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12 Fev 22h20

Cheesediamante. Prataburguer. Goldbacon. Os hambúrgueres mais caros de São Paulo e do País.Sanduba com preço de prato bem pago em restaurante caro. São ótimos, mas não precisa tanto

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prato feito Cheesediamante. Prataburguer. Goldbacon. Os hambúrgueres mais caros de São Paulo e do País.Sanduba com preço de prato bem pago em restaurante caro. São ótimos, mas não precisa tanto

 

Foram-se os tempos em que um hambúrguer, um cheese salada ou um cheese bacon funcionavam como quebra-galhos baratos para quem não tinha como bancar ao menos um PF no almoço ou no jantar.

 

 

Leio na Veja São Paulo um levantamento sobre os hambúrgueres mais caros da cidade e, provavelmente, do País.

 

 

Os donos das casas alegam problemas como o alto preço de aluguel dos pontos, folhas de pagamento carregadas com vários funcionários e a alta constante dos ingredientes, a começar pela carne.

 

 

Alegam que, hoje, apesar da grande alta dos preços (na maioria dos casos duas ou três vezes superior aos índices oficiais nos períodos comparados), o lucro é menor do que há oito anos atrás.

 

 

Pode ser que parte disso seja verdade.

 

 

Mas, ainda assim, não justifica aumentos de até 132% de 2004 até agora (caso do cheese salada bacon da lanchonete Joakin´s, que saltou de R$ 9,70 para R$ 22,50), contra uma alta de 42,26% no índice de preços ao consumidor da Fipe (IPC-Fipe) no mesmo período.

 

 

 

Esse é apenas um dos muitos exemplos.

 

 

 

São sandubas com preço de prato em restaurante considerado até caro.

 

 

Mais casos:

 

 

Jubileu, do Ritz (hambúrguer de 200 gramas de fraldinha, queijo, tomate, rúcula e guarnição): R$ 34,50

 

The Cadillac, do P. J. Clarke´s (hambúrguer de 200 gramas, cheddar e bacon): R$ 31.

 

Mushroom, da  Butcher´s  Market (hambúrguer de 180 gramas com cogumelos frescos): R$ 27.

 

GPB, do General Prime Burguer (hambúrguer de 180 gramas de picanha e coxão duro com um toque de calabresa): R$ 24,50.

 

 

Hambúrguer de picanha, do Burdog (com salada, bacon, picles e cebola crua): R$ 21,85.

 

 

Onion burguer, do The Fifties (hambúrguer com anéis de cebola): R$ 19,40.

 

 

É...

 

 

Nestes tempos loucos, agora é o seguinte: quando você, amado amigo, estiver com fome e bater aquela vontade de comer um hambúrguer, procure a refeição ou o prato feito do restaurante simples mais próximo.

 

 

Você comerá melhor e, na quase totalidade dos casos, pagará mais barato.

 

 

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29 Ago 18h03

Dono de restaurante brasileiro acha civilizado tomar água de graça nos bistrôs de Paris. Mas passa mal com sugestão de que faça o mesmo

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agua de jarra abre 2 Dono de restaurante brasileiro acha civilizado tomar água de graça nos bistrôs de Paris. Mas passa mal com sugestão de que faça o mesmo

Ouvi na manhã desta segunda-feira (29) uma interessante entrevista de Letycia Janot, do projeto Água na Jarra (www.aguanajarra.com.br) à jornalista Fabíola Cidral, da rádio CBN.

 

O objetivo do Água na Jarra é valorizar e incentivar o consumo da água potável, essa que recebemos em casa, tão bem tratada por nossas companhias (Sabesp, Cedae, etc), diante da invasão das águas minerais em embalagens plásticas e garrafas pet nos restaurantes, bares, supermercados e esquinas.

 

Você sabia que, se os canos e caixas de sua casa ou prédio forem higienizados ao menos duas vezes por ano (e mantidos limpos, claro), a família pode tomar a água da Sabesp, por exemplo, direto da torneira  sem qualquer problema?

 

Pois é: trata-se de uma água potável.

