Bilú… telefone, minha casa.
Steven Spielberg deve estar rindo. Depois de elaborar com tanto primor "ET - O Extra-Terrestre" e os alienígenas de "Contatos Imediatos do Terceiro Grau" o Brasil criou - ou recebeu de outra galáxia - seu próprio ET que, ao contrário do que se pensava, não fixou residência em Varginha. O ET com status de pop-star ganhou um nome curioso e carinhoso.
Quem é Bilú? - Bilú é um ET adolescente, um menino... Tem uma voz levemente infantilizada e se esconde atrás de arbustos para se comunicar com os humanos. Não são férias. Bilú dá entrevistas e deixa mensagens para os terráquios. "Busquem conhecimento" - diz ele aos jornalistas mais afoitos. Uma destas entrevistas foi ao ar no "Domigo Espetacular" da Rede Record. Bilú se mostra carinhoso, sedento por um contato com os humanos e muito disposto a "ensinar" o que tem de conhecimento intergalático.
O efeito Bilú tomou conta da mídia. O assunto foi destaque no "CQC" da TV Bandeirantes. Todas as vezes em que Bilú foi assunto do programa a audiência subiu. Os jornais entraram nessa onda. O You Tube - um celeiro de mentes criativas - também está cheio de postagens, sátiras, piadas, e até protestos: o "Projeto Portal", mote principal da reportagem, não gostou da forma com que ela foi trabalhada. E olha que eu ainda achei que a matéria foi séria sim, mesmo com a missão de retratar um ET que fala engraçado e pula no meio do mato.
Bilú veio para muito mais que apenas virar sátira. O extra-terrestre simpático e comunicativo talvez reflita toda a agonia contita por anos e anos na mente humana que não consegue responder a pergunta: "estamos sozinhos?" Mais difícil que justificar uma possível "solidão cósmica" é conter a aflição de pensar que, caso a resposta seja negativa, corremos o risco dos possíveis visitantes não serem tão amigáveis como gostaríamos. Vale lembrar que a mesma Hollywood dos extra-terrestres bonzinhos que marcaram Spielberg, também está cheia de títulos onde os alienígenas só querem ocupar o que é nosso, explorar nossas reservas naturais e sumir daqui.
A inquietação humana cria expectativas. Nessa busca, nós, meros terráquios, conseguimos até ver coisas: seja voando no céu ou em terra firme mesmo, como um ET que se deleita ao ser chamado de um nome tão terreno. Se Bilú topar, fica o convite para uma entrevista de estúdio. E depois me criticam quando eu digo que não é só no Rio de Janeiro que vemos notícias inacreditáveis... quase do outro mundo.

ET e Steven Spielberg - filme que lançou o jovem diretor em 1983. Quem não foi fã do ET na década de oitenta? / Foto: divulgação.






























