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15 Out 06h00

Timão de Tite: campeão, Liberta ou nem isso? Opine

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tite heuler andrey agif gazeta press Timão de Tite: campeão, Liberta ou nem isso? Opine Heuler Andrey - Agif - Gazeta Press

Tite negociou seu desligamento do último clube a que estava ligado.

Deverá ser anunciado no Corinthians, provavelmente, nesta segunda-feira (18), para dirigir a equipe no restante do Campeonato Brasileiro.

Apesar dos esforços e das cavadas de Ronaldo Fenômeno, com todo o seu poder no clube, Carlos Alberto Parreira disse não.

Parreira prefere seguir descansando neste restante de ano para, se for o caso, assumir a diretoria de futebol ou mesmo o comando técnico do Timão no início de 2011.

Com um ciclo inteiro pela frente e, claro, sem o risco de se queimar rapidamente no caso de não conquistar o título ou mesmo uma vaga na Libertadores neste ano com um elenco que ele não montou e, hoje, está meio quebrado.

Tite treinava o Timão em 2004, quando a MSI (Media Sports Investments), dirigida no Brasil pelo empresário iraniano Kia Joorabchian, asumiu a administração do clube numa das parcerias mais conturbadas da história do Coringão.

Em março de 2005, o treinador foi demitido por Kia.

Com Tite no comando neste resto de Brasileirão, o Timão vai:

a) retomar o embalo e ser campeão

b) conquistar uma vaga na Libertadores

c) Ficar apenas na faixa da Sul-Americana

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7 Out 07h21

“Casagrande é limitado”. “Italiano idiota”.É o torcedor Ronaldo feroz no Twitter…

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kournikova “Casagrande é limitado”. Italiano idiota.É o torcedor Ronaldo feroz no Twitter... Reuters

Ronaldo Fenômeno estava impossível, em seu twitter, torcendo para o Curingão, na noite desta quarta-feira (6), no jogo contra o Atlético-MG pelo Brasileirão.

Sobrou até para o ex-atacante Walter Casagrande, um dos ídolos do Corinthians, hoje comentarista da Globo.

Sobre a contusão de Dentinho, tuitou:

- Pô, o corpo humano é complexo demais mesmo!!! q m...! podia ser mais fácil! vamos dentinho, tamo juntos.

Em seguida, rebatendo um comentário de Casagrande, chamou o ex-atacante de “limitado”:

- O q o Casagrande tá falando? 40 dias qq lesão muscular! pq ele nao fala só de futebol? q já é limitado!!!

E no post logo à frente, ainda sobre Casão:

- "Só pq jogou se acha no direito de falar qq coisa! Tem q frequentar o clube, os treinos etc", acrescentou.

E deu o golpe final:

- Cadê o Caio Ribeiro?

Durante o jogo, o craque comentou o lançamento do livro Medo do Escuro, do italiano Enzo Palladini. Ronaldo, afirma o escritor, teria se envolvido em um caso de doping e tido um caso com a tenista russa Anna Kournikova.

O Fenômeno mandou fogo de volta:

- Hj saiu na imprensa q eu teria tomado anabolizante e teria tido um caso com a Kournikova. Esse cara (Palladini) tá tentando aparecer faz tempo. Cara idiota!

No final do jogo, depois de passado até os números da Mega-Sena para a rapaziada conferir, e diante da derrota por 2 a 1, de virada, lamentou:

- Não deu, galera. Vamos lá que vamos ganhar esse campeonato!!! Eu acredito.

O homem estava feroz...

Saiba mais sobre o livro do escritor italiano.

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5 Out 06h00

Para eleitor, um Clô vale 147 Ésperes e quase 20 Timóteos

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clodovil Para eleitor, um Clô vale 147 Ésperes e quase 20 Timóteos

                                                                 Foto: Divulgação

Dois candidatos a deputado federal por São Paulo tentaram explicitamente herdar pelo menos uma parte do contêiner eleitoral do estilista e apresentador de tevê Clodovil Hernandez, eleito para o Congresso em 2006 com nada menos do que 493.951 votos: o cantor Agnaldo Timóteo e o estilista de vestido de noiva Ronaldo Ésper.

