Rio de Janeiro: capital do México.

30
ago
16h38

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 31/08/2010 ÀS 13H34

CRUELDADE NA CARNE

O que faz um "maluco" enfiar na barriga de uma criança de 1 ano e 5 meses duas agulhas e um prego? A polícia esclareceu um crime, de uma crueldade ímpar, e descobriu o impensável: quem fez isso foi um vizinho, que mora na mesma vila que a criança, em Duque de Caxias.

agulhas1 Rio de Janeiro: capital do México.

Duas agulhas e um prego: crueldade com uma menina de 1 ano e 5 meses. / Foto: R7.

A primeira hipótese é pensar que um cara desses é maluco, tem problemas psiquiátericos. Mas no exame feito com ele, tudo o que foi comprovada foi uma "leve depressão". Na delegacia ele pediu desculpas à família e explicou o motivo do crime. Sabe porque ele fez isso? Porque sentia "inveja" do carinho e atenção que a menina recebia da família. Pasme: ele foi abandonado pela mãe qundo ainda era pequeno. Se tamanha crueldade ainda não foi o suficiente, atente para os requintes dela: o homem fez isso no meio da rua, durante uma distração da mãe. Ela não percebeu que quando o homem tocava a criança a menina chorava sem parar. Ingenuidade demais!

E ainda tem mais para se pensar. Veja só que delicadeza é um caso desses: num primeiro momento chegou-se a cogitar maus tratos por parte da família. Imagine só sobre quem a culpa instantaneamente iria recair senão sobre quem está com a menor 24 horas por dia? A gente, quando é obrigado a mostrar casos assim, anda no fio da navalha. É preciso todo cuidado para não fazer julgamentos precipitados em cima do que a polícia as vezes precisa cogitar. Uma palavra errada pode fazer uma mãe - INOCENTE - ser hostilizada por todo um bairro, por toda um cidade.   

Um homem como esse precisa mais que punição. Precisa de acompanhamento psicológico, psiquiátrico. Estamos falando de uma pessoas que, muito provavelmente - do alto de sua loucura não atestada - não deve ter noção do que está fazendo. Nem por isso deixa de ser um MONSTRO.   

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POSTAGEM ORIGINAL:

Como o assunto “tráfico de drogas” sempre permeia os assuntos no nosso blog, não poderia começar a semana sem analisar um fato ocorrido na semana passada no México: aquele massacre com 72 mortos que tentavam entrar ilegalmente nos Estados Unidos - via fronteira Mexicana - e que foram “recebidos” por um dos cartéis que atuam no país. Diante da oferta - negada - de trabalharem como “matadores” para o grupo, todos foram executados.

O que me chamou a atenção foi uma declaração que vi no jornal “O Globo” na última quinta-feira: o presidente do “Coletivo para uma Política Integral para as drogas”, Jorge Hernandez Tinajero, diz, com todas as letras, que descriminalizar as drogas no México já não resolveria mais o problema da violência no país. De acordo coma teoria dele, já é tarde para o México fazer isso. Se a ideia tivesse sido discutida antes, tudo bem. Mas agora, o questionamento que ele deixa no ar é: se houvesse uma descriminalização, para onde iria todo o “exército” que hoje vive em função do tráfico e que mata em dois principais cartéis do pais?

mapa tráfico Rio de Janeiro: capital do México.

Quando li essa pergunta dele foi inevitável não fazer um paralelismo em relação ao que vivemos aqui no Rio de Janeiro. Modéstia às favas, como diria meu pai, não é nada diferente do que já discutimos e escrevi aqui mesmo neste blog. Sem ao menos conhecer o presidente que deu tal entrevista, sempre questionei isso aqui também. Será que a cada dia que passa e não discutimos o assunto tráfico - mesmo que passando pela “temível” palavra descriminalização - não estamos empurrando um problema para frente com a barriga como o México fez?

Não sou favorável às drogas, mas acho que precisamos discutir o assunto tráfico. São duas coisas diferentes, apenas consequência uma da outra. É no tráfico que está o problema. Aliás o "x" da questão está em não conseguirmos - o estado - debelar uma situação de crime, sendo ele qual for esse crime. O “tráfico” é apenas o rótulo do pior deles qui no Rio.

Será que a política de discutir menos e enfrentar mais não é o mesmo que, aos poucos, transformarmos o Rio de Janeiro em um “México” partido por facções rivais numa situação tendendo quase ao irreversível?

 

 

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Uma justa homenagem

27
ago
14h05

Carlos Geraldo Uma justa homenagem

Carlos Geraldo: presidente da Record Rio.

