Bilú… telefone, minha casa.

29
out
15h04

et 150x150 Bilú... telefone, minha casa. Steven Spielberg deve estar rindo. Depois de elaborar com tanto primor "ET - O Extra-Terrestre" e os alienígenas de "Contatos Imediatos do Terceiro Grau" o Brasil criou - ou recebeu de outra galáxia - seu próprio ET que, ao contrário do que se pensava, não fixou residência em Varginha. O  ET com status de pop-star ganhou um nome curioso e carinhoso.

Quem é Bilú? - Bilú é um ET adolescente, um menino... Tem uma voz levemente infantilizada e se esconde atrás de arbustos para se comunicar com os humanos. Não são férias. Bilú dá entrevistas e deixa mensagens para os terráquios. "Busquem conhecimento" - diz ele aos jornalistas mais afoitos. Uma destas entrevistas foi ao ar no "Domigo Espetacular" da Rede Record. Bilú se mostra carinhoso, sedento por um contato com os humanos e muito disposto a "ensinar" o que tem de conhecimento intergalático.

O efeito Bilú tomou conta da mídia. O assunto foi destaque no "CQC" da TV Bandeirantes. Todas as vezes em que Bilú foi assunto do programa a audiência subiu. Os jornais entraram nessa onda. O You Tube - um celeiro de mentes criativas - também está cheio de postagens, sátiras, piadas, e até protestos: o "Projeto Portal", mote principal da reportagem, não gostou da forma com que ela foi trabalhada. E olha que eu ainda achei que a matéria foi séria sim, mesmo com a missão de retratar um ET que fala engraçado e pula no meio do mato.

Bilú veio para muito mais que apenas virar sátira. O extra-terrestre simpático e comunicativo talvez reflita toda a agonia contita por anos e anos na mente humana que não consegue responder a pergunta: "estamos sozinhos?" Mais difícil que justificar uma possível "solidão cósmica" é conter a aflição de pensar que, caso a resposta seja  negativa, corremos o risco dos possíveis visitantes não serem tão amigáveis como gostaríamos. Vale lembrar que a mesma Hollywood dos extra-terrestres bonzinhos que marcaram Spielberg, também está cheia de títulos onde os alienígenas só querem ocupar o que é nosso, explorar nossas reservas naturais e sumir daqui.

A inquietação humana cria expectativas. Nessa busca, nós, meros terráquios, conseguimos até ver coisas: seja voando no céu ou em terra firme mesmo, como um ET que se deleita ao ser chamado de um nome tão terreno. Se Bilú topar, fica o convite para uma entrevista de estúdio. E depois me criticam quando eu digo que não é só no Rio de Janeiro que vemos notícias inacreditáveis... quase do outro mundo.

steven spielberg et go home1 Bilú... telefone, minha casa.

ET e Steven Spielberg - filme que lançou o jovem diretor em 1983. Quem não foi fã do ET na década de oitenta? / Foto: divulgação.


Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks

Namoro ou pedofilia?

27
out
17h18

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 28/10/2010 às 14H32

Um pequena correção no texto original: o estupro presumido acontece quando se consideram pessoas de sexos opostos na relação. Quando falamos de uma relação homossexual - masculina ou feminina - o crime é descrito de outra forma: como atentado violento ao pudor. Na minha opinião, uma prova cabal de que a legislação à respeito nunca preveu a possibilidade de relações homoafetivas quando o código penal foi elaborado, em 1948.

 

________________________________

POSTAGEM ORIGINAL:

imagesCAM2A6V32 150x150 Namoro ou pedofilia?

O problema não é a diferença de idade. De acordo com o delegado que investiga o caso, a questão da professora de 33 anos que "namora" com a aluna de 13 anos, envolve outras questões além de 20 anos de diferença.

O primeiro deles é o quesito "maturidade legal". Não tem muita conversa, a lei é bem clara. Abaixo dos 14 anos se considera que há "estupro presumido". Em outras palavras, mesmo que haja a concordância da menor, ela ainda não tem condições de fazer suas próprias escolhas, inclusive sentimentais, mesmo para envolvimentos afetivos aos olhos da lei. É claro que sabemos que muitos(as) adolescentes de 14 anos já apresentam maturidade e até desempenho sexual dignos de adultos, com vida sexual ativa o suficiente para constranger até os mais "saidinhos". Mas aí a discussão seria outra: mudar ou não mudar a lei. Enquanto isso não acontece ou não é discutido - e olha que acredito piamente que essa interpretação legal sobre a idade é subjetiva - o jeito é levar à risca o que está no código penal e é traduzido na linguagem popular assim: relacionamento com menos de 14 anos é "chave de cadeia".

porfessora4 Namoro ou pedofilia?

