Arrastões: o tráfego do tráfico.

29
set
13h36

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 30/09/2010 às 14h23

Já percebeu que a mudança no perfil do crime por causa das Unidades de Polícia Pacificadora no Rio também afeta diretamente crianças e adolescentes? Parece loucura mas não é. O "troca-troca" de funções, fazendo "traficantes" virarem "assaltantes" - o que descrevi na postagem original - serve para quem já está "consolidado" no tráfico, digamos assim. Gente que já vivia das drogas e agora precisa de outra fonte de renda. 
 
 Mas sabemos que não é só de traficante conhecido ou experiente que vive o comércio de entorpecentes. Para suprir as baixas que o tráfico sofre - como em qualquer "carreira profissional" -  há sempre a necessidade de novos ingressos ao mercado. Aí que entra aquela história de jovens aliciados pelo tráfico, que começam como "olheiros" ou "aviõezinhos" e vão sendo promovidos aos poucos. Prosseguindo então o nosso raciocínio: pra onde vão então esses jovens que entrariam para o tráfico nessas comunidades onde esse comércio já está - teoricamente - sufocado?  A resposta pode estar no novo aliciamento que surge para que esses jovens ingressem agora em novos crimes, novas fronteiras para a bandidagem. Raciocínio explícito na sonora de um delegado, entrevistado hoje, quando falava justamente sobre o aumento de menores envolvidos em assaltos à mão armada na Baixada Fluminense.

menor Arrastões: o tráfego do tráfico.

Menores no crime: estatística mostra aumento de crimes envolvendo adolescentes no Rio. / Foto: jornal "O Globo".

  
É importante frisar aqui - sem nenhum ar professoril ou de autoridade nesse tipo de assunto - que é nessa hora que o estado precisa ser atuante. É nessa hora que esses jovens precisam ter opções. É quando o tráfico enfraquece e menores não tem mais essa alternativa tão tentadora de lucros - fáceis e rápidos - que é preciso investir em educação, cursos profissionalizantes. Em outras palavras: alternativas! 
 
Que o poder público haja rápido para depois não precisar mudar o seu eixo do argumento quando explica porque não consegue combater o tráfico de drogas. Hoje a culpa é do usuário, né? Se essa massa traficante - e a de "new-comers" adolescentes - seguir para arrastões e assaltos à motoristas, não vai adiantar dizer que a culpa é nossa por comprarmos carros... 
 
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POSTAGEM ORIGINAL:

arrastão JB 240x300 Arrastões: o tráfego do tráfico.

Vítimas do último arrastão no Jardim Botânico na delegacia. O quinto caso desde segunda. / Foto: jornal "O Dia".

Assim como nosso mercado de trabalho, o mercado da criminalidade é dinâmico. Tem sempre aquelas profissões que estão em alta ou em baixa. Ao que tudo indica, no Rio de Janeiro, a "profissão" traficante está dando lugar a "profissão" assaltante. As Unidades de Polícia Pacificadora "varreram" (?) a criminalidade ligada às drogas, mas trouxeram para o asfalto a droga dos arrastões. Eles estão de volta - e a todo vapor - aterrorizando motoristas do Rio de Janeiro. Hoje foi registrada a quinta ação de roubo em sequência desde a segunda-feira à noite. Em outras palavras, para não "tucanar" o crime: cinco arrastões em pouco mais de 24 horas. 

O desafia do próximo governador do Rio - que deve ser o mesmo Sergio Cabral de acordo com as pesquisas - vai ser esse: lidar com os reflexos de uma política de segurança que vem dando certo, mas que carrega, à reboque, seus próprios reflexos. Há muito tempo as ações criminosas na Baixada Fluminense, em Niterói e em São Gonçalo são destaque em nossos telejornais. São notícias de violência no asfalto, bem como notícias até de pagamento de pedágio para chefes do tráfico - foragidos de suas comunidades de origem -  se esconderem no Complexo do Alemão, ainda considerado uma fortaleza impenetrável pelo tráfico. 

fuzil Arrastões: o tráfego do tráfico.

Fuzil MT-40. Arma usada pela PM. Uma das mais procuradas por bandidos. / Fonte: ISP/RJ. / Foto: fabricante.

Não precisa ser especialista - destes que analisam esse " tráfego do tráfico" - para perceber: se nada for feito agora,  o panorama pode não ser muito positivo para o interior do estado, bem como para os estados vizinhos nos próximos anos. As cidades interioranas, que já tinham uma participação considerável no tráfico, estão registrando cada vez mais ocorrências deste tipo. Traficantes de cidades da Região do Lagos, por exemplo, estão não só alargando seus domínios, como também aumentando sua movimentação de chegada e saída de entorpecentes. As cidades ao redor do Rio de Janeiro estão sendo os novos "entrepostos" comerciais da droga em substituição à algumas comunidades ocupadas. Aliado a este fato temos que considerar ainda que quando todo esse movimento cresce, também aumenta a corrida armamentista em busca de mais equipamentos para proteger seus negócios. Afinal de contas, se uma facção se move, é certo que as concorrentes também se moverão e recomeça a disputa por território. 

tropa1 Arrastões: o tráfego do tráfico.