Como hoje é sexta-feira, vamos falar de assuntos mais leves?  Leves porém não menos importantes, como a homenagem que nosso presidente da Record Rio recebeu recentemente na Câmara de Vereadores do Rio. Carlos Geraldo foi condecorado com a Medalha Pedro Hernesto, a maior honraria que a Câmara de Vereadores concede a um cidadão.

Quando a Tãnia Athayde - assessora de imprensa da Record - me mandou a foto do evento, resolvi postar aqui não apenas por ter sido uma homenagem de vereadores; ou porque a foto saiu em revista; ou ainda porque foi uma homegem ao "presidente" da casa. Na verdade a palavra "presidente" nunca teve esse peso todo - salvo o respeito devido - desde quando conheci Carlos Geraldo há 10 anos, ainda em Brasília, quando ele ainda nem sonhava em presidir a empresa na segunda maior cidade do país. A maioria das pessoas da casa tem um presidente. Eu tenho um amigo de "longa data". Por isso vale à pena falar sobre isso aqui.

Se por algum lampejo passar pela sua cabeça que há alguma ponta de "puxa-saquismo" na postagem de hoje, é porque você talvez nunca tenha tido a sorte de ter um baita amigo ocupando um cargo tão importante, coincidentemente, na mesma empresa que você trabalha. Eu tenho e não deixaria de dizer isso aqui.    

Caras Uma justa homenagem

 

Um excelente fim de semana! Divirta-se com responsabilidade!

 

Fábio Ramalho

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Quando bandido quer ser juiz eleitoral

25
ago
13h06
 ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 26/08/2010 às 14h02

 "Meu bolso" Linha Aéreas 

ana Quando bandido quer ser juiz eleitoral

Ana Hickmann. / Foto: divulgação Record.

A Ana Hickmann pode não entender muito de transporte de presos. Não é o negócio dela. Mas nossa colega entende de custos de viagem como ninguém. Acostumada a cruzar os céus em compromissos por todos os cantos do país,  Aninha não é de esbanjar como nosso poder público vem fazendo. 

Se o Rio de Janeiro tivesse uma companhia aérea só para cuidar da transferência de presos ela, sem dúvida, teria esse nome: "meu bolso linhas aéreas". Na verdade, como não se trata de nenhuma sociedade anônima, poderia ser "nosso bolso", numa clara referência a quem paga a conta.  

Vamos às comparações. Na justiça não funciona assim? Se você entra com um ação contra alguém e perde, além dos custos com o seu advogado você ainda paga o advogado de quem foi acionado injustamente. Com presos poderia valer o mesmo. Não estou sugerindo que a conta do metanol usado no avião que levou os traficantes da Rocinha para um presídio no norte do Brasil seja entregue, em boleto bancário, na porta do traficante "Nem". Até porque bens do tráfico já são automaticamente penhorados quando apreendidos. Mas no caso do goleiro Bruno, isso devia entrar em uma "pendura" a ser cobrada do bolso do réu caso ele venha a ser condenado. O que acha? Já li que há projetos de lei em países da Europa - como a Holanda - para que o dinheiro gasto com transferências assim retorne aos cofres públicos. 

Numa rápida pesquisa descobri que a passagem pormocional, por exemplo, entre Rio e Porto Velho sai - na Gol - por R$ 839,00. Se são dez presos já iriam aí R$ 8.390,00. Como a gente está considerando que, na verdade, eles viajaram em avião menor, no estilo "executivo", aí a cifra pode saltar para mais de 15 mil reais pelo "charter".

Para não pensarem que estou louco, explico onde a Ana Hickmann entra nessa. Outro dia ouvia a produção do "Hoje em Dia" conversar sobre o custo de um helicóptero para levar a apresentadora do Rio para um evento em Angra. Sabe quanto sairia a viagem? A bagaleta de 5 mil reais. O curioso é que a própria Ana preferiu ir de carro para cortar custos! No final das contas o helicóptero acabou levando sim a nossa loira mais querida, já que era interesse do hotel envolvido recebê-la. O custo foi dele.

Então eu me pergunto: se a Ana Hickmann pode viajar de carro com seus 1,20m só de pernas, porque o goleiro Bruno e o Macarrão não podem vir ao Rio de viatura policial?

26 bruno acosta 5 Quando bandido quer ser juiz eleitoral

Chegada de Bruno e Macarrão ao Rio: transferência em avião da Polícia Civil. / Foto: "O Dia".

