Arrastões: o tráfego do tráfico.
ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 30/09/2010 às 14h23
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Vítimas do último arrastão no Jardim Botânico na delegacia. O quinto caso desde segunda. / Foto: jornal "O Dia".
Assim como nosso mercado de trabalho, o mercado da criminalidade é dinâmico. Tem sempre aquelas profissões que estão em alta ou em baixa. Ao que tudo indica, no Rio de Janeiro, a "profissão" traficante está dando lugar a "profissão" assaltante. As Unidades de Polícia Pacificadora "varreram" (?) a criminalidade ligada às drogas, mas trouxeram para o asfalto a droga dos arrastões. Eles estão de volta - e a todo vapor - aterrorizando motoristas do Rio de Janeiro. Hoje foi registrada a quinta ação de roubo em sequência desde a segunda-feira à noite. Em outras palavras, para não "tucanar" o crime: cinco arrastões em pouco mais de 24 horas.
O desafia do próximo governador do Rio - que deve ser o mesmo Sergio Cabral de acordo com as pesquisas - vai ser esse: lidar com os reflexos de uma política de segurança que vem dando certo, mas que carrega, à reboque, seus próprios reflexos. Há muito tempo as ações criminosas na Baixada Fluminense, em Niterói e em São Gonçalo são destaque em nossos telejornais. São notícias de violência no asfalto, bem como notícias até de pagamento de pedágio para chefes do tráfico - foragidos de suas comunidades de origem - se esconderem no Complexo do Alemão, ainda considerado uma fortaleza impenetrável pelo tráfico.

Fuzil MT-40. Arma usada pela PM. Uma das mais procuradas por bandidos. / Fonte: ISP/RJ. / Foto: fabricante.
Não precisa ser especialista - destes que analisam esse " tráfego do tráfico" - para perceber: se nada for feito agora, o panorama pode não ser muito positivo para o interior do estado, bem como para os estados vizinhos nos próximos anos. As cidades interioranas, que já tinham uma participação considerável no tráfico, estão registrando cada vez mais ocorrências deste tipo. Traficantes de cidades da Região do Lagos, por exemplo, estão não só alargando seus domínios, como também aumentando sua movimentação de chegada e saída de entorpecentes. As cidades ao redor do Rio de Janeiro estão sendo os novos "entrepostos" comerciais da droga em substituição à algumas comunidades ocupadas. Aliado a este fato temos que considerar ainda que quando todo esse movimento cresce, também aumenta a corrida armamentista em busca de mais equipamentos para proteger seus negócios. Afinal de contas, se uma facção se move, é certo que as concorrentes também se moverão e recomeça a disputa por território.
Se essa história lhe parece familiar, saiba que você, leitor, não está errado. Esse retrato é apenas um "remake", um filme repetido, de como teve início historicamente a mazela número um da capital fluminense: o tráfico de drogas. A principal arma agora é a experiência. É não esquecermos de usar esse conhecimento adquirido para não deixar que o problema brote de novo, só mudando de endereço. O Rio está tendo a chance de um novo começo. Resta saber o que vai ser feito de diferente já que, agora, o tráfico está aparentemente mais longe, embora os arrastões estejam notoriamente mais perto.