Professora na delegacia: pedofilia ou namoro? / Foto: R7.

O segundo complicador para a professora diz respeito a relação de subordinação existente entre as duas. Uma é professora e a outra é aluna. Relação que, antes de qualquer outra, remete a submissão. Traduzindo novamente: o fato da mulher de 33 anos ser a professora da menor de 13 anos, pode remeter a uma situação em que a menor se sinta constrangida, pressionada a manter tal relação. Se a adolescente já tivesse lá seus 16 anos, por exemplo, a opinião dela poderia atenuar a acusação. Nada como um relato de uma moça de 16 anos -  perante um juiz - para sedimentar o argumento de que a relação era expontânea. Mas nesse caso a professora perde ainda mais um ponto: a menor teria dito, em depoimento, que não queria mais se encontrar com a "ex-namorada", mas que se sentia constrangida em dizer "não" pelo fato dela ser a professora. Se esse depoimento aconteceu, complicou a vida da professora ainda mais.
 
O terceiro e último agravante diz respeito ao fato da mãe da menor não concordar com a relação. Embora também seja homossexual e viva com uma companheira, a mãe já não aguentava mais uma situação em que a menina ficava dias fora de casa sem o consentimento da família. Períodos estes de "sumiços" quando as duas passavam em motéis do Rio de Janeiro.  Foi a cereja em cima do bolo para se arrematar a história e se configurar aí mais um crime. É por essas e por outras que relacionamentos entre pessoas de idades diferentes - independentemente da orientação sexual - é sempre um assunto delicado, a ser trabalhado com sobriedade e com a concordância da família. Foi uma lição que a professora de matemática não levou em conta.
 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks

O peso de uma traição.

25
out
15h09

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 26/10/2010 às 14h09 

separacao 150x150 O peso de uma traição.Destaque hoje para um comentário que me chamou muito a atenção sobre esse assunto. Não sei se teria tanto "sangue-frio" como o leitor que enviou sua experiência. Mas sei que quem consegue manter um casamento, mesmo depois de tantas reviravoltas, tem muitos mais sabedoria do que imaginamos. Veja só: 

"Depois de casado por mais de 12 anos, com 2 filhos, minha esposa estava com comportamento estranho. Conversamos e ela pediu um "tempo" em nosso relação. Depois descobri que a minha esposa estava saindo com o dono do escritório onde ela trabalha. Na hora me deu muita raiva, eu não acreditava no que estava acontecendo, pois eu sou um marido que todas as mulheres sonham: caseiro, tranquilo, em resumo, faço tudo pela família. Depois de conversarmos muito, entendi que para a mulher, não basta casa, comida, etc. Eu deixei de dar-lhe o carinho que ela merecia, tinha umas atitudes que desagradavam a ela. Reconheço que ela tentou conversar comigo várias vezes e eu, bobão, não soube ouvir. Nessa outra relação, pouco tempo depois, ela descobriu que o cara também saia com outra. Daí foi quando ela pensou melhor e me pediu para lhe dar uma chance. Eu aceitei. Agora estamos muito bem. Não precisou de violência, eu disse a ela que a amava do meu jeito, mas que para ela ser feliz, abriria mão dela. Não adianta ela ser infeliz ao meu lado, violência não leva a nada." - Rodrigo Hart 

E você? O que acha disso?  

______________________________ 

  

POSTAGEM ORIGINAL:

Antes era assim: o casal tirava a aliança do dedo e cada um ia para seu lado. É bem verdade que o que sempre deu mais trabalho era tirar o "ex" da cabeça e não do "dedo". Hoje não se tira aliança... se tira a vida. O fim de semana violento, em dois casos de crimes passionais - aqueles que envolvem relações amorosas - reforça a tese policial de que as pessoas estão resolvendo cada vez mais seus problemas sentimentais na base da violência e do gatilho. 

Na base do gatilho ou da bolsa. Foi o que aconteceu no Jardim Botânico, zona sul, neste domingo: um homem é acusado de matar a companheira estrangulada com a alça da bolsa dela. O requinte de crueldade: ele ainda ligou para a sogra para dizer que havia assassinado a filha dela porque havia sido traído. 

chacina2 O peso de uma traição.

Crime passional: mulher é estrangulada em casa, com alça da bolsa. / Foto: Agência "O Dia".