 

Por outro lado, muitas dessas águas "minerais" são pirataria de grandes marcas.

 

Ou foram engarrafadas sem qualquer controle de análise, o que, claro, significa um senhor risco para a saúde.

 

Ouvindo a entrevista, voltaram-me à memória, para profundo prazer, as últimas viagens que fiz à Europa.

 

Claro que há águas minerais excelentes, claro.

 

Mas essa falsificação é, cada vez mais, um fenômeno ameaçador.

agua de jarra 1 Dono de restaurante brasileiro acha civilizado tomar água de graça nos bistrôs de Paris. Mas passa mal com sugestão de que faça o mesmo

Lembrei-me que, na suprema maioria dos restaurantes europeus, a primeira coisa que fazem quando você se senta é colocar uma jarra de água potável fresca ou gelada (na Europa normalmente a água de torneira tem patamares de pureza altamente aceitáveis) acompanhada de um copo para cada componente da mesa.

 

De graça.

 

Vou contar uma pequena história.

 

Há sete, oito anos atrás talvez, enquanto fazia para a revista Istoé uma reportagem sobre gastronomia no Vale dos Gourmets, região de restaurantes na belíssima cidade serrana e imperial de Petrópolis, no Estado do Rio de Janeiro, visitei o restaurante do saudoso homem de televisão Geraldo Casé, pai da atriz Regina Casé, morto aos 80 anos em meados de 2008.

 

Assim que ocupei uma das mesas do bonito bistrô, com vista monumental para a vegetação de Mata Atlântica que escorregava dos morros do distrito petropolitano de Araras até as curvas e retas da rodovia BR-o40, Casé colocou entre nós, com as próprias mãos, uma belíssiva jarra de água cristalina, refrescada o suficiente para molhar a língua e hidratar o espírito sem chapar o palato, e um belo par de copos longos igualmente transparentes.

 

Casé, então, comentou:

- Aqui eu sirvo água filtrada, da boa, sem gosto de cloro, de graça, para todos os que chegam. E mais: sirvo tão logo eles chegam e se sentam. Considero oferecer água a quem chega em sua casa, ao seu domínio, enfim, uma demonstração de boa recepção e, acima de tudo, um sinal de boa educação.

 

E, mais sábio do que nunca, acrescentou:

 

- Se você ou outro cliente nosso quiser pagar por uma boa água mineral, nacional ou estrangeira, não há problema. Temos algumas muito boas. Mas eu sempre sinto um ar de dignidade quando me servem água da casa, de graça, nos bistrôs de Paris e nos restaurantes europeus de forma geral. Por isso, faço o mesmo aqui. Se temos pratos e outras bebidas a bons preços, não há porque obrigar as pessoas a gastarem quantias razoáveis com água se elas não quiserem. Mesmo porque a maior parte dos clientes, quando livre desta despesa, gasta esse dinheiro em outra coisa e volta para casa mais feliz.

 

Grande Geraldo Casé.

 

Gigante Geraldo Casé.

 

É exatamente isso.

 

Não estou dizendo ou defendendo que dono de restaurante e chef de cozinha pare de vender água.

 

Nada disso.

 

Restaurante é negócio.

 

Só que não custa nada servir água filtrada de graça para as pessoas (ou ao menos a um preço quase simbólico, dando a opção), mesmo porque, como disse muito bem Casé, o dinheiro gasto nas garrafinhas vira dinheiro gasto em café, em sobremesa, em outras bebidas, e por aí vai.

 

E a propósito: o que os restaurantes estão roubando no preço das águas minerais é uma pornografia, não é mesmo?

 

É golpe.

 

O cara coloca seus pratos, bufês ou rodízios a preços supostamente competitivos e...

 

... do outro lado, tasca a garrafinha de água a R$ 3,90, R$ 4,20, R$ 4,50, R$ 5 até.

 

Neste país seco e quente, já viu né...

 

Vai cair um pouco o faturamento?

 

Vai, claro.

 

Vai cair sobretudo o faturamento daqueles restaurantes que roubam e vendem água a preço de ouro - o que, combinemos, passou a ser a regra, sobretudo nesses medium de luxe metidos a besta.