Clodovil morreu em 17 de março de 2009, em Brasília, em consequência de um acidente vascular cerebral, conhecido como derrame cerebral.

Timóteo, do Partido da República, o PR,  pedia no horário eleitoral "ajuda para terminar o trabalho do meu amigo Clodovil".

Ésper, filiado ao Partido Trabalhista Cristão, o PTC, o mesmo de Clodovil, de quem era desafeto, disse em entrevista a Marina Novaes, do R7, que "queria sim, o votos" do recordista que, na opinião dele, "não tinha timing político porque não era muito tolerante, não tolerava nem a própria sombra".

Pois bem: o castigo para a alfinetada post mortem veio dentro de um vaso afanado de cemitério, estilo Medici, com a grife CH.

Nesta eleição, Timóteo teve 25.172 votos.

Ésper, a mais estupenda decepção desta eleição, da qual esperava sair como puxador, com pelo menos 150 mil votos, chegou à mixaria, à merrequinha de 3.354.

Resumo do alinhavo: para o eleitor paulistano, um Clô vale 19,62 Timóteos e 147,27 Ésperes.

Terá sido uma coisa cármica, meu amor?

As eleições estão plenas no R7.

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18 Mai 05h52

Um título de sócio do Club Athletico Paulistano custa R$ 180 mil. Mixaria para Ronaldo. O Fenômeno vai encaixar dois

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groucho Um título de sócio do Club Athletico Paulistano custa R$ 180 mil. Mixaria para Ronaldo. O Fenômeno vai encaixar dois

O craque Ronaldo Fenômeno, é sabido, quer viver nos Jardins.

Anda paquerando algumas casinhas no bairro.

Uma delas foi avaliada em coisa de R$ 25 milhões.

Agora, informa Felipe Patury na revista Veja, o Fenômeno decidiu também ser sócio de um bom clube para se divertir com a filharada.

Quer arrematar logo de cara, num chute só, dois títulos do tradicionalíssimo Club Athletico Paulistano.

Um para ele, sua mulher Maria Beatriz e as duas filhas do casal, Maria Alice e Maria Sophia.

Outro para a ex-mulher Milene Domingues e seu primeiro filho, Ronald.

Com os custos de transferência de dono, cada título de sócio sairá por R$ 180 mil.

Isso mesmo: R$ 180 mil.
Custo total da brincadeira: R$ 360 mil.

Uma dúzia de carros populares dos bons zerados.

Os diretores do clube já lançaram a bola branca para o atacante.

Está tudo moralizado.

Sinal aberto.

Família Fenômeno devidamente aprovada.

O americano Julius Henry Marx, o genial mestre do humor Groucho Marx (1890-1977), o simpático da foto acima, costumava dizer que jamais entraria para um clube que o aceitasse como sócio.

Ronaldo, que também é gênio, certamente não fará essa desfeita.

E você, amado amigo, o que acha?

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28 Abr 11h26

Como Ronaldo Fenômeno reagirá aos 20 travestis no Maracanã? Ficará abatido ou ganhará força? Opine

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priscilla Como Ronaldo Fenômeno reagirá aos 20 travestis no Maracanã? Ficará abatido ou ganhará força? Opine

A torcida do Flamengo garante ter contratado 20 travestis para infernizar a vida de Ronaldo Fenômeno na noite desta quarta-feira (28), no Maracanã, durante a partida entre Corinthians e Flamengo pela Copa Libertadores da América.

Os rubro-negros queriam o transformista Dicésar para liderar o grupo, mas parece que as negociações com o ex-BBB não evoluíram.

O recrutamento dos travestis é uma referência à confusão em que Ronaldo se meteu, em abril de 2008, por ter rebocado três travestis para um motel da Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro, e, depois, discutido com o trio.

O caso foi parar na delegacia.