O outro caso foi em São João de Meriti, Baixada Fluminense. Nesse eu preferiria nem acreditar em crime passional, embora todos os indícios caminhem para isso. Se o saldo de cinco mortos durante uma festa tiver sido mesmo motivado por um marido traido, esta será a prova cabal de que o Rio de Janeiro  é "terra sem lei". 

25 chacina paraujo 575 O peso de uma traição.

Corpo estendido no chão. Uma das 5 mortes por suposto crime passional. / Foto: Agência "O Dia".

Mas porque esses casos estão aumentando no Rio de Janeiro? - De acordo com uma psicólogas com quem conversei informalmente nesta segunda-feira, a resposta pode não estar na "psiquê" humana. A explicação pode estar no baixo índice de casos de homicídios solucionados na cidade maravilhosa. Então perguntei para quem é da polícia. Sem a menor aptidão a compreender a psicologia dos relacionamentos, um colega, policial civil, me respondeu: "Fábio, se as pessoas resolvem conflitos de 10 reais no tiro, porque não resolveriam uma questão de honra - que não tem preço - da mesma forma?" 

As respostas do policial e da psicóloga, em uníssino, me convenceram. A certeza de impunidade - já tão debatida e "mais velha que andar pra frente" aqui no nosso blog - chegou agora  à cama de tantos vários casais. A lei da selva é ancorada pela máxima de que, se não vai haver punição, porque não lavar também a honra com sangue? 

Me lembro bem de um caso que cobri quando ainda morava em Brasília. Um homem foi à delegacia pedir para ser preso porque tinha acabado de matar a esposa que o havia traído. Ele dizia diretamente ao delegado: "não sou bandido, mas matei. Matei porque ela me traia. Estou aqui para ser um preso honrado e não um traído solto. Vou ser mais livre atrás das suas grades." 

O problema maior é quando o caso ultrapassa os limites das quatro paredes, como o de domingo. Entre os cinco mortos está um adolescente, de 16 anos. Jovem que perdeu a vida por conta de uma suposta traição. Tão "suposta", como o conhecimento que ele teria de tal fato. Este é o típico o caso de quem nem sabe porque morre. É o caso de quem se vai, num crime passional, quando talvez, nem tenha inciado ainda sua própria vida amorosa. 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks

Os bastidores da notícia.

22
out
14h01

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 26/10/2010 às 13h45

POSTAGEM ORIGINAL:

Essa é para aqueles que nutrem uma curiosidade natural ou até mesmo profissional sobre o trabalho frente a um telejornal. O "Centro Cultural Jerusalém" promove um ciclo anual de palestras e discussões sobre jornalismo em TV. Para os jornalistas que já passaram por lá fica sempre a sensação de que se aprende mais do que necessariamente se ensina falando a futuros jornalistas. Esse, inclusive, é o público-alvo do evento: pessoas que começam agora o curso de comunicação se interessam em conhecer de perto o mercado antes mesmo da saída da faculdade. 

Além de conversar com que vê o jornal, essa também é uma chance de atender a ums demanda às vezes reprimida pelo nosso fluxo de trabalho constante: as solicitações de visitas de alunos à emissora para falarmos sobre a profissão. A palestra começa logo depois do RJ Record. É só o tempo de sair de Benfica e chegar ao Centro Cultural, em Del Castilho, bem perto da emissora. A idéia é discutir os bastidores da profissão. Por isso aceitei o desafio de peito aberto e sem cobrar nada por isso. A taxa simbólica cobrada pela insituição é apenas para os custos de manutenção do auditório, já que o Centro Cultural Jerusalém não tem fins lucrativos. Para quem se interessar seguem as informações. Que tenhamos um encontro produtivo!  

Bom fim de semana a todos! Divirta-se com responsabilidade!

Cartaz palestra Os bastidores da notícia.

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks

O “morto-vivo” da previdência.

20
out
14h09

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 21/10/2010 às 14h35

CUIDADO: POSTE TAMBÉM FALA!

 

poste 150x150 O morto vivo da previdência. Na sequência das reportagens que a gente parece não acreditar quando exibe, essa vale destaque. Não é o mesmo sentido do erro "crasso" da previdência - assunto da postagem original. Claro que não.  Mas essa merece destaque por um aspécto ímpar: é a história de moradores que, preocupados com um postes prestes a cair em Santa Teresa, resolveram dar ao "patrimônio público" voz própria, já que a voz deles não estava sendo o suficiente. Prova que criatividade faz o assunto repercutir muito mais. A pergunta: se não tivesse o apelo, o ineditismo do "poste falante" será que não seria apenas mais um prestes a cair no Rio de Janeiro loge dos olofotes?


