"Falso-médico" ou "falso-plano" ?
ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 17/08/2010 às 14h29
Porque um estudante de medicina que se passava por médico pode ser indiciado por tráfico de drogas?
A pergunta chegou ontem por meio do Twitter e achei que seria uma bela oportunidade de explicar isso aqui. Inclusive porque eu também tive a mesma dúvida quando as apurações começaram! (Leia a postagem original para entender o caso.)
A explicação policial é simples: no momento em que ele atendia a menor de 5 anos, a primeira suspeita era que a de ela tivesse tido uma convulsão. A iniciativa do rapaz foi telefonar para a médica responsável e perguntar o que fazer. De acordo com a polícia, a orientação veio da médica que já está presa: aplicar um anticonvulsivo na veia da criança. Foi exatamente o que ele fez.
No entendimento da delegacia que cuida do caso, foi passado "às mãos" de rapaz um remédio que é considerado alucinógeno - uma droga - que por sua vez foi aplicada na pequena Joana. O fato de "receber" o remédio e "repassar", aplicando ou não, caracterizou para a polícia tráfico de drogas.
Honestamente não sei se, num futuro julgamento na justiça, existe alguma diferença jurídica entre essa interpretação e a interpretação que estamos tão acostumados: a de que tráfico de drogas é o fato de se vender maconha, cocaína e tantas outras substâncias afins.
Esse é um exemplo de que nossa lei possui muito mais meandros entre o céu e a terra do que nossa "vã filosofia" conhece de fato...
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POSTAGEM ORIGINAL:
Eu achava que a polêmica ficava por conta só da profissão de jornalista. Só que história do "precisa-não-precisa" de diploma parece ter chegado também à medicina.
Sarcasmos à parte... é inadmissível. Inconcebível que um estudante de medicina tenha atendido uma criança de 5 anos de idade, em um hospital da Zona Oeste do Rio, como se fosse médico formado. A criança foi liberada estando desacordada! Para complicar ainda mais a situação, não era um atendimento comum: era o atendimento a uma criança que tinha suspeita de agressões. A principal suspeita dessas agressões recai sobre o próprio pai da menina. Olha só a complexidade do caso para ela ser mandada para casa "dormindo", hein?
Seja para o hospital ou para a empresa terceirizada que fornece alguns médicos - como vem sendo feita a defesa do hospital - a punição é necessária. Ou quem sabe punição para os dois? Sim, porque quem coloca profissionais dentro de um hospital também é responsavel pelo o que ele faz lá dentro, certo? Minha percepção não permite uma analise mais profunda do ponto de vista jurídico, mas sim do ponto de vista de atendimento. E nesse caso, não adianta usar o velho discurso de que a culpa é da "saúde pública". Isso aconteceu, repito, em um hospital privado.

Câmeras gravaram: o "falso-médico" que liberou criança desacordada em hospital particular. / Foto: Portal "R7"
Queria entender o que acontece na nossa saúde, sabia? Não sei se isso é causa ou concequência. Se isso também é reflexo do problema com planos de saúde que, cada vez mais, pagam menos pelos procedimentos feitos. Isso obriga hospitais a "baratearem" as contratações colocando alunos para atender a gente? Óbvio que não justifica. Mas o fato é que, a cada dia que passa, mais clínicas, hospitais e médicos em seus consultórios, evitam se conveniar a alguns planos.
Minha mãe, por exemplo, não consegue fisioterapia em Brasília poque a 60% das clínicas indicadas pelo médico, até fazem o tratamento, mas batem a "porta na cara" do cliente quando o assunto é convênio. E ainda estou pegando leve com esta estatística, ok? Na verdade ela teve referência para se tratar em 11 clínicas. Destas, 6 delas, disseram "não" ao plano de saúde.
Posso entender com isso que nosso atendimento médico - que ainda se apoiava na rede particular - também está comprometido? Imagine quem não tem plano de saíde então...
Para encerrar uma charge ernviada pel leitora Mathyenne sobre o assuto que abordamos na sexta-feira: o ator Sylvester Stalonne e sua "paixão" pelo Brasil.