Cena do filme "Tropa de Elite". O tráfico, aos poucos, vai mudando de endereço. / Foto: divulgação.

Se essa história lhe parece familiar, saiba que você, leitor, não está errado. Esse retrato é apenas um "remake", um filme repetido, de como teve início historicamente a mazela número um da capital fluminense: o tráfico de drogas. A principal arma agora é a experiência. É não esquecermos de usar esse conhecimento adquirido para não deixar que o problema brote de novo, só mudando de endereço. O Rio está tendo a chance de um novo começo. Resta saber o que vai ser feito de diferente já que, agora, o tráfico está aparentemente mais longe, embora os arrastões estejam notoriamente mais perto. 

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A turbulência, as palavras e a sopa…

27
set
14h38

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 28/09/2010 às 13h34

avião mal 150x150 A turbulência, as palavras e a sopa...Já que o assunto é problemas nas alturas, a situação não anda bem - nem mesmo em terra firme - para a empresa aérea Webjet. Desde ontem o aeroporto Santos Dumont é um caos só por causa de atrasos e cancelamentos nos voos. Hoje não foi diferente. Até as 10h da manhã, 49% de todos os voos da Webjet tinham atrasos monstruosos ou cancelados. O absurdo maior foi dar a notícia de que a empresa teve a cara de pau de oferecer vans para levar os passageiros à São Paulo. Eu disse vans no lugar de aviões! É mole? Se a ainda fosse a "sepultada" empresa BRA, que se auto intitulava empresa "rodo-aérea" tudo bem. Mas para o público basicamente executivo que frequenta a ponte-aérea, essa proposta chega a ser vergonhosa.

O motivo de tanta confusão eu resolvi apurar conversando com dois pilotos da empresa que, claro, não querem se identificar: a legislação recente, já em vigor, prevê que pilotos não podem ter mais que 85 horas de voo por mês. Uma questão de segurança para quem tem tanta responsabilidade em levar as nossas vidas, como bem disse a Luciana Liviero hoje, "à  bordo" do "Record Notícias".

webjet A turbulência, as palavras e a sopa...

Avião em manobra para decolagem: cena rara no Santos Dumont. / Foto: divulgação.

Ficou a pergunta martelando na minha cabeça: se a empresa teve que cancelar quase que metado de suas partidas nesta terça-feira, posso entender que metade dos pilotos fazia o dobro de sua carga horária regular? Era gente cansada e sonolenta - trabalhando em dobro - que estava pilotando aqueles aviões todos lá em cima? Não. Não vou nem tocar no quanto essa sobrecarga me assusta se passarmos para o tópico "manutenção das aeronaves".  

Não entendo como uma empresa aérea não se antecipa a este tipo de problema. A legislação pode ter começado a vigorar recente, mas o conhecimento de que as regras iriam mudar não foi algo que ficou pelos ares. Ainda assim novas passagem eram vendidas e nenhum voo remanejado. No site da empresa não tem uma linha sequer explicando algo sobre os problemas.

Vou passar o telefone de quem administra a massa falida da saudosa Varig aos dirigentes da Webjet. Tenho certeza que bons pilotos sem emprego não faltam no mercado aeroviário. Para encerrar, uma charge da época do caos aéreo, que esperamos que esteja restrito a Webjet desta vez.

charge A turbulência, as palavras e a sopa...

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POSTAGEM ORIGINAL:

 

Essa é para os incrédulos. Que as palavras tem poder não se discute. A experiência que vive neste fim de semana prova isso e é o que relato à partir de agora. Tudo fruto de uma brincadeira que começou na redação.

Marcos “Miquimba” e Jorge são assistentes de estúdio. Brincalhões e artistas por natureza, ambos tem fama de “boca santa”. Tudo que falam acaba acontecendo. Na semana passada a brincadeira foi sobre avião. Quem nunca passou sufoco à bordo dessas “águias de ferro” criadas pelo homem, hein? Elas voam, claro. Mas o piloto também depende do tempo, da meteorologia, em resumo, da boa vontade de São Pedro. Jorginho e Miquimba, brincando depois de vermos tantos acidentes aéreos que aconteceram na semana passada pelo mundo, disseram com todas as letras: “cuidado com o próximo voo que você pegar para os plantões em São Paulo. Esse avião pode não chegar!”.

avião1 A turbulência, as palavras e a sopa...

Turbulência é o nome dado à movimentação do ar em grandes altitudes e que faz com que o avião balance. / Foto: "Abril Escola".

Aqui cabe um aparte: se você acha a brincadeira pesada demais não se assunte: não é nada pessoal. Os dois “malucos” vivem “prevendo”acidentes, mazelas e outros problemas afins para quem pisa nos calos deles. Detalhe: não pisei em calo nenhum. O problema foi estar no assunto errado e na hora errada em frente à TV quando o assunto era só desastre aéreo. Motivado pela sensação de insegurança que as reportagens deixaram, acho que fui o premiado, certo? Mas não dei bola nenhuma para o papo.