_____________________________________

POSTAGEM ORIGINAL:

morto vivo blog 150x150 O morto vivo da previdência.

Falar de um "morto-vivo" no ar pode parecer assunto de ficção. Mas é nos assuntos "non-sense" que descobrimos algumas aberrações - fantasmagóricas - que assombram os meandros da nossa querida previdência brasileira. O aposentado que mostramos no jornal de ontem é quem precisa provar que esta vivo enquanto o INSS diz que ele está morto. Não convencido que morreu (você estaria?), ele procurou nosso jornalismo. E chegou, como diz o ditado, "vivinho da Silva".

Vivinho da Silva não: seu Luiz é Oliveira. O mesmo sobrenome que tem um outro segurado que morreu... esse de verdade. O falecido além de homônimo perfeito do seu Luiz, ainda tem mais duas coincidência do outro mundo: as duas mães tem o nome igual e a mesma data de nascimento. Os nomes maternos repetidos deram um nó nos computadores da previdência. Na dúvida o sistema "matou" a pessoa errada.

 

Mais que uma história curiosa para a gente e chata para seu Luiz - que vou rebatizar de seu Luiz Vivo - o problema fez o alarme tocar: o INSS explicou que dá baixa em pessoas falescidas apenas com base nos nomes, sobrenomes e na filiação dos que passaram desta para uma melhor. Os cartórios - explica o Institudo Nacional de seguridade Social - não são obrigados por lei a passar mais do que isso. Dados como número do CPF e da carteira de identidade são um luxo nesses casos. Como adoro as perguntas que ficam como um grilo, esfregando as perninhas atrás da orelha, me pergunto: quanto mais gente já morreu "por engano" e nem fica sabendo disso porque o sistema tem uma falha grosseira como essa?

A história do seu Luiz - o Vivo - me lembra o traficante "Nem" da Rocinha. Aquele que eu sempre digo que polícia chega sempre perto mas nem consegue capturar. De acordo com a polícia, o mega-traficante da Rocinha já teria tentado simular a própria morte para escapar do braço da lei. Se ele tiver assistido o jornal de ontem talvez tenha tido uma nova idéia. Nem precisava simular corpo, tiroteio nem atestado de óbito falso. A previdência as vezes tomas suas providências sozinha...

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks

Para que serve uma UPA?

18
out
15h09

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 19/10/2010 às 14h53 

Como se não bastasse a situação da transferência de pacientes dos Postos de Saúde, fomos conferir de perto a situação direto nos hospitais. O escolhido na "blitz" que o repórter Ernani Alvez tem feito para o "RJ Record" foi o Adão Pereira Nunes, em Saracuruna. Na edição  de ontem, segunda-feira, mostramos a situação de uma grávida que entrou em trabalho de parto dentro do carro que a levava ao hospital. Infelizmente, quando já estávamos no ar, recebemos a triste notícia: a criança não havia sobrevivido por conta da demora para que o parto fosse feito. 

 

Cabe aqui um depoimento pessoal. É muito triste, muito complicado mostrar o sufuco de uma mulher que busca apenas o direito básico que tem - de ter o filho em um hospital, de forma digna - e não consegue ter sua única necessidade naquele momento atendida. Minha garganta secou quando me passarma pelo "ponto" a notícia.  

Hoje nossa produção trabalhou rápido de novo. Nada melhor do que voltar no dia seguinte ao mesmo local para saber se alguma coisa mostrada fez alguma coisa mudar no procedimento de que é responsável pela unidade. E eu digo " responsável pela unidade" porque a experiência nos mostra que, na maioria das vezes, os médicos também são vítimas de um sistema amputado de recursos, condições de trabalho e respeito ao contribuinte.  Várias vezes são os próprios médicos - que não identificamos, claro - que nos procuram para denunciar o sufoco que vivem a cada dia. Na reportagem de hoje, parece até brincadeira: encontramos mais uma vez uma mulher grávida, na portaria do mesmo hospital. Novamente, como a mãe mostrada ontem, ela não conseguiu ser atendida.    

300x210 Para que serve uma UPA? 

Em breve os programas sociais do governo vão ser obrigados a incenticar o parto dentro de casa e o serviço das antigas "parteiras", assim como nasceu minha avó. Não porque o Brasil seja o terceiro país do mundo que mais faz cesarianas*. Não porque a Organização Mundial de Saúde aconselhe o parto normal. Não vai ser uma questão de tendência. Vai ser inoperância do sistema mesmo...   