 

Mas o camarada poderá compensar essa pequena queda de várias formas - a começar pelo aumento de clientela com o marketing da simpatia gerado com uma atitude nobre dessas.

 

Vejo que a preocupação principal do projeto Água na Jarra é o meio ambiente, a diminuição dos plásticos e pets, e não a elegância e a civilidade gastronômica, cultural e o mimo que se pode fazer no freguês.

 

Mas as duas coisas podem caminhar perfeitamente juntas.

 

Aliás, devem.

 

Mesmo porque donos de restaurantes e chefs de cozinha que atuam no Brasil,  brasileiros de nascimento ou estrangeiros, acham lindo, o máximo, o triunfo da civilização quando o garçom traz para ele uma jarra de água de graça em um bistrô do parisiense Montmartre ou numa osteria dos arredores da romana Piazza Navona.

 

Mas aqui, de volta ao mundinho dos toscos explorados, sentem calafrio e são tomados por delirium tremens de mesquinharia e avareza quando ouvem a sugestão para fazerem o mesmo em suas casas.

 

Dono de restaurante brasileiro: abaixo a mesquinharia.

agua de jarra 2 Dono de restaurante brasileiro acha civilizado tomar água de graça nos bistrôs de Paris. Mas passa mal com sugestão de que faça o mesmo

Ofereça água potável fresca e de boa qualidade a seu cliente.

 

O destino, o mundo e, claro, os seus clientes irão te dar a recompensa por esta atitude de quem é grande.

 

A propósito: o projeto Àgua na Jarra mantém em sua página o endereço dos restaurantes que oferecem água filtrada de graça a seus clientes em São Paulo e no Brasil. Ainda são apenas 12. Uma vergonha. Mas vai melhorar. Consulte aqui.

 

Me deu... sede.

 

Vou tomar um belíssimo copo, talvez dois,  de água fresca.

 

Filtrada.

 

Tenho uma talha de barro monumental em casa.

 

Com três filtros e alta capacidade.

 

Ela purifica a água e, não bastasse isso, ainda deixa-a fresquinha, fresquinha...

 

Copiei de mamãe, que copiou de vovó, que felizmente copiou do bom senso milenar.

 

Aceitas um copo ou uma jarra?

 

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23 Ago 18h37

Aprenda a fazer o recheio do pastel de carne da Maria, eleito duas vezes o melhor de SP

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pastel1 julia chequer 300x199 Aprenda a fazer o recheio do pastel de carne da Maria, eleito duas vezes o melhor de SP Fotos Julia Chequer/R7

Dona Maria Huniko Yonaha, 59 anos, nascida em Osaka e radicada há décadas no Brasil, é a rainha do pastel em São Paulo.

 

O quitute feito por ela no Pastel da Maria (www.pasteldamaria.net.br) , foi eleito nesta segunda-feira (22), pela segunda vez, o melhor pastel de feira de São Paulo, em concurso organizado pela prefeitura da cidade.

 

 

Foi a terceita edição do concurso. Dona Maria ganhou também a primeira, em 2009, e foi vice na segunda, em 2010.

 

Embolsou R$ 8 mil em cada uma das vitórias e R$ 2 mil com o terceiro lugar de 2010.

 

Neste ano, ela pretende dividir o dinheiro entre seus 40 funcionários.

 

Marqueteira de primeira, promete não disputar mais o concurso.

 

- Só participarei dos próximos se for como jurada.

 

Seu interesse, a partir de agora, é usar o sucesso das conquistas para abrir pelo menos dez lojas da marca Pastel da Maria em sistema de franquia.

 

Inteligente, ela sai de cena e se auto-declara hors concours para não correr o risco de não vencer e de ter seu reinado questionado nas próximas edições.

 

Saindo pelo alto agora, ela fica livre para usar a seu favor - e para sempre - toda a moral acumulada até agora com suas vitórias.

 

Dona Maria não é boba não...

