Quando bandido quer ser juiz eleitoral

25
ago
13h06
 ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 26/08/2010 às 14h02

 "Meu bolso" Linha Aéreas 

ana Quando bandido quer ser juiz eleitoral

Ana Hickmann. / Foto: divulgação Record.

A Ana Hickmann pode não entender muito de transporte de presos. Não é o negócio dela. Mas nossa colega entende de custos de viagem como ninguém. Acostumada a cruzar os céus em compromissos por todos os cantos do país,  Aninha não é de esbanjar como nosso poder público vem fazendo. 

Se o Rio de Janeiro tivesse uma companhia aérea só para cuidar da transferência de presos ela, sem dúvida, teria esse nome: "meu bolso linhas aéreas". Na verdade, como não se trata de nenhuma sociedade anônima, poderia ser "nosso bolso", numa clara referência a quem paga a conta.  

Vamos às comparações. Na justiça não funciona assim? Se você entra com um ação contra alguém e perde, além dos custos com o seu advogado você ainda paga o advogado de quem foi acionado injustamente. Com presos poderia valer o mesmo. Não estou sugerindo que a conta do metanol usado no avião que levou os traficantes da Rocinha para um presídio no norte do Brasil seja entregue, em boleto bancário, na porta do traficante "Nem". Até porque bens do tráfico já são automaticamente penhorados quando apreendidos. Mas no caso do goleiro Bruno, isso devia entrar em uma "pendura" a ser cobrada do bolso do réu caso ele venha a ser condenado. O que acha? Já li que há projetos de lei em países da Europa - como a Holanda - para que o dinheiro gasto com transferências assim retorne aos cofres públicos. 

Numa rápida pesquisa descobri que a passagem pormocional, por exemplo, entre Rio e Porto Velho sai - na Gol - por R$ 839,00. Se são dez presos já iriam aí R$ 8.390,00. Como a gente está considerando que, na verdade, eles viajaram em avião menor, no estilo "executivo", aí a cifra pode saltar para mais de 15 mil reais pelo "charter".

Para não pensarem que estou louco, explico onde a Ana Hickmann entra nessa. Outro dia ouvia a produção do "Hoje em Dia" conversar sobre o custo de um helicóptero para levar a apresentadora do Rio para um evento em Angra. Sabe quanto sairia a viagem? A bagaleta de 5 mil reais. O curioso é que a própria Ana preferiu ir de carro para cortar custos! No final das contas o helicóptero acabou levando sim a nossa loira mais querida, já que era interesse do hotel envolvido recebê-la. O custo foi dele.

Então eu me pergunto: se a Ana Hickmann pode viajar de carro com seus 1,20m só de pernas, porque o goleiro Bruno e o Macarrão não podem vir ao Rio de viatura policial?

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Chegada de Bruno e Macarrão ao Rio: transferência em avião da Polícia Civil. / Foto: "O Dia".

  

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POSTAGEM ORIGINAL:

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Ônibus queimado: outra ação do tráfico que se acha "juiz eleitoral" em Macaé. / Foto: "O Dia".

Para mim a função sempre foi bem clara: juiz eleitoral é aquele que decide sobre legitimidade de candidatos, sobre o que é certo e o que é errado durante o período de pleito. Mas quando bandido resolve se passar por juiz eleitoral é porque alguma coisa está errada em nossas comunidades.

A história desses supostos traficantes que se achavam no direito de "selecionar" quais candidatos podiam fazer campanha nas comunidades aconteceu em Macaé, no norte do estado do Rio. A policia descobriu o esquema depois que candidatos se queixaram de não poder entrar em algumas áreas dominadas por traficantes. Por decisão da justiça os quatro presos vão ficar longe de seu "reduto eleitoral". Eles foram transferidos aqui para o Rio de Janeiro sob um forte esquema de vigilância da Polícia Federal. Depois do ocorrido agora é regra: equipes da Polícia Federal continuam nas ruas da cidade, acompanhando os candidatos durante a campanha. Se você acha que isso é coisa que só se passa em Macaé surpreenda-se: aqui no Rio já há casos de candidatos que foram proibidos de entrar em comunidades.

Minha pergunta: que situação de domínio da criminalidade é essa que candidato precisa de escolta da polícia para conseguir fazer campanha política? 

 

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