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10 Abr 23h27

Coleção de relógios de luxo e mania de ler livros sagrados. Conheça José Luiz Datena

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Datena g divulgação Coleção de relógios de luxo e mania de ler livros sagrados. Conheça José Luiz Datena Divulgação

A mais recente edição da revista Vejinha São Paulo traz um longo perfil do jornalista e apresentador José Luiz Datena, de autoria de João Batista Jr.

Alguns detalhes curiosos:

* Datena nasceu em Ribeirão Preto (SP). Tem 53 anos, mede 1,83 metro e pesa 114 quilos.

* É filho de uma costureira de bola de capotão com um segurança.

* E casado há 34 anos com Matilde Datena. Com ela tem Joel (33 anos), Vicente (29) e Junior (22). Com a jornalista Mirtes Wiermann, com quem viveu nos anos de 1986 e 1987, tem Marcelo (24) e Letícia (23). Vicente foi dependente de crack, mas deixou o vício há dez anos após um longo tratamento.

* Entre salário e participações em merchandising, estima-se que ele ganhe R$ 1 milhão por mês na Bandeirantes.

* Datena tem mais de cinquenta relógios de luxo, de marcas como Breitiling, Montblanc e Rolex.

* Seu hobby é ler livros sagrados como a Bíblia, o Alcorão e a Torá.

* Tem quatro carros na garagem: dois Audi (Q7 e A8) e dois BMW (X6 e 550i).

* Generoso, já tirou do pulso e deu na hora vários relógios a amigos que elogiaram as peças. O jornalista Jorge Kajuru, um de seus amigos mais próximos e queridos, garante ter ganho mais de 20. Kajuru teve também uma dívida paga pelo amigo Datena. Quanto? R$ 700 mil.

* O que Datena pensa sobre:

Galvão Bueno: "É um babaca. Em um país com tanta desigualdade como o Brasil, ficar falando por aí, como ele, que ganha salário de 1 milhão é coisa de bobo".

Ronaldo Fenômeno: "Tenho críticas por ele ser puxa-saco da Globo, mas admito que é um cara inteligente ".

William Bonner: "Não sabe apresentar nada de improviso, fica nervoso e erra. Se tirar o teleprompter dele, simplesmente não tem Jornal Nacional. É uma vergonha".

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21 Fev 11h51

Mandato de Kassab é cassado. Mas então ele não é mais prefeito? Ah, não mudou nada? Pobre consumidor de notícia…

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kassab 300x225 Mandato de Kassab é cassado. Mas então ele não é mais prefeito? Ah, não mudou nada? Pobre consumidor de notícia...

O juiz da 1ª Zona Eleitoral de São Paulo, Aloisio Sérgio Resende Silveira, confirmou a decisão sobre a cassação do mandato do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), da vice-prefeita, Alda Marco Antônio (PMDB), e de pelo menos oito vereadores, por captação ilegal de recursos de campanha.

Mas, na prática, esta decisão ainda não altera nada.

Um efeito suspensivo automático garante ao prefeito, à vice-prefeita e aos parlamentares o direito de ficar em seus cargos até o julgamento final da ação eleitoral.

É simples dar notícia limpa e explicar com clareza o que aconteceu, para que todos entendam, não é mesmo?

Pois é: não foi o que ocorreu nesta virada de sábado para domingo.

A suprema maioria dos veículos de comunicação deu a notícia da cassação solta, com manchetes apelativas, como se todos já estivessem apeados de suas cadeiras.

E, muito depois, a explicação de que, na prática, a decisão não muda nada no momento e talvez nem venha alterar patavinas.

Isso quando explicavam.

Peguei uma manchete dessas no meio da madrugada, ao acordar com a televisão ligada, e achei que o barraco do Kassab tinha desabado.

Era o que a manchete, sem mais nem menos, informava.