Meses depois, um dos travestis envolvidos morreu de Aids.

É o tipo de atitude arriscada.

A atitude da torcida do Flamengo, digo a bem da boa explicação (a outra, a de Ronaldo, não me cabe julgar).

Uma faca de dois gumes (sem trocadilho ou insinuação torpe, claro).

Ronaldo Fenômeno é grande.

Tem capacidade rara para superar momentos difíceis, como todos sabemos.

Há pessoas que, provocadas como ele será, sucumbem, se entregam e facilitam a vida do rival.

Outras usam a provocação para recarregar as baterias e romper o cerco do constrangimento.

Estas últimas ganham força, se superam e usam o poder da arma do inimigo para matar o próprio inimigo.

Os que os 20 travestis provocarão em Ronaldo Fenômeno?

Uma apatia ainda maior do que a vista nas últimas semanas?

Ou a força da superação, da recuperação e da vitória?

Sinceramente, não sei.

Por isso, gostaria de saber o que pensa o amado amigo da blogosfera colorida.

Como você acha que Ronaldo reagirá aos travestis?

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26 Abr 17h26

Fla: se for para contratar técnico de terceiro escalão na correria, é melhor ficar com Rogério até conseguir um treinador à altura do clube

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Rogério 300x225 Fla: se for para contratar técnico de terceiro escalão na correria, é melhor ficar com Rogério até conseguir um treinador à altura do clube

A presidente do Flamengo, Patrícia Amorim, acertou ao demitir o vice-presidente de futebol, Marcos Braz, e o técnico Andrade, mesmo depois da classificação, na bacia das almas, para a segunda fase da Copa Libertadores da América.

Braz falou mais do que devia. Foi emocional além do que devia.

Falou tanto, esticou tanto a corda, bateu tanto no peito (mesmo nos casos em que tinha razão) que, no momento da alta fervura, ficou sem ambiente e condições políticas para recolher a linha e devolver a paz ao futebol.

Vice-presidente de futebol que não consegue realizar essas tarefas, sobretudo no eterno caldeirão de crises que é o Flamengo (criiiiiiiise no Flamengooo...), perde, na prática, a mais importante e indispensável de suas funções.

Sua presença no cargo passa a não ter mais sentido.

Andrade é um ídolo rubro-negro eterno e sabe montar times ofensivos, bonitos.

A torcida reconhece isso e o reverencia.

O problema é que não dá para ser técnico de um barril de pólvora e de vaidades periféricas como o Flamengo apenas como aquele cara amigo, manso, parceiro de um grupo de jogadores que está em paz, na boa, sem brigas.

Até porque no dia seguinte a coisa estoura, um bate de frente com o outro e, aí, surge a necessidade do técnico que também é líder, capaz de mostrar força, exercer autoridade, colocar as coisas no lugar e reestabelecer o comando e a disciplina.

O doce Andrade revelou-se o técnico certo das horas certas, e não, como diria o rei Roberto Carlos, o técnico certo também das horas incertas.

Mesmo num episódio em que tinha razão – o abandono do vestiário de Petkovic – Andrade demorou a superar a mágoa pela “traição” do veterano a quem dava poder e liberdade.

Não chamou Pet para uma conversa franca.

Deixou o jogador se desgastar com o resto do grupo.

E o colocou na reserva em vários jogos em que, claramente, o gringo faria a diferença a favor do rubro-negro.

Dessa forma, não conseguiu agradar nem o vice Marcos Braz, que detesta Pet e desejaria vê-lo definitivamente fora do grupo, e nem a torcida, que ama o gringo e quer vê-lo em campo desde o início.

Por tudo isso, a presidente Patrícia acertou ao demitir a dupla.

Mas... como nada é perfeito, a competente e corajosa Patrícia errou justamente na gestão ao passar o rodo sem ter feito pelo menos um acordo verbal com algum Plano B de primeiro escalão para a eventualidade de o técnico Joel Santana recusar a proposta de voltar à Gávea.

