“Bolsa-traficante”.
ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 03/11/2010 às 08h13
Para começar o fim de semana que fecha uma semana de ocupação no Alemão, que tal uma pitada de bom humor? Como todos nós brasileiros já nos especializamos em rir de nossas próprias mazelas, os grandes chargistas do nosso país não ficaram sem "munição" nesse período. Todas foram enviadas por leitores que já sabem dessa nossa tradiconal coluna "ria de si mesmo antes que os outros riam."
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POSTAGEM ORIGINAL:
Não é a multiplicação dos peixes, mas para os moradores do Alemão parece milagre. Pela primeira vez está partindo de um órgão público fazer o que, até então, poucos voluntários tinham coragem: entrar no complexo de comunidades para doar. O que impedia esse ato tão nobre? Um problema também tem quatro letrinhas: medo.
Os 1.200 quilos de peixe distribuídos hoje para panelas do Alemão são o resultado de uma pesca ilegal de sardinha no chamado período de defeso. Mas não se engane pensando que antes faltava comida na mesa. Apesar da pobreza latente no local, ninguém nunca passou fome por ali. Palavra de um morador desempregado, que vive com a esposa e dois filho em uma pequena casa com menos de 20 metros quadrados que, claro, não quer se identificar.
De acordo com os próprios moradores, mais que “bolsa-escola” ou o tradicional “bolsa-família” o tráfico sempre teve seu assistencialismo silencioso e sem nome. Não era nenhuma dessas bolsas mas resolvia. Esse é o raio-x do “trabalho social” do tráfico que todo mundo já conhecia mas que agora volta ao centro das atenções. Não é de espantar que, em alguns momentos, traficantes fossem mais respeitados que o poder público instituído na figura da polícia. Não é de se estranhar que alguns moradores ainda preferissem o poderio do tráfico ao poder do estado. A referência de atenção social à populações carentes era truncado. Tudo porque o poder público nunca esteve lá. Como ter uma referência clara do que é ação social pública?
Voltando aos peixes, a dona Maria, moradora do Morro do Adeus, hoje mandou um recado no ar durante o “Hoje em Dia": eu e Mariana Leão poderíamos ir até lá, comer a sardinha à milanesa que seria o prato principal do almoço na casa dela. É verdade. Agora a gente pode mesmo ir, viu dona Maria? Sobra peixe e falta traficante que impeça. Dá pra exercer o direito básico - constitucional - de ir e vir. Isso não tem assistencialismo custeado pelas drogas que pague.