Na sexta-feria à noite, no embarque, parecia apenas mais um voo, desses que tomo pelo menos de 15 em 15 dias. Mas quando o avião subia a “maldição” dos dois parece que virou realidade. Da brincadeira para a vida real, o trajeto Rio-São Paulo foi uma turbulência só. Mas uma turbulência daqueles que nem serviço de bordo teve! O comissário dizia e eu ouvia de “rabo de orelha” sentado na última poltrona. “O serviço de bordo hoje era servir sopa. Não vai dar...”

sopa A turbulência, as palavras e a sopa...

Sopa e palavras: as experiências que nos fazem pensar. / Foto: internet

Imagine servir sopa promocional - daquelas empresas que vivem lançando sopas instantâneas em sachê - num voo onde não dá nem para afrouxar o cinto de segurança? Foi um “treme-treme” só a tal viagem. Na boa mesmo: nem queria a tal sopinha. Só queria que aquele avião lotado parasse de tremer que nem uma batedeira. Só lembava dos dois gaiatos, mas na hora não dava parar rir. Tenho certeza que perto de mim tinha gente com muito menos “horas de voo” e que estava num sufoco ainda maior. A tremedeira parou... mas só quando pousamos.

Li certa vez que nós constantemente causamos aquilo que tememos. O raciocínio psicológico é que tanto que “invocamos” aquela situação num intuito de precaução que acabamos “atraindo” aquilo. Será? A postagem de hoje é uma crônica para mostrar que me peguei pensando nisso. O quanto nossas palavras tem poder e não percebemos isso, por mais que você, como eu, também se questione se não foi mera coincidência. Eu definitivamente não acredito em coincidências. Mas também não acredito que foi fruto dos dois amigos “faladores”. Acho que foi experiência para me fazer pensar.

Quem criou aquela máquina voadora foi sim o homem. Mas a sabedoria certamente não veio por geração espontânea de nossa raça. Acredito piamente em inspiração divina. E se isso faz parte do conjunto universo das coisas em que creio, como não acreditaria no poder das palavras?

Além da reflexão também aprendi mais: quando encontrar com Miquimba e Jorginho, vou dizer sempre, antes de mais nada, como diria minha avó: “vira essa boca pra lá...”

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Lixo Voador.

24
set
14h58

mal educado Lixo Voador. A postagem de hoje é para quem gosta de fazer da janela de casa um festival de "arremesso livre de lixo". Não é modalidade olímpica, mas se depender de alguns moradores sujões de um condomínio do Humaitá, zona sul carioca, bem que poderia virar esporte. Um esporte onde a "premiação" é uma multa salgada...

O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro condenou o condomínio a pagar aproximadamente R$ 38 mil de indenização por danos morais e materiais a três vizinhos, proprietários de uma cobertura ao lado. Eles tiveram a área do imóvel suja por lixo atirado das janelas do edifício vizinho. Não era um problema para se resolver apenas com uma boa varrida. Foi mais sério que isso. A sujeira jogada causou prejuízos como a quebra de calhas, que provocaram inundações e infiltrações.

Na sentença, o juiz da 28ª Vara Cível, Magno Alves de Assunção, frisou que o condomínio deve cumprir as restrições impostas aos moradores, contidas no Direito de Vizinhança e no Estatuto da Cidade. Segundo o processo, as fotos dos autos são suficientes para demonstrar as perdas por causa do lixo atirado do prédio vizinho. 

lixo janela Lixo Voador.

Lixo pela janela: punição com multa./ Foto: imagem ilustrativa.

O texto da justiça: "...A vida moderna nos impõe limitações ao modo de exercer nossos direitos e cumprir nossas obrigações em benefício de uma vida pacífica e harmoniosa em sociedade." O juíz falou o óbvio mas que precisava ser dito. No meu prédio, por exemplo, minha varanda as vezes é um lixão do que outros moradores de cima lançam.

Só para encerrar e passarmos o fim de semana repensando nosso "lixo voador" - como diz minha síndica em suas circulares -  vale lembrar que se o lixo continuar sendo jogado no telhado da cobertura vizinha, será aplicada multa diária no valor de R$ 5.000 e mais R$ 200 por item lançado! Imagina uma latinha de cerveja custar R$200 reais num arremesso, hein? É o preço de ser "sujão".

Isso me lembrou um caso antigo: o de uma "socialite" famosa do Rio de Janeiro que há algum tempo virou notícia por se declarar praticante desse "esporte" e ainda por cima mostrar como se faz na frente de uma câmera. Outro dia encontrei com ela durante o lançamento do livro do Marco Camargo do programa "Ídolos". Calma e serena, não parecia ser a mesma pessoa. Tive uma boa impressão dela. Pelo menos no caso dos "ovos voadores" acho foi só um "ai que loucura" dela, sem prejuízo para ninguém. Os amigos garantem que se for para jogar algo pela janela, Narcisa agora só pensaria em flores...  