Resultado: “Papai” Joel recusou o convite e Patrícia ficou perdida, sem ter para onde correr com seus auxiliares.

Colocar o ex-zagueiro Rogério, técnico da Seleção Brasileira Sub-20, para treinar o Flamengo nestes dois jogos contra o Corinthians, pela Libertadores, foi boa tacada.

Rogério conhece futebol, jogou a vida inteira com craques de peso, é sério, dedicado, disciplinador e adepto da hierarquia.

Em resumo, parece ter todas as características necessárias para administrar boleiros talentosos mas vaidosos e, muitas vezes, indisciplinados.

Rogério é jovem.

Talvez seja cedo para que ele pilote um Boeing do tamanho do Flamengo.

Ou não.

Seria leviano afirmar, agora, uma ou outra coisa.

Os resultados dirão em tempo curto.

O problema é que, na correria da Gávea, já se fala no esquecido e confuso Paulo César Carpegiani e até em Marcos Paquetá...

Se for para colocar técnico em má fase ou de terceiro escalão, é melhor manter Rogério até que a situação permita fechar com alguém à altura das pretensões do Flamengo.

Como Abel Braga ou alguém do nível.

Esses jogadores do Flamengo precisam é de pacto, entre eles, de humildade, colaboração, respeito ao clube e vontade de trabalhar.

E de recolocar Pet no elenco sem restrições de estudante de Ensino Fundamental.

Pet precisa ser menos arrogante com todos.

Tudo isso como no ano passado.

Se retomarem essa postura, passarão a ser um time forte e competitivo, com chances até de título na Libertadores.

Esta é a única chance de salvamento.

Neste momento, não há técnico de segundo ou terceiro escalão que possa fazer isso melhor do que Rogério.

O melhor, então, é seguir com ele até o momento em que um técnico mais experiente, com o mesmo perfil, se disponha a pegar a eterna bomba de crises que é o Flamengo.

Se no meio deste caminho for eliminado pelo Corinthians, paciência.

Perderá a vaga para um gigante, o mais eficiente time do primeiro turno da competição.

Até porque, para ser correto, o Flamengo, pela bolinha de gude que jogou na primeira fase, não merecia sequer fazer os dois jogos com o Corinthians nesta segunda fase.

E o amado amigo, o que pensa sobre o assunto?

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13 Mar 04h45

Patrimônio de R$ 450 milhões, R$ 1,4 milhão de salário no Corinthians e uma casa de R$ 25 milhões na alça de mira. Sou Ronaaaldo, diria Marcelo D2…

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ronaldo retrospectiva 6g 300x235 Patrimônio de R$ 450 milhões, R$ 1,4 milhão de salário no Corinthians e uma casa de R$ 25 milhões na alça de mira. Sou Ronaaaldo, diria Marcelo D2...

A última edição da revista Veja SP traz reportagem de capa, feita pelos repórteres Álvaro Leme, João Batista Jr. e Maria Paola de Salvo, sobre a vida do craque Ronaldo Fenômeno na cidade de São Paulo.

Há informações curiosas. Algumas delas:

* A fera teria, aos 33 anos, um patrimônio de 250 milhões de dólares, algo como R$ 450 milhões.

* Mora com a mulher e a filha numa cobertura dúplex de 600 metros quadrados no bairro de Higienópolis. Só a suíte do casal tem 200 metros quadrados. Na decoração, duas peças da dupla de grafiteiros Osgemeos. E na garagem, dois carros modelo Land Rover, de R$ 130 mil cada, e uma BMW de, aproximadamente, R$ 350 mil.

* O craque namora uma casa no Jardim Europa. Preço estimado: R$ 25 milhões. Moleza para quem, depois de tudo o que já encaixou na Europa, ainda arranca R$ 1,4 milhão por mês entre salário e marketing, ou seja, 20 vezes o salário médio do Corinthians, de R$ 70 mil.

* O rap Negro Drama, dos Racionais MCs, não sai de seu som. Atualmente, é sua música predileta. Os primeiros versos da letra: Negro drama/Entre o sucesso e a lama/Dinheiro, problemas/Inveja, luxo e fama.