*fonte: Organização Mundial de saude - OMS 

___________________________________________________ 

  

POSTAGEM ORIGINAL:

  

SADE N11 150x150 Para que serve uma UPA?Recentemente a situação se passou com uma colega aqui do trabalho. A mãe dela teve um derrame. Ao invés da UPA - Unidade de Pronto Atendimento, ser apenas um ponto de "passagem" da paciente rumo ao hospital, a unidade acabou virando uma "internação definitiva". A paciente tinha que sair - todos os dias - para fazer exames e voltar. O problema? Não havia leitos nos hospitais - estaduais ou municipais - para o caso em questão. Só que a história da mãe desta colega jornalista, pelo menos teve um final menos trágico que o registrado neste fim de semana: a morte de uma senhora que, de tanto esperar por uma vaga em hospital (5 dias), acabou morrendo. A discussão está na crista da onda. 

Porque as UPA´s foram criadas se na verdade elas deixaram de ser "entrepostos" e sim "destino final" de pacientes?  A decisão do Ministério da Saúde veio imediatamente: pacientes em estado grave agora não podem mais ficar esperando em UPA ou em PAM - Posto de Atendimento Médico - até que haja leitos disponíveis em hospitais. O paciente tem direito a ser levado direto para unidade especializada. 

upa Para que serve uma UPA?

UPA: unidade que faz a "filtragem" dos casos antes do hospital. Mas se falta lugar no hospital, muda o quê? / Foto: jornal "O Globo".

A decisão é acertada. A situação caótica no sistema de saúde carioca -e  também brasileiro - acabou transformando o provisório em definitivo. A Central Reguladora, criada como o próprio no me já diz para "regular" a demanda de leitos nos hospitais e a necessidade de pacientes graves, foi uma boa idéia. Só que,  por tabela, a acabou burocratizando o que não precisa - e não pode - ser burocratizado: atendimento de emergência. Note bem que o problema não está na Central. Mas uma Central assim só funciona bem se nosso sistema de saúde tiver padrões europeus de agilidade no encaminhamento de pacientes graves e de oferta de leitos. Se não tem leito, a Central regula o que? 

Ficou cômodo desafogar emergências dos hospitais fazendo das UPA´s. Elas viraram uma espécie de compota - como nas hidrelétricas - que rege a vazão de água (leia-se paciente) acumulada(o). 

O ministério da Saúde disse hoje um  "xô" para a lentidão do sistema, mas ainda falta muito para as coisas funcionarem. A discussão é apenas onde o paciente em estado grave vai esperar. Leito que é bom mesmo... ainda está faltando. 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks

Solidariedade: não é tudo a mesma coisa.

15
out
15h37

logo ressoar Solidariedade: não é tudo a mesma coisa.A postagem de hoje é mais que um convite. É uma analise ao velho argumento de que não basta esmolar, ajudar crianças em sinais de trânsito ou nas ruas, se isso fizer com que os mesmos se sintam incentivados a continuar na mendicância. O raciocínio - sem dúvida nenhuma pertinente -  foi uma das minhas inquietações durante as reuniões que tivemos quando o RJ Record "adotou" uma das instituições a serem beneficiadas na mobilização deste fim de semana.

O que me motivou a participar do Ressoar Solidário foi a certeza de que nos propomos a fazer mais que ajudar por um dia. Solidariedade precisa ser "em gotas" e não apenas em dose cavalar por uma vez. Digo isso porque, por várias vezes, em outras ações de outras instituições, percebia que a festa era de um dia só. Poucos momentos de solidariedade, assistência e carinho... mas que morriam em menos de 24 horas.

brinquedos Solidariedade: não é tudo a mesma coisa.

Casa de Leylá: porque toda criança tem direito de brincar./ Foto: divulgação

Na "Casa de Leylá" - que atende 50 meninas carentes de famílias que não tem onde deixar os filhos enquanto os pais trabalham - o que pedi que fizéssemos foi mais: prover hoje pensando no amanhã. Desde a providência para  alimentação - que não dure apenas por um mês - até ensino, arte e lazer que não sejam em "lição única". As meninas atendidas - de 4 a 14 anos -ganharam não apenas uma aula, mas um ano de balé gratuito! Nosso parceiro nesse caso foi o Centro de Dança Elisa Borges. A primeira bailarina do Teatro Municipal, Ana Botafogo, entrou com os uniformes: saiotes, colants, sapatilhas. E os parceiros não páram de chegar: a empresa Redutor Tempo entrou com os espelhos para as aulas. A solidariedade começa a se refletir em voluntários que já prometerem ajudar mais em outras necessidades da casa. Tudo, repido, não apenas por um dia.

biblioteca Solidariedade: não é tudo a mesma coisa.