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A cobertura da maconha.

22
set
16h27

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 23/09/2010 às 16h52  

Como sempre o assunto "drogas" é polêmico e rendeu excelentes comentários. Vou destacar aqui três deles que me chamaram a atenção. São opiniões diferentes, mas com um objetivo em comum: discutir o assunto. Acho que é isso que falta em nosso país. Abrir o fórum pra ouvir o que as pessoas pensam, sem que isso se transforme em "castração moral" muito menos em "apologia às drogas". Veja só:  

pés A cobertura da maconha.

Pés de maconha apreendidos: assunto que gerou polêmica. / Foto: internet.

 

"Maconha é ilegal e é crime portá-la, usá-la ou cultivá-la. Qualquer pessoa que tem um mínimo dos mínimos de informação sabe disso. Mas está sendo feito muito alarde em virtude de serem cento e tantos pés de maconha plantados na cobertura. A maioria das pessoas desconhece que um pé de maconha - plantado de forma caseira,  ainda que em estufas - rende, no máximo, cerca de 200 a 300 gramas de maconha ativa, ou seja, maconha que tem teor de THC - a substância ativa da maconha. Uma safra desta renderia no máximo uns 3 kg de maconha. Realmente parece uma quantidade exagerada para consumo, mas se levarmos em consideração que só haveria uma próxima safra em um período entre 6 a 8 meses, dividindo-se esses 3 kg por 6 meses daria uma média de 500g - ou meio quilo -  por mes. Levando-se ainda em conta que o consumo médio de um usuário frequente (todos estes dados foram buscados em pesquisas médicas e psicológicas) estaria em torno de 100 g por mês, o resultado final dividido por mês, para cada um dos dois, daria um total de 200g de maconha. O que evidencia que haveria mais gente participando desta "empreitada agrícola". São eles bandidos na completa acepção da palavra? Talvez. Porém, o que me parece é que era uma "empreitada agrícola grupal" com fins de realizar-se uma colheita e uma divisão entre mais pessoas e não uma empreitada destinada ao tráfico." - Segadas Vianna.  

"Se eu não me engano a perseguição, por lei, da maconha aqui no Brasil se deu por volta de 1912. Mas o cultivo e uso dela é muito antigo, por várias religiões, onde grande parte dela atualmente se encontra extinta. Não acho legal liberarem o uso da maconha aqui no Brasil, pois se o governo não controla quando é proibido, quem dirá liberado. A plantação de maconha é mais comum do que nós pensamos. Eu sou contra a liberação da maconha. Nossa sociedade não está preparada pra isso, pois existe uma diferença cultural entre Holanda e Brasil." - Matienne Almeida  

"A questão da maconha é muito ampla. Eu fumo todos os dias, há mais de 10 anos. Hoje tenho 28 anos, sou funcionario público concursado efetivo, vamos dizer “acima da média”. Me destaquei nos estudos e me destaco no trabalho. A MACONHA NUNCA ME ATRAPALHOU. Fui preso certa vez acusado de tráfico. Peguei uma quantidade maior para meu consumo, queria estocar, pois estava em falta na época. Até provar que focinho de porco não é tomada foram-se quase 5 meses preso. Quanto aos companheros presos, ACREDITO QUE NÃO SEJAM TRAFICANTES. Veja bem: pai universitario efetivo e filho engenheiro não precisam vender. Como apreciador da "cannabis" gostaria de poder plantar várias espécies genéticas, experimentá-las, cruzar, tudo para meu consumo." - Ma-RJ  

 __________________________________________  

 

POSTAGEM ORIGINAL: 

   

maconha 150x150 A cobertura da maconha.

Não concordo que a culpa de existir tráfico seja do usuário. Esse é um assunto batido aqui no blog e sei que nem sempre é uma unanimidade. Minha teoria do "engodo" vai por outra linha: isso é uma desculpa das autoriodades que não conseguem lidar com esse tipo específico de criminalidade. Se o problema maior da criminalidade no Rio fosse roubo de carros, por exemplo, a culpa seria de quem não passa tranca carneiro e não coloca alarme?  

Não acredito que a culpa do tráfico seja do usuário, mas não confundamos: não vejo nessa linha de raciocínio qualquer tipo de apologia ao uso de substâncias alucinógenas. É uma análise política antes de mais nada. Por isso, mesmo me considerando uma pessoa de mente aberta a novas idéias, não dá para abusar: essa história de um pai e do filho presos por terem mais de 100 pés de maconha dentro de uma cobertura de luxo no Recreio dos Bandeirantes não me me convence: não passa por cultivo para "consumo próprio" como eles alegam. Veja a reportagem:  

Mas vamos fugir do óbvio? Se esse negócio de plantar maconha é tão atraente do ponto de vista financeiro - a ponto do cultivo ser feito em uma cobertura de luxo no Recreio - não consigo ficar sem me questionar sobre os impostos que esse tipo de cultivo poderia gerar. Será que esse imposto gerado - e teria que ser imposto altíssimo - não poderia virar recurso para um melhor aparelhamento de nossa saúde pública para um melhor atendimento, inclusive, do dependente químico? Se a CPMF teve uma destinação específica, essa também seria uma alternativa para os defensores da descriminalização de plantão?  

