Omissão
ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 19/08/2010 às 13h05
Sem pai nem mãe: abandono até depois da morte
Sei que um corpo inerte não possui emoções. Mas como seres humanos que somos, providos de poder da reflexão e da projeção de emoções, consigo fazer um exercício bizarro que, para muitos, poderia até ser considerado mórbido. Poucos minutos depois de sair do ar, após a edição de ontem do "RJ RECORD" eu me perguntava: "como essa criança morta se sentiria ao saber que nem o pai nem a mãe foram buscar seu corpo no IML e niinguém da família apareceu?
Devaneios meus à parte, o que quero mostrar aqui é que esse abandono - até do cadáver da criança - pode ser um bom indício de como era o cuidado que essa criança recebia dos pais ainda em vida. Se o garoto de 2 anos era constantemente agredido; apareceu morto sem explicações; a mãe - suspeita pelo crime - desapareceu e o pai ainda fugiu porque era procurado pela justiça em outro estado; o que pensar sobre os cuidados que essa criança recebia em vida?
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POSTAGEM ORIGINAL:
Mais uma história macabra no Rio de Janeiro. A cidade maravilhosa tem também suas nuances de terror quando se une a miséria, a baixa escolaridade e as drogas. Nesse caso não necessariamente estamos falando de tráfico. O problema teria sido o vício.
Uma criança foi encontrada morta em uma comunidade que fica ao lado de uma antiga fábrica que virou uma comunidade “indoor”. O pequeno menino tinha furos pelo corpo, uma tesoura ao lado e o mais impressionante: o irmão, de 3 anos de idade, brincado junto ao corpo, sem a menor noção do que tinha acontecido. Apesar da idade, o irmão mais velho não fala muito, mas confirmou aos policias que o irmão menor apanhou muito da mãe que seria viciada em drogas. As causas da morte? Isso ninguém sabe ainda.
É impressionante como as drogas consomem valores. Não há como imaginar outra possibilidade para um caso tão cruel e tão revoltante. Só mesmo vendo a expressão do pai ao encontrar o filho daquele jeito, para se conseguir avaliar - sem a a menor pretensão de chegar perto - a dor daquele homem. Isso considerando-se que realmente tenha sido a mãe a "executora".
Hoje abri o “blog” e me deparei com um comentário de um telespectador dizendo que eu desmerecia as instituições públicas com meus comentários. Nessa horas penso qual seria o comentário que faria quando vemos um caso em que a cobrança para o estado teria que começar desde a questão da habitação, educação, emprego e geração de renda. Se esse “bojo” básico não consegue ser atendido em nosso país, como cobrar o “luxo” de um atendimento público para dependência química?
Acho que o problema de nós, brasileiros, é a banalização. Achamos tão normal não ter atendimentos básicos, simplórios, que quando cobramos tudo parece exagero.
O nosso poder público é falho. O nosso país arrecada e é omisso na assistência à população. O resultado vem onde os olhos públicos não estão, como neste triste caso, da criança supostamente assassinada pela própria mãe.
Para ilustrar bem essa banalização a que me refiro, reproduzo aqui uma imagem "campeã" do fotógrafo Evandro Texeira que retrata bem como essas mazelas cariocas são tão corrqueiras que muitas vezes não valem mais rostos assustados, e sim um sorriso, quase que em uma leitura "isso por aqui é normal".











