suas cadeiras.

E, muito depois, a explicação de que, na prática, a decisão não muda nada no momento e talvez nem venha alterar patavinas.

Isso quando explicavam.

Peguei uma manchete dessas no meio da madrugada, ao acordar com a televisão ligada, e achei que o barraco do Kassab tinha desabado.

Era o que a manchete, sem mais nem menos, informava.

O pobre do consumidor de notícias que via a manchete assim, seca, “Juiz cassa mandato de Kassab”, tinha a impressão de que o prefeito já estava fora do cargo, algo longe da verdade.

Jornalismo feito sem concentração e apuro.

Isso só confunde o leitor e o consumidor de notícia.

Pobre leitor.

Pobre consumidor de notícia.

Leia mais sobre Kassab no R7.

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5 Fev 15h57

Paulistano muda rotina para enfrentar incompetência municipal e estadual no combate às enchentes. É triste

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chuva foto 300x226 Paulistano muda rotina para enfrentar incompetência municipal e estadual no combate às enchentes. É triste

- Está maluco? Você anda de carro ou de veículo anfíbio? Nestes tempos, não se vai para lugar nenhum da cidade entre cinco e oito da noite. Quem aprendeu a lição fica aonde está neste horário. É o rodízio da chuva e da fuga da incompetência, só que este vale para todo mundo. Aliás, vamos desligar porque, nesta hora, eu fico com medo de me afogar até no telefone...

A resposta acima foi dada a mim, no final da noite de ontem, por um competente e, como se percebe, bem humorado médico com quem eu precisava conversar pessoalmente por motivos profissionais.

Apesar da sua ironia fina, tive a sensação de que ele havia encarado minha dúvida como uma provocação.

E ela era singela: será que ele poderia se encontrar comigo hoje, quinta-feira (4), às 17h30, em um café próximo do seu consultório, em Santana, na zona norte de São Paulo?

Não, não poderia.

De jeito nenhum.

O paulistano entregou os pontos nesta questão das chuvas.

Passou a se virar por conta própria.

Não espera nada da prefeitura e nem do governo do Estado de São Paulo.

Sabe porque os engarrafamentos nos finais de tarde de chuva estão mais amenos do que os do início da temporada?

Simples: boa parte dos paulistanos percebeu que a cidade não tem condição e absorver seus movimentos neste período do dia e parou de se movimentar nos finais de tarde e inícios de noite.

Mudou sua vida para se adaptar à inoperância.

Sucumbiu à incompetência ofensiva, ao despreparo e à omissão mal disfarçada da administração municipal, de Gilberto Kassab (DEM), e da estadual, de José Serra (PSDB), para tomar medidas que ao menos amenizem os efeitos das chuvas que castigam os 11 milhões de habitantes da cidade há 44 dias seguidos.

Este cidadão não conta mais com nenhuma ação coletiva, nenhum plano responsável de curto prazo, mutirão técnico ou político, convênio com o governo federal para aplicação imediata...

Nada.

Percebeu que todo dia essa turma faz tudo sempre igual.

Primeiro, o cidadão tem seu encontro diário com o caos que estilhaça a sua rotina e o seu orgulho de paulistano.

chuva pompeia Paulistano muda rotina para enfrentar incompetência municipal e estadual no combate às enchentes. É triste

A metrópole rica, que deveria estar na vanguarda de tudo, assume ares medievais.

Impotência generalizada – e patética.

Depois (sempre muito depois) de se instaurar o caos, aparece um representante dessas administrações, às vezes os próprios eleitos, e entoa a mesmíssima cantilena da derrota, da conformação e do fracasso: está caindo muita água, a situação é excepcional, chega-se a um ponto em que nada parece reduzir os danos... E por aí vai.

Excepcional é sensação nítida de que essa ladainha serve de discurso protetor para troque mesquinho de fazer muito pouco, ou quase nada, com o ar blasé de quem tentou de tudo.

O balanço dos estragos provocados nesta quinta-feira (4) pela nossa visitante de cada dia foi o seguinte: Zoológio e Jardim Botânico alagados, queda de árvore em 108 pontos da cidade, dois córregos transbordados, Aeroporto de Congonhas fechado por mais de uma hora, 79 sinais em pane, 36 pontos de alagamento (16 deles intransitáveis), várias regiões sem energia e toda a cidade em estado de atenção.

Setenta e quatro pessoas já morreram desde o início deste inferno.

Mas nada, nada adianta.

O paulistano percebeu, claramente, que a desfaçatez foi, é e será adotada, até o final do verão, como armadura para a inoperância.

Até que a natureza decida que não merecemos mais tanta água na cabeça por aqui.

Mas estejam certos: enquanto isso não ocorrer, nada de relevante será feito pelos governos municipal e estadual para alterar essa situação.