Outro dia eu lia na internet um artigo de um médico holandês - país onde o consumo de maconha é permitido em situações "controladas". Ele dizia que, quando a Holanda deu esse passo a primeira coisa que foi pensada foi o imposto alto. A Holanda lucrou com isso na arrecadação e no turismo para apreciadores da Cannabis .  

A grande pergunta é: nosso país estaria preparado para esse tipo de experiência?  

cafe1 A cobertura da maconha.

Cafés de Amsterdam: venda e consumo de maconha permitidos apenas dentro do estabelecimento. / Imagem: internet

 

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Debate: duelo debochado e um susto…

21
set
13h01

DEBATE Debate: duelo debochado e um susto...O debate de ontem foi bom para o eleitor. Mas não necessariamente "bom" para se conhecer propostas. Os candidatos aproveitaram as quase 2 horas do programa para trocar farpas, debochar de propostas alheias e dizer pouco o que vai mudar no Rio de Janeiro. Não posso dizer que essas farpas trocadas também não colocam um certo "molho" no embate. Mas tudo em excesso pode não ser tão bom.

As minhas perguntas - a maioria retirada aqui do blog - sofreram mudanças bruscas em cima da hora e por um motivo óbvio: não dava para não começar a falar sobre segurança pública sem mencionar a péssima experiência que eu e o apresentador Gustavo Marques passamos minutos antes do debate começar. Foi um tiroteio na Linha Amarela com direito à bala traçante e tudo mais.

Estávamos passando pela Rua Leopoldo Bulhões - conhecida como "Faixa de Gaza" - no acesso à via expressa, em Bonsucesso. Fomos surpreendidos por vários tiros que, como riscos vermelhos em brasa, passavam por cima dos motoristas. O Gustavo, recém chegado ao Rio, nunca tinha passado por uma experiência como essa. Mas confesso que por mais que se tenha 5 dias, 5 meses ou 5 anos no Rio, a experiência sempre é extremamente assustadora. Tivemos que dar marcha-a-ré, entrar na contra mão. Tivemos que gritar, sinalizar com as mãos frenéticas para outros motoristas que percebiam que o que estava em andamento era uma ocorência "daquelas".

Voltando aos questionamentos do debate, eu, particularmente, senti que os candidatos nem sempre respondiam o que nós, jornalistas, perguntávamos. Todos eles afoitos para "colocar o dedo na ferida" dos concorrentes, acabaram esquecendo o caráter mais propositivo que o debate deveria ter. Como muito bem descreveu o jornal "O Dia" desta terça-feira: foi um debate todos contra um.. o governador Sérgio Cabral.

debate 2 Debate: duelo debochado e um susto...

Fábio Ramalho, Adriana Araújo, Gustavo Marques e William Travassos: jornalistas envolvidos no debate de hoje. / Foto: Sheila Caroline.

Mas ainda assim foi lucro: foi bom para conhecermos até o lado mais sarcástico de cada um deles, como quando, por exemplo, Fernando Gabeira disse que Sérgio Cabral Cabral era "bastante modesto" quando dizia que expandiu a rede de esgoto no Rio em quatro anos, mais do que já havia sido feito desde a chegada da família real portuguesa à cidade. Em vários momentos não deu para segurar as risadas da platéia, veementemente advertida a não se manifestar.

Debate tem dessas coisas. 

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DEBATE: os bastidores do embate.

20
set
14h30

O embate é hoje. Às 23h é só rodar a vinheta e eles estarão no ar. Jefferson Moura, do PSOL; Sérgio Cabral, do PMDB;  Fernando Gabeira, do PV; e Fernando Peregrino, do PR. Os quadro candidatos que mais se destacam nas pesquisas estarão cara-a-cara nos estúdio da Record em Vargem Grande, zona oeste da cidade, ao vivo para todo o estado. Como diz a minha colega Adriana Araújo, que será a mediadora, "no debate não tem a maquiagem do programa eleitoral gratuito. O candidato mostra realmente o que ele é." - E ela te razão. A preocupação tem que ser grande em relação a tudo que se fala, cada gesto, até cada expressão corporal.

DSC09898 DEBATE: os bastidores do embate.

Fábio Ramalho, Adriana Araújo e Gustavo Marques: gravação de um "piloto" no último sábado à tarde. / Foto: Sheila Caroline

O cuidado também será com a  as perguntas que serão feitas. Como um dos jornalistas que farão perguntas aos candidatos, vou tentar elaborar bem meus questionamentos. Vou tentar, ao invés de perguntas capiciosas, levar perguntas que propiciem um esclarecimento propositivo. Em outras palavras: quero saber o que eles tem de proposta para melhorar o que anda mal em nosso estado, e não apenas instigar dsputas políticas e discussões acalouradas. Se isso acontecer, que bom! Debate também precisa ter seu molho para render. Quero ouvir propostas numa eleição que parece tudo tão "igual" aos olhos de eleitor.  

