A paranóia nossa de cada dia
O Cristo Redentor - de braços abertos - precisa mesmo é estender a mão. Dar uma "mãozinha" ao carioca que não cosegue sair da paranóia do medo do assalto, bala-perdida.
Perdida? Perdida mesmo está a nossa tranquilidade.
Quando vim para o Rio de Janeiro não acreditava que ser assaltado seria "possibilidade". Pensava que essa era uma "certeza" na dita "cidade maravilhosa". Aqui, num curso intensivo de "como se tornar carioca em 5 anos" descobri que não era bem assim. Isso era paranóia. Mas descobri que "ele" - o medo - ia sair sempre comigo: no banco carona do carro, ao meu lado na calçada, no carro a minha frente na via-expressa.
Minha reflexão é por conta de um alerta que deixou nossa produção pronta para enviar carros de reportagem, helicóptero e mobilizar a Polícia Militar: motoristas que seguiam pelo túnel Santa Bárbara, no sentido Catumbi, região central do Rio de Janeiro, se desesperaram ao ver um carro atravessado na pista, na noite de quinta-feira.
Muitos pensaram se tratar de um arrastão e tentaram retornar. Teve mais pânico: outros abandonaram os carros e fugiram à pé! O trânsito deu um nó e houve correria.
Sabe o que realmente era? Segundo policiais militares um carro que seguia pela via teve problemas com um pneu, que estourou. O barulho assustou os outros motoristas e provovou a confusão. O tráfego só foi normalizado 40 minutos depois.
Bem vindo ao Rio de janeiro - eu pensei. A pipoca do vizinho na panela faz o carioca se jogar no chão. Nunca se sabe se o milho estourou ou se é mais um tiroteio. Aqui a tranquilidade nem sempre está de braços abertos. O Cristo Redentor talvez tivesse muito o que ensinar.
Lá é alto... não chega bala perdida.