O pobre do consumidor de notícias que via a manchete assim, seca, “Juiz cassa mandato de Kassab”, tinha a impressão de que o prefeito já estava fora do cargo, algo longe da verdade.

Jornalismo feito sem concentração e apuro.

Isso só confunde o leitor e o consumidor de notícia.

Pobre leitor.

Pobre consumidor de notícia.

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5 Fev 15h57

Paulistano muda rotina para enfrentar incompetência municipal e estadual no combate às enchentes. É triste

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chuva foto 300x226 Paulistano muda rotina para enfrentar incompetência municipal e estadual no combate às enchentes. É triste

- Está maluco? Você anda de carro ou de veículo anfíbio? Nestes tempos, não se vai para lugar nenhum da cidade entre cinco e oito da noite. Quem aprendeu a lição fica aonde está neste horário. É o rodízio da chuva e da fuga da incompetência, só que este vale para todo mundo. Aliás, vamos desligar porque, nesta hora, eu fico com medo de me afogar até no telefone...

A resposta acima foi dada a mim, no final da noite de ontem, por um competente e, como se percebe, bem humorado médico com quem eu precisava conversar pessoalmente por motivos profissionais.

Apesar da sua ironia fina, tive a sensação de que ele havia encarado minha dúvida como uma provocação.

E ela era singela: será que ele poderia se encontrar comigo hoje, quinta-feira (4), às 17h30, em um café próximo do seu consultório, em Santana, na zona norte de São Paulo?

Não, não poderia.

De jeito nenhum.

O paulistano entregou os pontos nesta questão das chuvas.

Passou a se virar por conta própria.

Não espera nada da prefeitura e nem do governo do Estado de São Paulo.

Sabe porque os engarrafamentos nos finais de tarde de chuva estão mais amenos do que os do início da temporada?

Simples: boa parte dos paulistanos percebeu que a cidade não tem condição e absorver seus movimentos neste período do dia e parou de se movimentar nos finais de tarde e inícios de noite.

Mudou sua vida para se adaptar à inoperância.

Sucumbiu à incompetência ofensiva, ao despreparo e à omissão mal disfarçada da administração municipal, de Gilberto Kassab (DEM), e da estadual, de José Serra (PSDB), para tomar medidas que ao menos amenizem os efeitos das chuvas que castigam os 11 milhões de habitantes da cidade há 44 dias seguidos.

Este cidadão não conta mais com nenhuma ação coletiva, nenhum plano responsável de curto prazo, mutirão técnico ou político, convênio com o governo federal para aplicação imediata...

Nada.

Percebeu que todo dia essa turma faz tudo sempre igual.

Primeiro, o cidadão tem seu encontro diário com o caos que estilhaça a sua rotina e o seu orgulho de paulistano.

chuva pompeia Paulistano muda rotina para enfrentar incompetência municipal e estadual no combate às enchentes. É triste

A metrópole rica, que deveria estar na vanguarda de tudo, assume ares medievais.

Impotência generalizada – e patética.

Depois (sempre muito depois) de se instaurar o caos, aparece um representante dessas administrações, às vezes os próprios eleitos, e entoa a mesmíssima cantilena da derrota, da conformação e do fracasso: está caindo muita água, a situação é excepcional, chega-se a um ponto em que nada parece reduzir os danos... E por aí vai.

Excepcional é sensação nítida de que essa ladainha serve de discurso protetor para troque mesquinho de fazer muito pouco, ou quase nada, com o ar blasé de quem tentou de tudo.

O balanço dos estragos provocados nesta quinta-feira (4) pela nossa visitante de cada dia foi o seguinte: Zoológio e Jardim Botânico alagados, queda de árvore em 108 pontos da cidade, dois córregos transbordados, Aeroporto de Congonhas fechado por mais de uma hora, 79 sinais em pane, 36 pontos de alagamento (16 deles intransitáveis), várias regiões sem energia e toda a cidade em estado de atenção.

Setenta e quatro pessoas já morreram desde o início deste inferno.