Então vamos aos fatos: eu e os meus colegas de apresetação - William Travassos e o Gustavo Marques - estaremos na berlinda para fazer essas perguntas logo no segundo dos quatro blocos do debate. Cada um de nós poderá escolher um candidato para "questionar" e outro para "comentar" a resposta. O candidato questionado ainda terá o direito a uma "réplica" depois do comentário. Isso deve acontecer, pelo menos, por três vezes. Ou seja, vou precisar ter na manga três boas perguntas, três candidatos a serem questionados e outros três que deverão comentar o que eles responderem. Tudo à minha livre escolha.

Para ficar mais fácil: terei 30 segundos para fazer uam pergunta ao Sérgio Cabral, por exemplo. Ele terá 1 minuto e meio para responder. O candidato que vai comentar - suponhamos o Jefferson Moura - terá um minuto para suas considerações. Depois o candidato questionado - Sérgio Cabral aqui no meu exemplo hipotético- terá mais 1 minutos para réplica.

DSC09899 DEBATE: os bastidores do embate.

Fábio Ramalho, Adriana Araújo, Gustavo Marques e William Travassos: jornalistas envolvidos no debate de hoje. / Foto: Sheila Caroline.

E aí? O que você - como telespectador e eleitor - gostaria de perguntar? Tenho alguns questionamentos preparados na manga, mas gostaria de ouvir a opinião de quem lê o blog. Aceito sugestões de perguntas, sugestões de candidatos para os quais elas devam ser dirigidas, bem como quem deve comentar.  Se você quiser participar basta colocar sua sugestão aqui nos comentários do blog até às 22h, quando vou dar a última olhada aqui antes de entrarmos no ar.  

Vamos fazer esse debate juntos?

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Esse prêmio é nosso!

17
set
14h05

logo vancouver Esse prêmio é nosso!A notícia não poderia ser melhor para começar o fim de semana. Você já ouviu falar do “Olympic Golden Rings”? Trata-se de uma uma competição de prestígio internacional que premia a excelência em transmissão televisiva dos Jogos Olímpicos. E a Record ficou entre as três melhores na categoria "Perfil de Atleta", por contar a história do patinador Florent Amodio, um dos participantes dos Jogos Olímpicos de Inverno de Vancouver, disputados em fevereiro deste ano. Lembra dele? Um brasileiro, do Ceará, adotado por franceses quando era pequeno e que arrebentou nas pistas de patinação! A reportagem de Ana Paula Padrão e Mauro Wedekin -  exibida no programa Domingo Espetacular em fevereiro deste ano - conta a trajetória do atleta brasileiro que nem fala português.

Só para se ter uma idéia, a Record concorreu com as principais emissoras de TV do mundo, entre elas a norte-americana NBC, a britânica BBC e a japonesa NHK. Para lembrar: durante 17 dias, a Record e a Record News transmitiram a competição com exclusividade para o Brasil e eu fiz parte desse trabalho recompensador. Para quem não se lembra, fiquei nos estúdio da "Record News" ancorando boletins especiais sobre os jogos que de gelados só mesmo a neve e o gelo das pistas de provas. Foi por isso que no mês de fevereiro o RJ RECORD foi apresentado pelo meu colega William Travassos. Dá para imaginar como eu me sinto dono desse prêmio também?

“O prêmio não é só da Record, mas de todo povo brasileiro”, afirmou Honorilton Goncalves, vice-presidente Artístico e de Programação, ao receber o troféu das autoridades do COI.

florent1 Esse prêmio é nosso!

Florent Amodio: brasileiro redicalizado na França: destaque em Vancouver. / Foto: divulgação.

Foi nessa época que eu e a Fabiana Panachão tomamos alguns "estabacos" na pista de patinação tentado um equilíbrio sobre lâminas para fazer uma reportagem. O vídeo está no site R7 e pode ser vista no link abaixo. Outro link que deixo aqui é o da matéria que foi premiada. Divirtam-se e excelente fim de semana!

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Bala perdida: caso perdido.

15
set
14h57

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 16/09/2010 às 14h23

 

A decisão foi inédita e deve criar o que se chama de "jurisprudência". O que é "jurisprudência"? Trata-se de uma decisão da justiça que acaba dando respaldo para que outros juízes se posicionem da mesma forma: punir o estado quando a segurança pública falha e permite que aberrações chamadas de "balas perdidas" se repitam.   

Estou falando da decisão - inédita - do Tribunal de Justiça do Rio, que determinou que uma família receba uma indenização do estado por ter perdido um parente, vítima desse mal que de "perdido" não tem nada.  