Eis uma verdade clara para todo mundo, e esses administradores nem podem nos culpar ou cultivar melindres pela facilidade da constatação.

Por isso, faça como o médico que procurei: adote o rodízio da fuga da incompetência.

Meu entrevistado marcou nosso encontro para nove e meia da manhã da mesma quinta-feira (4).

Foi uma boa conversa.

E eu aprendi a lição. Está adotada até o final do verão.

Tudo tem limite.

Posso ser, muitas vezes, um crédulo otimista.

Mas, já que ele perguntou, não, não sou maluco.

Deve ser terrível viver numa cidade e num estado em que o cidadão já se sente um felizardo se conseguir passar ileso pela omissão dos governantes.

chuva arvore 300x225 Paulistano muda rotina para enfrentar incompetência municipal e estadual no combate às enchentes. É triste

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4 Dez 16h40

Darei longas voltas de carro em São Paulo se a chuva cair neste final de semana. O prefeito viria comigo?

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inundacao 1 Darei longas voltas de carro em São Paulo se a chuva cair neste final de semana. O prefeito viria comigo?

Cinco mortos - todos soterrados.

Três desaparecidos.

Casas inundadas.

Carros e móveis inutilizados.

Pessoas contraindo doenças em meio à água infecta e ao lamaçal.

Milhares de compromissos importantes perdidos.

Uma cidade completamente mergulhada no caos.

Tudo isso é só uma parte do saldo dos 40 minutos de chuva pesada que caiu sobre São Paulo nesta quinta-feira (3).

Todo final de ano é sempre igual: ela chega, mata, destrói, paralisa e, diante da incompetência generalizada das autoridades paulistanas e paulistas na missão de amenizar seus efeitos, marca outros encontros macabros para a próxima temporada.

E todos nós sabemos: ela, a chuva, irá cumprir sua promessa.

Vai deixar seu rastro.

De frente para a eterna e absoluta falta de capacidade para enfrentá-la, será mole.

Ela chegará poderosa, arrasando tudo sem qualquer resistência.

Diante da comovente incapacidade de quem deveria encará-la, ela, a chuva, tira até sarro.

Diz onde, quando e como voltará.

Sabe que pode revelar tudo.

Afinal de contas, cantou a tempestade todos os anos - nas últimas décadas - e, mesmo assim, "venceu".

São encontros anunciados e, por incrível que pareça, facilitados.

Querem ver?

Nesta sexta (04), o jornal Folha de S. Paulo informa que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), aliado dos tucanos que controlam o governo estadual, gastou em 2009 menos de 8% do dinheiro previsto no orçamento para a construção de piscinões e de reservatórios no município.

Dos 18,5 milhões calculados para essas obras, apenas R$ 1,4 milhão foram empenhados.

A partir de hoje, vão alegar que chuva foi forte, que caiu blá blá blá por cento de tudo o que deveria ter despencado no mês em apenas 40 minutos, enfim, aquela baboseira, aquela pataquada, aquela rastaquerada toda.

Aí a gente responde assim: então tá, se o sistema não pode se preparar para as exceções, todos devem achar natural as pessoas morrerem quando elas, as exceções da chuva, ocorrerem, não é mesmo?

E aproveita para perguntar o seguinte: de que serve toda a tralha e o pessoal mantidos pelo poder público para enfrentar as chuvas se, quando cai um temporal digno de ser enfrentado, essa coisa toda não funciona?

Sim, porque, para as chuvinhas que só lavam nossos carros e os vidros das nossas casas, a gente não precisa de tralha nem de ninguém do poder público.

Né não?

A meteorologia prevê mais chuvas para este final de semana.

Paulistanos e paulistas precisam voltar para casa.

Nós sabemos que estamos entregues ao próprio medo, à própria sorte.

Todos os anos, cada um de nós espera a sua vez.

Quando o mel cai, a gente respira fundo e diz: "é hoje".

Resolvi me antecipar.

Vou dar longas voltas de carro, por toda a cidade de São Paulo, em meio aos engarrafamentos e torós deste final de semana.

Será que o sr. prefeito de São Paulo ou alguma autoridade do governo estadual me faz companhia?

Assim, na boa, no meu carro... A chuva pesada caindo lá fora, os boeiros entupidos, a água batendo na roda, depois na porta, em seguida no friso...

Tudo muito emocionante.

Meu dia vai chegar mesmo...

Será que eles iriam comigo?

A ironia, dizia minha mãe, pode ser o melhor rosto da revolta.

Este post é uma homenagem aos oito que, ontem, aos primeiros pingos, pensaram como nós todos: "é hoje".

E, infelizmente, acertaram.

Leia mais sobre as chuvas.

Imagens da chuva.

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