  

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POSTAGEM ORIGINAL:

22 onibus2 Quando bandido quer ser juiz eleitoral

Ônibus queimado: outra ação do tráfico que se acha "juiz eleitoral" em Macaé. / Foto: "O Dia".

Para mim a função sempre foi bem clara: juiz eleitoral é aquele que decide sobre legitimidade de candidatos, sobre o que é certo e o que é errado durante o período de pleito. Mas quando bandido resolve se passar por juiz eleitoral é porque alguma coisa está errada em nossas comunidades.

A história desses supostos traficantes que se achavam no direito de "selecionar" quais candidatos podiam fazer campanha nas comunidades aconteceu em Macaé, no norte do estado do Rio. A policia descobriu o esquema depois que candidatos se queixaram de não poder entrar em algumas áreas dominadas por traficantes. Por decisão da justiça os quatro presos vão ficar longe de seu "reduto eleitoral". Eles foram transferidos aqui para o Rio de Janeiro sob um forte esquema de vigilância da Polícia Federal. Depois do ocorrido agora é regra: equipes da Polícia Federal continuam nas ruas da cidade, acompanhando os candidatos durante a campanha. Se você acha que isso é coisa que só se passa em Macaé surpreenda-se: aqui no Rio já há casos de candidatos que foram proibidos de entrar em comunidades.

Minha pergunta: que situação de domínio da criminalidade é essa que candidato precisa de escolta da polícia para conseguir fazer campanha política? 

 

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O tráfico o "leão" e o "rato"

23
ago
15h17

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 24/08/2010 às 13h40

Cadê os fuzis da Rocinha?

A Rocinha pelas lentes de Levi Ricardo 9 w460 h276 O tráfico o "leão" e o "rato"

Anoitecer na Rocinha: sem armas, suposta tranquilidade. / Foto: Levi Ricardo

A prova de que o tráfico não é "leão" e sim, pelo tamanho, "rato":  onde estão os fuzis que eram ostentados no alto do Borel e da Rocinha para mostrar o poder de fogo do crime organizado? O relato - não apenas de policias - mas de nossos repórteres é de que o clima na Rocinha é de um "pseudo-desarmamento" depois dos problemas do último fim de semana.

Os negócios não estão parados, mas tudo acontece de forma mais "velada". Há quem diga até que o traficante "Nem" estaria escondido. Escondido acredito, fora da comunidade não. Assim como também não acredito na possibilidade, repito, de que ele se desse ao trabalho de sair da camunidade onde vive "sitiado" para visitar um baile funk em outro morro.

A informação é que a Rocinha tem hoje cerca de 400 homens trabalhando para o tráfico. Não sei se chega a tanto, mas vamos a um cálculo rápido: se considerarmos turnos de 8 horas, teriámos por turno, à postos, 133 homens. É muito, mas não é tanto. Na sua opinião daria ou não para invadir e buscar quem se quisesse lá dentro?

É preciso separar o que é folclore e o que é realidade. E pelo menos hoje tenho certeza de que o tráfico é bem menor do imaginamos, embora seja organismo pensante...

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POSTAGEM ORIGINAL:

Já ouvi dizerem que se um dia as favelas resolvessem “descer” do morro facilmente tomariam conta de todo o Rio de Janeiro. A densidade populacional nessas comunidades está aí para tentar endossar essa teoria. A Rocinha, por exemplo, ocupa 4 vezes menos espaço que todo o bairro de São Conrado. No entanto tem aproximadamente 4 vezes mais gente morando!

São duas “São Conrados” diferentes. Uma do luxo, do metro quadro mais caro do Rio de Janeiro; e a outra é a São Conrado da Rocinha, da maior comunidade da América Latina. Duas facetas de extremos em um bairro diminuto.

O raciocínio da favela descer do morro e controlar a cidade é no mínimo falacioso. Para isso ser verdade teríamos que considerar que todos nos morros são bandidos, certo? Isso é pra lá de mentiroso.

Você realmente acredita que enquanto aqueles homens estavam causando desordem em São Conrado a Rocinha tinha um exército numeroso na retaguarda, vigiando a “fortaleza” do morro? Dá para acreditar que todo aquele comboio, o chamado “bonde” era apenas para levar alguma droga em plena luz do dia e não o chefe de venda delas?

condomínio O tráfico o "leão" e o "rato"

Entrada do prédio que ficou no meio do fogo cruzado. Foto: Fabio Gonçalves / Agência O Dia

Quem já subiu morro pelo menos uma vez na vida sabe: o tráfico não é um exército tão numeroso como imaginamos. O tráfico, na verdade, é “apenas” um exército articulado e potente do ponto de vista de logística e armamento. Não são tantos “postos de trabalho” no crime como imaginamos ou tememos.