Não acredito que essa deva ser uma decisão a ser seguida paulatinamente: os cofres públicos sofreriam em demasia com tais "garfadas" frequentes. Mas não vejo outra alternativa, senão a punição, para que haja o condicionamento. Não funciona assim conosco, cidadãos? Quando avançamos o sinal, quando estacionamos no lugar errado, o estado não pune, não multa? Então porque o estado não pode ser cobrado na mesma moeda quando falha na sua obrigação básica? Faltou policiamento para que armas não entrassem no Rio clandestinamente.  Faltou controle para que o tráfico não tivesse raizes tão profundas na nossa cidade. Faltou tudo e só nós somos cobrados?  

Depois o estado - união, estado, município - não entende porque não consegue ser respeitado em todas suas esferas. Como respeitar quem não se respeita e não olha corretamente por seus contribuintes? Por isso que, na crítica social, o assunto já virou até piada, como a charge que reproduzo abaixo.    

charge 22 05 07 Bala perdida: caso perdido. 

________________________________________  

 

 POSTAGEM ORIGINAL:

  

bala perdida 2 Bala perdida: caso perdido.Entrevistar um delegado de polícia quando o assunto é bala perdida é uma terefa complicada. Eu sei que essa é uma ocorrência sem solução em 99% dos casos e o delegado também. A diferença é que eu posso falar isso no ar... Ele infelizmente não.  

Acredito que o caso do menino Matheus, de 13 anos, - morto por bala perdida dentro de um posto de saúde de Caxias -  é mais um caso que, infelizmente, vai virar estatística. E não digo isso desmerecendo o trabalho de investigação ou desmerecendo o sofrimento da família que quer justiça. Gostaria de estar errado.  

Me apóio em fatos para chegar a esta conclusão. Siga o raciocínio comigo: estamos falando de uma bala de fuzil, armamento pesado e de guerra, que consegue percorrer uma distância de 4 km antes de perder força. Puxando para pontos de referência no Rio de Janeiro, é como se um tiro fosse dado na pista do aeroporto Santos Dumont e coseguisse acertar uma pessoa no alto do Pão de Açucar!  

O primeiro passo então é derminar a direção de onde a bala veio. Isso a perícia até resolve bem: a forma com que a bala perfurou o crânio do adolescente pode esclarecer muito sobre a trajetória. A tecnologia hoje permite facilmente sabermos qual parábola ela fez antes de cair com força redizida atingindo o menor.  

O segundo passo é descobrir se havia "alguém atirando" na direção de onde a bala veio, em um raio de 4 km. Aí a investigaçao se baseia em apurar se havia, por exemplo, alguma operação, em alguma comunidade, algum ponto de conflito, no momento em que o jovem foi atingido.  Se a resposta for positiva, o próximo passo é testar os fuzis dos policiais militares que estariam no local. Exames de balística também conseguem definir isso através de "ranhuras" que ficam impressas no projétil, de acordo com "ranhuras" que também existentes no cano do fuzil por onde ela passa antes de sair. Mas o progresso pára por aí se a conclusão for que a Polícia Militar não fazia nenhuma operação nas redondezas. Coisa que a secretaria de segurança pública já disse (?) ontem mesmo. Então sobra uma opção: o tiro foi dado por algum traficante, algum assaltante, algum bandido em ação.  

bala perdida Bala perdida: caso perdido.

Bala perdida: de cada 25 casos, apenas 1 deles é esclarecido. / Fonte: ISP-RJ

 A investigação terminou aí. Porque? Por que não há como definir de qual fuzil essa bala veio sem ter acesso ao próprio fuzil!  A polícia vai fazer exame balístico em cada fuzil que for apreendido daqui para frente para definir as armas "donas" de cada bala que matou um inocente no Rio? A investigação pára por aqui e o caso vira apenas mais um número na estatística.    

Minha conclusão: discutir de onde veio bala perdida no Rio é gastar energia em um trabalho que pode ser frustrante. As investigações, claro, precisam ser feitas. Sem dúvidas sobre isso. Mas trabalhando no Rio de Janeiro há 5 anos aprendi - vendo na prática - que nossas autoridades são impotentes na maioria desses casos. Acho que pouca coisa muda quando se gasta energia numa investigação sobre a origem da bala perdida e quase nenhuma energia (não tanto quanto gostaríamos) para se retirar armas pesadas de circulação na nossa cidade. É frustrante a polícia saber que o Matheus pode virar apenas mais um número. O delegado, certamente, não pôde dizer isso no ar.

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Apertem os cintos… o TP sumiu!

13
set
14h11

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 14/09/2010 às 13h45

Quando cheguei ao trabalho, foi dar um passo à frente para entrar no Newsroom e a sensação foi de dar um passo para trás no assunto tecnologia. No chão estavam cartolinas, com textos grafados com caneta hidrocor. Eram "cabeças" de algumas matérias lidas pelo apresentador. Mas o que estaria acontecendo com o bom e velho teleprompter - mais conhecido como TP - do nosso estúdio? 

