Para que serve uma UPA?
ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 19/10/2010 às 14h53
Como se não bastasse a situação da transferência de pacientes dos Postos de Saúde, fomos conferir de perto a situação direto nos hospitais. O escolhido na "blitz" que o repórter Ernani Alvez tem feito para o "RJ Record" foi o Adão Pereira Nunes, em Saracuruna. Na edição de ontem, segunda-feira, mostramos a situação de uma grávida que entrou em trabalho de parto dentro do carro que a levava ao hospital. Infelizmente, quando já estávamos no ar, recebemos a triste notícia: a criança não havia sobrevivido por conta da demora para que o parto fosse feito.
Cabe aqui um depoimento pessoal. É muito triste, muito complicado mostrar o sufuco de uma mulher que busca apenas o direito básico que tem - de ter o filho em um hospital, de forma digna - e não consegue ter sua única necessidade naquele momento atendida. Minha garganta secou quando me passarma pelo "ponto" a notícia.
Hoje nossa produção trabalhou rápido de novo. Nada melhor do que voltar no dia seguinte ao mesmo local para saber se alguma coisa mostrada fez alguma coisa mudar no procedimento de que é responsável pela unidade. E eu digo " responsável pela unidade" porque a experiência nos mostra que, na maioria das vezes, os médicos também são vítimas de um sistema amputado de recursos, condições de trabalho e respeito ao contribuinte. Várias vezes são os próprios médicos - que não identificamos, claro - que nos procuram para denunciar o sufoco que vivem a cada dia. Na reportagem de hoje, parece até brincadeira: encontramos mais uma vez uma mulher grávida, na portaria do mesmo hospital. Novamente, como a mãe mostrada ontem, ela não conseguiu ser atendida.
Em breve os programas sociais do governo vão ser obrigados a incenticar o parto dentro de casa e o serviço das antigas "parteiras", assim como nasceu minha avó. Não porque o Brasil seja o terceiro país do mundo que mais faz cesarianas*. Não porque a Organização Mundial de Saúde aconselhe o parto normal. Não vai ser uma questão de tendência. Vai ser inoperância do sistema mesmo...
*fonte: Organização Mundial de saude - OMS
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POSTAGEM ORIGINAL:
Recentemente a situação se passou com uma colega aqui do trabalho. A mãe dela teve um derrame. Ao invés da UPA - Unidade de Pronto Atendimento, ser apenas um ponto de "passagem" da paciente rumo ao hospital, a unidade acabou virando uma "internação definitiva". A paciente tinha que sair - todos os dias - para fazer exames e voltar. O problema? Não havia leitos nos hospitais - estaduais ou municipais - para o caso em questão. Só que a história da mãe desta colega jornalista, pelo menos teve um final menos trágico que o registrado neste fim de semana: a morte de uma senhora que, de tanto esperar por uma vaga em hospital (5 dias), acabou morrendo. A discussão está na crista da onda.
Porque as UPA´s foram criadas se na verdade elas deixaram de ser "entrepostos" e sim "destino final" de pacientes? A decisão do Ministério da Saúde veio imediatamente: pacientes em estado grave agora não podem mais ficar esperando em UPA ou em PAM - Posto de Atendimento Médico - até que haja leitos disponíveis em hospitais. O paciente tem direito a ser levado direto para unidade especializada.

UPA: unidade que faz a "filtragem" dos casos antes do hospital. Mas se falta lugar no hospital, muda o quê? / Foto: jornal "O Globo".
A decisão é acertada. A situação caótica no sistema de saúde carioca -e também brasileiro - acabou transformando o provisório em definitivo. A Central Reguladora, criada como o próprio no me já diz para "regular" a demanda de leitos nos hospitais e a necessidade de pacientes graves, foi uma boa idéia. Só que, por tabela, a acabou burocratizando o que não precisa - e não pode - ser burocratizado: atendimento de emergência. Note bem que o problema não está na Central. Mas uma Central assim só funciona bem se nosso sistema de saúde tiver padrões europeus de agilidade no encaminhamento de pacientes graves e de oferta de leitos. Se não tem leito, a Central regula o que?
Ficou cômodo desafogar emergências dos hospitais fazendo das UPA´s. Elas viraram uma espécie de compota - como nas hidrelétricas - que rege a vazão de água (leia-se paciente) acumulada(o).
O ministério da Saúde disse hoje um "xô" para a lentidão do sistema, mas ainda falta muito para as coisas funcionarem. A discussão é apenas onde o paciente em estado grave vai esperar. Leito que é bom mesmo... ainda está faltando.