Me responda: em alguma comunidade onde já foi instalada UPP houve uma fuga de pessoas mudando de endereço tão significativa assim a ponto de vermos casas vazias, pontos abandonados e esquecidos? Isso nunca aconteceu embora haja um fluxo natural - de poucos - em busca de novas áreas de atuação.

As imagens que vimos este fim de semana induzem a esse tipo de raciocínio perigoso e até preconceituoso de que a favela pode “tomar” a cidade.

hotel O tráfico o "leão" e o "rato"

Hotel Intercontinental: cenário de todo o sequestro. / Foto: R 7

Aqueles que vimos invadindo o Hotel Intercontinental não representam uma maioria e sim uma “porção”. O tráfico de drogas é menor, infinitamente menor do que imaginamos. A questão, repito, não é tamanho e sim a ameaça. Nesse caso uma ameça maior à nossa cidade do que pode representar a ameça da polícia aos criminosos. É uma questão de inteligência.

Nós supervalorizamos o tráfico porque nosso poder público não consegue combate-lo. A estratégia de fazer o rato parecer um leão é atrativa aos olhos de quem precisa justificar uma inoperância histórica. O tráfico está mais para o rato da história do que para leão.

Se for verdade que o “bonde” estaria escoltando o chefe do morro da Rocinha - mais conhecido como “Nem” - isso significa que o “Nem” pode entrar e sair da Rocinha quando bem entende. Mas se a essa mesma teoria for falsa pior ainda! Prova-se que o “Nem” não é “nem” louco de sair da Rocinha à toa. Resumindo então: em qualquer um dos casos daria para saber facilmente onde o traficante está dentro da nossa cidade. Porque ele nunca foi capturado?

A gora que a confusão passou como é que fica? A Rocinha continua lá e o “Nem” também. Será que não falta é vontade de se querer, de fato, encontrar o que se procura?

A polícia agiu corretamente e de forma eficaz no sábado. Mas não podemos deixar de lembrar que essa mesma polícia também carrega um passivo histórico por ter deixado o clima chegar a esse ponto no Rio de Janeiro.

Uma pena que nosso país só dirija os olhares a essa realidade - recoberta por um verniz de que “eles são poderosos demais” - quando os tiroteios invadem o asfalto, preferencialmente nas áreas mais caras da Zona Sul.

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Isso ainda vai dar samba…

20
ago
13h36

Mariah1 Isso ainda vai dar samba...

Mariah Carey: atração em Barretos. / Foto: R7

Deu a louca no mundo da música. Eu já tinha percebido isso quando vi que a Ivete Sangalo iria cantar no "Rock in Rio". E os fãs mais afoitos nem precisam se preocupar, ok?  Isso não é uma crítica à cantora!

Não é curioso que o festival que tem "ROCK" até no nome, agora englobe tantos vários estilos? A explicação é simples: o selo "Rock in Rio" já virou uma grife, uma marca, independentemente de quem esteja nos palcos. Tá bom, eu entendo, mas ainda dói no ouvido...

Um leitor aqui do blog, o Nelson, me surpreendeu quando lembrou que a cantora Mariah Carey também estará na festa de Barretos este fim de semana. Os fãs enlouquecem! 

Com uma lembrança tão sagaz, a frase do leitor vale destaque hoje:

"Ivete Sangalo no Rock in Rio. Mariah Carey na Festa de Peão de Barretos. Tiririca no horário político. O que nos falta? A Hebe grávida do Niemeyer?"

Um excelente fim de semana à todos!

Divirta-se com responsabilidade!

Tchau, tchau!

Fábio Ramalho

 

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Omissão

18
ago
13h19

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 19/08/2010 às 13h05

Sem pai nem mãe: abandono até depois da morte

 

abandonado Omissão

Imagem ilustrativa, internet.

Sei que um corpo inerte não possui emoções. Mas como seres humanos que somos, providos de poder da reflexão e da projeção de emoções, consigo fazer um exercício bizarro que, para muitos, poderia até ser considerado mórbido. Poucos minutos depois de sair do ar, após a edição de ontem do "RJ RECORD" eu me perguntava: "como essa criança morta se sentiria ao saber que nem o pai nem a mãe foram buscar seu corpo no IML e niinguém da família apareceu?

Devaneios meus à parte, o que quero mostrar aqui é que esse abandono - até do cadáver da criança -  pode ser um bom indício de como era o  cuidado que essa criança recebia dos pais ainda em vida. Se o garoto de 2 anos era constantemente agredido; apareceu morto sem explicações; a mãe  - suspeita pelo crime - desapareceu e o pai ainda fugiu porque era procurado pela justiça em outro estado; o que pensar sobre os cuidados que essa criança recebia em vida?    

