O peso de uma traição.
ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 26/10/2010 às 14h09
Destaque hoje para um comentário que me chamou muito a atenção sobre esse assunto. Não sei se teria tanto "sangue-frio" como o leitor que enviou sua experiência. Mas sei que quem consegue manter um casamento, mesmo depois de tantas reviravoltas, tem muitos mais sabedoria do que imaginamos. Veja só:
"Depois de casado por mais de 12 anos, com 2 filhos, minha esposa estava com comportamento estranho. Conversamos e ela pediu um "tempo" em nosso relação. Depois descobri que a minha esposa estava saindo com o dono do escritório onde ela trabalha. Na hora me deu muita raiva, eu não acreditava no que estava acontecendo, pois eu sou um marido que todas as mulheres sonham: caseiro, tranquilo, em resumo, faço tudo pela família. Depois de conversarmos muito, entendi que para a mulher, não basta casa, comida, etc. Eu deixei de dar-lhe o carinho que ela merecia, tinha umas atitudes que desagradavam a ela. Reconheço que ela tentou conversar comigo várias vezes e eu, bobão, não soube ouvir. Nessa outra relação, pouco tempo depois, ela descobriu que o cara também saia com outra. Daí foi quando ela pensou melhor e me pediu para lhe dar uma chance. Eu aceitei. Agora estamos muito bem. Não precisou de violência, eu disse a ela que a amava do meu jeito, mas que para ela ser feliz, abriria mão dela. Não adianta ela ser infeliz ao meu lado, violência não leva a nada." - Rodrigo Hart
E você? O que acha disso?
______________________________
POSTAGEM ORIGINAL:
Antes era assim: o casal tirava a aliança do dedo e cada um ia para seu lado. É bem verdade que o que sempre deu mais trabalho era tirar o "ex" da cabeça e não do "dedo". Hoje não se tira aliança... se tira a vida. O fim de semana violento, em dois casos de crimes passionais - aqueles que envolvem relações amorosas - reforça a tese policial de que as pessoas estão resolvendo cada vez mais seus problemas sentimentais na base da violência e do gatilho.
Na base do gatilho ou da bolsa. Foi o que aconteceu no Jardim Botânico, zona sul, neste domingo: um homem é acusado de matar a companheira estrangulada com a alça da bolsa dela. O requinte de crueldade: ele ainda ligou para a sogra para dizer que havia assassinado a filha dela porque havia sido traído.
O outro caso foi em São João de Meriti, Baixada Fluminense. Nesse eu preferiria nem acreditar em crime passional, embora todos os indícios caminhem para isso. Se o saldo de cinco mortos durante uma festa tiver sido mesmo motivado por um marido traido, esta será a prova cabal de que o Rio de Janeiro é "terra sem lei".
Mas porque esses casos estão aumentando no Rio de Janeiro? - De acordo com uma psicólogas com quem conversei informalmente nesta segunda-feira, a resposta pode não estar na "psiquê" humana. A explicação pode estar no baixo índice de casos de homicídios solucionados na cidade maravilhosa. Então perguntei para quem é da polícia. Sem a menor aptidão a compreender a psicologia dos relacionamentos, um colega, policial civil, me respondeu: "Fábio, se as pessoas resolvem conflitos de 10 reais no tiro, porque não resolveriam uma questão de honra - que não tem preço - da mesma forma?"
As respostas do policial e da psicóloga, em uníssino, me convenceram. A certeza de impunidade - já tão debatida e "mais velha que andar pra frente" aqui no nosso blog - chegou agora à cama de tantos vários casais. A lei da selva é ancorada pela máxima de que, se não vai haver punição, porque não lavar também a honra com sangue?
Me lembro bem de um caso que cobri quando ainda morava em Brasília. Um homem foi à delegacia pedir para ser preso porque tinha acabado de matar a esposa que o havia traído. Ele dizia diretamente ao delegado: "não sou bandido, mas matei. Matei porque ela me traia. Estou aqui para ser um preso honrado e não um traído solto. Vou ser mais livre atrás das suas grades."
O problema maior é quando o caso ultrapassa os limites das quatro paredes, como o de domingo. Entre os cinco mortos está um adolescente, de 16 anos. Jovem que perdeu a vida por conta de uma suposta traição. Tão "suposta", como o conhecimento que ele teria de tal fato. Este é o típico o caso de quem nem sabe porque morre. É o caso de quem se vai, num crime passional, quando talvez, nem tenha inciado ainda sua própria vida amorosa.