Mas nada, nada adianta.

O paulistano percebeu, claramente, que a desfaçatez foi, é e será adotada, até o final do verão, como armadura para a inoperância.

Até que a natureza decida que não merecemos mais tanta água na cabeça por aqui.

Mas estejam certos: enquanto isso não ocorrer, nada de relevante será feito pelos governos municipal e estadual para alterar essa situação.

Eis uma verdade clara para todo mundo, e esses administradores nem podem nos culpar ou cultivar melindres pela facilidade da constatação.

Por isso, faça como o médico que procurei: adote o rodízio da fuga da incompetência.

Meu entrevistado marcou nosso encontro para nove e meia da manhã da mesma quinta-feira (4).

Foi uma boa conversa.

E eu aprendi a lição. Está adotada até o final do verão.

Tudo tem limite.

Posso ser, muitas vezes, um crédulo otimista.

Mas, já que ele perguntou, não, não sou maluco.

Deve ser terrível viver numa cidade e num estado em que o cidadão já se sente um felizardo se conseguir passar ileso pela omissão dos governantes.

chuva arvore 300x225 Paulistano muda rotina para enfrentar incompetência municipal e estadual no combate às enchentes. É triste

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16 Dez 10h00

Praça Roosevelt, em São Paulo, “se recupera” dos tiros dados no dramaturgo Mário Bortolotto

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roosevelt1 Praça Roosevelt, em São Paulo, se recupera” dos tiros dados no dramaturgo Mário Bortolotto
Fiz uma reportagem especial, para este R7, sobre o impacto do assalto que vitimou o dramaturgo Mário Bortolotto no movimento da Praça Roosevelt, no centro de São Paulo, um espaço parcialmente recuperado na última década pelos produtores de teatro.
Como sempre, publico as reportagens, logo depois, neste nosso canto da blogosfera colorida.
Quem ainda não me deu a honra de ler o texto na editoria de Cidades do portal, aqui está.
É grandão, mas acho traz detalhes e histórias boas.
Acho que vocês irão gostar.
Aí vai, pois:
Praça Roosevelt, no centro de São Paulo, "se recupera" do tiros dados no dramaturgo Mário Bortolotto
Eduardo Marini, do R7.

O dramaturgo Mário Bortolotto, 47 anos, um dos mais respeitados autores da nova cena teatral brasileira, com 27 peças montadas em seu currículo, foi gravemente ferido em um assalto às 5h50 da madrugada de sábado (5). Foram três balaços calibre 380: um no tórax, que atingiu parte do coração, outro na barriga e o terceiro no pescoço. Na medida do possível, ele se recupera bem.

É forte, vai sair dessa.

No mesmo assalto que quase levou Bortolotto a fechar as cortinas antes do sinal combinado no último ato, o movimento teatral e boêmio da Praça Roosevelt, no centro de São Paulo, uma das novidades mais agradáveis do cenário cultural do País nos últimos anos, também sangrou forte e tremeu. E, a exemplo do dramaturgo, ele se recupera bem.

É forte, vai sair dessa.

A Praça Roosevelt é um alegre ponto de encontro e produção dos artistas e intelectuais ligados às artes cênicas.

A casa assaltada foi o Espaço Parlapatões, uma simpática combinação de teatro e bar que abrigou várias montagens do dramaturgo em seus três anos de existência.

O ilustrador Henrique de Macedo Figueroa, conhecido como Carlos Carcarah, amigo de Bortolotto, levou três tiros na perna no mesmo assalto, mas passa bem. Na segunda-feira (7), ele deixou o Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo.

A reportagem do R7 passou o final da noite de quarta (9) e as madrugadas de quinta (10) e sexta (11) na Roosevelt para dimensionar o abalo produzido pelos tiros naquele ambiente.

Conclusão: o susto foi grande, mas a turma da Roosevelt está se recuperando com rapidez. No final do túnel, estará ainda mais forte.

