Demagogia "on the rocks"

9
ago
15h46

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A cultura do "beber é cool" na adolescência. / Foto: R7

O discurso é impressionante: uma mãe é acusada de deixar a filha - de apenas 11 meses - em casa e sair para beber. Os familiares dizem que ela sofre de um mal que, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, afeta 3 em cada dez pessoas que bebem em todo o planeta: o alcoolismo.

O problema - além do vício neste caso - é que a criança foi encontrada morta, sozinha em casa, enquanto a mãe estava bebendo. Ninguém sabe explicar como aconteceu, ninguém sabe explicar o porquê. Ela é questionada pela repórter se deixou mesmo a criança sozinha para ir beber. A mulher responde: “Não! Muito pelo contrário.”  (?)

O que essa resposta significa? Você consegue traduzir? No “RJ Record” de hoje vamos tentar desvendar esse mistério, mas meu foco aqui é outro. O caso desta mãe é apenas "gancho".

Não vou fazer aqui espaço fértil para os julgamentos no melhor estilo “mundo cão”. Mas é de impressionar a situação que uma pessoa chega quando o assunto é dependência química. Sim, porque quando falamos de dependência em relação ao álcool, também estamos falando de dependência química, certo? Uma dependência que, pelo fato de ser relacionada a uma “droga lícita” parece não impressionar tanto.

Não vi ninguém levantar bandeira de tratamento para dependentes do álcool. Não vi nenhum discurso inflado contra o uso exagerado do mesmo. Beber, na nossa sociedade, é bonito, é sinal de masculinidade ou de ser “descoladinho” algumas vezes. Quem bebe e nunca ficou “alegrinho” demais que atire a primeira pedra. Eu não passo incólume por essa não! Aprendi que beber puro, no estilo "cowboy" ou com pedrinhas de gelo - "on  the rocks" - é sempre bacana. Entre o “alegrinho” e o "dependente" há um abismo de diferenças, claro. Mas tudo começa no primeiro gole, assim como tudo começa no primeiro “baseado” ou na primeira “carreirinha”.

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Alcoolismo: 3 em cada 10 pessoas que bebem desenvolvem podem desenvolver o problema. Foto: ilustrativa / Internet

 O álcool é luxo. As drogas são lixo. A demagogia vem diluída como que em um “drink” daqueles bem caros. Acho que a gente pode pensar mais sobre esse caso e se questionar: o que fala mais alto é o potencial ofensivo da “droga” ou a indústria por trás dela?

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