________________________________________________________

 

POSTAGEM ORIGINAL:

 

Mais uma história macabra no Rio de Janeiro. A cidade maravilhosa tem também suas nuances de terror quando se une a miséria, a baixa escolaridade e as drogas. Nesse caso não necessariamente estamos falando de tráfico. O problema teria sido o vício.

Uma criança foi encontrada morta em uma comunidade que fica ao lado de uma antiga fábrica que virou uma comunidade “indoor”. O pequeno menino tinha furos pelo corpo, uma tesoura ao lado e o mais impressionante: o irmão, de 3 anos de idade, brincado junto ao corpo, sem a menor noção do que tinha acontecido. Apesar da idade, o irmão mais velho não fala muito, mas confirmou aos policias que o irmão menor apanhou muito da mãe que seria viciada em drogas. As causas da morte? Isso ninguém sabe ainda.

 

É impressionante como as drogas consomem valores. Não há como imaginar outra possibilidade para um caso tão cruel e tão revoltante. Só mesmo vendo a expressão do pai ao encontrar o filho daquele jeito, para se conseguir avaliar - sem a a menor pretensão de chegar perto - a dor daquele homem. Isso considerando-se que realmente tenha sido a mãe a "executora".

Hoje abri o “blog” e me deparei com um comentário de um telespectador dizendo que eu desmerecia as instituições públicas com meus comentários. Nessa horas penso qual seria o comentário que faria quando vemos um caso em que a cobrança para o estado teria que começar desde a questão da habitação, educação, emprego e geração de renda. Se esse “bojo” básico não consegue ser atendido em nosso país, como cobrar o “luxo” de um atendimento público para dependência química?

Acho que o problema de nós, brasileiros, é a banalização. Achamos tão normal não ter atendimentos básicos, simplórios, que quando cobramos tudo parece exagero.

O nosso poder público é falho. O nosso país arrecada e é omisso na assistência à população. O resultado vem onde os olhos públicos não estão, como neste triste caso, da criança supostamente assassinada pela própria mãe.

Para ilustrar bem essa banalização a que me refiro, reproduzo aqui uma imagem "campeã" do fotógrafo Evandro Texeira que retrata bem como essas mazelas cariocas são tão corrqueiras que muitas vezes não valem mais rostos assustados, e sim um sorriso, quase que em uma leitura "isso por aqui é normal".  

Guerra dos Tóxicos2 Omissão

 

 

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"Falso-médico" ou "falso-plano" ?

16
ago
13h42

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 17/08/2010 às 14h29

Porque um estudante de medicina que se passava por médico pode ser indiciado por tráfico de drogas?

Logo drogas "Falso médico" ou "falso plano" ?A pergunta chegou ontem por meio do Twitter e achei que seria uma bela oportunidade de explicar isso aqui. Inclusive porque eu também tive a mesma dúvida quando as apurações começaram! (Leia a postagem original para entender o caso.)

A explicação policial é simples: no momento em que ele atendia a menor de 5 anos, a primeira suspeita era que a de ela tivesse tido uma convulsão. A iniciativa do rapaz foi telefonar para a médica responsável e perguntar o que fazer. De acordo com a polícia, a orientação veio da médica que já está presa: aplicar um anticonvulsivo na veia da criança. Foi exatamente o que ele fez.

No entendimento da delegacia que cuida do caso, foi passado "às mãos" de rapaz um remédio que é considerado alucinógeno -  uma droga - que por sua vez foi aplicada na pequena Joana. O fato de "receber" o remédio e "repassar", aplicando ou não, caracterizou para a polícia tráfico de drogas.

Honestamente não sei se, num futuro julgamento na justiça, existe alguma diferença jurídica entre essa interpretação e a interpretação que estamos tão acostumados: a de que tráfico de drogas é o fato de se vender maconha, cocaína e tantas outras substâncias afins.

Esse é um exemplo de que nossa lei possui muito mais meandros entre o céu e a terra do que nossa "vã filosofia" conhece de fato...  

 

____________________________________________

POSTAGEM ORIGINAL:

 

Eu achava que a polêmica ficava por conta só da profissão de jornalista. Só que história do "precisa-não-precisa" de diploma parece ter chegado também à medicina. 

