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9 Dez 01h00

São Paulo, terça (8), 20h. Dois km de engarrafamento. Ok, medo da água, você venceu

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marginal pinheiros 300x225 São Paulo, terça (8), 20h. Dois km de engarrafamento. Ok, medo da água, você venceu

Retornava de uma entrevista para a redação deste R7, em São Paulo, às 20h02 desta terça-feira (8), quando o locutor de uma rádio especializada em trânsito anunciou solene:

- Milagre: são oito horas e dois minutos da noite e há apenas dois km de engarrafamento em toda a cidade de São Paulo. É isso mesmo: dois km de engarrafamento em toda a cidade.

A esta altura das noites, sabem bem os paulistanos, a coisa raramente está abaixo dos cem quilômetros de pistas e ruas travadas.

Ouvintes mandavam mensagens e jornalistas entravam ao vivo para comemorar o fato de atravessarem as avenidas marginais em poucos minutos.

Ou de terem ido do bairro A para o B em tempo recorde.

Alguns demonstravam alegria.

Quando isso ocorria, confesso que sentia um tom macabro, uma certa esquizofrenia.

Era o vazio pseudo-confortável do fracasso.

Na noite daquele 12 de maio de 2006 em que o PCC (Primeiro Comando da Capital) tocou o terror em São Paulo, fui comer um bife mal passado com um amigo, o jornalista Chico Silva,  em um dos mais tradicionais restaurantes do centro paulistano.

A cidade parecia um cemitério abandonado.

Era o triunfo do medo da bala.

A vitória do medo do fogo.

Hoje, guardadas as devidas proporções (só as devidas), tivemos outro dia de triunfo do medo.

Só que, desta vez, foi o triunfo do medo da água.

Em todo caso, os humilhados somos sempre nós.

Sempre nós.

Gastei minutos para vir da Avenida Paulista à sede do Grupo Record, na Barra Funda - e quatro horas e meia, na ida, a partir das 9h da manhã, para percorrer 0s 35 km que separam minha casa, em Cotia, do centro de São Paulo.

Milhares de pessoas não entraram na cidade.

Outros milhares não saíram hoje de onde estavam.

Eu, como havia prometido ao prefeito, bem que tentei.

Mas ainda não foi desta vez.

A chuva não me pegou de jeito.

Mas estou tentando, juro que estou tentando...

Leia mais sobre ruas vazias em São Paulo no R7.

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26 Set 19h10

Salve Geral: o PCC “volta” em grande estilo para Taubaté

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 Salve Geral: o PCC “volta” em grande estilo para Taubaté

Pode ter sido mera coincidência. Mas, de qualquer forma, a história é curiosa.

O bom Salve Geral, filme de Sérgio Rezende inspirado na ação do Primeiro Comando da Capital (PCC) que paralisou a cidade de São Paulo em maio de 2006, foi, como se sabe, escolhido pelo Ministério da Cultura para lutar por uma vaga na disputa de Melhor Filme Estrangeiro do Oscar 2010.

O lançamento nacional do filme, com todo o barulho, a pompa e as circustâncias possíveis, está marcado para 2 de outubro.

Mas, antes disso, era necessário resolver um probleminha. Os organizadores do Oscar exigem que todos os concorrentes de uma edição entrem em circuito comercial até o dia 1º de outubro do ano anterior.

A solução foi colocar Salve Geral, por uma semana, num cinema de um shopping de Taubaté, no Vale do Paraíba paulista. Tudo com muita discrição, sem maiores agitos e divulgações, para não diminuir o impacto do tiroteio de marketing previsto para esta semana.

A ironia suprema é a seguinte: O PCC nasceu em Taubaté. Na página 93 de seu livro O Sindicato do Crime – PCC e outros grupos (Ediouro, 250 págs., preço médio R$ 36), o jornalista, escritor e colega de Grupo Record Percival de Souza detalha o episódio com a competência habitual:

O PCC nasceu durante um jogo de futebol no Piranhão na tarde de 31 de agosto de 1993. Eram oito presos, transferidos da capital, por problemas disciplinares, para ficar em Taubaté – até então o mais temido dos presídios pela massa carcerária. Ali, a permanência na cela era de 23 horas ininterruptas por dia.

Os sessenta minutos disponíveis eram reservados para banho de sol, andar no pátio, mexer-se, esticar as pernas, amaldiçoar a prisão. Os oito estavam sendo punidos por péssimo comportamento. Porque veio de São Paulo, o time passou a ser chamado de Comando da Capital. (...) Na gênese do PCC, foi redigido um estatuto composto de 16 artigos”.

Piranhão era o apelido de Casa de Custódia de Taubaté, até então o único presídio considerado de segurança máxima por suas rígidas regras disciplinares. Hoje é largamente superado por outros neste território do rigor. Mas já é história.

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