103 anos em curvas e retas.

15
dez
17h27

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 16/11/2010 às 2010

Nada mais curioso que uma cidade que foi inteirinha programada, planejada e construída. Quase tudo de uma vez só! Por isso, como o assunto aqui é Brasília - na semana dos 103 anos de Oscar Niemeyer - resolvi elencar algumas curiosidades sobre a capital do país. Exemplo? Coisas que sempre surpreendem que nunca pisou nas ruas da capital do país.

1 - Você sabia que Brasília não tem esquinas? O traçado com ruas comerciais que acabam em cruzamentos em forma de pequenos "anéis viários", as chamadas "tesourinhas", garante esquinas "inesistentes".

tesourinhas 103 anos em curvas e retas.

 

2 - Você sabia que a humidade do ar na cidade pode chegar a índices de 9%, sendo mais seco que no deserto do Saara? É o resultado do intenso calor e de periódos de até 120 dias sem chuvas na região.

secura 103 anos em curvas e retas.

 

3 - Você sabia que as paredes internas da Catebral de Brasília tem uma acústica tão perfeita que, falando-se bem perto dela de um lado - o mais baixinho possível - se escuta claramente do outro lado, há mais de 100 metros de distância?

catedral acustica 103 anos em curvas e retas.

 

4 - Você sabia que o Lago Paranoá esconde em seu fundo uma segunda "cidade" submersa? Era o grande "canteiro de obras" da capital federal onde havia até vilas. Moradia de alguns engenheiros e operários.

submersa 103 anos em curvas e retas.

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POSTAGEM ORIGINAL:

"Um telefone é pouco, para quem ama como louco e mora no Plano Piloto." 

desenho 150x150 103 anos em curvas e retas.Impossível ter nascido, morado ou desfrutado o prazer raro que Brasília oferece - e tem que saber desbravá-la! - sem conhecer essa estrofe do músico e escritor Ranato Mattos. Sem dúvidas, alusão clara às grandes distâncias da nossa capital federal.

Impossível não ver a juventude de Brasília representada em musicais como "Léo e Bia" - que agora chega aos cinemas - com o brilhantismo de Oswaldo Montenegro. Sem dúvida nenhuma, referência à criatividade implícita em gerações e mais gerações de músicos e pensadores "candangos".

Impossível não mencionar Renato Russo e seu "faroeste caboclo" quando se fala de uma cidade que nasceu sob o signo da mudança cultural. Sem exagero, a alma da juventude brasiliense.

Mais impossível ainda?  - Mais impensável ainda é vislumbrar qualquer poesia,  montagem teatral, filme ou música que trate de Brasília sem  que haja, no fundo, como moldura, alguma obra de Oscar Niemeyer. Esse "seu Oscar" é referência. 

Alvorada 103 anos em curvas e retas.

Palácio da Alvorada: residência do Presidente da República. / Foto: internet.

Foi assim que a  jornalista Maria Helena Braun, editora-chefe do jornal "Record News Sudeste" foi apresentada a ele quando ainda era criança: "seu Oscar". Ele era apenas um vizinho, pai de amigas de infância. Em um bate-papo informal, há mais de 5 anos, quando cheguei ao Rio, ela me confessou: mal poderia imaginar que aquele homem se tornaria a "grife" da arquetura da capital do país.

Quando eu era adolescente, em Brasília, essa ficha já tinha me caído. As devidas apresentações já tinham acontecido pelos livros. Difícil era estudar na cidade e não ter entre as atividades escolares passeios e estudos sobre as obras daquele homem. Era muito traçado futurista para a década de 60. Mesmo nos anos 80 eu ainda olhava embasbacado. Quando comecei a trabalhar, já na década de 90, ainda tinha tempo para deixar o queixo cair. Cobrindo Congresso Nacional, Palácio do Planalto e ministérios de maneira geral,  não tinha erro: eu trabalhava dentro das obras dele. A admiração só aumentou e a curiosidade também.

Catebral1 103 anos em curvas e retas.

Catedral de Brasília: "mãos" de concreto voltadas ao alto em oração. / Imagem: internet.

 Assim como as linhas retas da vida sucumbidas pelas curvas do imprevisível; da cidade criada por ele vim parar na cidade que o criou. Nascindo no Rio de Janeiro, foi aqui mesmo que Niemeyer resolveu passar seu aniversário. No "Hoje em Dia - Rio" de hoje, citar Niemeyer foi mais que pedir para rodar uma matéria.  Mesmo com o tempo estourado e com a doce voz de minha diretora no ouvido dizendo que o tempo estava curto, não deu para resistir: foi preciso dar parabéns ao "gênio".

Niemeyer desenhando 103 anos em curvas e retas.

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