Quem protege quem deveria proteger?

26
mai
15h43

Responda com fraqueza: se você tem um filho e ele diz que quer ser Policial Militar no Rio de janeiro, o que você diz a ele? Se a sua resposta foi algo que remeta a incentivo, reconhecimento da categoria ou orgulho de ver um filho trabalhar na segurança pública do nosso estado, saiba desde já: infelizmente você é uma minoria.

O caso de dois Policiais Militares baleados dentro de uma cabine, em Anchieta, mostra que cada vez mais bandidos e traficantes aprenderam a fazer das cabines alvos fáceis por toda a cidade. Pode parecer incrível e de pouca veracidade, mas já ouvi relatos de que há “rituais de passagem” dentro da organização do tráfico que inclui o desafio de dar seu “primeiro tiro” em cabines da PM. Quase impossível de provar porém fácil de constatar a preferência mórbida que bandidos tem por estes pontos que deveria ser de apoio para os policias. Na verdade a função mudou e, hoje, quem fica dentro de uma dessas cabines sabe que está mais para “caça” do que para “caçador”.

tiros Quem protege quem deveria proteger?

Marcas de tiros ficaram até na árvore. / Foto: Urbano Erbiste

O caso que aconteceu nesta quarta-feira foi apenas mais um em que os bandidos passam de carro, atirando, como se estivessem em um daqueles desafios de parque de diversões: quem acerta o alvo com pistolas d´água ganha o prêmio. Só que aqui de água mesmo, só o discurso ideológico de que policiais militares vão ter melhores condições e mais segurança. Isso é o que vai por “água baixo”. Aliás, se você acha que parece redundante falar em segurança para quem faz segurança pública, saiba que não é.

revolver Quem protege quem deveria proteger?

Imagem: Internet

Quando cheguei ao Rio de Janeiro, há quase 5 anos,  para trabalhar em Benfica, zona norte, havia uma cabine da PM bem na descida do viaduto Ana Néri. Próxima à comunidades como Mangueira e Tuití, os confrontos alí eram constantes e sempre a tal cabine era metralhada.  Ouvi relatos de policias que trabalhavam naquela cabine. Eles contavam que quando percebiam que  uma nova saraivada de tiros viria de algum veículo, logo corriam para a portaria da TV Record. O argumento? Pelo menos a nossa portaria era blindada, à prova de tiros.

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