DSCF86751 Apertem os cintos... o TP sumiu!

Modelo de teleprompter "esteirinha" ou "de mesa". Os primórdios do teleprompter. / Imagem: internet

Uma pequena pane técnica comprovou o que eu imaginava. Apelamos para as folhas de cartolina que me lembraram o início do meu trabalho em televisão. Não sou tão antigo assim a ponto de não existir o TP, mas admito que peguei o TP do tipo "esteirinha". Aquele que a folha de papel com o texto era passado em uma esteira, ou manualmente em uma mesa mesmo, com um pequena câmera em cima que captava o que estava escrito e transmitia tudo para a tela onde líamos as notícias. Para quem opera TP é só "passar" as laudas debaixo da tal câmera. Para quem tem jornalismo no sangue é mais do que isso: é praticamente apresentar o jornal junto, no mesmo ritmo que o apresentador. Quem tem essa característica "na veia" não fica só no TP muito tempo (não é Sheila?) e acaba crescendo.  

Voltando aoo nosso pequeno e rápido retrocesso emergencial do teleprompter, percebi o quanto evoluímos. Percebi também o quanto não há evolução que supere a critividade. Criatividade e atenção que, no mercado de TV, valem ouro para sair de algumas ciladas. As cartolinas para a falta de TP foram o recibo disso. Não deu para não registrar.

dália 1 Apertem os cintos... o TP sumiu! 

dália 2 Apertem os cintos... o TP sumiu!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

POSTAGEM ORIGINAL:

 

10 estratégias para manipulação

 

manipular1 Apertem os cintos... o TP sumiu!

Vou poupar você, meu caro leitor, de frases feitas quando o assunto é eleição. Acredito que aqueles argumentos de não anular o voto, entender as propostas dos candidatos antes de votar e etc, já estão sedimentados o suficiente na cabeça de cada um que vai ficar "frente-a-frente" com a urna eletrônica. Por isso resolvi replicar aqui um texto que me pareceu muito apropriado para esta época.

O texto é do linguista norte-americano Noam Chomsky que estuda massificação pela mídia em todo o mundo. Apesar do texto ser relativo à mídia, de maneira geral, pude perceber que o horário eleitoral também pode ser, facilmente, foco desse tipo de tática - a política, claro, também utiliza a mídia. Não se trata de nada irregular, nada proibido. Mmas é bom entendermos como funcionam as cabeças sobretudo dos "marqueteiros" que tem seus passes valorizados em milhões nesas épocas. Tentei fazer um resumo já que o texto original é muito grande. Veja com atenção os dez passos e me diga se, em algum momento, já se sentiu "vítima".  Boa leitura!

1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.

Consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. É manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar.

2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.

Este método também é chamado "problema-reação-solução". Cria-se um problema, uma "situação" prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Exemplo: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.

Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas - neoliberalismo - foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990. Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.

Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo "dolorosa e necessária", obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhorar amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE.

A maioria da publicidade ou campanhas dirigidas ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à "debilidade", como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? "Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade.

midia e crise Apertem os cintos... o TP sumiu!

Ilustração: domínio público / internet

6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos.

7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. "A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)".

8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.

Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…

9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.

Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação.

10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.

No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o "sistema" tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.

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Um talento: mil faces.

10
set
14h36

Dezembro de 2008. Quando conheci o Rodrigo acho que nem ele imaginava que se transformaria em tantos "Rodrigos" como vemos em todos os sábados performáticos da Record. Na época foi ele que me tirou no amigo-secreto do "Hoje em Dia".  Ganhei de presente um livro, o "Almanaque da TV". Publicação sobre televisão - como o próprio nome já diz - que, hoje, se fosse novamente editada, com certeza poderia ter um capítulo só para ele.

amigo secreto 11 Um talento: mil faces.

Do fundo do baú: amigo-secreto do "Hoje em Dia", dezembro de 2008. Foto: arquivo pessoal

 O programa "Melhor do Brasil" é sem dúvida nenhuma uma das melhores atrações da casa quando o assunto é entretenimento. Muito bem produzido e dirigido, o Faro põe a "cerejinha em cima do bolo" com seu seu talento abundante. É incrível como ele se transformou em fenômenos passando de Xuxa a Lady Gaga; de Ney Matogrosso à  Justin Bieber; e por aí vai.  O R7 fez uma reportagem sobre o assunto e resolvi reproduzir aqui essa admiração. Muita gente achava que o programa ia afundar quando o Márcio Garcia voltou para a Globo. Hoje é a Record que prova que teve "faro-fino" para encontrar um novo talento para o horário.
Vou encerrar deixando mais fotos e um vídeo dele ao estilo "Bieber Faro". Dá para dar boas risadas!
Um ótmio foim de semana a todos. Divirta-se com responsabilidade!
Fábio Ramalho

lady gaga Um talento: mil faces.

Lady Gaga

lacraia1 Um talento: mil faces.

Lacraia

michael jackson Um talento: mil faces.

Michael Jackson

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