 

Em vez de ensinar todas as receitas, Dona Maria quer ela mesma vender os pastéis para os franqueados. "Não posso perder o controle da qualidade que criei com tanto carinho e trabalho", justifica.

 

Além de trabalhar em seis feiras paulistanas durante toda a semana, Dona Maria tem duas pastelarias próprias na cidade, nos bairros da Casa Verde e de Pinheiros (clique aqui para conhecer dias, horários de funcionamento, telefones e endereços de todos esses pontos e locais).

 

Empolgada com a segunda vitória, Dona Maria divulgou a receita do recheio de carne de seu pastel campeão, o de carne, chamado de Pacaembu.

 

Receita que, por sinal, está publicada também no site do Pastel da Maria.

 

Desta vez, Dona Maria usou raspas de limão siciliano para dar aquele toque diferente e levemente ácido no recheio.

 

Antes, ela usava gengibre.

pastel2 julia chequer 300x199 Aprenda a fazer o recheio do pastel de carne da Maria, eleito duas vezes o melhor de SP

Com um ou com outro, fica uma maravilha...

 

O recheio é ótimo - e o pastel de carne (R$ 4 na loja de Pinheiros) é realmente o melhor de Dona Maria.

 

Particularmente, sou muito fã também do com carne e ovo (R$ 4,50 na loja de Pinheiros) e do com palmito e camarão (R$ 5).

 

 

Só não concordo muito com a peneira que ela usa para escorrer todo o líquido da carne antes de misturá-la ao tomate e a cebola.

 

Recheio de pastel não pode, claro, ser muito molhado, senão tira a crocância da massa frita.

 

Mas penso que ela poderia encontrar uma outra maneira de secar este recheio que não fosse retirar o caldo, o que, com certeza, deve tirar boa parte da riqueza do sabor deste recheio.

 

Mas o que fica ainda fica muito bom.

 

Quem quiser conferir pode procurar os quitutes de Dona Maria em uma das feiras, das pastelarias.

 

Para comer o pastel pronto ou comprar a massa de Dona Maria (R$ 8 a porção) para combinar com o recheio feito em casa.

 

A receita do recheio? Olhe ela aí embaixo, ó...

 

Recheio do pastel de carne do Pastel da Maria

 

Ingredientes:

 

1 quilo de patinho moído ao menos duas vezes

1 e 1/2 cebola média picada em pedaços bem pequenos

2 tomates sem sementes picados

3 dentes de alho socados

1 colher de chá de glutamato monossódico (ajinomoto)

raspas de casca de um limão siciliano (ou uma colher de sopa rasa de gengibre ralado)

salsinha a gosto

150 a 200 gramas de azeitonas verdes sem caroço picadas

azeite

sal a gosto

 

Preparação:

 

Em uma panela, doure o alho e uma cebola bem picada, sem deixar queimar, num fundo de azeite. Refogue a carne nesta mistura e tempere com sal a gosto. Depois, coloque a carne em uma peneira para escorrer o líquido que sobrou.  Em outra panela, refogue a meia cebola bem picada que sobrou junto com os tomates sem sementes, igualmente bem picados. Acrescente a carne a este refogado. Em seguida, coloque a salsinha, a azeitona, o glutamato monossódico e as raspas de limão siciliano (ou a colher de gengibre picadinho). Monte os pastéis e frite em óleo bem quente e limpo.

 

Meu Deus... De derrubar qualquer feira...

 

O melhor das Receitas e das Dietas está aqui. No R7.

 

 

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22 Ago 06h00

Conheça o único restaurante do Brasil especializado em chanko nabe, a comida oficial dos lutadores de sumô

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Fiz para o R7, no final de semana, esta reportagem sobre o restaurante Bueno, no bairro da Liberdade, região central de São Paulo, o único especializado em chanko nabe, a comida oficial dos lutadores de sumô.

 

O dono do Bueno, o nissei (brasileiro filho de japoneses) Fernando Kuroda, foi um premiado sumitori (lutador de sumô) no Japão.

 

Se o amado amigo ainda não leu a reportagem, ela está aqui.

