Do limão à limonada…

13
out
15h35

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 14/10/2010 às 14h45

 

O "Showrnalismo" do resgate no Chile.

Impossível não citar o resgate dos mineiros presos há 69 dias em uma mina subterrânea no norte do Chile, se a gente conversa sobre marketing. O governo chileno soube capitalizar bem o assunto. A retirada dos 33 homens virou não só um espetáculo para a mídia como uma "patriotada". Nem em campeonato esportivo o chileno sentiu tanto orgulho de sua pátria e da sua capacidade de "salvar os seus".

Onde está o espetáculo nisso? - Observe a "produção" envolvida para a cobertura do resgate. Um dos primeiros mineiros a serem retirados - amante fanático de futebol - saiu da capsula já recebendo uma bandeira novinha do seu time do coração. Outro que, além de amante de futebol é ex-jogador, recebeu mais: uma bola novinha, daquela marca famosa usada na Copa. Ele ainda arriscou, expontaneamente (?), uma embaixadinha. Quem sai de um cativeiro natural daqueles e ainda bate uma bolinha?

atacama Do limão à limonada...

O "showrnalismo" do resgate: tentas para televisões, praça de alimentação. / Foto: agência Reuters.

A "produção" desse resgate envolveu várias frentes de trabalho. Nós que trabalhamos em eventos jornalísticos - ou até de entretenimento  em televisão - percebemos isso facilmente. A equipe também providenciou familiares, pessoas envolvidas em dramas pessoais, amantes e tudo mais. Cada detalhe da vida de cada um foi estudado, formatado e "vendido" num pacote de "personagens." Tudo foi meticulosamente previsto antes, na comunicação entre os soterrados e quem estava na superfície.

Para se ter um espetáculo é assim: cada um dos mineiros saiu com características psicológicas bem descritas. Teve o "guia espiritual" do grupo. Teve o "esportista" que incentivava a todos a fazerem exercícios físicos mesmo dentro da mina. Cada um com uma missão como em um capítulo da série "Lost". Um trabalho de marketing primoroso que em nada desmerece a atenção dada ao tema. Acredito que nós brasileiros faríamos o mesmo. Qualquer país do mundo também.

O roteiro está pronto. Resta saber quem Hollywood vai escalar para dirigir esse longa. Espero que não esqueçam de mostrar no roteiro que o Chile é o país que mais tem minas clandestinas em situação de risco em toda a América do Sul. Isso, ontem, ninguém falou.

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POSTAGEM ORIGINAL:

Escracha 150x150 Do limão à limonada...Antes mesmo de entrar em cartaz o filme “Tropa de Elite II” já era motivo de polêmica na nossa redação. Nada a ver com as ações policias no Rio de Janeiro. O motivo de tanta gente agitada nos bastidores do “Balanço Geral” era por conta do personagem interpretado por André Mattos. O ator vive um apresentador de televisão, que é político, anda mancando, tem bordões “escrachados” no filme e ainda tem um programa chamado “Mira Geral”. Qualquer semelhança é sim mera coincidência com a vida real.

Na trama o tal apresentador é corrupto, envolvido com milicianos e arranca risos e mais risos da planteia nos cinemas do Rio de Janeiro. Motivo das gargalhadas? A associação é imediata ao apresentador Wagner Montes.

O que fazer numa situação como esta? Se Wagner Montes resolve processar os produtores do filme vão dizer que “vestiu a carapuça”. Se fica quieto, vale a máxima do “quem cala consente”. Como sair dessa então?

Wagner Montes deu uma tacada de mestre. Fez questão de prestigiar a coletiva de lançamento do filme que aconteceu na semana passada. Diante das câmeras de todos os veículos de comunicação Wagner apenas perguntou. O apresentador de televisão que aparece no filme seria alguma referência a ele como apresentador do “Balanço Geral”? O deputado estadual mais votado do estado e considerado um dos mais queridos do Rio de Janeiro ouviu uma lista de explicações que, resumidamente diziam o que ele sabia que iria escutar: No “Tropa de Elite II” a arte não imitava a vida real... pelo menos no quesito “apresentador de televisão”. André Mattos - o apresentador corrupto na trama - não se enrolou: frente-a-frente com o apresentador na vida real disse que, apesar do roteiro não ter nada a ver com a história profissional e política de Wagner Montes, não dava para negar de onde tirou inspiração. Com todas as letras disse que se inspirou no Wagner porque era o apresentador de maior audiência no Rio de Janeiro.

Wagner Montes1 Do limão à limonada...

Wagner Montes: deputado estadual mais votado da história do Rio de Janeiro. / Foto: divulgação.

Pensa que acabou? Não satisfeito Wagner Montes ainda deu uma forcinha na divulgação do filme: convidou os principais atores e responsáveis pela obra a participarem do primeiro “Balanço Geral” depois de 3 meses afastado do ar por causa das eleições. Foi exatamente neste dia que o programa ficou por quase meia hora em primeiro lugar no estado.

Acho que essa postagem termina aqui. Numa sequência de textos em que venho falando justamente sobre “marketing”, não é preciso explicar nada além do que os fatos mostram. Wagner Montes além de ensinar o telespectador a conquistar a esposa para uma noite de amor, como faz tradicionalmente às sextas-feiras - e entre outras “tranqueiras” que ele adora mostrar no ar - ensinou como se fazer do limão uma bela limonada.

Os atores do longa adoraram a entrevista. O nossa audiência também: foram 17 pontos registrados pelo Ibope, superando a própria Rede Globo - dona da “Globo Filmes”, distribuidora do longa - que amargava 13 pontos no mesmo horário.

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