Alguma semelhança com a vida de um craque de berço pobre que eu e você, amado amigo, aprendemos a admirar?

Sou Ronaaaldo, diria outro rapper, Marcelo D2...

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14 Jan 01h49

O blogueiro esteve no Haiti. Conheceu um povo miserável que ama o Brasil e o Ronaldô. Mas não consegue se livrar da síndrome da desgraça eterna

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haiti 1 300x200 O blogueiro esteve no Haiti. Conheceu um povo miserável que ama o Brasil e o Ronaldô. Mas não consegue se livrar da síndrome da desgraça eterna

Estive no Haiti em meados de agosto de 2004.

Fiz uma reportagem sobre o Jogo da Paz, entre as seleções do Haiti e do Brasil, vencido pelos brasileiros por 6 a 0, para a revista Istoé.

Eu e outros jornalistas estávamos no primeiro caminhão militar de um comboio que incluía sete blindados urutus das Forças de Paz da ONU, coordenadas no Haiti pelo exército brasileiro.

Nos 15 quilômetros que separam o aeroporto da capital, Porto Príncipe, ao Estádio Sylvio Cator, onde foi realizada a partida, o comboio foi cercado por mais de 150 mil haitianos em transe emocional absoluto.

O trajeto de ida foi feito em longos 90 minutos.

As imagens ficaram famosas no Brasil. E correram o mundo.

A explosão de sentimentos daquele povo miserável - parte em trapos, parte sem muda de roupa completa - diante da Seleção Brasileira, de brasileiros e de Ronaldô (assim eles gritavam, numa mistura de francês e créole, pelo craque Ronaldo Fenômeno) foi uma das maiores experiências de vida que tive.

Num calor de 40 graus, os haitianos pulavam sem camisa sobre as placas de ferro quentes dos urutus.

Não adiantava dizer que Ronaldô não estava neste ou naquele carro.

Com canetas e papéis amassados, a multidão se aglomerava sobre qualquer coisa que cheirasse a Brasil.

De acordo com uma pesquisa publicada dias antes do jogo pela revista inglesa The Economist, Ronaldô era, entre os haitianos, mais popular do que Jesus Cristo.

De  joelhos, muitos apertavam os braços no peito e mandavam beijos.

E a trilha sonora não mudava: Ronaldô, Ronaldô, Ronaldô...

Durante o jogo, os haitianos torceram para as duas seleções.

Isso mesmo.

Quando o Haiti atacava, eles gritavam e aplaudiam.

O Brasil rumava para o gol do Haiti e eles faziam o mesmo.

A partir do terceiro gol, os brasileiros presentes no estádio, a começar pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, passaram a torcer por um gol do Haiti.

O governo local tinha oferecido US$ 1 mil para quem marcasse o primeiro e US$ 500 para o titular do eventual milagre do segundo.

Em vão.

Pierre Andre Rigaud, jornalista esportivo nascido no país e radicado em Miami, contou-me na ocasião que, ao final da partida em que o Brasil perdeu para a Argentina por 1 a 0, na Copa de 1990, na Itália, com um gol de Caniggia após passe de Maradona, um haitiano se matou com um tiro na cabeça e outro foi para o hospital após ter pulado embaixo de um carro.

O tenente-coronel brasileiro Carlos Aversa lembrou que, nas vitórias importantes da Seleção Brasileira, eles se aglomeram em frente ao portão do quartel das tropas de paz da ONU e pedem para que a bandeira brasileira seja hasteada.

Uma declaração de Aversa e outra do então técnico da Seleção Brasileira, Carlos Alberto Parreira, resumem com precisão o ocorrido naquela tarde.

Primeiro, Aversa:

- Recebo treinamento para controlar minhas emoções, mas tudo isso que estamos vendo não está sendo fácil. Fico com um nó na garganta.