É oportuno fazer algumas considerações estéticas e históricas para entender melhor toda esse episódio.

A rigor, chamar a Roosevelt de praça é uma obra suprema de boa vontade e de generosidade.

O que deveria merecer este rótulo é, na verdade, uma coisa medonha, de uma feiúra comovente.

Inaugurada em 1970 pelo então prefeito biônico Paulo Maluf, a Roosevelt é um amontoado tétrico de camadas de concreto, terra esturricada e plantas em petição de miséria.

Um produto estrambótico e esquizofrênico do mau gosto arquitetônico, daqueles que nos fazem desconfiar da possível existência de seres humanos que, talvez por sadismo, planejam tudo milimetricamente para dar errado.

Como se isso não fosse suficiente, ao cair das noites o lugar é ocupado por viciados em drogas, assaltantes, traficantes e mendigos de todos os matizes.

Essa turma, além de botar para quebrar em suas respectivas atividades, digamos assim, transforma as vias e cantos da Roosevelt em um dos maiores banheiros a céu aberto da cidade.

O ator e bailarino Marcelo Moraes, morador da área e frequentador assíduo do Espaço Parlapatões, resume o drama:

- De dia, com o calor, o cheiro fica forte e o estômago embrulha. É triste.

O bom da Roosevelt não é, portanto, a Roosevelt.

São os teatros e o punhado de bares que se espremem na calçada de uma das ruas laterais da (vá lá...) praça.

A partir de 2000, grupos e realizadores de teatro começaram a ocupar os pontos do lugar para produzir e apresentar suas peças.

A companhia Os Satyros foi a pioneira. Hoje, além dos dois palcos desta companhia, há o Studio 184, o Teatro do Ator e o Espaço Parlapatões.

Ao lado dessas casas há bares simpáticos.

Entre eles, uma instituição da boemia paulistana chamada Papo, Pinga e Petisco – para os íntimos, PPP. No escurinho deste boteco, em 1964, uma cantora gaúcha de temperamento tão arrasador quanto a sua voz fez o primeiro show em São Paulo. O País passou a identificá-la, pouco tempo depois, por Elis Regina. O resto, sabemos, é história.

A chegada do povo do teatro trouxe vida, alegria e inteligência à degradada Roosevelt.

Na segunda etapa do movimento, com calçadas cheias de mesas e mesas cheias de gente animada (a prefeitura proibiu mesas no passeio, o que diminuiu a sensação de segurança), o lugar passou a receber figuras de todas as áreas em busca de cultura e bom papo.

Os pontos comerciais se valorizaram.

Os preços de venda e aluguel dos apartamentos construídos sobre as lojas e os teatros, dizem especialistas de imobiliárias locais, subiram, nos últimos cinco anos, em média, 20% mais do que imóveis semelhantes localizados no entorno.

Guardadas as proporções, respeitadas as desproporções, o upgrade na Roosevelt faz lembrar a ação dos artistas que se mudaram para o SoHo, em Nova York, tiraram o bairro da decadência e o transformaram numa das áreas mais valorizadas daquela cidade americana.

Tudo ia bem.

No início das madrugadas, as portas eram baixadas e, dentro dos bares, a coisa continuava bombando.

A turma da praça na praça.

A turma do bar no bar.

Até que, na madrugada daquele sábado (5), quatro sujeitos desrespeitaram o código informal do "a gente aqui, vocês aí" e invadiram o Espaço Parlapatões com uma pistola calibre 380.

Três balaços.

Bortolotto.

Carcarah.

Na noite de quarta (9) e na madrugada de quinta (10), a reportagem do R7 encontrou uma Roosevelt desconfiada, levemente travada e com um movimento 40% menor do que o normal para o dia.

Mas decidida a esquecer e susto e tocar a bola para frente.

