“Bolsa-traficante”.

2
dez
13h10

ÚLTIMA ATUALIZAÇÃO: 03/11/2010 às 08h13

Para começar o fim de semana que fecha uma semana de ocupação no Alemão, que tal uma pitada de bom humor? Como todos nós brasileiros já nos especializamos em rir de nossas próprias mazelas, os grandes chargistas do nosso país não ficaram sem "munição" nesse período. Todas foram enviadas por leitores que já sabem dessa nossa tradiconal coluna "ria de si mesmo antes que os outros riam."

Charge Nasa 300x245 Bolsa traficante.

Sobre a pergunta que não quer calar: para onde foram os traficantes do Alemão? (Alpino).

 

Charge Coletiva 300x250 Bolsa traficante.

Sobre as explicações das autoridades. Ocupação é "batalha" ou "guerra" ganha? (Alpino).

Charge Faustão 300x231 Bolsa traficante.

Sobre a concorrência numa cobertura ao estilo "Record". (Alpino).

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POSTAGEM ORIGINAL:

sardinha3 150x150 Bolsa traficante.Não é a multiplicação dos peixes, mas para os moradores do Alemão parece milagre. Pela primeira vez está partindo de um órgão público fazer o que, até então, poucos voluntários tinham coragem: entrar no complexo de comunidades para doar. O que impedia esse ato tão nobre? Um problema também tem quatro letrinhas: medo.

 Os 1.200 quilos de peixe distribuídos hoje para panelas do Alemão são o resultado de uma pesca ilegal de sardinha no chamado período de defeso. Mas não se engane pensando que antes faltava comida na mesa. Apesar da pobreza latente no local, ninguém nunca passou fome por ali. Palavra de um morador desempregado, que vive com a esposa e dois filho em uma pequena casa com menos de 20 metros quadrados que, claro, não quer se identificar. 

02sardinha372x231 Bolsa traficante.

Peixe de graça: um "agrado" aos moradores do Alemão... e não é do tráfico. / Foto: R7.

De acordo com os próprios moradores, mais que “bolsa-escola” ou o tradicional “bolsa-família” o tráfico sempre teve seu assistencialismo silencioso e sem nome. Não era nenhuma dessas bolsas mas resolvia. Esse é o raio-x do “trabalho social” do tráfico que todo mundo já conhecia mas que agora volta ao centro das atenções. Não é de espantar que, em alguns momentos, traficantes fossem mais respeitados que o poder público instituído na figura da polícia. Não é de se estranhar que alguns moradores ainda preferissem o poderio do tráfico ao poder do estado. A referência de atenção social à populações carentes era truncado. Tudo porque o poder público nunca esteve lá. Como ter uma referência clara do que é ação social pública?

 Voltando aos peixes, a dona Maria, moradora do Morro do Adeus, hoje mandou um recado no ar durante o “Hoje em Dia": eu e Mariana Leão poderíamos ir até lá, comer a sardinha à milanesa que seria o prato principal do almoço na casa dela. É verdade. Agora a gente pode mesmo ir, viu dona Maria? Sobra peixe e falta traficante que impeça. Dá pra exercer o direito básico - constitucional - de ir e vir. Isso não tem assistencialismo custeado pelas drogas que pague.

Faixa Bolsa traficante.

População agradece: vizinhança não aguentava mais tiroteios. / Foto: R7.


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A ortografia da ousadia.

1
dez
08h38

Que a ousadia é marca registrada do tráfico de drogas isso todo mundo já sabe. Em qualquer cidade do país o abuso fica explícito nas imagens flagradas. Bandidos apontam armas para a polícia, desafiam as forças de segurança através de rádios comunicadores ou agem livremente em algumas comunidades, mesmo durante o dia. Mas mesmo depois de derrotados - pelo menos no Alemão, no Rio de Janeiro - eles não se dão por vencidos.

traficante 1 A ortografia da ousadia.

Flagrante de cinegrafista amador: traficante armado em comunidade carioca. / Foto: jornal "Extra".

O comentário postado no blog nesta quarta-feira foi replicado anonimante também no Orkut. A mensagem vem de alguém que se identifica com "Movimento vivo" e faz questão de tentar convencer que o tráfico do Complexo do Alemão não morreu, apenas mudou de endereço. A ousadia está transcrita abaixo sem nenhuma correção ortográfica.

"Num faz iluzao jornalista. O movimento ta foste e volta depois. O lugar da boca muda nada. Quem que buscaonde tiver. Sabia que a poliça ia la ja. Fugimos todos mundo."

Apesar do pouco estudo que se reflete na ortografia comprometida, desta vez o autor do comentário foi mais gentil. A mesma pessoa já tinha mandado alguns recados aqui, no blog mesmo, falando de como o tráfico agia e o que esperava de todas essas operações. Só que o baixo nível das menagens - se é que você me entende - impedia a publicação. Agora, com linguajar mais "leve", o recado está disponível. Para quem não conhece os jargões do crime organizado cabe uma explicação: "movimento" é um eufemismo utilizado por bandidos para denominar o que em um bom e claro português chamamos de tráfico mesmo.

traficantes 2 A ortografia da ousadia.

Imagem flagrada pelo jornalismo da Rede Record em 2009. Trafcantes circulam armados no morro São Carlos.

A publicação desta mensagem não é para que o blog se preste como canal de comunicação do tráfico. Muitas mensagens de bandidos chegam toda semana aqui no blog e a maioria delas é solenemente deletada. Mas num momento político tão importante no Rio de Janeiro, avalio que esse relato é rico para percebermos a pretenção de quem se acha invencível. Quem escreve uma mensagem dessas na verdade está em desespero total. É gente que percebeu durante nossas transmissões na sexta, no sábado e no domingo, que a situação estava perdida. No mesmo liguajar dele, gente que percebeu que "a casinha caiu" dessa vez.  

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