Casa de Leylá: porque toda criança tem direito a estudar./ Foto: divulgação.

Viu como a corrente fecha seus elos quando mais e mais voluntários chegam? Longe de pregar qualquer demagogia, é bom poder colaborar. É bom poder agradecer aos parceiros externos e aos colaboradores da própria Record que "produziram" esta grande festa. Aqui, um beijo especial a quem cuidou com muito carinho da "nossa" Casa de Leylá, a querida  Vivian Borba. O coração da gente agradece! 

Estarei lá!

Serviço: Casa de Leylá - Rua Ana Neri 2400 / Sampaio.

          Domingo, dia 17 de outubro, às 09h da manhã. 

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks

Do limão à limonada…

13
out
15h35

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 14/10/2010 às 14h45

 

O "Showrnalismo" do resgate no Chile.

Impossível não citar o resgate dos mineiros presos há 69 dias em uma mina subterrânea no norte do Chile, se a gente conversa sobre marketing. O governo chileno soube capitalizar bem o assunto. A retirada dos 33 homens virou não só um espetáculo para a mídia como uma "patriotada". Nem em campeonato esportivo o chileno sentiu tanto orgulho de sua pátria e da sua capacidade de "salvar os seus".

Onde está o espetáculo nisso? - Observe a "produção" envolvida para a cobertura do resgate. Um dos primeiros mineiros a serem retirados - amante fanático de futebol - saiu da capsula já recebendo uma bandeira novinha do seu time do coração. Outro que, além de amante de futebol é ex-jogador, recebeu mais: uma bola novinha, daquela marca famosa usada na Copa. Ele ainda arriscou, expontaneamente (?), uma embaixadinha. Quem sai de um cativeiro natural daqueles e ainda bate uma bolinha?

atacama Do limão à limonada...

O "showrnalismo" do resgate: tentas para televisões, praça de alimentação. / Foto: agência Reuters.

A "produção" desse resgate envolveu várias frentes de trabalho. Nós que trabalhamos em eventos jornalísticos - ou até de entretenimento  em televisão - percebemos isso facilmente. A equipe também providenciou familiares, pessoas envolvidas em dramas pessoais, amantes e tudo mais. Cada detalhe da vida de cada um foi estudado, formatado e "vendido" num pacote de "personagens." Tudo foi meticulosamente previsto antes, na comunicação entre os soterrados e quem estava na superfície.

Para se ter um espetáculo é assim: cada um dos mineiros saiu com características psicológicas bem descritas. Teve o "guia espiritual" do grupo. Teve o "esportista" que incentivava a todos a fazerem exercícios físicos mesmo dentro da mina. Cada um com uma missão como em um capítulo da série "Lost". Um trabalho de marketing primoroso que em nada desmerece a atenção dada ao tema. Acredito que nós brasileiros faríamos o mesmo. Qualquer país do mundo também.

O roteiro está pronto. Resta saber quem Hollywood vai escalar para dirigir esse longa. Espero que não esqueçam de mostrar no roteiro que o Chile é o país que mais tem minas clandestinas em situação de risco em toda a América do Sul. Isso, ontem, ninguém falou.

_______________________________________________

POSTAGEM ORIGINAL:

Escracha 150x150 Do limão à limonada...Antes mesmo de entrar em cartaz o filme “Tropa de Elite II” já era motivo de polêmica na nossa redação. Nada a ver com as ações policias no Rio de Janeiro. O motivo de tanta gente agitada nos bastidores do “Balanço Geral” era por conta do personagem interpretado por André Mattos. O ator vive um apresentador de televisão, que é político, anda mancando, tem bordões “escrachados” no filme e ainda tem um programa chamado “Mira Geral”. Qualquer semelhança é sim mera coincidência com a vida real.

Na trama o tal apresentador é corrupto, envolvido com milicianos e arranca risos e mais risos da planteia nos cinemas do Rio de Janeiro. Motivo das gargalhadas? A associação é imediata ao apresentador Wagner Montes.

O que fazer numa situação como esta? Se Wagner Montes resolve processar os produtores do filme vão dizer que “vestiu a carapuça”. Se fica quieto, vale a máxima do “quem cala consente”. Como sair dessa então?