Sarcasmos à parte... é inadmissível. Inconcebível que um estudante de medicina tenha atendido uma criança de 5 anos de idade, em um hospital da Zona Oeste do Rio, como se fosse médico formado. A criança foi liberada estando desacordada! Para complicar ainda mais a situação, não era um atendimento comum: era o atendimento a uma criança que tinha suspeita de agressões. A principal suspeita dessas agressões recai sobre o próprio pai da menina. Olha só a complexidade do caso para ela ser mandada para casa "dormindo", hein?

Seja para o hospital ou para a empresa terceirizada que fornece alguns médicos - como vem sendo feita a defesa do hospital - a punição é necessária. Ou quem sabe punição para os dois? Sim, porque quem coloca profissionais dentro de um hospital também é responsavel pelo o que ele faz lá dentro, certo? Minha percepção não permite uma analise mais profunda do ponto de vista jurídico, mas sim do ponto de vista de atendimento. E nesse caso, não adianta usar o velho discurso de que a culpa é da "saúde pública". Isso aconteceu, repito, em um hospital privado.

falso médico1 "Falso médico" ou "falso plano" ?

Câmeras gravaram: o "falso-médico" que liberou criança desacordada em hospital particular. / Foto: Portal "R7"

Queria entender o que acontece na nossa saúde, sabia? Não sei se isso é causa ou concequência. Se isso também é reflexo do problema com planos de saúde que, cada vez mais, pagam menos pelos procedimentos feitos. Isso obriga hospitais a "baratearem" as contratações colocando alunos para atender a gente? Óbvio que não justifica. Mas o fato é que, a cada dia que passa, mais clínicas, hospitais e médicos em seus consultórios, evitam se conveniar a alguns planos.

Minha mãe, por exemplo, não consegue fisioterapia em Brasília poque a 60% das clínicas indicadas pelo médico, até  fazem o tratamento, mas batem a "porta na cara" do cliente quando o assunto é convênio. E ainda estou pegando leve com esta estatística, ok? Na verdade ela teve referência para se tratar em 11 clínicas. Destas, 6 delas, disseram "não" ao plano de saúde.

Posso entender com isso que nosso atendimento médico - que ainda se apoiava na rede particular - também está comprometido? Imagine quem não tem plano de saíde então...

Para encerrar uma charge ernviada pel leitora Mathyenne sobre o assuto que abordamos na sexta-feira: o ator Sylvester Stalonne e sua "paixão" pelo Brasil.

Charge Alpino "Falso médico" ou "falso plano" ? 

 

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CINEMA: Sylvester "está longe"

13
ago
14h12

Curioso que o filme leve o nome de "Os Mercenários", quando, na verdade, mercenário é o nome que ele usou para descrever o povo brasileiro. Lembra da frase "no Brasil podemos machucar as pessoas. Destruímos tudo e eles ainda dão um macaquinho de presente"?

A "peróla" de Syvester Stalonne sobre o Brasil foi um tiro no pé do ator que, de tanto exercitar músculos, pode ter perdido a habilidade de exercitar neurônios. Aliás, tem muita gente gigante em músculo, como ele, mas que exercita muito mais a massa cinzenta.

Mercenários CINEMA: Sylvester "está longe"

Filme "Os Mercenários". Imagem: divulgação

A estreia de seu novo filme, prevista para este fim de semana, é uma incognita. Não se sabe se a declaração polêmica "quiemando o filme" do Brasil vai servir para afastar brasileiros das telas ou se vai ter até um efeito inverso: mais e mais pessoas procurarem as salas de cinema para conhecer de perto o que Stalonne fez aqui no Brasil.  Será que foi golpe de marketing? 

Como se não bastasse a "boca maldita" do ator - que ficou imortalizado como Rock Balboa - ainda tem mais gente doida para jogar o astro na lona. A produtora contratada para  trabalhar nas filmagens está na justiça alegando que levou um calote do ator.

Não estou aqui para propor boicote ao filme. Até porque tem muito mais gente de peso no longa. Com Giselle Itié, por exemplo, o filme promete muita ação. Ele conta, ainda, com Mickey Rourke, Bruce Willis, Jason Statham, Jet Li e Eric Roberts no elenco e Arnold Schwarzenegger também faz uma ponta. Essa informação eu tirei da coluna de entretenimento do R7.

O filme trata de um grupo de mercenários que tem a missão de ir até um país da América do Sul para derrubar um ditador.

O que quero ver é se a pérola do diretor vai derrubar é a bilheteria dele...

 

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Aonde estão os pais?

