Adoção: e se ela disser “quero ficar”?
ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 21/12/2010 às 12h53
Muito bacana constatar isso: o número de comentários de pessoas narrando atitudes semelhantes - mesmo sem ser por meio de um projeto como o apresentado na postagem - é superior ao de pessoas simplesmente apoiando o tema.
O que isso significa? - Em primeiro lugar significa que o carioca é muito mais solidário do que imaginamos. Em segundo lugar que a chamada "adoção à brasileira" ainda impera nas estatísticas de crianças que ganham um lar... mas tende a cair. Uma pena que o "à brasileira" nesse caso remeta a uma adoção informal, não regular e longe dos olhos e critéiros das autoridades competentes. Reflexo claro de uma política de adoção antiquada e burocrática que o Brasil enfrentava. E digo "enfrentava" porque todos os casos recentes que tenho acompanhado sempre tem contado com um processo mais célere e menos "burrocrata".
Aqui mesmo na TV tenho uma colega, jornalista, que optou pela adoção de um belo garotão! Conversava com ela sobre isso, o relato é surpreendentemente positivo: tudo aconteceu de forma ágil, sem deixarmos de considerar toda uma pesquisa que é feita na vida de quem se candidata a ser "mãe" ou "pai" adotivos. Hoje a informalidade é uma opção que só atrapalha a relação futura entre pais e filhos.
Vale lembrar ainda que o número de casais homossexuais interessatos em adoção - e bem sucedidos nisso - só tem aumentado. No Rio a procura aumento em 27%. Números da própria Vara da Infância e da Juventude só para o ano passado. Explicação? As autoridades públicas estão bem menos preconceituosas e, por fim, parece que um raciocínio impera: o de que não muda nada na formação de uma criança ter pais homossexuais.
Se ainda assim esse raciocínio não convencer, que os preconceituosos de plantão pelo menos pensem assim: melhor ter pais homossexuais do que não ter "pai" nenhum.
É só para pensarmos.
Já imaginou quantas crianças já não perderam oportunidade de uma nova família por causa de preconceito?
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POSTAGEM ORIGINAL:
Já ouviu falar de “apadrinhamento afetivo”? O nome pode parecer complicado, mas na prática é bem simples: apadrinhar afetivamente uma criança significa cuidar dela em algum abrigo, creche ou orfanato sem necessariamente precisar tirá-la de lá. É isso que difere o apadrinhamento afetivo da adoção: você cuida, mesmo ela não estando dentro da sua casa! O modelo é uma novidade na relação com crianças que vivem em situações de desamparo familiar.
Também não precisa de dinheiro. Não se o padrinho não quiser. O apadrinhamento afetivo não envolve sustentar e sim escolher uma criança para “olhar”, mesmo que à distância. É procurar saber se a criança está bem de saúde, se está bem na escola, etc. "As vezes uma conversa para saber como as coisas estão já muda muita coisa. A criança se sente muito mais importante”. - diz Bárbara Toledo, da instituição “Quintal da Casa de Ana”, pioneira nessa modalidade de assistência aqui no Rio de Janeiro.
É claro que, se esse cuidado vier associado a uma preocupação com alimentação e estudos - de forma financeira, falando claramente - melhor ainda. Num terceiro momento, o contato com o padrinho também pode se transformar em uma rica experiência “domiciliar”, digamos assim. Depois de entrevistas, conversas e uma avaliação da entidade, o padrinho pode partir para um contato maior: retirar a criança do abrigo para passar um dia, ou quem sabe um fim de semana inteiro fora. “Não é uma obrigação, mas é uma forma de de estreitar laços.” - conclui Bárbara.
Isca para adoção - Não dá pra negar que isso tem um efeito psicológico muito bem alinhavado. Quem cuida de uma criança - que não tem o apoio e carinho dos pais - sem pensar em fazer da experiência esporádica uma vivência definitiva? Além do “apadrinhamento afetivo” funcionar bem para assistir crianças dentro das instituições, Bárbara não nega quando pergunto: "sim, essa modalidade é o ponta-pé inicial para pessoas que acabam adotando, de papel passado, a criança que antes era só uma 'visitante' dentro de casa."
Confesso que fiquei pensativo. E se em uma dessas “visitas” a criança me perguntar diretamente algo do tipo: “tio, posso ficar com você?”
O que fazer? O coração dá um nó? Trava? Chora? Não saberia o que fazer em uma situação como esta! Mas aí não são necessários mais que dois minutos para a resposta fluir na mesma velocidade do meu questionamento: se a relação estiver no ponto da criança indagar isso é porque já estamos bem mais próximos do que imaginava. "Sim, a experiência mostra que esse estágio acaba deixando um gostinho de quero mais” - comenta Bárbara que passou por uma situação exatamente assim: depois de muitas visitas, passeios e carinho, resolveu aumentar a família. Dos cinco filhos que tem hoje, dois são adotados: um menino e uma menina.
É para fazer a gente pensar. É para fazer a gente se perguntar até que ponto aproveitar o Natal para ajudar apenas uma vez ao ano é mesmo o suficiente. A entrevista me convenceu que, crianças assim, precisam mais que presente. Precisam mesmo é ter alguém um pouco mais presente...