No Satyros 1, seis pessoas resistiam em duas mesas. Moradora do prédio número 128 da própria rua, a psicóloga Ana Gorzatto dividia a mesa com o ilustrador Robson Moura e os professores José Antônio Martins e Janaína Augusto. Ana comenta:

- A violência, hoje, ocorre em qualquer lugar e a qualquer momento. Foi uma fatalidade. Não me preocupo com os frequentadores diários, que são ligados ao teatro e à cultura. Meu temor é que o incidente afaste os paulistanos e paulistas que desejam frequentar as casas e apoiar as peças. E, sobretudo, os turistas de fora de São Paulo, que, dependendo do dia e do período do ano, formam até 25% do público. Mas acho que o susto passará logo. Será questão de dias, de uma ou duas semanas, talvez.

E acrescenta um detalhe:

- A polícia está mais presente nesta semana. O projeto de reforma total desta praça horrível está esquecido na mesa do prefeito Gilberto Kassab. Como nada é totalmente ruim, o sofrimento do Marião vai servir para melhorar a segurança e destravar essa obra.
Ana se refere a um belo projeto de revitalização da Roosevelt desenvolvido pela empresa municipal de urbanização e congelado nos últimos três anos pela atual administração da cidade.

Houve empenho de verbas e 85% dos R$ 40 milhões necessários para o projeto serão financiados pelo BID (Banco Americano de Desenvolvimento.

Mas o processo de licitação das obras foi interrompido várias vezes.

Janaína destaca outro ponto importante:

- Havia uma escola e um supermercado 24 horas na praça. De uma forma ou de outra, eles traziam mais segurança. Foram tirados para que a praça fosse reformada. Como a reforma não sai, o que sobrou ficou ainda mais inseguro.

O professor Martins completa:

- Além disso, a dissolução da cracolândia (local de consumo de drogas em outro ponto do centro de São Paulo) sem a criação de um destino para os viciados fez os frequentadores se espalharem por toda a região. A Roosevelt passou a ser ponto de vários deles. Não foi reformada, perdeu a escola e o mercado e, hoje, abriga um número maior de gente perigosa e descontrolada. Uma combinação perigosa de fatores. Minha casa fica a três quadras daqui. Jamais tive medo de voltar andando. Mas agora confesso: estou assustado.

Na virada de quinta para sexta-feira, a reportagem do R7 foi recebida mais uma vez no Espaço Parlapatões. Acomodou-se na mesa dividida por Marcelo Moraes com a atriz Karine Spuri e os atores Fernando Delabio, Ramon Monteiro e Calu Zabel.

Ocupávamos a mesa em que estava Bortolotto naquele fim de madrugada e início da manhã do sábado dos três tiros.

O carinho da turma, a educação de Márcia Possolo (mulher do ator e dramaturgo Hugo Possolo e uma das administradoras do espaço) e a atenção do ótimo garçom Edmar Garcia compensavam o contido movimento do bar, ainda menor que o da noite anterior.

Também moradora de um prédio da rua, Karine estava no bar no momento em que Bortolotto e Carcarah foram baleados.

Ela resume o sentimento da turma que deu nova vida à Roosevelt:

- Sempre me senti segura aqui dentro. Não achava que os caras entrariam dessa forma. Fiquei um pouco assustada, mas, a rigor, a violência é um fenômeno geral. Isso vai passar logo. Se você pensar bem, acho até que demoramos a ter um grande problema. Nosso ambiente, hoje, é mais seguro do que o da semana passada. E ficará mais confiável a cada dia, até mesmo em função da repercussão de tudo isso.

E conclui:

- Peço que continuem a prestigiar os espaços teatrais do centro de São Paulo e esse ambiente que ajudamos a criar com tanto sacrifício. Nossa turma passou por coisas pesadas para solidificar tudo isso. Não será um susto deste que nos destruirá. Mário ficará ótimo. E o teatro vencerá.

Fim de recado.

Fim de ato.

Mas quem disse que as cortinas estão fechadas?

