Apertem os cintos… o TP sumiu!

13
set
14h11

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 14/09/2010 às 13h45

Quando cheguei ao trabalho, foi dar um passo à frente para entrar no Newsroom e a sensação foi de dar um passo para trás no assunto tecnologia. No chão estavam cartolinas, com textos grafados com caneta hidrocor. Eram "cabeças" de algumas matérias lidas pelo apresentador. Mas o que estaria acontecendo com o bom e velho teleprompter - mais conhecido como TP - do nosso estúdio? 

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Modelo de teleprompter "esteirinha" ou "de mesa". Os primórdios do teleprompter. / Imagem: internet

Uma pequena pane técnica comprovou o que eu imaginava. Apelamos para as folhas de cartolina que me lembraram o início do meu trabalho em televisão. Não sou tão antigo assim a ponto de não existir o TP, mas admito que peguei o TP do tipo "esteirinha". Aquele que a folha de papel com o texto era passado em uma esteira, ou manualmente em uma mesa mesmo, com um pequena câmera em cima que captava o que estava escrito e transmitia tudo para a tela onde líamos as notícias. Para quem opera TP é só "passar" as laudas debaixo da tal câmera. Para quem tem jornalismo no sangue é mais do que isso: é praticamente apresentar o jornal junto, no mesmo ritmo que o apresentador. Quem tem essa característica "na veia" não fica só no TP muito tempo (não é Sheila?) e acaba crescendo.  

Voltando aoo nosso pequeno e rápido retrocesso emergencial do teleprompter, percebi o quanto evoluímos. Percebi também o quanto não há evolução que supere a critividade. Criatividade e atenção que, no mercado de TV, valem ouro para sair de algumas ciladas. As cartolinas para a falta de TP foram o recibo disso. Não deu para não registrar.

dália 1 Apertem os cintos... o TP sumiu! 

dália 2 Apertem os cintos... o TP sumiu!

 

 

 

 

 

 

 

 

 

POSTAGEM ORIGINAL:

 

10 estratégias para manipulação

 

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Vou poupar você, meu caro leitor, de frases feitas quando o assunto é eleição. Acredito que aqueles argumentos de não anular o voto, entender as propostas dos candidatos antes de votar e etc, já estão sedimentados o suficiente na cabeça de cada um que vai ficar "frente-a-frente" com a urna eletrônica. Por isso resolvi replicar aqui um texto que me pareceu muito apropriado para esta época.

O texto é do linguista norte-americano Noam Chomsky que estuda massificação pela mídia em todo o mundo. Apesar do texto ser relativo à mídia, de maneira geral, pude perceber que o horário eleitoral também pode ser, facilmente, foco desse tipo de tática - a política, claro, também utiliza a mídia. Não se trata de nada irregular, nada proibido. Mmas é bom entendermos como funcionam as cabeças sobretudo dos "marqueteiros" que tem seus passes valorizados em milhões nesas épocas. Tentei fazer um resumo já que o texto original é muito grande. Veja com atenção os dez passos e me diga se, em algum momento, já se sentiu "vítima".  Boa leitura!

1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO.

Consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. É manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar.

2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES.

Este método também é chamado "problema-reação-solução". Cria-se um problema, uma "situação" prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Exemplo: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO.

Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas - neoliberalismo - foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990. Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO.

Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo "dolorosa e necessária", obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhorar amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE.

A maioria da publicidade ou campanhas dirigidas ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à "debilidade", como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? "Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade.

midia e crise Apertem os cintos... o TP sumiu!

Ilustração: domínio público / internet

6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO.

Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos.

7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE.

Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. "A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores (ver ‘Armas silenciosas para guerras tranqüilas’)".

8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE.

Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto…

9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE.

Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação.

10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM.

No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o "sistema" tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos.

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