O tráfico o "leão" e o "rato"
ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 24/08/2010 às 13h40
Cadê os fuzis da Rocinha?
A prova de que o tráfico não é "leão" e sim, pelo tamanho, "rato": onde estão os fuzis que eram ostentados no alto do Borel e da Rocinha para mostrar o poder de fogo do crime organizado? O relato - não apenas de policias - mas de nossos repórteres é de que o clima na Rocinha é de um "pseudo-desarmamento" depois dos problemas do último fim de semana.
Os negócios não estão parados, mas tudo acontece de forma mais "velada". Há quem diga até que o traficante "Nem" estaria escondido. Escondido acredito, fora da comunidade não. Assim como também não acredito na possibilidade, repito, de que ele se desse ao trabalho de sair da camunidade onde vive "sitiado" para visitar um baile funk em outro morro.
A informação é que a Rocinha tem hoje cerca de 400 homens trabalhando para o tráfico. Não sei se chega a tanto, mas vamos a um cálculo rápido: se considerarmos turnos de 8 horas, teriámos por turno, à postos, 133 homens. É muito, mas não é tanto. Na sua opinião daria ou não para invadir e buscar quem se quisesse lá dentro?
É preciso separar o que é folclore e o que é realidade. E pelo menos hoje tenho certeza de que o tráfico é bem menor do imaginamos, embora seja organismo pensante...
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POSTAGEM ORIGINAL:
Já ouvi dizerem que se um dia as favelas resolvessem “descer” do morro facilmente tomariam conta de todo o Rio de Janeiro. A densidade populacional nessas comunidades está aí para tentar endossar essa teoria. A Rocinha, por exemplo, ocupa 4 vezes menos espaço que todo o bairro de São Conrado. No entanto tem aproximadamente 4 vezes mais gente morando!
São duas “São Conrados” diferentes. Uma do luxo, do metro quadro mais caro do Rio de Janeiro; e a outra é a São Conrado da Rocinha, da maior comunidade da América Latina. Duas facetas de extremos em um bairro diminuto.
O raciocínio da favela descer do morro e controlar a cidade é no mínimo falacioso. Para isso ser verdade teríamos que considerar que todos nos morros são bandidos, certo? Isso é pra lá de mentiroso.
Você realmente acredita que enquanto aqueles homens estavam causando desordem em São Conrado a Rocinha tinha um exército numeroso na retaguarda, vigiando a “fortaleza” do morro? Dá para acreditar que todo aquele comboio, o chamado “bonde” era apenas para levar alguma droga em plena luz do dia e não o chefe de venda delas?
Quem já subiu morro pelo menos uma vez na vida sabe: o tráfico não é um exército tão numeroso como imaginamos. O tráfico, na verdade, é “apenas” um exército articulado e potente do ponto de vista de logística e armamento. Não são tantos “postos de trabalho” no crime como imaginamos ou tememos.
Me responda: em alguma comunidade onde já foi instalada UPP houve uma fuga de pessoas mudando de endereço tão significativa assim a ponto de vermos casas vazias, pontos abandonados e esquecidos? Isso nunca aconteceu embora haja um fluxo natural - de poucos - em busca de novas áreas de atuação.
As imagens que vimos este fim de semana induzem a esse tipo de raciocínio perigoso e até preconceituoso de que a favela pode “tomar” a cidade.
Aqueles que vimos invadindo o Hotel Intercontinental não representam uma maioria e sim uma “porção”. O tráfico de drogas é menor, infinitamente menor do que imaginamos. A questão, repito, não é tamanho e sim a ameaça. Nesse caso uma ameça maior à nossa cidade do que pode representar a ameça da polícia aos criminosos. É uma questão de inteligência.
Nós supervalorizamos o tráfico porque nosso poder público não consegue combate-lo. A estratégia de fazer o rato parecer um leão é atrativa aos olhos de quem precisa justificar uma inoperância histórica. O tráfico está mais para o rato da história do que para leão.
Se for verdade que o “bonde” estaria escoltando o chefe do morro da Rocinha - mais conhecido como “Nem” - isso significa que o “Nem” pode entrar e sair da Rocinha quando bem entende. Mas se a essa mesma teoria for falsa pior ainda! Prova-se que o “Nem” não é “nem” louco de sair da Rocinha à toa. Resumindo então: em qualquer um dos casos daria para saber facilmente onde o traficante está dentro da nossa cidade. Porque ele nunca foi capturado?
A gora que a confusão passou como é que fica? A Rocinha continua lá e o “Nem” também. Será que não falta é vontade de se querer, de fato, encontrar o que se procura?
A polícia agiu corretamente e de forma eficaz no sábado. Mas não podemos deixar de lembrar que essa mesma polícia também carrega um passivo histórico por ter deixado o clima chegar a esse ponto no Rio de Janeiro.
Uma pena que nosso país só dirija os olhares a essa realidade - recoberta por um verniz de que “eles são poderosos demais” - quando os tiroteios invadem o asfalto, preferencialmente nas áreas mais caras da Zona Sul.












