A morte de um inocente
Não há justificativa para uma violência como essa. Não há tolerância para quem é intolerante com questões ligadas a cor, credo, crença ou sexualidade. Ao contrário da história de Sansão e Dalila, os “skinheads” não tem força no cabelo. Tinham - muito provavelmente - apenas a inteligência. Dom que parece desaparecer à medida que barbeadores e lâminas raspam - além de suas cabeças - todo e qualquer fiapo de de integridade psicológica. Como matar um jovem de 14 anos por ele ser gay? Aliás, mesmo que haja verdade nessa versão de defesa de que foi uma briga por causa do roubo de um celular: justifica o assassinato de um adolescente?
São mais de 100 e-mails e mensagens que abarrotam nosso correio eletrônico hoje. Todas os recado com uma tônica em comum: a revolta. Apesar dessa “chateação” generalizada (que também me envolve) consigo ter pena destes acusados. Pena de acreditar que hoje, em pleno Século XXI ainda há quem se submeta aos delírios nazistas; ao infortúnio de de se endeusar que acreditava em hegemonia ariana; ao devaneio de quem ainda hoje prega que nem todos são iguais.
Recentemente recebi a denúncia de um grupo de apoio à comunidades GLBTS de que a internet é oceano farto de comunidades e sites que ainda hoje cultivam a homofobia. Textos estapafúrdios que pregam o preconceito. Eu não estou falando de dogma, ideologia. Isso cada um pode ter a sua. Mas quando se incita violência, aí o assunto não é mais de culto, credo e crença: é de crime, previsto na constituição.
É preciso que esse caso sirva de exemplo. Exemplo de que o país já tem maturidade para tratar crimes assim com o rigor total da lei. Exemplo de que intolerância tem que ter punição exemplar.
Mais do que isso, o caso precisa ser um exemplo na esfera familiar. É hora de conversar com os filhos, com as filhas, ouvir pontos de vista diferentes. É hora de aceitar mais dentro de casa para que haja envergadura moral para que se cobre respeito também na rua. Esse jovem de 14 anos de idade não teve tempo de conversar sobre nada disso com a mãe. Talvez esse papo nem mudasse tanto assim o desfecho do caso. No fundo, no fundo, mãe sabe das coisas...