Wagner Montes deu uma tacada de mestre. Fez questão de prestigiar a coletiva de lançamento do filme que aconteceu na semana passada. Diante das câmeras de todos os veículos de comunicação Wagner apenas perguntou. O apresentador de televisão que aparece no filme seria alguma referência a ele como apresentador do “Balanço Geral”? O deputado estadual mais votado do estado e considerado um dos mais queridos do Rio de Janeiro ouviu uma lista de explicações que, resumidamente diziam o que ele sabia que iria escutar: No “Tropa de Elite II” a arte não imitava a vida real... pelo menos no quesito “apresentador de televisão”. André Mattos - o apresentador corrupto na trama - não se enrolou: frente-a-frente com o apresentador na vida real disse que, apesar do roteiro não ter nada a ver com a história profissional e política de Wagner Montes, não dava para negar de onde tirou inspiração. Com todas as letras disse que se inspirou no Wagner porque era o apresentador de maior audiência no Rio de Janeiro.

Wagner Montes1 Do limão à limonada...

Wagner Montes: deputado estadual mais votado da história do Rio de Janeiro. / Foto: divulgação.

Pensa que acabou? Não satisfeito Wagner Montes ainda deu uma forcinha na divulgação do filme: convidou os principais atores e responsáveis pela obra a participarem do primeiro “Balanço Geral” depois de 3 meses afastado do ar por causa das eleições. Foi exatamente neste dia que o programa ficou por quase meia hora em primeiro lugar no estado.

Acho que essa postagem termina aqui. Numa sequência de textos em que venho falando justamente sobre “marketing”, não é preciso explicar nada além do que os fatos mostram. Wagner Montes além de ensinar o telespectador a conquistar a esposa para uma noite de amor, como faz tradicionalmente às sextas-feiras - e entre outras “tranqueiras” que ele adora mostrar no ar - ensinou como se fazer do limão uma bela limonada.

Os atores do longa adoraram a entrevista. O nossa audiência também: foram 17 pontos registrados pelo Ibope, superando a própria Rede Globo - dona da “Globo Filmes”, distribuidora do longa - que amargava 13 pontos no mesmo horário.

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks

O pastor e o ativista gay.

11
out
16h19

O texto virou polêmica. No outdoor espalhado pela cidade o conhecido pastor Silas Malafaia aparece ao lado de uma frase escrita em letras garrafais: "Em favor da família e preservação da espécie humana". Na sequência um versículo da bíblia: "Deus fez macho e fêmea". Pronto: não precisou mais para que a discussão saltasse para fora do cartaz e virasse assunto na mesa do bar, na reunião de amigos e nos debates dos defensores dos direitos homossexuais e dos combatentes da homofobia. 

Malafaia homofobia1 O pastor e o ativista gay.

Outdoor polêmico: preconceito contra homessexuais. Será? / Imagem: internet.

Consigo perceber claramente a posição ideológica e as impressões dogmáticas do pastor em relação aos projetos de lei que tratam de combate à homofobia, ao casamento gay e à homossexualidade de maneira geral. Na verdade, isso não é nem passível de se ter alguma capacidade de "percepção": todos os pensamentos do pastor sobre o assunto ficam bem claros em suas pregações e o YouTube está cheio delas. 

Então pergunte comigo: porque o pastor Silas Malafaia precisaria de um outdoor para expressar suas opiniões? Hoje o chamado "Ministério Silas Malafaia - Associação Vitória em Cristo" reúne uma multidão de fiéis em seus cultos. Assim como várias igrejas no país -  Igreja Universal, Internacional da Graça de Deus, Batista e até outras denominações não necessariamente evangélicas - o pastor alça mão de recursos tecnológicos como televisão e rádio para disseminar suas ideias e pregações bíblicas. Porque então ele precisaria de outdoor?  

Se você acha que eu enlouqueci, a explicação: meu foco aqui não é fazer o discurso do "politicamente correto". Ativistas da causa estão cumprindo exatamente esse papel. Muito menos meu foco é discutir dogma religioso. O meu foco como jornalista está LONGE da questão "fé" ou "direito humanos". Meu texto hoje é analítico, é questionador se as palavras tem mesmo mais força por conta de quem as profere ou por conta de quem as ouve e as REPERCUTE. Como a própria Bíblia referenda, em vão é a palavra se os ouvidos estiverem fechados. Nesse caso acho que os ouvidos estiveram abertos demais para o que está no outdoor e as mentes suscetíveis de menos à real intensão do mesmo. 

Silas Malafaia - intencionalmente ou não - fez de cada ativista pela causa homossexual seu maior porta-voz. Todos entraram no mesmo barco fazendo com que os cartazes ganhassem mais peso do que realmente poderiam ter. Consegue perceber isso sem enxergar aqui qualquer defesa ou condenação ao que ele pensa? 

