“Dançando” na chuva.
ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 07/11/2010 às 18h02
Mesmo com um dia quente, no qual dificilmente alguém se lembraria dos estragos das chuvas com tanto furor, achei bacana o governo se manifestar. Foi a primeira vez na minha história de Rio de Janeiro - e olha que lá se vão 5 anos - que vi uma resposta concreta sobre o que fazer com a Praça da Bandeira que, quando chove, vira a "Praça da Piscina".
Serão R$ 293 milhões para obras que prometem eliminar os pontos de alagamentos no local, maior dor de cabeça do trânsito carioca. A notícia ruim é que tudo é construção à longuíssimo prazo (em proporção à necessidade de melhorias) embora tenha data para inauguração. A previsão é de que o trabalho seja concluído em 2014, antes da Copa do Mundo. Demora mesmo para fazer a obra ou não é coincidência a proximidade com outro tipo de disputa que não é esportiva?
POSTAGEM ORIGINAL:
Vou confessar que hoje estou com uma preguiça danada de escrever. Preguiça legítima, diga-se de passagem, quando se vai dormir às 2h45 da manhã tentanto voltar para casa numa noite de chuva. Passando por bairros que ficam "ilhados", do centro à Barra da Tijuca, foram nada menos que 3 horas de viagem.
Minha saga começou no centro. Como beber e dirigir não podem entrar no mesmo "cardápio" de diversão num domingo à noite, deixei o carro em casa. A Avenida Presidente Vargas já virava um rio na altura do Sambódromo. A Rua dos Inválidos era uma solene "inválida" ao trânsito. Não havia para onde ir, não tinha outra alternativa de transporte se não fosse o bom e velho ônibus. À bordo de um deles, - sim, apresentador também pega ônibus mesmo sem chuva - consegui ir até a Lapa, onde a oferta de taxis seria teoricamente maior. Ledo engano.
Taxi para voltar para casa da Lapa ontem? Melhor esquecer. Chove forte no Rio de Janeiro e, você, no meio da rua, molhado, nem adianta que taxista nenhum quer parar. Alguns deles pelo motivo óbvio de não terem para onde correr com ruas alagadas. Outros porque dizem, sem pudor, que não querem molhar o estofamento do carro. O jeito foi se molhar ainda mais caminhando até o Catete. A essa altura do campeonato a chuva já estava mais fraca, o que motivou meus passos largos. Mais uma vez estava eu, cara-a-cara, com os taxistas e suas negativas aos meus sinais frenéticos para parar. Não pense que fui tão inocente a ponto de não pensar em um rádio-taxi, ok? Todos estavam "sem previsão" de carro disponível; como diziam as atendentes de voz robotizada.
Só mesmo no Aterro do Flamengo consegui pegar meu segundo ônibus da noite, agora em direção à Freguesia. Dedução lógica: para seguir até a Freguesia seria necessário passar pela Barra da Tijuca, certo? O transtorno daí em diante seria apenas tolerar as roupas molhadas - a ponto de torcer - dentro do coletivo com o ar condicionado tinindo. O ônibus lotado já nem incomodava mais. O pior é que a minha situação não era tão ímpar como pensava. Fiquei imaginando a situação de pessoas que também precisassavam voltar para casa de ônibus em pontos ainda mais distantes. E o torcedo do Fluminense que saía do Engenhão, hein?
A minha experiência com transporte, numa noite de chuva, justifica minha preguiça de escrever hoje. Preguiça a ponto de me permitir a idéia de dar apenas uma "chupetada" em velhos textos do blog sobre o assunto. São várias as postagens antigas que reclamam de um problema atual: a falta de infraestrutura da nossa cidade para absorver o excesso de água quando São Pedro abre demais a torneira lá em cima. Em menos de um ano de arquivo, localizei 3 postagens sobre o tema. Em todas elas - eu disse TODAS - os locais de alagamento eram exatamente os mesmos. Seria só dar Control+C e Contrl+V para copiar e colar o texto.
Não precisou. Meu relato foi a versão molhada, e na pele, do que milhares de fluminenses passam todas as vezes que chove. Como se diz no popular: dancei - e dancei feio - ao esquecer que moramos em uma cidade imprevisível e de autoridades previsíveis. Entra chuva, sai chuva... tudo continua do mesmo jeito.