Agora, Parreira:

- Na próxima vez que um jornalista virar para mim e perguntar qual a emoção mais forte que vivi em minha vida profissional, vou dizer que foi essa aqui no Haiti. E todos sabem que eu já vivi muitas delas.

Meses antes do Jogo da Paz, o ótimo jornalista Cláudio Camargo visitou o Haiti, também para Istoé, na companhia do repórter fotográfico Leopoldo Silva.

Sua descrição do que viu em Porto Príncipe é dolorosa:

- Nem a pior favela brasileira, nem mesmo Alagados, na periferia de Salvador, chega aos pés de Porto Príncipe em matéria de degradação e miséria. A capital haitiana é uma verdadeira sucursal do inferno: em meio a um calor de quase 40ºC e a um odor de lixo insuportável, os haitianos movimentam-se como espectros maltrapilhos e sujos. Não há água encanada nem esgoto para cerca de 90% da população, o que faz de Porto Príncipe uma verdadeira cloaca a céu aberto. Por inúmeras ruelas esburacadas e poeirentas, avistam-se centenas de jovens e velhos desocupados (a taxa de desemprego é de nada menos que 80% da força de trabalho). Mulheres esqueléticas carregam crianças no colo e levam na cabeça latas d’água captada nos infectos riachos que cortam a cidade. Velhas picapes transformadas em coletivos (conhecidos como “tap-tap”) cruzam as ruas da cidade transportando dez pessoas, em média, galinhas e perus.

E acrescenta:

- O choque de realidade atinge seu ápice numa feira no bairro de Bel Air, nas proximidades do porto, onde as pessoas vendem e compram frutas, legumes, verduras, roupas e quinquilharias em meio a toneladas de detritos acumulados, num clima de aparente normalidade que deixa perplexo o estrangeiro incauto.

haiti 21 300x200 O blogueiro esteve no Haiti. Conheceu um povo miserável que ama o Brasil e o Ronaldô. Mas não consegue se livrar da síndrome da desgraça eterna

Pois é relamente impressionante: nada parece anular ou, ao menos, aliviar os efeitos de uma espécie de "Síndrome da Desgraça Eterna" que se estabeleceu sobre o Haiti.

Se for levada em conta a realidade histórica das Américas, pouca coisa indicava, até meados do século 19, que essa desgraça seria tão longa e profunda.

Em meados do século 18, o país tinha 450 mil negros escravos.

E pouco mais de cinco mil (1% da população) brancos livres.

Ex-colônia francesa, o Haiti foi o primeiro país das Américas  a declarar independência e a abolir a escravatura.

Livrou os escravos em 1794 (quase cem anos antes do Brasil, que o fez em 1888) e do colonizador,  a França, em 1804.

Para conquistar a independência, o exército haitiano, organizado por Jacques Dessalines, um ex-escravo, expulsou do país as tropas francesas, um império àquela altura já controlado por um certo Napoleão Bonaparte.

A reação foi também uma vingança pelo assassinato do ex-governador-geral do Haiti colônia, Toussaint Loverture, deposto e preso pelos franceses em 1801 e morto três anos depois, na cadeia, na França.

Entre o final do século 18 e a independência, em 1804, no início do século 19, o Haiti era o país mais próspero das Américas e uma das mais produtivas ciolônias francesas no mundo.

Incorporava, em seu território, o que é hoje a República Dominicana.

A produção e a exportação de açúcar, cacau e café eram fortes.

O primeiro grande impacto começou a ser sentido a partir da declaração de independência.

Dessalines, o novo imperador, em vez de construir uma solução para a perda de mão de obra escrava no campo, trocou o modelo de agricultura de exportação de cana, cacau e café pelo sistema familiar, de subsistência das famílias.

Com isso, o Haiti começou a empobrecer.

Em 1806, o país foi dividido em dois. A parte oriental foi reocupada pela Espanha.

Em 1822, o presidente Jean-Pierre Boyer retomou novamente este pedaço da ilha caribenha, mas a reunificação só durou até 1844, quando, em mais uma revolta, Boyer foi derrubado e a parte oriental, declarada independente.

