Quando há o "errado" e o "errado"
A defesa do jovem que dirigia o carro que atropelou Rafael Mascarenhas já tem uma linha de raciocínio a seguir: a alegação pura e simples de que a sinalização no túnel deixou a desejar. E a reclamação pode ser “engrossada” por quem passa pelo local. Durante a madrugada nossa equipe de reportagem voltou ao túnel - que ficou fechado pela primeira vez desde o atropelamento hoje - e ouviu, sobretudo taxistas, que foram enfáticos: a sinalização agora mudou. A reportagem vai estar no “RJ Record” de hoje, mas desde já posso adiantar que ele disse, sem precisar esconder o rosto (porque precisaria?) que hoje sim a entrada é bem sinalização quando há a interdição para serviços. Será que esse é um sinal de que o caso pode acabar em uma bela pizza sobrando apenas para a “sinalização”?
Vale lembrar que, por mais que nem houvesse sinalização alguma, os jovens que dirigiam fizeram o retorno no meio do túnel, em uma “abertura” entre a galeria de ida e a galeria de volta que nunca pode ser usada como retorno salvo em casos de emergência sinalizados pela prefeitura. É bom não esquecermos disso num momento em que toda a discussão gira em torno de questionamentos que, repito aqui, não me parecem prioritários. Se eles estavam ou não em alta velocidade, pra mim é apenas agravante em não fator determinante. Quem faz um retorno proibido dentro de um túnel - aprendi na auto-escola que não se retorna em túnel e em ponte - está assumindo um risco de causar um acidente grave... e foi o que aconteceu.
E se fosse um retorno forçado bem no meio da Ponte Rio-Niterói? Não seria a mesma coisa?
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POSTAGEM ORIGINAL:
O caso da morte de Rafael Mascarenhas, filho da atriz Cissa Guimarães, deu um nó na minha cabeça. Tecnicamente os dois estão errados: motoristas que resolveram fazer o retorno dentro do túnel - por uma passagem proibida - para uma galeria que estava interditada para manutenção e, no outro lado da história, jovens que aproveitam o fechamento da mesma galeria para andar de skate na descida que termina na Gávea. Sei que não existe “mais ou menos” certo, mas sei que, sobretudo no nosso Rio de Janeiro, existe sim o que é “mais ou menos” permitido.
Não é nenhuma novidade vermos jovens andando de skate no local onde o atropelamento aconteceu. Quem passa pelos acessos do Túnel Acústico de madrugada já viu - como eu já vi - que o local já se tornou o “point” do horário para skatistas. Não tem como a Companhia de Engenharia de Tráfego não saber. Não tem como a prefeitura não ter conhecimento. Autorização por escrito? Bom, isso jovem nenhum tem ou jamais teve. Mas é aquela história do proibido, mas “nem tão proibido assim”. Porque não? Porque não existe um dado estatístico que prove que a presença dos esportistas alí prejudique, de alguma forma, a manutenção dos túneis.
Mas a coisa muda de figura quando o assunto é o tráfego de veículos. Passar de carro dentro de um túnel que está fechado para manutenção é outra história, outro risco. Risco, inclusive, de se atropelar funcionários que estejam transitando nas galerias para efetuar pequenos reparos. Ou quem sabe atingir em cheio viaturas de serviço - daquelas que tem cabines suspensas - que fazem trocas de lâmpadas, entre outros serviços. Em resumo, um carro dentro de um túnel interditado é risco iminente para qualquer acidente. Perigo que nunca ouvi falar que quem anda de skate possa oferecer.
Meu argumento não é favorável aos skatistas, muito menos - claro - aos tais motoristas que estavam na hora errada e no lugar errado. Se a determinação for de túnel fechado, então que seja fechado para todos! Mas seria insano de minha parte nivelar a decisão de se andar de skate num túnel interditado com a decisão de se trafegar de carro em uma galeria escura e vazia!
E atenção: isso porque não estou nem levando em cota aqui a alegação de que o veículo estava em alta velocidade. Ora, porque vou me preocupar com a velocidade se só o fato de estar de carro na galeira - mesmo que a 20 km/h - já seria um erro gravíssimo? Mas entendo o porquê dessa indagação: comprovar se havia ou não o tal “pega” acontecendo dentro do túnel. Mas esse é um questionamento que não figura entre os prioritários, como por exemplo, porque o carro que atropelou o rapaz não foi apreendido de pronto pela PM já que estava com o capô amassado, para-choques arrancado e vidro destruído. Como esse carro ainda voltou para casa sendo dirigido?
Sabe o que é isso? É dar aquele jeitinho para casos que parecem corriqueiros mas que depois ganham uma proporção maior que o esperado. Talvez por não saberem quem era a vítima “estatelada” no asfalto dentro do túnel. Talvez por esses policias acharem que seria mais um desses acidentes que “ficam por isso mesmo”. Não é à toa que os policias militares envolvidos no caso já foram afastados.
Afastado mesmo deveria ser o risco de que um caso como este se repetisse.