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4 Dez 16h40

Darei longas voltas de carro em São Paulo se a chuva cair neste final de semana. O prefeito viria comigo?

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inundacao 1 Darei longas voltas de carro em São Paulo se a chuva cair neste final de semana. O prefeito viria comigo?

Cinco mortos - todos soterrados.

Três desaparecidos.

Casas inundadas.

Carros e móveis inutilizados.

Pessoas contraindo doenças em meio à água infecta e ao lamaçal.

Milhares de compromissos importantes perdidos.

Uma cidade completamente mergulhada no caos.

Tudo isso é só uma parte do saldo dos 40 minutos de chuva pesada que caiu sobre São Paulo nesta quinta-feira (3).

Todo final de ano é sempre igual: ela chega, mata, destrói, paralisa e, diante da incompetência generalizada das autoridades paulistanas e paulistas na missão de amenizar seus efeitos, marca outros encontros macabros para a próxima temporada.

E todos nós sabemos: ela, a chuva, irá cumprir sua promessa.

Vai deixar seu rastro.

De frente para a eterna e absoluta falta de capacidade para enfrentá-la, será mole.

Ela chegará poderosa, arrasando tudo sem qualquer resistência.

Diante da comovente incapacidade de quem deveria encará-la, ela, a chuva, tira até sarro.

Diz onde, quando e como voltará.

Sabe que pode revelar tudo.

Afinal de contas, cantou a tempestade todos os anos - nas últimas décadas - e, mesmo assim, "venceu".

São encontros anunciados e, por incrível que pareça, facilitados.

Querem ver?

Nesta sexta (04), o jornal Folha de S. Paulo informa que o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), aliado dos tucanos que controlam o governo estadual, gastou em 2009 menos de 8% do dinheiro previsto no orçamento para a construção de piscinões e de reservatórios no município.

Dos 18,5 milhões calculados para essas obras, apenas R$ 1,4 milhão foram empenhados.

A partir de hoje, vão alegar que chuva foi forte, que caiu blá blá blá por cento de tudo o que deveria ter despencado no mês em apenas 40 minutos, enfim, aquela baboseira, aquela pataquada, aquela rastaquerada toda.

Aí a gente responde assim: então tá, se o sistema não pode se preparar para as exceções, todos devem achar natural as pessoas morrerem quando elas, as exceções da chuva, ocorrerem, não é mesmo?

E aproveita para perguntar o seguinte: de que serve toda a tralha e o pessoal mantidos pelo poder público para enfrentar as chuvas se, quando cai um temporal digno de ser enfrentado, essa coisa toda não funciona?

Sim, porque, para as chuvinhas que só lavam nossos carros e os vidros das nossas casas, a gente não precisa de tralha nem de ninguém do poder público.

Né não?

A meteorologia prevê mais chuvas para este final de semana.

Paulistanos e paulistas precisam voltar para casa.

Nós sabemos que estamos entregues ao próprio medo, à própria sorte.

Todos os anos, cada um de nós espera a sua vez.

Quando o mel cai, a gente respira fundo e diz: "é hoje".

Resolvi me antecipar.

Vou dar longas voltas de carro, por toda a cidade de São Paulo, em meio aos engarrafamentos e torós deste final de semana.

Será que o sr. prefeito de São Paulo ou alguma autoridade do governo estadual me faz companhia?

Assim, na boa, no meu carro... A chuva pesada caindo lá fora, os boeiros entupidos, a água batendo na roda, depois na porta, em seguida no friso...

Tudo muito emocionante.

Meu dia vai chegar mesmo...

Será que eles iriam comigo?

A ironia, dizia minha mãe, pode ser o melhor rosto da revolta.

Este post é uma homenagem aos oito que, ontem, aos primeiros pingos, pensaram como nós todos: "é hoje".

E, infelizmente, acertaram.

Leia mais sobre as chuvas.

Imagens da chuva.

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