RESTART: a moda colorida. (parte 1)
Nenhum dos quatro tinha sequer uma cor repetida nas roupas. Tênis coloridos, calças com tons intensos, camisetas com estampas divertidas. Os casacos, em tons que variavam do azul ao amarelo mais “cheguei” - como se dizia na década de oitenta - arrematavam o visual e aqueciam os quatro garotos de São Paulo que não esperavam uma noite tão fria e chuvosa em pleno Rio de Janeiro.
Aliás, Rio de Janeiro que nada. A banda estava quase que “escondida” em uma pousada a aproximadamente 1 hora e meia do Rio, no município de Itaboraí, região metropolitana da cidade. Porque tão longe? Confesso que passou de tudo na minha cabeça: desde corte nos custos, até preferência por um local mais perto de São Gonçalo, município vizinho onde estava marcada a apresentação daquela noite. Só mesmo ao chegar à pousada deu para entender o motivo: mesmo tão longe da capital havia uma legião de crianças e adolescentes no portão quase que colocando a estrutura de ferro abaixo. Como seria na cidade grande então, hein?
Foi escutando o barulho das pessoas batendo no portão e gritando o nome do grupo que o Restart me recebeu em uma das suítes da pousada para uma entrevista. Não sei qual deles dormiu naquele quarto, mas a televisão ligada no jogo do Corinthians me deu a entender que talvez fosse o quarto do vocalista e baixista Pe Lanza, um corintiano fanático. Com a televisão devidamente desligada - para não tirar a atenção da entrevista segundo ele mesmo - iniciamos a conversa.
Para começar o básico: quem é o Restart por ele mesmo? “Somos happy rock” - definiu logo de cara o vocalista. Isso nem precisa ter perguntado: a alegria dos moleques era visível mesmo depois de terem dormido menos de 3 horas na noite anterior. O grupo vinha de uma apresentação em Porto Alegre e depois ainda seguiria - no ônibus da turnê - para Franca, interior de São Paulo. Difícil se definir “happy” fazendo quatro shows em um fim de semana de dois dias? Talvez. Mas eles realmente se mostraram felizes e simpáticos e isso não me cheirou a marketing. Para falar a verdade nada me pareceu “pasteurizado” na banda. Desde o figurino, os cabelos, o estilo como um todo: tudo parecia feito por eles mesmos. Claro que fica bem mais fácil ter estilo bem marcado com tênis de 500 reais no pé e roupas de marca, certo? Mas tudo ali era autêntico. E não é das grifes que estou falando...
O portão de ferro, que continuava a emitir um som à parte na entrevista, motivou entramos no assunto dos fãs. E eu digo “dos” fãs, porque muito se engana quem pensa que são só as meninas que se enfrentavam para ver de perto qualquer um deles. Muitos meninos também marcavam presença, assim como muitas crianças pequenas mesmo!
De volta ao assunto “frenesi" dos fãs, eles não se intimidam nem semeiam falsa modéstia ao admitir: é sempre assim. O carinho das pessoas está justamente naquilo que eu estava testemunhando: serem descobertos mesmo longe, lá onde “Judas perdeu as Botas” como um desses fãs definiu. “Se estivéssemos em algum lugar que não nos reconhecessem aí sim iríamos estranhar.” - diz o guitarrista Pe Lu, o porta-voz da banda a essa altura do campeonato.
Mas esse “carinho” todo já resultou em alguns hematomas. Thomas lembra que, uma vez, uma fã correu de encontro aos garotos e, com o piso molhado, acabou escorregando. Pronto: foram a menina e o guitarrista Koba direto para o chão! Isso sem contar as inúmeras histórias que um dos seguranças do grupo me contava enquanto eu esperava que eles se arrumassem antes da entrevista. Já teve caso de adolescente que quebrou a trava da janela da van e se escondeu debaixo do banco. Foram horas de corpo totalmente imóvel até que, depois que o veículo já estava em movimento a caminho do hotel, as meninas mostravam para que vieram: tietar à bordo! Mas relatar tudo o que ouvi seria, sem dúvida, assunto para outra postagem. “Machucar às vezes elas nos machucam sim, mas a gente entende que tem pessoas que realmente não conseguem se controlar muito bem. A gente sente que é carinho.” - completa Koba sem mencionar os arranhões e puxadas de cabelo também já sentidas.
Todo esse carinho deixa marcas mas também leva um pouco deles: a privacidade. Todos são unânimes em dizer que não tem do que reclamar, que é a vida que sempre sonharam ter. Mas um deles confessa: “sinto falta de quando podíamos sair do colégio e ia todo mundo comer no shopping, as cinco da tarde. Hoje não dá mais pra fazer isso sem criar alguma confusão.” O vocalista Pe Lanza está sendo modesto quando fala de “alguma” confusão. Em abril de 2010 o Restart precisou cancelar uma sessão de autógrafos em um shopping de São Paulo porque mais de 3 mil pessoas se engalfinhavam para ver os meninos. O alerta da segurança soou: seria impossível prosseguir com o evento planejado sem que tudo acabasse em uma grande confusão. Um caso que projetou ainda mais a banda dos quatro meninos que vestem colorido até para fora do Brasil. Sem precedentes? Não. Em proporção até maior o astro teen canadense Justin Bieber já tinha passado por isso nos Estados Unidos. Mas, aqui no Brasil, o recorde é deles: do Restart.
A continuação da entrevista com a banda Restart você confere amanhã, terça-feira, na atualização do blog. Até lá!