Hoje, esta parte da ilha caribenha é a República Dominicana.

O século 20 foi especialmente cruel para o Haiti - e determinou seu mergulho, aparentemente definitivo, na "Síndrome da Desgraça Eterna".

De meados do século 19 até 1915, o Haiti teve 20 governantes.

Destes, 16 foram retirados do poder ou assassinados em pleno mandato.

Entre 1915 e 1934, os Estados Unidos ocuparam o país para "proteger os interesses americanos" na ilha caribenha.

De 1957 a 1986, os haitianos foram moídos por uma das ditaduras mais insanas, tribais e sangrentas da história da Humanidade, liderada até 1971 por François Duvalier, o Papa Doc, e a partir daí por seu filho, Jean-Claude Duvalier, o Baby Doc.

Baby Doc e Papa Doc, apresentados a muitos brasileiros com menos de 40 anos pela música Nome aos Bois, dos Titãs - aniquilaram a oposição, perseguiram católicos e protestantes, fortaleceram o vodu na rotina do governo e do país.

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Fotos do Jogo da Paz: Ricardo Stuckert/PR

O poder era assegurado na bala e no fio da lâmina pelos tontons macoutes, ou bichos-papões, a guarda pessoal dos Duvalier.

Ela assaltava, constrangia e matava qualquer haitiano que ousasse discordar de algo no regime.

Após 14 anos de instabilidade e de troca de generais no poder, um padre de esquerda, Jean-Bertrand Aristide, eleito democraticamente, assume o poder em dezembro de 1990.

Aristide foi derrubado por um golpe de estado em 1991.

Exilou-se nos Estados Unidos.

Apoiado pelo governo americano e pelas Nações Unidas, ele retomou o poder em 1994, sob a guarda de tropas internacionais.

Mas, em fevereiro de 2004, ameaçado pela oposição armada que tomou parte do país, Aristide abandonou o poder.

E o Haiti. Foi viver na África do Sul.

haiti 5 300x225 O blogueiro esteve no Haiti. Conheceu um povo miserável que ama o Brasil e o Ronaldô. Mas não consegue se livrar da síndrome da desgraça eterna

O presidente da Suprema Corte, Bonifácio Alexandre, assumiu a presidência de forma interina e convocou as Nações Unidas para ajudar a estabilizar o país.

René Préval, o atual presidente, ocupou a presidência entre 1996 e 2001.

Nos últimos 200 anos, foi o único chefe de Estado eleito democraticamente no país a completar o seu mandato e a passar o bastão para outro no final, como mandam as democracias.

Muito respeitado dentro e fora do país, Préval foi novamente eleito em 2006.

Com o apoio da ONU e de uma coalizão política, militar e humanitária de 16 países, liderada pelo Brasil, Préval vinha fazendo o possível para coordenar o longo processo para, um dia, apresentar aos haitianos amantes do Ronaldô uma vida um pouco mais distante do medievalismo.

Pois é: vinha fazendo o possível...

Até que, na tarde da última terça-feira (12), o relógio bateu nas 16h53 min em Porto Príncipe.

Virou pó o pouco que tinha sido construído num país em que metade de seus 10 milhões de habitantes é analfabeta e oito em cada dez habitantes em idade produtiva não tem um emprego formal.

Hospital, centros sociais, escolas, representações internacionais... tudo virou pó.

Corpos apodrecem em meio aos escombros.

Falta água, falta luz, falta comida, falta roupa, apoio, médico, carinho, tudo.

O cenário para a fome, as epidemias e a explosão de novas revoltas populares está pronto.

Há quem fale em pelo menos 100 mil mortos. Se o número for confirmado, trata-se de 1% da população atual do Haiti.

Pode ser mais. Muito mais.

O Haiti, mais uma vez, volta à estaca zero.

O ciclo da Síndrome da Desgraça Eterna - mais um deles - se refaz.