11
ago
14h41

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 12/08/2010 ÀS 15H24 

Essa pergunta martelou na minha cabeça. Foi enviada por um telespectador de 21 anos e abordou um assunto polêmico: quais são os referencias para falarmos sobre “pedofilia”? Sem transformar o "blog" num consultório "sentimental" ou "jurídico" resolvi me aprofundar no assunto. Veja só o questionamento: 

"Eu ficava com uma garota e a gente transou. Eu tenho 21 e ela 14 anos. Ela quer me denunciar por pedofilia. Isso é considerado pedofilia ?" Gabriel - 21 anos 

Caro Gabriel, não podemos misturar envolvimento com menores, no sentido de "exploração sexual", - caso do motorista de caminhão da postagem original - e envolvimento entre pessoas de idades diferentes em relacionamentos afetivos - o que me parece ser o seu caso já que estavam "ficando". 

pedofilia41 Aonde estão os pais?

Pedofilia: definições confusas aos olhos da lei. / Foto: internet

Precisamos definir bem alguns conceitos: o que é pedofilia e o que é abuso de menores. Pedofilia é o fato de se ter predileção por "crianças". Isso não é crime se o "pedófilo" não partir para praticar a "pedofilia" envolvendo a "exploração sexual" dessa  menor. Entende?

O problema é que o termo, em si, não define o que exatamente é ser “criança”. Daí parte-se para o que a lei define! A lei diz que abaixo dos 14 anos, por mais que haja maturidade sexual do menor envolvido, o caso é enquadrado com “estupro presumido”. Ou seja, o(a) adolescente ainda não tem discernimento completo de que “está mantendo uma relação sexual”. 

O texto que prevê essa interpretação é de 1949. Convenhamos, muita coisa mudou de lá pra cá. Uma menina(o) de 14 anos de hoje não é a mesma menina(o) de 51 anos atrás. Não dá nem para se comparar estatísticas da época com nossa realidade porque sequer havia pesquisa em 1949 que tratasse da idade em que adolescentes perdiam a virgindade. Minha avó, por exemplo, perdeu a virgindade com 15 anos porque se casou com 15 anos! Fora do casamento isso não era aceito, comentado ou sequer recolhido dado a título de estatística. Hoje, todos nós sabemos, a história é outra, levando-se em conta a sexualidade cada vez mais precoce. Mas vale o que está escrito na lei!

Em resumo, se fossemos levar o seu caso ao pé da letra, você  poderia ser indiciado por “estupro presumido” se ela tivesse menos de 14 anos. De acordo com advogados que ouvi para responder sua pergunta, você seria indiciado, mas não necessariamente condenado na justiça por isso. Os juízes “acompanham mais a evolução comportamental da sociedade do que necessariamente o que lei diz ao pé da letra. Cada caso é um caso” - resumiu um advogado questionado sobre o tema. 

Mas vale lembrar: essa explicação é jurídica. A sua situação se complica se o ato sexual for forçado, sem o consentimento dela ou relacionado à prostituição.   

Para encerrar, o que não podemos fazer é confundir relações amorosas, afetivas e sentimentais, entre pessoas de idades diferentes, com “violência sexual” ou “pedofilia” no sentido criminoso que damos à palavra. Na definição nua e crua de “pedofilia” até um adolescente de 15 que tivesse relações com uma menina de 14 poderia ser considerado pedófilo sim, sem que isso necessariamente configure em um "crime". 

Como pode ver, nossa legislação as vezes é dúbia e cheia de dúvidas até mesmo na cabeça dos próprios juristas que tem opiniões divergentes sobre um mesmo assunto. 

A dica? Evite relações - de qualquer tipo - se a menina tiver menos de 14 anos. Acima disso alguns juízes já consideram que a concordância da(o) menor faz toda diferença. 

O pior julgamento é o do preconceito. Acredite se quiser, quando tinha meus 23 anos, namorei com uma prima - dos 14 aos 18 anos dela - e com a concordância de toda a nossa família. Sem dúvida nenhuma foi um grande amor da minha vida e não cabia alí relação "pedófila" nenhuma em sua definição criminal... 

________________________________________ 

POSTAGEM ORIGINAL: 

Um caminhoneiro que saía da Bahia para o Rio de Janeiro vê a oportunidade pedindo carona: três meninas, de 11, 12 e de 16 anos na margem da rodovia. À partir daí ninguém mais sabe o que se passa, senão os quatro - por um tempo médio de 25 horas de viagem - à bordo da cabine de um caminhão. As meninas contam que duas foram estupradas. Só a menor foi poupada pelo suposto “pedófilo”. 

caminhao pisca Aonde estão os pais?

