A cobertura da maconha.
ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 23/09/2010 às 16h52
Como sempre o assunto "drogas" é polêmico e rendeu excelentes comentários. Vou destacar aqui três deles que me chamaram a atenção. São opiniões diferentes, mas com um objetivo em comum: discutir o assunto. Acho que é isso que falta em nosso país. Abrir o fórum pra ouvir o que as pessoas pensam, sem que isso se transforme em "castração moral" muito menos em "apologia às drogas". Veja só:
"Maconha é ilegal e é crime portá-la, usá-la ou cultivá-la. Qualquer pessoa que tem um mínimo dos mínimos de informação sabe disso. Mas está sendo feito muito alarde em virtude de serem cento e tantos pés de maconha plantados na cobertura. A maioria das pessoas desconhece que um pé de maconha - plantado de forma caseira, ainda que em estufas - rende, no máximo, cerca de 200 a 300 gramas de maconha ativa, ou seja, maconha que tem teor de THC - a substância ativa da maconha. Uma safra desta renderia no máximo uns 3 kg de maconha. Realmente parece uma quantidade exagerada para consumo, mas se levarmos em consideração que só haveria uma próxima safra em um período entre 6 a 8 meses, dividindo-se esses 3 kg por 6 meses daria uma média de 500g - ou meio quilo - por mes. Levando-se ainda em conta que o consumo médio de um usuário frequente (todos estes dados foram buscados em pesquisas médicas e psicológicas) estaria em torno de 100 g por mês, o resultado final dividido por mês, para cada um dos dois, daria um total de 200g de maconha. O que evidencia que haveria mais gente participando desta "empreitada agrícola". São eles bandidos na completa acepção da palavra? Talvez. Porém, o que me parece é que era uma "empreitada agrícola grupal" com fins de realizar-se uma colheita e uma divisão entre mais pessoas e não uma empreitada destinada ao tráfico." - Segadas Vianna.
"Se eu não me engano a perseguição, por lei, da maconha aqui no Brasil se deu por volta de 1912. Mas o cultivo e uso dela é muito antigo, por várias religiões, onde grande parte dela atualmente se encontra extinta. Não acho legal liberarem o uso da maconha aqui no Brasil, pois se o governo não controla quando é proibido, quem dirá liberado. A plantação de maconha é mais comum do que nós pensamos. Eu sou contra a liberação da maconha. Nossa sociedade não está preparada pra isso, pois existe uma diferença cultural entre Holanda e Brasil." - Matienne Almeida
"A questão da maconha é muito ampla. Eu fumo todos os dias, há mais de 10 anos. Hoje tenho 28 anos, sou funcionario público concursado efetivo, vamos dizer “acima da média”. Me destaquei nos estudos e me destaco no trabalho. A MACONHA NUNCA ME ATRAPALHOU. Fui preso certa vez acusado de tráfico. Peguei uma quantidade maior para meu consumo, queria estocar, pois estava em falta na época. Até provar que focinho de porco não é tomada foram-se quase 5 meses preso. Quanto aos companheros presos, ACREDITO QUE NÃO SEJAM TRAFICANTES. Veja bem: pai universitario efetivo e filho engenheiro não precisam vender. Como apreciador da "cannabis" gostaria de poder plantar várias espécies genéticas, experimentá-las, cruzar, tudo para meu consumo." - Ma-RJ
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POSTAGEM ORIGINAL:
Não concordo que a culpa de existir tráfico seja do usuário. Esse é um assunto batido aqui no blog e sei que nem sempre é uma unanimidade. Minha teoria do "engodo" vai por outra linha: isso é uma desculpa das autoriodades que não conseguem lidar com esse tipo específico de criminalidade. Se o problema maior da criminalidade no Rio fosse roubo de carros, por exemplo, a culpa seria de quem não passa tranca carneiro e não coloca alarme?
Não acredito que a culpa do tráfico seja do usuário, mas não confundamos: não vejo nessa linha de raciocínio qualquer tipo de apologia ao uso de substâncias alucinógenas. É uma análise política antes de mais nada. Por isso, mesmo me considerando uma pessoa de mente aberta a novas idéias, não dá para abusar: essa história de um pai e do filho presos por terem mais de 100 pés de maconha dentro de uma cobertura de luxo no Recreio dos Bandeirantes não me me convence: não passa por cultivo para "consumo próprio" como eles alegam. Veja a reportagem:
Mas vamos fugir do óbvio? Se esse negócio de plantar maconha é tão atraente do ponto de vista financeiro - a ponto do cultivo ser feito em uma cobertura de luxo no Recreio - não consigo ficar sem me questionar sobre os impostos que esse tipo de cultivo poderia gerar. Será que esse imposto gerado - e teria que ser imposto altíssimo - não poderia virar recurso para um melhor aparelhamento de nossa saúde pública para um melhor atendimento, inclusive, do dependente químico? Se a CPMF teve uma destinação específica, essa também seria uma alternativa para os defensores da descriminalização de plantão?
Outro dia eu lia na internet um artigo de um médico holandês - país onde o consumo de maconha é permitido em situações "controladas". Ele dizia que, quando a Holanda deu esse passo a primeira coisa que foi pensada foi o imposto alto. A Holanda lucrou com isso na arrecadação e no turismo para apreciadores da Cannabis .
A grande pergunta é: nosso país estaria preparado para esse tipo de experiência?

Cafés de Amsterdam: venda e consumo de maconha permitidos apenas dentro do estabelecimento. / Imagem: internet