 

Não perca a oportunidade.

 

É muito interessante.

 

Garanto que você vai gostar.

 

Um abraço.

 

Restaurante em São Paulo é o único do país
especializado em comida para lutadores de sumô

Bueno, na Liberdade, serve o chanko nabe, cozido oficial dos sumitori, os fortes atletas do milenar combate japonês

Por Eduardo Marini, do R7

IMG 0043 1024x768 Conheça o único restaurante do Brasil especializado em chanko nabe, a comida oficial dos lutadores de sumô Kuroda e o chanko nabe no Bueno - Fotos Eduardo Marini

 

O sumô é o esporte nacional do Japão. Luta milenar, ele preserva rituais da filosofia xintoísta. Começou a ser citado em livros no início do Século 8 depois de Cristo, há cerca de 1.300 anos.

Nesse esporte, dois atletas lutam em um ringue circular chamado dohyô. O primeiro a tocar o chão com qualquer outra parte do corpo que não seja os pés ou a pisar fora do círculo demarcado no chão do dohyô perde o combate.

 

Essas lutas são disputadas por homens imensos, aparentemente gordos mas na verdade muito fortes. Não, raro, são “paredes” de músculos com mais de 1,90 m e 150 kg.

Por tudo isso, quem não conhece essa cultura pode pensar que o cozido chanko nabe, a comida oficial dos sumitori - os lutadores de sumô - é o prato mais calórico e “gordo” do planeta. Mas, não é bem assim. A rigor, está até bem longe disso.

E quem puder poderá comprovar isso na ponta da língua no Bueno, o único restaurante brasileiro especializado em chanko nabe, a comida oficial dos lutadores de sumô.

O Bueno fica em um pequeno espaço com porta preta sem letreiros no número 458 da rua Galvão Bueno, na Liberdade, bairro de imigrantes orientais na região central de São Paulo (tel. 11-3203-2215).
IMG 0038 1024x768 Conheça o único restaurante do Brasil especializado em chanko nabe, a comida oficial dos lutadores de sumô A porção individual do cozido chanko nabe no detalhe

Funciona de terça a domingo, apenas no jantar, das 18h30 às 23h. Não é caro, mas as contas só podem ser pagas com dinheiro ou cheque. Nada de cartões de débito ou crédito.

O empresário nissei (filho de japoneses nascido no Brasil) Fernando Yoshinobu Kuroda, 35 anos, dono do Bueno, dá maiores detalhes sobre o cozido ou caldeirada chanko nabe.

- Chanko significa tudo o que é relativo ao sumitori, ou seja, ao lutador de sumô. E nabe é cozido ou caldeirada em japonês. São refeições feitas com caldo e pedaços de carne de porco ou frango, verdura, tofu (queijo de soja oriental), cebola, nirá (delicada verdura japonesa), alga e cogumelos orientais como shimeji e shiitake. Alguns levam misso (pasta oriental de soja) no caldo, outros não. A rigor, são pratos até leves e pouco gordurosos.

Mas então o que faz os lutadores se transformarem naquelas muralhas?

- O que faz a diferença é a quantidade de acompanhamento mandada para dentro junto com cozido. Muito arroz, ovos, outras proteínas, outros tipos de carboidratos, verduras e legumes mais rígidos.

Kuroda explica a ligação do chanko nabe com a cultura sumitori.

- Nas academias de sumô do Japão, os lutadores comem todos os dias algum tipo de chanko. Também faz parte da tradição que ele aprenda a preparar o cozido enquanto evolui como sumitori. Em relação à comida, nada é ensinado. O atleta precisa prestar atenção no processo e aprender observando a ação dos veteranos. Começa manipulando os ingredientes, depois se aventura na panela e assim vai. Apesar de ser uma comida ligada à tradição sumitori, é relativamente comum encontrar no Japão restaurantes com essa caldeirada no cardápio. Não é proibido.

Kuroda fala com conhecimento de causa absoluto. Dos 15 aos 27 anos, ele foi lutador de uma das mais importantes academias de sumô do Japão, em Tóquio. Lá, era conhecido como Waka-Azuma, algo como “o jovem que vem do Leste (a posição do Brasil no mundo para os japoneses, que estão no oeste)”.

