A turbulência, as palavras e a sopa…

27
set
14h38

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 28/09/2010 às 13h34

avião mal 150x150 A turbulência, as palavras e a sopa...Já que o assunto é problemas nas alturas, a situação não anda bem - nem mesmo em terra firme - para a empresa aérea Webjet. Desde ontem o aeroporto Santos Dumont é um caos só por causa de atrasos e cancelamentos nos voos. Hoje não foi diferente. Até as 10h da manhã, 49% de todos os voos da Webjet tinham atrasos monstruosos ou cancelados. O absurdo maior foi dar a notícia de que a empresa teve a cara de pau de oferecer vans para levar os passageiros à São Paulo. Eu disse vans no lugar de aviões! É mole? Se a ainda fosse a "sepultada" empresa BRA, que se auto intitulava empresa "rodo-aérea" tudo bem. Mas para o público basicamente executivo que frequenta a ponte-aérea, essa proposta chega a ser vergonhosa.

O motivo de tanta confusão eu resolvi apurar conversando com dois pilotos da empresa que, claro, não querem se identificar: a legislação recente, já em vigor, prevê que pilotos não podem ter mais que 85 horas de voo por mês. Uma questão de segurança para quem tem tanta responsabilidade em levar as nossas vidas, como bem disse a Luciana Liviero hoje, "à  bordo" do "Record Notícias".

webjet A turbulência, as palavras e a sopa...

Avião em manobra para decolagem: cena rara no Santos Dumont. / Foto: divulgação.

Ficou a pergunta martelando na minha cabeça: se a empresa teve que cancelar quase que metado de suas partidas nesta terça-feira, posso entender que metade dos pilotos fazia o dobro de sua carga horária regular? Era gente cansada e sonolenta - trabalhando em dobro - que estava pilotando aqueles aviões todos lá em cima? Não. Não vou nem tocar no quanto essa sobrecarga me assusta se passarmos para o tópico "manutenção das aeronaves".  

Não entendo como uma empresa aérea não se antecipa a este tipo de problema. A legislação pode ter começado a vigorar recente, mas o conhecimento de que as regras iriam mudar não foi algo que ficou pelos ares. Ainda assim novas passagem eram vendidas e nenhum voo remanejado. No site da empresa não tem uma linha sequer explicando algo sobre os problemas.

Vou passar o telefone de quem administra a massa falida da saudosa Varig aos dirigentes da Webjet. Tenho certeza que bons pilotos sem emprego não faltam no mercado aeroviário. Para encerrar, uma charge da época do caos aéreo, que esperamos que esteja restrito a Webjet desta vez.

charge A turbulência, as palavras e a sopa...

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POSTAGEM ORIGINAL:

 

Essa é para os incrédulos. Que as palavras tem poder não se discute. A experiência que vive neste fim de semana prova isso e é o que relato à partir de agora. Tudo fruto de uma brincadeira que começou na redação.

Marcos “Miquimba” e Jorge são assistentes de estúdio. Brincalhões e artistas por natureza, ambos tem fama de “boca santa”. Tudo que falam acaba acontecendo. Na semana passada a brincadeira foi sobre avião. Quem nunca passou sufoco à bordo dessas “águias de ferro” criadas pelo homem, hein? Elas voam, claro. Mas o piloto também depende do tempo, da meteorologia, em resumo, da boa vontade de São Pedro. Jorginho e Miquimba, brincando depois de vermos tantos acidentes aéreos que aconteceram na semana passada pelo mundo, disseram com todas as letras: “cuidado com o próximo voo que você pegar para os plantões em São Paulo. Esse avião pode não chegar!”.

avião1 A turbulência, as palavras e a sopa...

Turbulência é o nome dado à movimentação do ar em grandes altitudes e que faz com que o avião balance. / Foto: "Abril Escola".

Aqui cabe um aparte: se você acha a brincadeira pesada demais não se assunte: não é nada pessoal. Os dois “malucos” vivem “prevendo”acidentes, mazelas e outros problemas afins para quem pisa nos calos deles. Detalhe: não pisei em calo nenhum. O problema foi estar no assunto errado e na hora errada em frente à TV quando o assunto era só desastre aéreo. Motivado pela sensação de insegurança que as reportagens deixaram, acho que fui o premiado, certo? Mas não dei bola nenhuma para o papo.

Na sexta-feria à noite, no embarque, parecia apenas mais um voo, desses que tomo pelo menos de 15 em 15 dias. Mas quando o avião subia a “maldição” dos dois parece que virou realidade. Da brincadeira para a vida real, o trajeto Rio-São Paulo foi uma turbulência só. Mas uma turbulência daqueles que nem serviço de bordo teve! O comissário dizia e eu ouvia de “rabo de orelha” sentado na última poltrona. “O serviço de bordo hoje era servir sopa. Não vai dar...”

sopa A turbulência, as palavras e a sopa...

Sopa e palavras: as experiências que nos fazem pensar. / Foto: internet

Imagine servir sopa promocional - daquelas empresas que vivem lançando sopas instantâneas em sachê - num voo onde não dá nem para afrouxar o cinto de segurança? Foi um “treme-treme” só a tal viagem. Na boa mesmo: nem queria a tal sopinha. Só queria que aquele avião lotado parasse de tremer que nem uma batedeira. Só lembava dos dois gaiatos, mas na hora não dava parar rir. Tenho certeza que perto de mim tinha gente com muito menos “horas de voo” e que estava num sufoco ainda maior. A tremedeira parou... mas só quando pousamos.

Li certa vez que nós constantemente causamos aquilo que tememos. O raciocínio psicológico é que tanto que “invocamos” aquela situação num intuito de precaução que acabamos “atraindo” aquilo. Será? A postagem de hoje é uma crônica para mostrar que me peguei pensando nisso. O quanto nossas palavras tem poder e não percebemos isso, por mais que você, como eu, também se questione se não foi mera coincidência. Eu definitivamente não acredito em coincidências. Mas também não acredito que foi fruto dos dois amigos “faladores”. Acho que foi experiência para me fazer pensar.

Quem criou aquela máquina voadora foi sim o homem. Mas a sabedoria certamente não veio por geração espontânea de nossa raça. Acredito piamente em inspiração divina. E se isso faz parte do conjunto universo das coisas em que creio, como não acreditaria no poder das palavras?

Além da reflexão também aprendi mais: quando encontrar com Miquimba e Jorginho, vou dizer sempre, antes de mais nada, como diria minha avó: “vira essa boca pra lá...”

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