Lição de hoje: tiroteio na escola.

16
jul
13h47

CIEP Lição de hoje: tiroteio na escola."A sala de aula deveria ser um santuário". frase é de uma das professoras do CIEP Rubens Gomes, no bairro de Costa Barros, no subúrbio do Rio. Mas foi onde deveria haver um santuário - como disse a professora - uma criança de 11 anos foi vítima de bala perdida, dentro da sala de aula. A "tia", como carinhosamente chavama minha professora quando estava quinta série, ensinou bem a lição. Ela só não tiraria nota máxima no comentário por um motivo: faltou dizer que de santuário o colégio já virou purgatório.

As informações dão conta que vendedores de crack estariam nos limites da escola (dentro ou fora?) e policiais à paisana teriam entrado em confronto. Ninguém sabe quem deu o tiro. Ninguém sabe nem se foi do outro lado da linha do trem que margeia o centro educacional. Mas se havia tráfico dentro ou nas proximidades do CIEP, resta alguma dúvida de onde estava a "bomba-relógio" pronta para explodir?

Não vou falar de bala-perdida. Vou falar de controle da criminalidade perdido, segurança perdida, de auto-estima esquecida. Vou falar da omissão que acontece quando o poder público sabe onde está a macha criminal e não age antes que essa mancha se torne uma "lama criminal". A operação foi preparada para que acontecesse no período de férias. Só que mesmo quando a maioria está descansando, há uma minoria que ainda tem aulas de recuperação, de reforço, provas de segunda chamada. Escola é lugar que não para, mesmo nas férias.  

Os moradores endoçam o meu raciocínio. Aliás, o meu texto é que endoça a revolta deles que chegaram a fazer uma barricada na porta da escola.  Revolta pela morte do menino de 5 anos? Também, claro! Na verdade os moradores se revoltam porque a reclamação alí - sobre a "mancha criminal" - é mais velha que o próprio menino atingido. Mais de cinco anos em que nada muda.

Twitter Lição de hoje: tiroteio na escola.

Secretária de Educação usou o Twitter para comentar a tragédia / Foto: Reprodução Internet

Não querro fazer aqui discurso demagógico. Mas em que cidade do mundo - senão as que estão em guerra - vemos tiroteio e bala perdida terminando no peito de criança de cinco anos? E não estou falando de crianças do tráfico, ok? Estou me referindo a criança que estava na carteira da escola, dentro da sala de aula. Como fica uma mãe para mandar o aluno para as aulas no segunda-feira que vem? Como fica a repercussão internacional de um caso como este?

O subúrbio do Rio de Janeiro é uma realidade à parte. A polícia classifica o caso como "fatalidade". Eu classifico como burrice. Não consigo imaginar outra palavra para uma operação perto de uma escola antes do sinal tocar.     

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