No auge da carreira, em 2001, chegou a ser sekitori, ou seja, um integrante da primeira divisão do sumô. Da menor para a maior posição, essa elite do esporte tem as seguintes faixas: jyuryo (posição atingida por Kuroda), makuchi, komusubi, sekiwake, ozeki e yokozuma, esta última a mais alta de todas.

Para se ter uma ideia do feito de Kuroda, o Japão costuma ter apenas entre 50 e 60 sekitori espalhados por essas seis categorias de elite. Um de seus ex-alunos aqui no Brasil, levado por ele para lutar no Japão, foi ainda mais longe: atualmente, é um makuchi.

Como todos os sumitori que atingem a elite, Kuroda foi amado e idolatrado no Japão. Preservadores reconhecidos da cultura milenar daquele país, eles dão autógrafos e recebem reverências como os ídolos mundiais do futebol, do esporte olímpico, do automobilismo, das artes, da filosofia, da religião, da música e da cultura. Alguns chegam a receber US$ 100 mil mensais entre salários, patrocínios e rendas de atividades públicas.

No restaurante Bueno, na Liberdade, há seis tipos de chanko nabe. Fazem mais sucesso o de frango, mais leve, sem misso, e outro com porco, frango e kimuti (acelga apimentada criada no território das Coreias), uma homenagem à mulher de Kuroda, coreana de nascimento.

Cada porção individual do cozido (como a da foto) custa R$ 27 e serve uma pessoa com alguma folga. Se o cliente quiser (e ainda tiver espaço no estômago), pode pagar um pouco mais para consumir o caldo final do chanko com uma porção de arroz japonês.

No capítulo das entradas, Kuroda oferece língua de boi grelhada (macias e suculentas; R$ 22 a pequena e R$ 24 a grande). E também um pequeno bufê com oito curiosidades, entre elas a acelga kimuti, buta kakuni (barriga de porco cozida, bem temperada, deliciosa) e horenso, um espinafre japonês com um molho levemente ácido e adocicado.

A porção com um item deste bufê custa R$ 8. A tripla, R$ 24. Se a intenção for derrubar um chanko depois, a reportagem aconselha a entrada individual. De preferência, a barriga de porco ou o espinafre. Se o caso for a tripla, para mais de uma pessoa ou alguém realmente inspirado, a sugestão é acrescentar o horenso e o kimuti, este para os paladares mais afeitos a desafios.

Kuroda se lembra da carreira de sumitori com carinho.

- O sonho do meu avô era se mudar para o Brasil. Ele não conseguiu, mas meu pai sim. Meu pai foi, praticamente, o introdutor do sumô no Brasil. Queria lutar sumô profissionalmente mas, de estatura baixa, não conseguiu. Por ironia suprema do destino, ele conseguiu realizar o sonho do pai dele e eu, o dele.

 

Veja aqui uma galeria de fotos de Fernando Kuroda como lutador de sumô, do Bueno e de suas comidas

 

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14 Jul 06h00

Conheça o ótimo acarajé da Inês. E os doces, a moqueca, o escondidinho, a casquinha de siri…

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Dona Inês ok Conheça o ótimo acarajé da Inês. E os doces, a moqueca, o escondidinho, a casquinha de siri...

A casquinha fina e crocante cede à primeira mordida, aquela que se dá com a ponta dos dentes incisivos enquanto os aromas tomam conta do nariz.

O sabor marcante da massa de feijão fradinho, sal no ponto, se integra ao da carne tenra do camarão sempre fresco e ao perfume do vatapá cremoso.

Com um golpe de ponta de língua, o eleito empurra a porção de delícia para o centro da boca.

Divide o todo entre os molares, esfrega um no outro os lábios lubrificados de dendê e... pronto: o atalho para os céus está percorrido. Ele agora brilha logo ali adiante.