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11 Nov 19h58

Na disputa entre governo e oposição, a escuridão persiste

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aladim 203x300 Na disputa entre governo e oposição, a escuridão persiste

Rompimento de três das cinco linhas de transmissão da energia da usina Itaipu Binacional para o País, controladas por Furnas.

Inédita paralisação, por cautela ou não, de todas as 18 turbinas de Itaipu que abastecem o Brasil.

Corte de quase a metade (46%) da energia elétrica consumida no País naquele momento, entre 22h13 de terça-feira (10) e meados da madrugada de quarta-feira (11), quando a luz começou a voltar.

O quarto apagão em dez anos.

É engano achar que estamos totalmente recuperados da escuridão que se estabeleceu sobre 18 estados brasileiros às 22h13 de terça-feira (10)

Ela, infelizmente, ainda persiste em grande parte do País.

Persiste no oportunismo medíocre das acusações de setores da oposição.

Persiste na constrangedora e imperdoável postura diversionista de autoridades do governo federal, mais preocupadas em se defender dos ataques dos opositores do que assumir a necessidade - imperiosa, instantânea - de dar satisfações sinceras e completas à sociedade.

No apagão de sinapse que atingiu setores da oposição, o líder do partido Democratas na Câmara, deputado federal Ronaldo Caiado (GO),  contribuiu para a manutenção das trevas do pensamento ao dizer que a pane "inviabiliza a candidatura de Dilma Rousseff, que se dizia entendida mas, na verdade, é uma incompetente no assunto".

O mesmo discurso foi seguido por parlamentares e alguns políticos tucanos e da oposição.

O líder do PPS na Câmara, Fernando Coruja (SC), chamou a pane de "típico apagão gerencial".

Perguntar não ofende: se o caso agora é de aniquilar uma candidatura à Presidência ou mesmo um governo, o que deveria ter sido feito no apagão de 1999, que fez os brasileiros pagarem taxas extras e sofrerem com racionamentos, restrições de consumo, diminuição de empregos e de produção, entre vários outros problemas, nos anos seguintes?

Aprovar o impeachment do presidente da República eleito para governar na ocasião?

Apear de seus cargos todos os seus auxiliares?

Ora, por favor...

Por outro lado, o ministro da Justiça, Tarso Genro, classificou a pane de "microproblema".

É comovente...

Um microproblema que parou Itaipu inteira pela primeira vez.

Um microproblema que rompeu três de cinco grandes linhas de transmissão.

Um microproblema que, no momento da volta da energia, queimou tevês, aparelhos e equipamentos de milhares de consumidores em todo o País.

Um destes milhares de presenteados foi este blogueiro, que teve, em casa, uma bomba elétrica e circuitos de uma banheira ligados e queimados apenas pela volta do impulso, sem que ninguém apertasse qualquer botão.

Uma vizinha, arquiteta, perdeu a geladeira, o aparelho de recepção de tevê por assinatura e o computador de trabalho. Ainda não sabe se poderá recuperar seus arquivos - na verdade, trabalhos encomendados.

São apenas dois exemplos.

Quem paga por isso?

Quem?

Mais uma vez: por favor...

À oposição: já que, pelo visto, houve muita tempestade ontem, sobretudo no Estado do Paraná, não continuem com ela, agora em um copo d'água, para cumprir outros objetivos fora da luta para que a sociedade seja satisfeita.

Aos ministros e representantes da situação: o fato deste apagão ser menos prejudicial, em termos estruturais, do que o ocorrido no reinado da oposição em 1999-2001, não exime todas as autoridades, empresas e autarquias do governo relacionadas ao problema da obrigação de detalhar, com a maior transparência e rapidez possíveis, as causas desse acidente.

E também de outra obrigação, a de dimensionar, com sinceridade, até que ponto as hidrelétricas e o sistema brasileiros estão vulneráveis a novos problemas do tipo.

Não basta dizer que Itaipu não deu pau.

Não basta.

Quem teve prejuízo exige reparo.

E a sociedade clama por mais luz e menos oportunismo provinciano.

Dos dois lados.

Leia mais sobre a pane.

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