Aos olhos da lei não há nada de preconceito no que está escrito no outdoor. Volte à foto acima e releia com atenção. O texto não incita ódio, preconceito por conta de orientação sexual ou qualquer outro comportamento homofóbico. Prova disso é que ninguém conseguiu - até agora - obrigar a retirada da tal publicidade. 

Outra prova de que ele conseguiu levar seu recado à população é o tamanho do texto que eu mesmo já dedico aqui ao assunto, mesmo sob o argumento do estudo da comunicação de massa. Silas Malafaia conseguiu plantar seu recado - correto ou não - até aqui, no nosso blog, onde o tema religião é raramente abordado. 

Esqueça o tema religião por apenas um minuto. O assunto aqui é marketing. Sem demagogia ou sarcasmo, o pastor Silas merece é parabéns: prova entender do assunto como ninguém.

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks

A zona norte em crise.

7
out
14h49

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 09/10/2010 às 14h25

 O restaurante CAMARÃO & CIA procurou nosso jornalismo e explicou que, ao contrário do que a vigilância sanitária apontou, não foi registrado nenhum problema de falta de higiene na cozinha do restaurante.  

 

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 08/10/2010 às 18h50 

 

 NOSSA COMIDA EM CRISE 

 

A cada dia que passa tenho mais medo de comer na rua. A vigilância sanitária municipal autuou - mais uma vez -  restaurantes "lambões" num shopping da zona sul, mais precisamente o Botafogo Praia Shopping. Os técnics encontraram problemas na conservação - entenda geladeira que não resfriava bem - de saladas e doces nas lanchonetes BOB´S e MC DONALD´S e no restaurante VIENA EXPRESS.

sanduba2 A zona norte em crise.

E teve mais: no restaurante B 52 - aquele dos aviões - os agentes encontraram produtos vencidos. Já o CAMARÃO & CIA foi autuado por falta de asseio. Melhor nem pensar. No total, dez quilos de alimentos foram inutilizados pela vigilância sanitária.

 _____________________________________

 

POSTAGEM ORIGINAL:

 

 

arma A zona norte em crise.É alarmante quando perdemos o direito básico - garantido na constituição - de poder "ir e vir" livremente. Com isso o carioca infelizmente já se acostumou quando o trajeto envolve as chamadas "áreas de risco". Mas quando são as próprias autoridades públicas que recomnedam "não transitar por uma determinada área da cidade" é mais que um alarme que soa: é a assinatura de um atestado de que não há controle da violência quando mais se precisa exatamente disso: ação e segurança. 

Hoje esse alerta veio da própria polícia carioca. A dica foi evitar transitar pelo bairro da Penha, zona norte do Rio, se não fosse "absolutamente" necessário. Infelizmente precisamos avisar às autoridades: para quem mora por lá - cerca de 80 mil pessoas - transitar é "absolutamente" necessário, sim. Assim como seria absolutamente necessário que a segurança fosse primorosa para que esse tipo de alerta - humilhante, diga-se de passagem - não precisasse ser dado para todo um bairro. 

policias A zona norte em crise.

Policiais em momento de operação: cena comum na zona norte do Rio nesta quinta-feira. / Imagem: jornal "O Globo".

A zona norte do Rio de Janeiro vive um dia de caos que, infelizmente, nem consegue pompa e alarde de "inédito". De tempos em tempos parece que a situação se repete e a população fica refém. O carioca e o fluminense já são obrigados a achar comum escutar tiro, ver mortos e lidar com a violência. 

Se mais uma vez isso lhe parecer exagero, cito o exemplo que vivemos ontem: um homem foi assassinado na porta de uma casa lotérica em Niterói e o corpo ficou por horas no chão. Só que era dia de mega-sena acumulada de 119 milhões. E aí? Como deixar a lotérica podendo concorrer a um prêmio desses? A opção dos apostadores foi continuar na fila, ao lado do corpo estendido, para não perder a chance de fazer uma "fézinha". Pelo menos em alguma coisa quem mora por aqui ainda parece acreditar: que com tamanha bolada no bolso talvez dê para procurar outros destinos de vida, mais tranquilos, supostamente.   

Penha A zona norte em crise.

Polícia: orientação para não sair de casa na Penha, bairro com 15 favelas, "protegido" pela Igreja da Penha. / Imagem ilustrativa: internet.

 

Espalhe por aí:
  • RSS
  • Live
  • del.icio.us
  • Twitter
  • Digg
  • Netvibes
  • Facebook
  • Google Bookmarks
Ir para a home do site
Todos os direitos reservados - 2009-2011 Rádio e Televisão Record S/A