O irresistível acarajé do restaurante Acarajé da Inês, instalado no número 1147 da Avenida Nossa Senhora do Loreto, Vila Medeiros, Zona Norte de São Paulo, abre, no melhor estilo possível, as cortinas do Tem Pra Todo Mundo, a nova seção deste blog.

O acarajé, o escondidinho, a casquinha de siri, as moquecas e todas as delícias criadas diariamente pela cozinheira (ela não gosta muito desse negócio de chef) Inês dos Santos.

Inês, 56 anos, é uma baiana mansa, simpática e bem-humorada (se bem que baiana mansa, simpática e bem-humorada é redundância) dona de bochechas infladas, daquelas que parecem sempre à espera de um beijo estalado.

Filha de camponeses, nascida numa família pobre e numerosa de Ilhéus, sul da Bahia, Inês começou a cozinhar cedo em casa, aos nove anos.

Mudou-se para São Paulo para “ganhar a vida”, casou-se e teve três filhas. A mais velha, Flávia, que ajuda no restaurante, tem 35 anos.

Desde a infância, ela enfrenta (e vence) desafios. Por isso, não tem o menor medo de enfrentá-los.

No final dos anos 1990, quando a grana encurtou em casa, Inês, na época empregada doméstica, não pensou duas vezes em instalar uma barraquinha para vender acarajé, abará e bolinho de estudante (que baianos chamam de punheta com aquela delicadeza só possível na boca de baianos) aos domingos numa feira em Santana, bairro da zona norte de São Paulo.

bolinho ok Conheça o ótimo acarajé da Inês. E os doces, a moqueca, o escondidinho, a casquinha de siri...

Numa travessa da Rua Francisca Júlia, Inês começou a seduzir seus clientes em massa com a massa de seu acarajé.

Primeiro, conquistou os do bairro. Depois, vários de outros pontos da cidade, que, atraídos pelo boca a boca, provaram, aprovaram e passaram a ir à Feira de Santana aos domingos só para comer e levar para casa os quitutes da baiana simpática de bochecha cheia.

Animada, ela abriu o Acarajé da Inês, em 2005, numa casa de esquina da Nossa Senhora do Loreto.

O endereço guardava mais um desafio: ao lado, no número 1100, brilha há anos o sempre lotado Mocotó, restaurante de comida nordestina deliciosa, farta e barata tocado pelo atual menino queridinho da gastronomia paulista, o chef Rodrigo Oliveira (que, é bom dizer, não demorará a pintar neste espaço).

Inês não se intimidou com o talento do vizinho ilustre:

- Eu não escolhi a Loreto para me aproveitar do sucesso do Mocotó. Abrimos aqui porque vivo nesta área, queríamos trabalhar na região e o ponto se encaixou em nossas possibilidades financeiras. De qualquer forma, se eu sobrevivo com um vizinho tão qualificado e bem-sucedido é porque minha comida tem qualidade.

É fato.

O acarajé, clássico da casa (R$ 5 a unidade), é crocante e equilibrado nos recheios e na salada. Para acompanhar uma cerveja gelada, há a porção com dez unidades menores (R$ 24,90).

Os resistentes às frituras podem pedir o abará, com a massa externa cozida no bafo em vez de frita em azeite dendê. Uma versão mais leve, mas com certeza menos saborosa.

Os arrumadinhos são outro destaque da casa. Os melhores são os de camarão e de siri catado (R$ 10,90). Este último é servido também como casquinha. Nela, a carne, refogada com tomate, alho e azeite, recebe uma  camada leve e fina de farofinha torrada e, por cima de tudo, uma fatia de tomate.

arrumadinho ok Conheça o ótimo acarajé da Inês. E os doces, a moqueca, o escondidinho, a casquinha de siri...

As moquecas são menos “típicas”.

Nota-se claramente a intenção de adaptá-las ao padrão médio de alimentação mais leve da classe média paulistana. Em todo caso, se você gosta de comida baiana com cara de comida baiana, tipo zagueiro-zagueiro, com os todos os gostos e aromas possíveis, avise antes que sai do jeito do freguês.

Visitar o Acarajé da Inês é programa saboroso e relativamente barato.