Imagem ilustrativa: internet

Quando damos uma notícia dessas eu sempre me questiono: aonde estão os pais dessas crianças? O que elas estavam fazendo na beira de uma estrada? As perguntas, nem de longe são uma justificativa para a atitude criminosa de motorista. Mas é questionável se tal prática é motivada por um ato alucinado e isolado de um motorista de caminhão ou se isso, em algumas de nossas principais rodovias, é muito mais comum do que imaginamos. Mais uma vez o que tento fazer aqui é aprofundar o raciocínio para as causas das mazelas sociais que vivemos e não apenas para as consequências. O caso do caminhoneiro, na minha opinião, é apenas a ponta de linha do novelo. 

Casos como este não tendem a acontecer apenas por causa de uma mente pedófila. São uma série de fatores que se juntam e acabam resultando em um crime. É como um acidente de avião: é preciso bem mais que um único fator mecânico ou humano para que uma aeronave despenque do céu. 

 No caso do motorista, a “veia criminosa” dele para estuprar pode não ter sido o único motivador. A facilidade e a banalidade com que o assunto "prostituição" é tratado faz com que se encontram meninas - até mais novas - na beira das estradas. Repito, pisando em ovos ao escrever esta postagem, que nada justifica a atitude de quem estupra! Dizer que o estupro aconteceu simplesmente porque as meninas estavam lá, na estrada, é elementar demais. É o mesmo que dizer que a culpa de ser estuprada é da mulher que insistiu na míni-saia: argumento falido... 

pedofilia Aonde estão os pais?

Imagem: campanha "Brasil contra a pedofilia".

 A certeza da impunidade é a principal resposta. Impunidade que passa recibo quando, em muitas estradas - principalmente do nordeste - policiais sabem onde essas meninas estão “trabalhando”; sabem quanto elas cobram e aonde os programas são feitos! Tudo é tão “institucionalizado” que parece comum. Poder público que falha e pais ou responsáveis que se omitem. 

Daí eu volto para o começo do texto, para o começo do raciocínio. Cadê os pais dessas meninas? O que elas estariam fazendo na beira da estrada pedindo carona?

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Demagogia "on the rocks"

9
ago
15h46

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A cultura do "beber é cool" na adolescência. / Foto: R7

O discurso é impressionante: uma mãe é acusada de deixar a filha - de apenas 11 meses - em casa e sair para beber. Os familiares dizem que ela sofre de um mal que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, afeta 3 em cada dez pessoas que bebem em todo o planeta: o alcoolismo.

O problema - além do vício neste caso - é que a criança foi encontrada morta, sozinha em casa, enquanto a mãe estava bebendo. Ninguém sabe explicar como aconteceu, ninguém sabe explicar o porquê. Ela é questionada pela repórter se deixou mesmo a criança sozinha para ir beber. A mulher responde: “Não! Muito pelo contrário.”  (?)

O que essa resposta significa? Você consegue traduzir? No “RJ Record” de hoje vamos tentar desvendar esse mistério, mas meu foco aqui é outro. O caso desta mãe é apenas "gancho".

Não vou fazer aqui espaço fértil para os julgamentos no melhor estilo “mundo cão”. Mas é de impressionar a situação que uma pessoa chega quando o assunto é dependência química. Sim, porque quando falamos de dependência em relação ao álcool, também estamos falando de dependência química, certo? Uma dependência que, pelo fato de ser relacionada a uma “droga lícita” parece não impressionar tanto.

Não vi ninguém levantar bandeira de tratamento para dependentes do álcool. Não vi nenhum discurso inflado contra o uso exagerado do mesmo. Beber, na nossa sociedade, é bonito, é sinal de masculinidade ou de ser “descoladinho” algumas vezes. Quem bebe e nunca ficou “alegrinho” demais que atire a primeira pedra. Eu não passo incólume por essa não! Aprendi que beber puro, no estilo "cowboy" ou com pedrinhas de gelo - "on  the rocks" - é sempre bacana. Entre o “alegrinho” e o "dependente" há um abismo de diferenças, claro. Mas tudo começa no primeiro gole, assim como tudo começa no primeiro “baseado” ou na primeira “carreirinha”.

bebida 2 Demagogia "on the rocks"

Alcoolismo: 3 em cada 10 pessoas que bebem desenvolvem podem desenvolver o problema. Foto: ilustrativa / Internet

 O álcool é luxo. As drogas são lixo. A demagogia vem diluída como que em um “drink” daqueles bem caros. Acho que a gente pode pensar mais sobre esse caso e se questionar: o que fala mais alto é o potencial ofensivo da “droga” ou a indústria por trás dela?

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