Preconceito velado…

15
jun
15h29

Em clima de Copa do Mundo, a Record Rio está de verde-amarelo! Até um concurso foi criado para se escolher qual o departamento mais "colorido" no clima de torcida! Os funcionários do departamento vencedor ganham prêmios. Entre eles, um belo almoço em uma churrascaria de peso da cidade! Mais que uma iniciativa para torcer, trata-se de uma iniciativa para valorizar o nosso país, as nossas cores, o nosso povo!       

torcedores Preconceito velado...

Cara-pintada: torcida mesmo no trabalho!

Para não dizer apenas o óbvio, vou aproveitar o gancho de todas essas cores, mas no país que recebe a Copa nesta temporada. O que vou aproveitar para tratar aqui é um assunto que praticamente todo o continente africano conhece bem: o preconceito.         

O texto que segue é de autoria de um colega, negro,  aqui mesmo da Record, o Robson Machado. Uma prova de que esse preconceito, como o próprio nome ja diz é um "pré-conceito". Alguma idéia que, muitas vezes, nem sabemos exatamente de onde vem. Coisas que estão dentro da gente - e ninguém está livre - e que, se não nos policiarmos, acabamos deixando evidentes quando menos esperamos em atitudes do dia-a-dia. Veja só o relato dele e tire suas próprias conclusões.      

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"Pasmem senhores, mas essas coisas ainda existem. Na semana passada fui entrevistar um político ligado ao Governo do Estado do Rio. A sonora fazia parte de uma série de reportagens que foram exibidas em nossos telejornais locais.        

Logo que chegou ao gabinete do entrevistado, nossa equipe foi encaminhada a uma sala de espera. No ambiente, dois sofás. Eu e o auxiliar, também negro, ocupamos o mesmo sofá. Já o cinegrafista, um homem branco, sentou-se no outro. Passados alguns minutos, a assessora de comunicação do tal político chega à sala. Com um gesto, e à distância, ela cumprimenta a mim e ao auxiliar. Em seguida, dirige-se ao cinegrafista e dispensa a ele atenção especial:
 
- Boa tarde! Como vai? O secretário já vai atendê-lo.
  

Surpreso, e meio sem graça, nosso cinegrafista responde:
 

-  Tudo Bem...
 
A assessora sai da sala. Minutos depois, volta. Novamente de dirige ao câmera, único homem branco presente na sala:
 
- Me desculpe pela demora, mas agora você já pode fazer a entrevista. Por favor, me acompanhe.
 
Desconfortável com a situação, nosso câmera, apontando pra mim, responde:
 
- É ele quem vai entrevistar o secretário. 
 
Desconcertada, a assessora, finalmente me percebe. Somente então consigo me apresentar:
 
-  Boa tarde! Robson Machado, jornalista da TV Record.
 
A assessora:
 
- Ah, me desculpe! É que... Você... É... Está tão esporte!

 
Segui para a sala do secretário, fiz a entrevista e a matéria já foi ao ar. Mas ficou a lição:
 
Em nosso país há duras leis contra o preconceito racial. Mas não é possível estabelecer penas contra quem pratica o preconceito velado, aquele que não se evidencia com palavras, mas que vez ou outra aparece em forma de reações, como a da assessora. Sabe Deus quais critérios foram usados por ela para concluir que em uma sala com dois homens negros e um branco, o jornalista teria que ser o branco. Os conceitos da assessora deram a ela tanta certeza que as apresentações poderiam ser, e foram, dispensadas. POBRE assessora."
    

preconceito Preconceito velado...

Foto ilustrativa: internet

 Enquanto o Robson escrevia isso, essa semana mesmo, rolava na TV mais um jogo da Copa do Mundo, na África do Sul. O placar: Alemanha quatro, Austrália zero. Vou encecrrar aqui com a mesma frase que o Robson fez questão de encerrar o relato dele:      

 "Imaginem o susto da assessora do secretário quando viu quem marcou o quarto gol Alemão."
 
   
   

 

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