Vale trocar a geografia óbvia dos restaurantes mais manjados para provar as delícias de Inês dos Santos e relaxar com o atendimento carinhoso de sua família.

De quebra, você aprende a chegar no cada vez mais lotado Mocotó.

Mas isso é história para um capítulo próximo do nosso Tem Pra Todo Mundo.

Acarajé da Inês

Avenida Nossa Senhora do Loreto, 1147

Vila Medeiros - São Paulo (SP)

Terça a sábado, de 12h às 22h. Domingo, de 12h às 17h

Tel. e entregas na região: (11) 2982-1243


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13 Jul 21h00

Tem Pra Todo Mundo, a nova coluna deste blog, está no ar. E nas mesas. Bom apetite

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A partir de hoje, o R7 passa a oferecer, aos leitores deste blog e aos da seção Receitas e Dietas, a seção Tem Pra Todo Mundo, dedicada ao prazer e à arte de cozinhar e, acima de tudo, de comer bem.

Antes de servir a entrada, quero agradecer aos editores de Receita e Dietas, de Entretenimento e às direções de conteúdo e geral deste R7 pelo convite para centralizar a produção da maior parte dos textos da nova seção. Além de competentes e generosos, esses colegas, como se percebe, gostam de correr riscos.

Quero também deixar claro um ponto: comer bem, para nós, não significa recorrer obrigatoriamente à obviedade pretensiosa de ingredientes e restaurantes caros e modernosos.

Antes, o contrário.

Desde a carne rasgada nas fogueiras em frente às cavernas medievais, há dois grupos básicos de comida: a boa e a ruim.

marini2 ok1 <i>Tem Pra Todo Mundo, a nova coluna deste blog, está no ar. E nas mesas</i>. Bom apetite

O critério para aparecer nesta seção é estar incluído no primeiro grupo, o dos pratos, métodos e produtos de qualidade.

Se, além disso, encontrarmos preços, pretensões e níveis de deslumbramento aceitáveis, aí estaremos todos diante do paraíso.

Vamos compartilhar descobertas interessantes, saborosas e baratas – e, aqui, todos os amados amigos do blog ficam convocados a enviar dicas e sugestões sem limites.

Desejamos trazer dicas de restaurantes, pratos, lugares, serviços, dados culturais e tudo o mais que envolva o universo rico e sedutor da culinária e da gastronomia.

Do churrasquinho ao molho de ervas servido pelo vendedor com roupa e chapéu de chef ao restaurante super-hiper-über estrelado que atravessa os anos sem perder a qualidade e o esmero, todos, de todos os pontos do Brasil e do mundo, poderão estar aqui.

Os critérios decisivos são claros: qualidade, capacidade de proporcionar prazer e custo compatível com o valor do que é oferecido.

Mesmo porque caro não é necessariamente o cotado em alto valor, e sim aquilo que não se paga em função do que prometeu. Cara é a pretensão. Esta sim, nunca cumpre promessa.

marini ok <i>Tem Pra Todo Mundo, a nova coluna deste blog, está no ar. E nas mesas</i>. Bom apetitePara nós, é um orgulho especial a seção Tem Pra Todo Mundo aparecer num momento em que as pessoas começam a rejeitar, conscientemente, restaurantes com falso conteúdo medium de luxe, os verdadeiros caros, por cobrarem muito e entregarem muito pouco ou quase nada.

E, ao mesmo tempo, voltam a valorizar a comida brasileira bem executada, com todas as nuances, combinações, regionalismos e influências, até mesmo internacionais.

Uma comida que o mercadão formal da gastronomia, sentindo a mudança dos ventos, tratou logo de batizar de confort food.

Um carimbo metidão, inventado para vender por um roubo aquela comida sempre ótima que seus avós, país e irmãos mais velhos fizeram e serviram a vida inteira.

A velha, legítima e sempre boa comida de conforto, ou confortável - assim em lindo português mesmo.

Ela será nossa prioridade.

Será a prioridade de um portal feito por profissionais e leitores que comem comida em vez de proposta.

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